Cine Riviera: quando Iporá tinha cinema, filmes e até programa de rádio ao vivo
Por Pedro Claudio
Quem olha para esta fotografia talvez veja apenas uma antiga fachada, marcada pelo tempo. Mas as grandes letras “CINE” revelam muito mais: ali está uma parte da memória cultural de Iporá.
Sim, Iporá teve cinema — e a história é mais recente do que muitos imaginam.
Na época registrada pela fotografia, o cinema funcionava na Rua Esmerindo Pereira e era propriedade de Aytubes Diniz, empresário de uma família que teve participação importante na história econômica e comercial da cidade. Entre os empreendimentos ligados à família estava também o Esplanada Hotel , que ficava na esquina próxima ao cinema.
O cinema era Cine Riviera e não se limitava às sessões de filmes. O espaço também fazia parte da vida cultural e artística de Iporá.
Um dos exemplos era o programa “Roda de Violeiros”, transmitido pela Rádio Rio Claro, que acontecia nas manhãs de domingo. O programa reunia música, violeiros e a participação da comunidade, criando uma ligação interessante entre cinema, rádio e cultura popular.
Era outro tempo.
Antes da televisão por assinatura, da internet, das plataformas de streaming e dos smartphones, o cinema era um dos espaços de encontro da população. Ir ao Cine Riviera significava muito mais do que assistir a um filme. Era uma oportunidade de encontrar amigos, namorar, conversar e participar da vida cultural da cidade.
Os filmes também fazem parte da memória
A fotografia ajuda a recuperar um pouco daquela época. Os cartazes espalhados pela fachada anunciam as atrações que estavam em cartaz e registram nomes e produções que faziam parte do cotidiano dos frequentadores.
Hoje, esses cartazes podem parecer apenas propaganda antiga. Para quem viveu aquele período, entretanto, eles podem despertar lembranças: qual filme foi assistido? Com quem? Quanto custava o ingresso? Como era a sala? Quem trabalhava no cinema?
São detalhes que normalmente desaparecem com o passar dos anos, mas que ajudam a reconstruir a história de uma cidade.
O Cine Riviera e a Rádio Rio Claro
Há ainda um detalhe particularmente interessante nessa história: um cinema que também servia como espaço para a produção de um programa de rádio.
O Roda de Violeiros, transmitido pela Rádio Rio Claro nas manhãs de domingo, mostra como os meios de comunicação e os espaços culturais estavam interligados.
A rádio levava a voz dos artistas para os ouvintes e o cinema oferecia um espaço físico para a realização do programa. Era uma forma de aproximar rádio, música, cultura sertaneja e comunidade.
Para quem trabalha ou trabalhou no rádio em Iporá, essa memória ganha ainda mais significado.
Uma fotografia que merece ser preservada
A imagem do antigo Cine Riviera não é apenas uma fotografia de uma construção. É um registro de uma época em que Iporá tinha seus próprios espaços de entretenimento e cultura.
Hoje, talvez muita gente mais jovem nem imagine que naquela rua existiu um cinema, que os filmes eram anunciados nas paredes e que, nas manhãs de domingo, dali também se fazia rádio.
A história de uma cidade não está somente nos grandes acontecimentos. Ela também está nos cinemas, nos programas de rádio, nos hotéis, nas praças, nas lojas e nos lugares onde as pessoas viveram seus pequenos e grandes momentos.
E o Cine Riviera, ligado à história de Aytubes Diniz, da família Diniz, do Hotel Esplanada e da Rádio Rio Claro, é uma dessas histórias que Iporá precisa preservar.
Quem viveu essa época certamente tem muito mais para contar.
Pedro Claudio – jornalista e radialista
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