segunda-feira, 4 de maio de 2026

 Artigo | Juventude negra segue como principal vítima da violência no Brasil em 2026




A realidade da violência no Brasil continua revelando um retrato preocupante e persistente: a desigualdade racial segue sendo um dos principais marcadores das vítimas. Dados atualizados de estudos recentes apontam que cerca de 70% dos jovens assassinados no país são negros, confirmando uma tendência que se mantém ao longo dos anos e que evidencia um problema estrutural ainda não superado.

De acordo com o Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a taxa de homicídios entre jovens negros permanece significativamente superior à de jovens não negros. O relatório indica que jovens negros têm mais de duas vezes e meia a probabilidade de serem vítimas de homicídio em comparação com jovens brancos. A maioria dessas mortes ocorre em contextos de vulnerabilidade social, periferias urbanas e áreas com menor presença de políticas públicas efetivas.

Além disso, dados do UNICEF e do IBGE continuam mostrando desigualdades históricas em outros indicadores sociais. A subnotificação de registro civil, embora tenha avançado, ainda atinge de forma desproporcional crianças negras e de regiões mais pobres. Na área da saúde, a população negra também enfrenta maiores índices de mortalidade infantil em comparação com a população branca, ficando atrás apenas de populações indígenas em alguns indicadores.

Especialistas destacam que a violência no Brasil não pode ser analisada apenas sob o recorte etário. Ela tem cor, território e condição socioeconômica bem definidos. Jovens negros, moradores de periferias e com menor acesso a oportunidades educacionais e profissionais formam o grupo mais exposto a situações de risco.

Nesse contexto, movimentos sociais e organizações da sociedade civil seguem defendendo pautas históricas por meio de manifestações como a Marcha da Consciência Negra, que levanta eixos fundamentais para enfrentar essas desigualdades estruturais.

Entre as principais reivindicações estão:

  • A necessidade de uma reforma política que reduza a influência do poder econômico nas decisões públicas;
  • A democratização dos meios de comunicação, ampliando a pluralidade de vozes;
  • A revisão do modelo de segurança pública, com propostas como a desmilitarização da polícia e maior controle social;
  • O fortalecimento de políticas públicas voltadas à inclusão racial;
  • A efetiva aplicação das leis antirracismo já existentes no país;
  • A garantia da liberdade religiosa, especialmente para religiões de matriz africana;
  • E o enfrentamento à violência contra a mulher negra, que ocupa posição central nas estruturas familiares e sociais mais vulneráveis.

Dados mais recentes também reforçam o protagonismo feminino nesses contextos. Informações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social indicam que a maioria das famílias em situação de vulnerabilidade segue sendo chefiada por mulheres, com predominância de mulheres negras. Essa realidade evidencia como desigualdades de gênero e raça se interligam e se retroalimentam.

Apesar de avanços institucionais e legais nas últimas décadas, o Brasil ainda enfrenta grandes desafios para garantir igualdade de oportunidades e proteção à juventude negra. A persistência desses índices revela que não se trata apenas de um problema de segurança pública, mas de um conjunto de fatores históricos, sociais e econômicos que exigem políticas integradas e contínuas.

A superação desse cenário passa necessariamente pelo compromisso coletivo com a justiça social, o combate ao racismo estrutural e a promoção de políticas que garantam dignidade, educação e oportunidades para todos. Mais do que números, são vidas interrompidas precocemente — e um futuro que precisa ser reconstruído com urgência.

Fontes:

  • Atlas da Violência 2025 – IPEA e Fórum Brasileiro de Segurança Pública
  • IBGE – Indicadores sociais e demográficos
  • UNICEF Brasil – Relatórios sobre infância e desigualdade

A alegria de Isabel ao ser visitada por Maria

 Tema: A alegria de Isabel ao ser visitada por Maria


Visita proféticaLucas 1,39-45

A partir do anúncio do anjo Gabriel a Maria, inicia-se um movimento profundo de comunicação que atravessa gerações e não pode ser interrompido. A mensagem divina não permanece estática: ela se propaga, ganha vida e transforma corações. Primeiro, o anjo anuncia a Maria a boa notícia que vem de Deus. Em seguida, Maria, tomada por essa graça, não se fecha em si mesma — parte apressadamente para a região montanhosa, ao encontro de sua prima Isabel.

