A experiência acumulada ao longo de décadas na comunicação, os anos de atividade profissional, os estudos e o período dedicado à academia me levam a uma reflexão que considero importante para quem acompanha a vida pública e o trabalho da imprensa.
Por que será que alguns políticos, ao serem
questionados sobre temas de interesse coletivo, respondem com irritação,
agressividade ou tentam desqualificar quem faz a pergunta?
O que isso revela? Seria um sinal de desconforto
diante do tema? Falta de argumentos? Estratégia de comunicação? Ou simplesmente
a reação a uma pergunta considerada inadequada ou tendenciosa?
Não existe uma resposta única. Cada situação possui
suas particularidades e deve ser analisada com equilíbrio e senso crítico. No
entanto, em uma democracia, agentes públicos têm o dever de prestar
esclarecimentos à sociedade. Perguntas difíceis, muitas vezes, fazem parte do
processo de fiscalização e transparência.
Da mesma forma, merece atenção a postura de quem evita
responder objetivamente, muda de assunto, transfere a discussão para outros
temas ou procura transformar o questionamento em um embate pessoal. Em muitos
casos, a forma como alguém reage pode dizer tanto quanto suas próprias
palavras.
Ao assistir a uma entrevista ou acompanhar uma
reportagem, o cidadão pode observar diversos elementos. O entrevistado responde
com clareza? Apresenta dados e fatos? Demonstra segurança em seus argumentos?
Mantém o equilíbrio diante de questionamentos? Ou prefere fugir do assunto e
atacar quem pergunta?
Mas essa reflexão não deve se limitar aos
entrevistados.
Ela também precisa alcançar os profissionais da
comunicação, atividade da qual faço parte há mais de três décadas.
Questionar é uma obrigação do jornalista. Saber
perguntar, confrontar informações, insistir quando necessário e buscar
respostas de interesse público faz parte da essência da profissão. Contudo,
isso deve ocorrer sem armadilhas, sem espetacularização e sem transformar a
reportagem em instrumento de promoção pessoal.
O ambiente das redes sociais ampliou o acesso à
informação, mas também trouxe desafios. Hoje, qualquer pessoa pode produzir
conteúdo, emitir opiniões e influenciar audiências. Isso é positivo sob muitos
aspectos, mas também exige responsabilidade.
Observa-se, em alguns casos, entrevistas conduzidas
com a intenção de provocar conflitos, perguntas formuladas mais como acusações
do que como questionamentos e reportagens que parecem servir a interesses
particulares. Em outros momentos, o foco deixa de ser a informação e passa a
ser a autopromoção de quem comunica.
O bom jornalismo não existe para agradar nem para
perseguir. Sua missão principal é informar com responsabilidade, permitindo que
a sociedade tenha acesso aos fatos e forme suas próprias conclusões.
Não se deve conduzir uma pauta para atender interesses
pessoais. Não se deve transformar uma entrevista em disputa política. Não se
deve utilizar a atividade jornalística como palco para vaidades. O compromisso
maior deve ser sempre com a coletividade e com o direito à informação de
qualidade.
Diante da multiplicação de comunicadores,
influenciadores e produtores de conteúdo, cabe também ao público desenvolver um
olhar crítico. Nem toda pergunta dura é sinal de independência. Nem toda
entrevista cordial representa conivência. Há perguntas que se aproximam mais de
um ataque político do que de uma investigação jornalística. Há reportagens
conduzidas por interesses que vão além da busca pelos fatos.
Por isso, o ouvinte, o telespectador, o leitor e o
internauta precisam observar não apenas quem responde, mas também quem
pergunta. É importante analisar argumentos, verificar informações, identificar
contextos e compreender os interesses que podem existir em cada narrativa.
Em tempos de excesso de informação, a capacidade de
analisar criticamente tornou-se uma das ferramentas mais importantes da
cidadania.
Por Pedro Claudio
No jornalismo radiofônico desde 1987, em Iporá, Goiás.




