terça-feira, 31 de março de 2026

Jornalismo Não É Propaganda: Entre a Verdade dos Fatos e a Responsabilidade de Informar

 



Foto: Studios Rádio Rio Claro entrevista assuntos locais. 

Jornalismo Não É Propaganda: Entre a Verdade dos Fatos e a Responsabilidade de Informar

O princípio de que “jornalismo não é propaganda” não é novo, tampouco casual. Ele encontra respaldo em alguns dos mais importantes escritos da história da comunicação. Um dos marcos desse entendimento está na obra Public Opinion, publicada em 1922 por Walter Lippmann, conteúdo hoje de fácil acesso inclusive em língua portuguesa e em formato digital. Nela, o autor já alertava para os riscos da manipulação da informação e para a necessidade de o jornalismo atuar como mediador responsável entre os fatos e o público. Décadas depois, o debate foi aprofundado por Bill Kovach e Tom Rosenstiel em The Elements of Journalism, onde se estabelece que a primeira obrigação do jornalismo é com a verdade, e sua lealdade deve ser com o cidadão — não com governos, empresas ou interesses particulares.

Hoje, vive-se uma profunda confusão sobre o que é, de fato, jornalismo. Em um ambiente saturado de informação, sobretudo nas redes sociais, tornou-se comum a reação imediata: se uma pauta não agrada, critica-se o veículo. Mas fatos são fatos — independem da simpatia ou da rejeição de quem os recebe. Nesse cenário, surgem expressões como “Globo lixo”, direcionadas à TV Globo, muitas vezes não por erro factual, mas por descontentamento com a exposição de acontecimentos do cotidiano.

É importante, portanto, resgatar um dos fundamentos mais básicos da prática jornalística: a estrutura da notícia. Desde os manuais clássicos, convencionou-se que toda narrativa informativa deve responder a perguntas essenciais: o quê, quem, quando, onde, como e por quê. Essas perguntas organizam o fato, dão clareza ao público e permitem que a informação seja compreendida de forma objetiva. No entanto, especialmente no caso do “por quê”, muitas vezes o discernimento final cabe ao ouvinte, leitor ou telespectador. E esse julgamento não é neutro: ele é atravessado por cultura, educação, experiências pessoais e pela própria capacidade cognitiva de cada indivíduo.

É nesse ponto que o jornalismo se distingue da propaganda. Enquanto o primeiro busca informar e contextualizar, a segunda tem como objetivo persuadir. Quando essa fronteira se rompe, surge algo perigoso: o marketing disfarçado de jornalismo. Trata-se de uma forma de charlatanismo informativo — é como receitar o remédio errado a quem precisa de orientação segura. Um exemplo claro está na divulgação de tratamentos ou produtos com suposta eficácia, sem qualquer comprovação científica, vendendo “gato por lebre” sob a aparência de notícia.

Nos tempos de páginas e mais páginas que se apresentam como conteúdo jornalístico em plataformas como Instagram e Facebook, além da proliferação de rádios e TVs web, a atenção precisa ser redobrada. Nunca houve tantos produtores de conteúdo, mas nem todos comprometidos com a ética da informação. Muitos estão interessados apenas em promover alguém, um produto ou uma ideia — e os mais desavisados acabam consumindo esse material como se fosse jornalismo legítimo.

É claro que o jornalista também precisa sobreviver, precisa de sustento. A publicidade é parte desse ecossistema. Mas há uma regra essencial: separar claramente os espaços. Quando é publicidade, que se diga com todas as letras. Quando é jornalismo, que se pratique com rigor. Misturar ambos é comprometer a credibilidade — e sem credibilidade, não há jornalismo.

Construir um mundo melhor para todos é, sim, um dos papéis do jornalismo. Mas isso não se faz com proselitismo ou distorção. Não adianta apontar os erros de políticos que se desviam de condutas ou recursos e agir da mesma forma no campo da informação. O compromisso deve ser com os fatos, com a exposição honesta das causas e consequências, e com o respeito ao público.

Pense nisso. Fazer jornalismo sério é, antes de tudo, um exercício diário de responsabilidade.

Material para leitura pode ser encontrado em plataformas como Estante Virtual ou em outras fontes de pesquisa.

Por Pedro Claudio, desde abril de 1987 no radiojornalismo em Iporá, Goiás.