Ao receber Maria, Isabel experimenta a alegria do Espírito e proclama, em alta voz, louvores ao Senhor. Mais tarde, Zacarias também se une a esse movimento de anúncio ao testemunhar o nascimento de João, aquele que prepararia o caminho do Salvador. E, na noite de Belém, os anjos novamente anunciam aos pastores, que, por sua vez, se tornam mensageiros da Boa Nova destinada a todo o povo.

Assim se revela a dinâmica do Evangelho: um fluxo contínuo de comunicação, onde cada encontro se torna ocasião de anúncio. A Boa Notícia não é feita para ser guardada, mas partilhada. Quando alguém deixa de transmiti-la, talvez ainda não tenha compreendido plenamente sua força e seu sentido.

Somos chamados a não interromper essa corrente viva do Evangelho. A missão cristã consiste em manter acesa essa dinâmica da Boa Nova de Cristo, que nos traz o amor, a reconciliação e a plenitude da vida em Deus. É um convite permanente a viver e anunciar essa verdade com alegria e autenticidade.

Compreendendo essa realidade, percebemos que Cristo continua a chegar a todos os lugares, em todos os tempos. Como Ele mesmo ensinou no encontro com a samaritana, o verdadeiro encontro com Deus não se limita a um espaço físico: chega a hora em que não será “nem aqui, nem em Jerusalém”, pois o Pai procura aqueles que o adoram em espírito e verdade.

Que também nós, à semelhança de Maria e Isabel, sejamos portadores dessa alegria que nasce do encontro com Deus e que se transforma em anúncio vivo para o mundo.

Reflexão de Pedro Claudio
Festa em Amorinópolis – a pedido de Irmã Cecília Lain
16 de julho de 2014

Imprensa não deve ser “faz de conta”; deve promover cidadania

 Opinião | Imprensa não deve ser “faz de conta”; deve promover cidadania


Pedro Claudio Rosa

Fazer parte da imprensa é, ao mesmo tempo, privilégio e responsabilidade. É um exercício contínuo de aprendizado — com as pessoas, com os fatos e com o tempo. Ser jornalista é narrar a história diariamente, mas também contribuir para que ela seja melhor. Exige, acima de tudo, desprendimento: sair de si e olhar para o outro. É com esse espírito que se constrói uma comunicação comprometida com a sociedade.

A lembrança de profissionais que marcaram trajetórias reforça esse ideal. Muitos exerceram o jornalismo como missão, compreendendo que informar não é apenas relatar acontecimentos, mas dar sentido a eles com ética e respeito. É nesse contexto que se percebe o verdadeiro papel da imprensa: servir ao interesse público.

Em qualquer veículo de comunicação, há sempre uma linha editorial, uma estrutura empresarial e um conjunto de interesses que influenciam a forma como a notícia é apresentada. Ainda assim, cabe ao jornalista manter o compromisso com a verdade, reconhecendo que seu trabalho tem impacto direto na formação de opinião da sociedade.

O acesso privilegiado a fontes, informações e bastidores coloca o profissional de imprensa em posição de confiança. Ele se torna, muitas vezes, conselheiro e intermediador de realidades. No entanto, não é juiz nem dono da verdade. Sua função é oferecer elementos para que o cidadão compreenda o mundo de forma crítica, sem cair na ingenuidade ou na manipulação.

A liberdade de imprensa, consolidada no Brasil após decisões históricas como a revogação da antiga Lei de Imprensa pelo Supremo Tribunal Federal em 2009, ampliou o espaço para informar, investigar e denunciar. Mas essa liberdade vem acompanhada de responsabilidade. Não se trata de abrir espaço para o sensacionalismo ou para o desrespeito, mas de reforçar o compromisso com a verdade e com o equilíbrio.

A experiência acumulada ao longo de décadas revela que o mundo está em constante transformação. Mudam-se os meios, as tecnologias e as formas de comunicação. O que não deve mudar é o compromisso com a ética. Ideologias, muitas vezes, são utilizadas como ferramentas de persuasão e poder, e cabe à imprensa não se tornar instrumento dessas distorções.

Mais do que nunca, é necessário reafirmar: a imprensa não pode ser “faz de conta”. Deve ser instrumento de cidadania, de esclarecimento e de construção de uma sociedade mais consciente. Esse é o desafio permanente de quem escolhe viver da informação — e para ela.

domingo, 3 de maio de 2026

60+… e agora, como viver?

 

60+… e agora, como viver?


Por Pedro Claudio, pensando.....pensando.....e vivendo.....

Chegar à velhice não é derrota — é travessia vencida. Em meio às dores do corpo, às armadilhas da vida e às incertezas da mente, alcançar esse tempo é, sim, uma vitória silenciosa. Muitos ficaram pelo caminho; você chegou. E isso já diz muito.

Mas a vida não para de desafiar. Apenas muda de pergunta.

Se antes a luta era construir, agora é sustentar o sentido. Se antes o esforço era garantir o pão, hoje é aprender a saborear cada dia com o pão que já existe. E, talvez, o maior desafio desse tempo seja mesmo a solidão — não necessariamente a ausência de pessoas, mas o silêncio que cresce quando o mundo ao redor segue em outro ritmo.

Os filhos, quando existem, caminham suas próprias estradas — como um dia você também caminhou. Cobrar presença não cabe, mas acolher quando ela vem é graça que aquece o coração. Os tempos mudaram: famílias menores, rotinas mais apertadas, distâncias maiores. E assim a vida segue, ensinando o desprendimento.

O corpo já não responde como antes. A saúde pede cuidado. Os planos longos dão lugar ao valor do agora. E isso, embora pareça perda, pode ser também um convite: viver com mais profundidade, menos pressa, mais verdade.

A Bíblia oferece um olhar diferente sobre esse tempo — não como fim, mas como maturidade:

“Mesmo na velhice dará fruto, estará viçoso e frondoso.” (Salmo 92,15)

Há frutos que só nascem depois de muitos anos. A paciência, a sabedoria, a capacidade de enxergar além das aparências — tudo isso é colheita de uma vida inteira.

E quando o silêncio parece grande demais, há um convite antigo e profundo:

“Depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma brisa suave.” (1 Reis 19,12)

Deus não está apenas no barulho das conquistas, mas na quietude dos dias simples. É nesse tempo que se aprende a escutar melhor, a perceber o essencial.

A velhice não precisa ser espera da morte, mas reconhecimento da vida que continua — no respirar de cada manhã, no alimento de cada dia, na memória que guarda histórias, na experiência que orienta outros caminhos.

“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos um coração sábio.” (Salmo 90,12)

Talvez seja esse o segredo: não contar os anos que restam, mas dar valor aos dias que ainda são dados.

Sim, há limites. Há perdas. Há saudades. Mas também há presença — a presença de Deus, que não abandona:

“Até a vossa velhice eu serei o mesmo, até quando tiverdes cabelos brancos eu vos carregarei.” (Isaías 46,4)

Você não chegou até aqui sozinho. E não seguirá sozinho.

Agora é tempo de viver com mais alma do que pressa. Tempo de agradecer mais do que reclamar. Tempo de ensinar, mesmo em silêncio. Tempo de confiar.

A vida não termina aos 60+. Ela apenas mudou de forma.

E, no mistério dessa nova fase, permanece a promessa: há um infinito preparado para quem crê — onde a finitude encontra sentido, e a caminhada encontra descanso em Deus.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, Paulus

 

sábado, 2 de maio de 2026

Eleitores Goiás devem eleger dois senadores nas eleições de 2026


 Muita gente não sabe, mas o Brasil tem 81 senadores da República. O mandato de um senador no país é de 8 anos.