 

segunda-feira, 23 de março de 2026

História e Teologia: dois caminhos, uma mesma busca

 

História e Teologia: dois caminhos, uma mesma busca




Há cursos que não apenas ensinam conteúdos, mas transformam a forma como enxergamos o mundo. Entre aqueles que tive a oportunidade de frequentar, dois se destacam de maneira especial: História e Teologia. À primeira vista, parecem trilhar caminhos distintos — quase opostos —, mas, ao mergulhar em suas profundezas, percebe-se que dialogam de maneira surpreendente.

A História, enquanto ciência, vai muito além de datas, nomes e acontecimentos isolados. Inserida no campo da História, ela busca compreender a trajetória da humanidade ao longo do tempo, analisando contextos, relações de poder, cultura, economia e mentalidades. Seu objeto central é o tempo — não apenas o tempo cronológico, mas o tempo vivido, interpretado e reconstruído a partir de evidências. Desde os primeiros registros de Heródoto, frequentemente chamado de “pai da História”, até as abordagens contemporâneas, o campo evoluiu para investigar não só o que aconteceu, mas por que aconteceu.

Já a Teologia, por sua vez, ultrapassa a ideia comum de que se limita à fé ou à religiosidade institucional. Como área de estudo, a Teologia se dedica a compreender o ser humano em sua relação com o divino, com o transcendente, com aquilo que muitas vezes escapa à lógica estritamente racional. Ela se estrutura em diversas correntes — algumas mais filosóficas, outras mais ligadas à tradição religiosa —, mas todas partem de uma inquietação comum: o sentido da existência.

É fácil imaginar um contraste: de um lado, a História, associada ao ceticismo, à análise crítica e à exigência de provas e evidências; de outro, a Teologia, frequentemente ligada ao mistério, ao simbólico e ao invisível. No entanto, essa oposição é apenas aparente. Ambas são formas de conhecimento rigorosas, cada uma com seus métodos e limites. A História questiona documentos, interpreta vestígios e reconstrói narrativas. A Teologia questiona significados, interpreta textos sagrados e busca compreender dimensões mais profundas da experiência humana.

Nesse ponto, torna-se evidente que não há espaço para fantasia ou romantização em nenhuma das duas áreas. Ambas exigem disciplina intelectual, leitura, reflexão crítica e, sobretudo, humildade diante da complexidade da vida. A famosa ideia de que “há mais mistérios entre o céu e a terra do que pode compreender nossa vã filosofia” não é um convite à ignorância, mas ao reconhecimento de que o conhecimento humano, embora poderoso, é também limitado.

História e Teologia, portanto, não se anulam — elas se complementam. Enquanto a primeira nos ancora na realidade concreta, nos fatos e nas transformações sociais, a segunda amplia nosso horizonte, convidando à reflexão sobre o sentido, o propósito e o transcendente. Juntas, ajudam a formar uma compreensão mais completa do ser humano: um ser histórico, situado no tempo, mas também um ser que busca significado além dele.

Compreender o que essas duas áreas exigem é compreender também a necessidade de equilíbrio entre razão e reflexão, entre evidência e sentido. Talvez seja justamente nesse encontro — entre o que podemos provar e o que apenas podemos buscar entender — que reside uma das maiores riquezas do conhecimento humano.

Por Pedro Claudio

domingo, 22 de março de 2026

Entre controvérsias e apoio popular, o enigma do voto brasileiro

 

Por Pedro Claudio



É um exercício quase diário tentar compreender o comportamento do eleitor brasileiro. Em um país de dimensões continentais, diversidade cultural e profundas desigualdades, o voto muitas vezes parece seguir caminhos que escapam à lógica mais imediata. Não se trata apenas de preferência partidária, mas de uma combinação complexa de identidade, valores, informação — e, sobretudo, percepção.

O caso de Flávio Bolsonaro é um exemplo que intriga. Parte da imprensa aponta uma série de episódios controversos envolvendo seu nome, que, em tese, poderiam influenciar negativamente sua imagem pública. Ainda assim, pesquisas eleitorais frequentemente indicam um desempenho robusto, sugerindo que esses fatores não têm o peso que muitos analistas imaginam. Isso levanta uma pergunta inevitável: o que, de fato, orienta o voto?

Especialistas em comportamento eleitoral destacam que o eleitor nem sempre decide com base apenas em denúncias ou fatos objetivos. Elementos como identificação ideológica, rejeição ao adversário, confiança pessoal e até sentimentos como medo ou esperança têm papel determinante. Em muitos casos, o eleitor escolhe não “o melhor candidato”, mas aquele que melhor representa sua visão de mundo — ou que se opõe ao que ele rejeita.