Essas cadeiras não são renovadas todas de uma vez: a cada eleição, o Senado passa por renovação parcial. Em 2026, estarão em disputa dois terços das vagas, ou seja, 54 cadeiras em todo o país.

Cada estado brasileiro e o Distrito Federal elegem 3 senadores, independentemente do tamanho da população.

Situação em Goiás

Em Goiás, os atuais senadores são:

  • Jorge Kajuru (PSB)
  • Vanderlan Cardoso (PSD)
  • Wilder Morais (PL)

Desses três, dois terão seus mandatos encerrados em 2026: Jorge Kajuru e Vanderlan Cardoso, eleitos em 2018. Já Wilder Morais, eleito em 2022, segue no cargo até 2030.

Portanto, em Goiás estarão em disputa 2 vagas para o Senado Federal nas eleições de 2026.

Definição dos candidatos

Os partidos políticos têm prazo definido pela legislação eleitoral para escolher seus candidatos. As convenções partidárias, onde são oficializados os nomes, devem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026.

Após esse período, as candidaturas são registradas na Justiça Eleitoral, dando início oficial à disputa pelas vagas no Senado.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Existe purgatório? Entenda o que dizem as tradições Cristãs

Existe purgatório? Entenda o que dizem as tradições cristãs


A ideia de purgatório, bastante conhecida na tradição católica, voltou ao debate em discussões sobre fé e vida após a morte. Popularizada na literatura por Dante Alighieri, na obra A Divina Comédia, essa crença tem raízes mais antigas no cristianismo.

Segundo a Igreja Católica, o purgatório não é um lugar físico, mas um estado de purificação da alma. Ele seria destinado às pessoas que morreram em comunhão com Deus, mas que ainda precisam de purificação antes de alcançar plenamente o céu.

A doutrina encontra apoio em passagens bíblicas como 2Macabeus 12,44 e 1Coríntios 3,11-15, além de ter sido estruturada ao longo da Idade Média em concílios da Igreja. O ensinamento oficial está presente no Catecismo da Igreja Católica.

Outras tradições cristãs, no entanto, têm visões diferentes. Igrejas protestantes não reconhecem o purgatório, por entenderem que a salvação ocorre de forma direta pela graça de Deus. Já a Igreja Ortodoxa admite a oração pelos mortos e uma possível purificação após a morte, mas sem definir esse processo como purgatório.

O tema segue sendo ponto de distinção entre as diferentes correntes do cristianismo, ao mesmo tempo em que revela reflexões profundas sobre justiça, misericórdia e vida eterna.


Reflexão espiritual

Purgatório: mais que um lugar, um encontro com Deus

Quando se fala em purgatório, muitos imaginam sofrimento ou castigo. Mas a compreensão mais profunda aponta para algo diferente: um processo de purificação pelo amor de Deus.

Se Deus é amor, aproximar-se plenamente d’Ele exige um coração totalmente livre. O purgatório, nessa visão, não seria punição, mas cuidado — um tempo (ou estado) em que a alma é preparada para viver essa plenitude.

Mais do que discutir se existe ou não, o tema provoca uma pergunta pessoal: como estou preparando minha vida hoje? Estou aberto à transformação, ao perdão, à conversão?

A fé cristã convida a confiar que Deus não abandona ninguém no caminho. Mesmo após a morte, sua misericórdia continua agindo.


Texto para catequese

O que é o purgatório?

O purgatório é um ensinamento da Igreja Católica que fala sobre a purificação final das pessoas que morrem na graça de Deus, mas ainda não estão completamente santas.

👉 Não é um lugar físico como céu ou inferno
👉 Não é uma “segunda chance”
👉 É um estado de purificação

📌 A base desse ensinamento está:

  • Na tradição da Igreja
  • Em passagens bíblicas como 2Macabeus 12,44
  • No Catecismo da Igreja Católica (nº 1030 a 1032)

🙏 Por isso, a Igreja ensina a rezar pelos falecidos, acreditando que essa oração faz parte da comunhão dos santos.