Do outro lado do espectro político, está Luiz Inácio Lula da Silva, uma figura que também carrega controvérsias em sua trajetória. Sua prisão, posteriormente anulada por decisões judiciais que apontaram irregularidades processuais, alimentou um debate intenso sobre justiça, política e instituições no Brasil. Ainda assim, Lula mantém uma base sólida de apoio popular, reforçando a ideia de que a relação entre eleitor e candidato vai muito além de episódios isolados.

Esse cenário revela um traço marcante da democracia contemporânea: a polarização. Em contextos assim, a análise racional muitas vezes cede espaço à paixão política. O eleitor passa a relativizar erros de seu candidato enquanto amplifica os do adversário. É um fenômeno observado não apenas no Brasil, mas em diversas democracias ao redor do mundo.

Outro fator decisivo é o papel das redes sociais. Plataformas digitais transformaram a forma como as campanhas são feitas e como a informação circula. Se, por um lado, ampliam o acesso e democratizam a comunicação, por outro, também criam bolhas de opinião, onde cada grupo consome conteúdos que reforçam suas próprias convicções. Isso pode explicar por que diferentes parcelas da população enxergam realidades tão distintas sobre os mesmos fatos.

Diante disso, talvez a pergunta não seja apenas “por que determinado candidato cresce?”, mas “como o eleitor constrói sua verdade política?”. A resposta passa por educação, acesso à informação de qualidade e, principalmente, pela capacidade crítica de cada cidadão.

No fim, há um princípio que precisa prevalecer: o respeito ao voto. Independentemente de quem vença — seja Flávio Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva ou qualquer outro nome que surja, como Ratinho Júnior ou Ronaldo Caiado — a democracia se sustenta na legitimidade das escolhas populares.

O Brasil ainda tem muito a debater. A construção de um país mais justo e equilibrado passa necessariamente pelo diálogo, pela pluralidade de ideias e pelo fortalecimento das instituições. As eleições são apenas uma etapa desse processo. O verdadeiro desafio está no que vem depois: governar para todos.

E, até lá, seguimos aguardando — atentos, críticos e, acima de tudo, comprometidos com a democracia.

 

domingo, 15 de março de 2026

Influenciadores digitais: estamos pensando por conta própria?


 

Reflexão – Por Pedro Claudio
15 de março de 2026

Nos últimos tempos, principalmente a partir da popularização da internet e do advento das redes sociais, surgiu uma figura curiosa da sociedade contemporânea: o chamado influenciador ou influenciadora digital. Como o próprio nome indica, “influencer” é alguém com poder de influenciar opiniões, comportamentos e até decisões de consumo e de voto.

Mas esse fenômeno levanta uma pergunta inevitável: por que tantas pessoas precisam de alguém para pensar por elas?

O crescimento desse tipo de personagem nas redes é impressionante. O Brasil é hoje um dos países que mais consomem redes sociais no mundo, com mais de 130 milhões de usuários conectados, e o número de influenciadores digitais já passa de 2 milhões no país.
Estudos mostram ainda que 37% dos brasileiros já compraram algum produto por influência de posts nas redes sociais, e uma parcela significativa afirma que pretende passar ainda mais tempo nesses ambientes digitais.

Ou seja, não se trata de um fenômeno pequeno. É um novo modo de comunicação, de consumo e até de formação de opinião.

Outro dia alguém escreveu — não recordo o autor — que o sucesso dos influenciadores é um sinal do aumento da burrice coletiva. Talvez seja uma frase dura, mas ela provoca reflexão. Afinal, quando abandonamos o hábito da leitura, quando deixamos de refletir e analisar por conta própria, abrimos espaço para que outros pensem por nós.

Isso tem consequências. Em um ambiente de informação rápida, superficial e muitas vezes emocional, torna-se mais fácil manipular opiniões. Abrem-se brechas para a disseminação de notícias falsas, para o consumo irrefletido e até para a eleição de políticos que não apresentam comportamento ético ou compromisso com a sociedade.

Mas seria injusto afirmar que tudo é negativo no universo dos influenciadores.

Existem pessoas sérias nesse meio, que estudam, pesquisam, possuem formação consistente ou acumulam experiências de vida que merecem ser compartilhadas. Há educadores, cientistas, comunicadores e trabalhadores que utilizam as redes para ensinar, orientar e promover conhecimento.

Aliás, pensando bem, influenciadores sempre existiram.

Penso na sabedoria dos meus pais e dos mais antigos, gente simples do interior que conhecia a natureza e os remédios do cerrado. Gente que sabia que o cordão-de-frade ajudava nos problemas de estômago, que a quina era utilizada na medicina caseira, que a erva-de-santa-maria servia para diversos males. Havia também plantas que alimentavam, como aquela que produzia uma espuma quando batida, conhecida como butique em algumas regiões.

Esse conhecimento não estava na internet, não tinha curtidas nem seguidores. Era transmitido de geração em geração, pela experiência e pela convivência.

Talvez esses sim fossem verdadeiros influenciadores — não porque apareciam em vídeos ou mostravam uma vida de luxo, mas porque possuíam sabedoria acumulada e compromisso com a comunidade.

Hoje, muitas vezes, a influência se constrói de outra forma. Valoriza-se a aparência, o consumo, a vida de celebridades, as festas da alta sociedade e os romances dos famosos.

E então fica a pergunta:

Estamos realmente evoluindo como sociedade ou apenas trocando sabedoria por entretenimento?

Influenciar não é apenas convencer alguém a comprar algo ou seguir uma tendência. Influenciar deveria significar ajudar as pessoas a pensar melhor, a compreender o mundo e a tomar decisões mais conscientes.

Talvez o verdadeiro desafio da nossa época seja este: aprender a usar as redes sociais sem abandonar aquilo que sempre foi essencial para a liberdade humana — a capacidade de pensar por conta própria.

Pedro Claudio – jornalista e comunicador.

Texto elaborado a partir de reflexões do autor com apoio de ferramentas de inteligência artificial para organização e revisão.

sábado, 7 de março de 2026

Entre o Evangelho e o Conforto: uma reflexão sobre a missão cristã

 

Entre o Evangelho e o Conforto: uma reflexão sobre a missão cristã
Por Pedro Claudio


Ao observar a vida de muitos clérigos na atualidade, surge uma inquietação que atravessa a mente de muitos fiéis e pensadores: querem eles realmente imitar Jesus, seguir seus ensinamentos e viver como ele viveu, ou transformaram a missão cristã em uma profissão, um meio de sustento e de conforto?

Essa pergunta não é nova. Desde os primeiros séculos do cristianismo, existe uma tensão entre o evangelho vivido na simplicidade e a institucionalização da fé. Jesus de Nazaré viveu sem riquezas, caminhou entre pobres, doentes e marginalizados. Não possuía casa própria, não acumulava bens, e sua mensagem central era a partilha, a humildade e o amor ao próximo.

Entretanto, ao olhar para parte do clero contemporâneo, o contraste parece evidente. Vestes caras, residências confortáveis, veículos de alto valor e uma estrutura que muitas vezes se distancia da realidade do povo que frequenta os templos. Enquanto isso, muitos fiéis chegam às igrejas com roupas simples, lutando diariamente pela sobrevivência, enfrentando filas em hospitais públicos, buscando medicamentos e até alimentos.

Do ponto de vista teológico, a missão cristã deveria refletir a vida e o exemplo de Cristo. O evangelho apresenta um modelo de liderança baseado no serviço. Jesus lavou os pés dos discípulos e ensinou que o maior entre eles deveria ser aquele que mais serve. A pergunta que surge é inevitável: até que ponto o clero atual consegue reproduzir esse modelo?

Sob a ótica sociológica, as instituições religiosas, assim como qualquer organização humana, tendem a se estruturar, acumular patrimônio e criar hierarquias. Com o tempo, aquilo que começou como movimento espiritual pode se tornar uma estrutura de poder. Essa transformação ocorreu ao longo da história das igrejas, quando a fé deixou de ser apenas uma experiência comunitária e passou a integrar sistemas políticos, econômicos e culturais.

Historicamente, houve períodos em que muitos religiosos procuraram viver radicalmente o evangelho. Ordens religiosas surgiram defendendo a pobreza voluntária, a vida simples e a convivência com os pobres. Em muitas comunidades do passado, padres e religiosos viviam praticamente como o povo, com poucas roupas, casas abertas e um estilo de vida próximo da realidade dos mais humildes. Por isso eram admirados e respeitados.

Já na perspectiva filosófica, essa questão toca um dilema moral: a coerência entre discurso e prática. Quando há distância entre o que se prega e o que se vive, surge a desconfiança. A credibilidade moral depende não apenas das palavras, mas da vida concreta. A autoridade espiritual nasce muito mais do exemplo do que da posição ocupada.