⚠️ Importante:

  • Protestantes não acreditam no purgatório
  • Ortodoxos acreditam na oração pelos mortos, mas não definem purgatório como a Igreja Católica

💡 Em resumo: o purgatório mostra que Deus quer que todos cheguem ao céu plenamente purificados, vivendo sua graça por completo.

 


segunda-feira, 27 de abril de 2026

Iporá e São Luís de Montes Belos: polos do Oeste goiano revelam forças distintas em qualidade de vida, economia e educação

 Iporá e São Luís de Montes Belos: polos do Oeste goiano revelam forças distintas em qualidade de vida, economia e educação


No Oeste de Goiás, duas cidades seguem como referências regionais e frequentemente entram no debate público sobre qual oferece melhores condições para se viver: Iporá e São Luís de Montes Belos. A discussão, comum nas redes sociais, ganha agora novos contornos com o uso da Inteligência Artificial, que permite análises mais objetivas, destacando pontos fortes e limitações de cada município.

Na área da comunicação, São Luís de Montes Belos apresenta um cenário diversificado, com emissoras como a Rádio Vale da Serra — que migrou do AM para o FM e é gerida pela Diocese — além da Rádio Vale FM, administrada pela Congregação Redentorista. O município também conta com rádio comunitária e outras emissoras, ampliando o acesso à informação.

Iporá, por sua vez, mantém tradição com a Rádio Rio Claro 91,9 FM, a mais antiga da região, também ligada à Diocese de São Luís de Montes Belos. Há ainda uma rádio educativa e uma comunitária — esta última fora do ar no mês de abril. No ambiente digital, cresce em ambas as cidades a atuação de produtores independentes, com páginas como Oeste Goiano, Iporá Notícias e TV Web Iporá.

Na saúde, Iporá dispõe de estrutura diversificada, com hospitais particulares como Evangélico, São Paulo e Cristo Redentor, além de clínicas, hospital municipal, unidade da Hemorrede e serviço de hemodiálise. São Luís de Montes Belos tem como referência o Hospital Regional Geraldo Landó, complementado por hospitais particulares e clínicas.

O campo educacional também reforça o papel regional das duas cidades. Iporá conta com uma unidade da Universidade Estadual de Goiás (UEG), vinculada administrativamente a São Luís de Montes Belos, com destaque para cursos de licenciatura em História, Geografia, Ciências Biológicas, Letras e Matemática, além do bacharelado em Direito. O município abriga ainda o Instituto Federal Goiano, com cursos como Ciência da Computação, Licenciatura em Química, Agronomia, Administração Rural, entre outras opções, além da presença da faculdade privada UniIporá.

Já São Luís de Montes Belos concentra a sede regional da UEG, com destaque para cursos como Medicina Veterinária, Zootecnia, além de licenciaturas em Letras e Pedagogia. O município também conta com instituição de ensino superior privada, ampliando a oferta educacional.

Indicadores ajudam a dimensionar as diferenças. As duas cidades têm população semelhante, em torno de 35 mil habitantes. Iporá apresenta leve vantagem no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com 0,743, frente a 0,731 de São Luís de Montes Belos, refletindo melhor equilíbrio entre renda, saúde e educação.

Por outro lado, São Luís se destaca no aspecto econômico, com PIB per capita próximo de R$ 59 mil, quase o dobro do registrado em Iporá, que gira em torno de R$ 34 mil. A economia são-luisense é impulsionada pelo agronegócio e pelo comércio diversificado, enquanto Iporá tem base mais concentrada em serviços e no setor público.

Na análise geral, São Luís de Montes Belos leva vantagem em oportunidades econômicas e proximidade com Goiânia, fator que facilita o acesso a serviços especializados e negócios. Iporá, por outro lado, se destaca pela qualidade de vida e por um estilo mais tranquilo, características valorizadas por quem busca estabilidade.

O comparativo mostra que não há uma resposta única: São Luís tende a atrair quem busca crescimento profissional e maior renda, enquanto Iporá se consolida como opção para quem valoriza equilíbrio e qualidade de vida no interior.

domingo, 26 de abril de 2026

Uso do termo “comunismo” no debate político exige mais conhecimento e menos desinformação

 

Falar de política exige responsabilidade, conhecimento e, acima de tudo, compromisso com a verdade. Volto a um tema que precisa ser melhor compreendido: o uso do termo “comunismo” no debate público brasileiro.

Nos últimos anos, especialmente desde a campanha vitoriosa de Jair Messias Bolsonaro, o termo passou a ser amplamente utilizado como uma espécie de rótulo para atacar adversários políticos, em especial o Partido dos Trabalhadores (PT). Muitas vezes, essa associação é feita sem explicação clara do que, de fato, significa comunismo.

Mas afinal, o que é comunismo?

O comunismo é uma teoria política e econômica desenvolvida principalmente por Karl Marx e Friedrich Engels no século XIX. Em sua forma teórica, propõe uma sociedade sem classes sociais, sem propriedade privada dos meios de produção e com igualdade econômica plena. No entanto, esse modelo ideal nunca foi plenamente implementado na prática por nenhum país.

Diversos países ao longo da história adotaram regimes inspirados em ideias socialistas ou comunistas, mas sempre com adaptações, contextos próprios e resultados variados. Ou seja, o comunismo existe como pensamento e corrente ideológica, mas sua forma “pura” permanece teórica.

O problema surge quando conceitos complexos são reduzidos a slogans. O uso do termo “comunismo” como ferramenta de medo ou ataque político pode gerar desinformação e alimentar divisões baseadas mais em emoção do que em conhecimento. A história mostra que narrativas simplificadas e baseadas no medo podem ter consequências graves. O próprio Adolf Hitler utilizou discursos que exploravam o medo e criavam inimigos internos para mobilizar a população — com resultados trágicos para a humanidade.

Por isso, mais do que repetir palavras, é fundamental compreender seus significados. Dizer “não gosto do comunismo” sem saber o que ele representa pode ser apenas reflexo de uma narrativa reproduzida, não de uma opinião formada.

Educação e informação são as melhores ferramentas contra a manipulação. Questionar, estudar e buscar fontes confiáveis ajudam a construir um debate mais honesto e consciente.

Em tempos de redes sociais e informações rápidas, fica o alerta: nem tudo que se repete é verdade. E compreender antes de julgar é sempre o melhor caminho. 

Por Pedro Claudio 26 de abril de 2026

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Sob o olhar de Maria, Iporá vive 80 anos de fé, humildade e transformação

Em Iporá, a romaria de Nossa Senhora Auxiliadora chega aos seus 80 anos como um testemunho vivo de fé que atravessa gerações. Mais do que um evento religioso, trata-se de um caminho espiritual percorrido “de mãos dadas com Maria”, aquela que a Igreja reconhece como Mãe de Jesus e, também, mãe de toda a humanidade. Na catequese da Igreja e no ensinamento recente do Papa Francisco, Maria ocupa um lugar central como modelo de evangelização. Na exortação apostólica Evangelii Gaudium, ele a apresenta como “a Mãe da Evangelização”, aquela que, com simplicidade e confiança, acolheu a Palavra e a colocou em prática. Maria não chama atenção para si, mas conduz sempre a Cristo — como faz até hoje na caminhada dos fiéis. Esse testemunho aparece de forma clara no cântico do Magnificat, registrado no Evangelho segundo Evangelho de Lucas (Lc 1,46-55), na Bíblia CNBB. Ali, Maria proclama: “Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes”. Esse trecho não é apenas poesia, mas um verdadeiro programa de vida cristã: valorizar os pequenos, os esquecidos, os que muitas vezes são deixados à margem. É um convite direto a não supervalorizar os grandes em detrimento dos pequeninos, mas a enxergar a dignidade de cada pessoa. Outro sinal profundo do papel de Maria está no nascimento de Jesus. Conforme narrado também no Evangelho de Lucas (Lc 2,6-7), o Filho de Deus veio ao mundo em um lugar simples, um estábulo, ambiente humilde e marcado pela presença de animais. A tradição cristã sempre viu nesse cenário um sinal poderoso: Maria, com sua fé, transforma um espaço aparentemente indigno em lugar sagrado. Onde Deus entra, tudo pode ser renovado. Esse é o poder de transformação que o Papa Francisco frequentemente recorda: Deus age no pequeno, no simples, no cotidiano. E Maria é o maior exemplo dessa ação silenciosa e eficaz. Sua vida mostra que a santidade não nasce da perfeição humana, mas da abertura sincera ao amor de Deus. Essa mesma lógica aparece no ensinamento de Jesus sobre a fé. No Evangelho segundo Evangelho de Mateus (Mt 17,20), Ele afirma que uma fé do tamanho de um grão de mostarda é capaz de mover montanhas. Não se trata de grandeza exterior, mas de confiança verdadeira. É essa fé que sustenta o peregrino, mesmo diante das fragilidades e dúvidas. Maria, em sua missão, continua apontando o caminho. Nas bodas de Caná, conforme o Evangelho de João (Jo 2,5), ela diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Essa orientação permanece atual e essencial: o centro da vida cristã é seguir Jesus. Assim, olhar para Maria, especialmente neste tempo de romaria em Iporá, é renovar a esperança. É aceitar o convite à conversão, à perseverança e à confiança. A caminhada cristã, muitas vezes, se parece com um mar de águas turbulentas. Mas, conduzidos por Cristo e amparados pela intercessão da Mãe, é possível atravessar as dificuldades e alcançar a “terra prometida”. É essa fé simples, firme e transformadora que sustenta há 80 anos a romaria. E é ela que continua guiando cada passo dos que, de mãos dadas com Maria Auxiliadora, seguem firmes no caminho do Evangelho.