Talvez por isso muitos se perguntem hoje: o que mudou? A missão cristã transformou-se em profissão? O púlpito tornou-se mais importante que a convivência com os pobres? A palavra passou a valer mais que o testemunho?

Não se trata de negar que existam ainda muitos religiosos comprometidos, que vivem com simplicidade e dedicam suas vidas ao serviço. Eles existem, muitas vezes longe dos holofotes. Porém, a percepção crescente de luxo, disputas por posições e proximidade com os poderosos gera desconforto e questionamentos legítimos.

A história mostra que, sempre que a igreja se afasta demais do povo, surgem vozes que pedem retorno às origens do evangelho. Reformas, movimentos espirituais e novas lideranças aparecem justamente nesses momentos de crise.

Talvez a pergunta final não seja apenas sobre os clérigos, mas sobre toda a comunidade cristã: qual é, afinal, o verdadeiro sentido da missão?

Será que o modelo antigo, mais simples e próximo do povo, estava certo?
Ou será que a igreja apenas acompanhou as transformações do mundo?

São perguntas difíceis, mas necessárias.
E pensar sobre elas é também uma forma de buscar coerência entre fé, vida e justiça.

Pensemos nisso.

Pedro Claudio

 07 de março de 2026

quinta-feira, 5 de março de 2026

Intimidação a jornalistas acende alerta contra práticas autoritárias

 

EDITORIAL – Jornal RDR
Liberdade de imprensa é pilar da democracia
Por Pedro Claudio


A liberdade de imprensa é um dos pilares fundamentais da democracia. Sem um jornalismo livre, a sociedade perde um dos seus principais instrumentos de fiscalização, transparência e acesso à informação. Quando a imprensa trabalha sem medo, quem ganha é o cidadão, que passa a ter mais condições de compreender os fatos e acompanhar a atuação do poder público e das instituições.

As ameaças ao trabalho jornalístico, infelizmente, ainda acontecem. Os acontecimentos recentes em Brasília são apenas um exemplo entre muitos casos concretos de tentativas de intimidação contra profissionais da imprensa. Sempre que surgem episódios desse tipo, cresce também a preocupação com os limites do respeito à liberdade de expressão e ao direito de informar.

Um caso recente ganhou repercussão nacional ao envolver o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, que teria sido alvo de ameaças atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, investigado em apurações envolvendo o Banco Master. A reação de entidades da comunicação foi imediata.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão repudiou com veemência qualquer tentativa de intimidar um profissional de imprensa e destacou que atitudes desse tipo são incompatíveis com o Estado Democrático de Direito. Outras entidades também se manifestaram reforçando que ameaças a jornalistas representam ataques diretos à liberdade de informação.

Mas os desafios enfrentados pelo jornalismo não se limitam a episódios de grande repercussão nacional. Em muitos municípios do país, situações menores, porém igualmente preocupantes, também acontecem. Há gestores públicos que, ao não concordarem com a atuação da imprensa, tentam interferir no trabalho jornalístico procurando a coordenação dos veículos de comunicação, numa tentativa de influenciar ou pressionar a linha de cobertura.

O profissional do jornalismo precisa ser livre para exercer sua função com responsabilidade, ética e compromisso com a verdade. Trabalhar com liberdade não significa agir sem critérios, mas sim sem pressões externas que tentem limitar o direito de informar.

O jornalista não pode e não deve ficar preso a tendências ideológicas, religiosas ou muito menos políticas. Fatos são fatos, e a notícia precisa ser veiculada. Cada veículo de comunicação tem, naturalmente, sua linha editorial, seu estilo e sua forma de abordar determinados assuntos. Isso faz parte da pluralidade de ideias que sustenta uma sociedade democrática. Mas ter linha editorial não significa prisão de pensamento ou submissão a interesses.

De tempos em tempos surgem políticos e pessoas menos avisadas — muitas vezes culturalmente mal informadas sobre o papel da imprensa — tentando dar o tom da atividade jornalística. Esse tipo de postura revela desconhecimento sobre a importância da liberdade de imprensa e sobre o papel que o jornalismo exerce na construção da democracia.

Uma sociedade madura compreende que a imprensa pode incomodar, questionar e cobrar explicações. Esse é justamente o seu papel. Quando o jornalismo é respeitado, a democracia se fortalece. Quando tentam silenciá-lo, quem perde é toda a sociedade.

Pense!