domingo, 19 de abril de 2026

Da ruptura ao recomeço: minha vida, minha essência

 

Da ruptura ao recomeço: minha vida, minha essência


É muito interessante pensar a vida: como ela é dinâmica, como pode mudar de uma hora para outra — ou não. Tudo é incerto. De repente, independentemente da nossa vontade, tudo muda.

Cito o meu caso.

Eu levava uma vida considerada normal: pai de família, dois filhos já formados, 29 anos de vida matrimonial produtiva, uma convivência conjugal e religiosa intensa. Exercia minha missão como diácono permanente na Igreja Católica, em Iporá, Goiás, com uma rotina de celebrações e reuniões. Minha esposa trabalhava, e a vida seguia com boas perspectivas de futuro. Eu, aos 55 anos, acreditava na continuidade daquele caminho.

E então, o pior aconteceu.

Minha esposa, tomada por uma atitude extrema contra a própria vida, decidiu pelo autoextermínio. Um turbilhão tomou conta de mim. Eu não estava preparado para aquilo.

Naquele dia, após uma Celebração da Palavra na comunidade Jardim Monte Alto, às 18h, na periferia de Iporá, eu me dirigia para uma segunda celebração, às 19h, na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, no Setor Carajás. No intervalo, senti a necessidade de voltar para casa.

Foi ali que me deparei com a catástrofe.

Minha companheira de mais de 30 anos havia atentado contra a própria vida. Ainda conseguiu expressar o desejo de morrer — foram suas últimas palavras compreensíveis. Após ingerir soda cáustica, já não conseguia mais falar, apenas balbuciava. Cancelei meus compromissos e acionei imediatamente o atendimento médico. O SAMU chegou rápido. Eram por volta das 19h30 do dia 20 de janeiro de 2020.

Ali, minha vida mudou para sempre.

No hospital, com a chegada de familiares, amigos e do padre Pablo, que lhe ministrou a confissão, vivemos momentos de angústia e esperança. Acreditávamos que poderia sobreviver, ainda que com sequelas. Mas, por volta das 3h da madrugada, veio a notícia mais dolorosa: o falecimento.

A partir daí, não houve mais calmaria.

Consegui manter certa serenidade sustentado por Deus e pela presença de pessoas próximas: familiares, colegas, membros da comunidade católica, além do apoio de psicólogos e médicos. Cada um trouxe uma palavra, uma orientação, um consolo.

Mas, ainda assim, era preciso seguir.

Precisei me ressignificar. Mudar. Recomeçar — já às portas da maturidade, mas ainda com energia para viver.

E então veio a pergunta inevitável: o que fazer?

O caminhar é solitário. Toda decisão é subjetiva. Diante de mim, surgiram três possibilidades, apresentadas pelo padre passionista Célio Amaro, que me acompanhava: permanecer sozinho; seguir o sacerdócio; ou pedir dispensa e reconstruir a vida ao lado de outra pessoa.

Naquele momento, compreendi que a decisão era exclusivamente minha.

Coloquei-me no altar do Senhor, pedindo que Ele conduzisse meu caminho, pois minha vontade estava fragilizada por sentimentos, orgulho e vaidade.

Com o tempo, vieram influências externas, contatos, redes sociais. Após o período mais intenso do luto, surgiram experiências, tentativas, instabilidades emocionais. A solidão se impunha. Amigos e até a família seguiram seus caminhos — algo natural da vida.

E foi nesse processo que novas possibilidades surgiram.

Até que, acredito, Deus colocou em meu caminho Eva Maria da Silveira Borges, também viúva, igualmente em busca de reconstrução.

Segui, então, com transparência. Comuniquei minha decisão aos superiores — padres e bispo —, depois à comunidade. Afastei-me das atividades pastorais, pois minha nova condição não era compatível com as normas da Igreja, conforme o Código de Direito Canônico.

Por decisão pessoal, suspendi minhas funções. Posteriormente, essa condição foi formalizada e permanece até hoje.

Mas minha missão não terminou.

Ela continua — e continuará enquanto eu viver.

Hoje, vivo em constante ressignificação. A cada atitude, a cada escolha.

A normalidade de antes não existe mais. E talvez nunca mais exista.

Minha oração é para que, mesmo em meio às inquietações, eu seja coerente, firme e fiel à missão de cuidar, amar e viver enquanto houver fôlego.

Tenho consciência de que não estou livre de novas mudanças. A vida é assim. Perdi a inocência de acreditar que tudo seria permanente. Hoje entendo: tudo dura enquanto precisa durar — e deve ser vivido com intensidade.

Vivemos para nós e para os outros. A vida é comunitária.


Depois de atravessar uma ruptura dessa magnitude, pensar a vida deixa de ser teoria e passa a ser sobrevivência.

A existência, que antes parecia estável, revela sua verdadeira natureza: a impermanência.

Não é apenas a perda de alguém. É a ruptura de identidade. Um “eu” que deixa de existir como era. E, diante disso, surge o vazio — e o vazio exige decisão.

E decidir é um ato solitário.

Mesmo com apoio, ninguém pode escolher por nós. Essa solidão não é abandono — é condição humana. É nela que se constrói um novo sentido.

As possibilidades que tive não eram apenas caminhos práticos, mas formas de existir:
permanecer na ausência, aprofundar a fé no sacerdócio ou reconstruir a vida afetiva.

A escolha foi, acima de tudo, existencial.

Colocar essa decisão nas mãos de Deus foi também uma forma de organizar o caos interior, dar sentido ao que parecia incompreensível.

O luto não é linear. Ele passa por instabilidade, busca, tentativas. Não há pureza nesse processo — há humanidade.

O reencontro com o afeto não substitui o passado. Ele reconfigura o presente.

E assim, a vida ensina:

Não há garantias.
A identidade não é fixa.
O controle é limitado.
O sentido precisa ser reconstruído constantemente.

A maturidade não está em superar a dor, mas em integrá-la à própria história.

A antiga ideia de normalidade desaparece. Em seu lugar, surge uma vida mais consciente, mais real, mais comprometida com o essencial.

Viver passa a ser um ato diário de escolha.

No fim, permanece uma verdade simples: viver é aceitar o inacabado.

E continuar, apesar de tudo, já é um ato de fé.


Sou eu, Pedro Claudio, contando minha história — juntando cacos e construindo uma nova vida.
Iporá, Goiás.
No rádio, meu local de trabalho desde abril de 1987.
19 de abril de 2026.