domingo, 17 de maio de 2026

Minha história, minha vida

 

Pedro Claudio Rosa e sua vida 




Era o final da década de 1980. O Brasil saía lentamente das sombras da censura imposta pela ditadura militar. As redações, os artistas, os jornalistas e as emissoras de rádio começavam novamente a respirar liberdade. A informação voltava a circular com menos medo. O povo reaprendia a debater política, ouvir opiniões diferentes e participar da vida democrática do país.

No rádio do interior, isso também era sentido. O jornalismo ganhava força, ampliava espaço para notícias e debates, enquanto a população buscava informação confiável em um tempo de profundas transformações. O país vivia o clima da abertura política iniciada após o fim do regime militar, consolidada com a eleição indireta de Tancredo Neves e, após sua morte, com a posse de José Sarney, conduzindo a transição democrática.

Pouco depois da minha chegada ao rádio, o mundo assistiria a um dos acontecimentos mais simbólicos do século XX: a Queda do Muro de Berlim, em 1989. A derrubada do muro simbolizou o enfraquecimento do comunismo no Leste Europeu e anunciava o fim da Guerra Fria. Em seguida viria o desaparecimento da União Soviética, mudando completamente a geopolítica mundial.

Enquanto isso, aqui no Brasil, o país promulgava a Constituição Federal de 1988, chamada de Constituição Cidadã, garantindo direitos, ampliando liberdades e consolidando o processo de redemocratização.

Foi justamente nesse tempo de abertura, transformação e reconstrução democrática que comecei minha caminhada no rádio, aprendendo que a notícia não era apenas informação: era também serviço, memória e compromisso com a verdade.

Foi nesse cenário que um jovem de 21 anos, aprendiz de mecânico em uma oficina de Iporá, começou, sem imaginar, uma trajetória que atravessaria décadas da história mundial e do rádio brasileiro.

Na oficina, entre fuscas, brasílias, caminhonetes e peças de motor espalhadas sobre bancadas engorduradas, eu aprendia um ofício. Desmontava motores, organizava ferramentas, identificava peças para reposição, sempre sob o olhar atento dos profissionais mais experientes. Era um trabalho duro, honesto e de aprendizado diário.

Mas, naquela manhã de 1987, algo mudou.

Pelo rádio da oficina ecoou um anúncio da Rádio Rio Claro: a emissora abria vagas para seleção de locutores. Exigia-se responsabilidade e que o candidato estivesse concluindo o 2º grau — o atual ensino médio.

Naquele tempo, estudar aos 21 anos não era atraso. Eu cursava Técnico em Contabilidade, gostava de ler e tinha um hábito curioso: lia jornais em voz alta, imaginando-me locutor de rádio. Os colegas percebiam. Diziam que minha voz era boa. A professora de português, Cleuza Rocha, certa vez praticamente profetizou:

— Você ainda vai ser locutor.

Eu era tímido, mas gostava da palavra falada.

Na oficina, um conselho mudaria minha vida. O senhor Jerônimo, lanterneiro experiente, ouviu o anúncio e me disse:

— Se eu fosse você, iria.

Eu fui.

Naquele tempo, o rádio era tudo. Em cidades do interior como Iporá, era praticamente o único grande meio de comunicação de massa. Havia o serviço de som da igreja, onde o Padre Wiro transmitia avisos por uma corneta instalada próxima ao sino. Existia o Boletim Comunitário da paróquia, um carro de propaganda volante e o serviço de som da rodoviária. Mas notícia mesmo, informação forte, prestação de serviço e cobertura dos fatos importantes vinham do rádio. Quando algo acontecia na cidade, todos paravam para ouvir a emissora.

Foram 117 inscritos.

Quem colheu meus dados na recepção foi Rosangela Maria Eduardo, que pouco tempo depois se tornaria minha colega de trabalho. Voltei para casa sem muita esperança. No dia seguinte, fui conferir o mural da emissora. Meu nome estava lá.

Primeiro veio a prova escrita: redação, interpretação e conhecimentos gerais. Para quem estava mergulhado nos estudos finais do curso técnico, aquilo parecia natural. Depois veio o maior desafio: o teste de locução.

O coração disparava.

Na minha frente estava o diretor Olívio Lemos Pereira Filho. Homem de olhar sério, daqueles que pareciam enxergar até os pensamentos da gente. Deu-me um texto sobre o Banco do Brasil, cheio de palavras difíceis. Pediu que eu treinasse.

Depois da leitura, mandou repetir.

Mais uma vez.

E outra.

Enquanto o cheiro de cigarro se misturava ao café quente que ele tomava, ouvi a frase que talvez tenha mudado meu destino:

— Gostei. Sua voz é boa. Precisa ser educada, mas você desenvolveu bem a leitura.

Voltei para casa feliz.

Entre mais de cem candidatos, fiquei entre os quarenta selecionados na primeira etapa. Depois vieram novos testes no estúdio, gravações analisadas pelos profissionais da emissora: Donizete Pontes, Vilton Pereira, Valdeci Borges, Roberto Lopes, Diney Nunes, Altamiro, Geiuso Batista, Ademir Lima e tantos outros que formavam um verdadeiro exército do rádio regional.

Havia também os bastidores invisíveis que sustentavam a magia da transmissão: Edson Rodrigues, office-boy e aprendiz; seu Manoel Nobre, vigia noturno; Barbosinha, no transmissor; o cheiro do café da madrugada; o entra e sai de fitas, discos, papéis e máquinas de escrever.

Passei.

Dos 117, restaram 17.

Depois, apenas três.

Vieram meses de estágio sem salário. Primeiro, apenas ouvindo os locutores. Depois, lendo comerciais simples: venda de milho, avisos comunitários, comunicados fúnebres. Até que um dia recebi autorização para ler o noticiário ao vivo.

Finalmente fui contratado.

Um salário mínimo.

Parecia um tesouro.

A família quase não acreditava: havia um locutor em casa.

E o tempo passou.

Enquanto eu crescia dentro do rádio, o mundo mudava diante dos microfones.

Em 1987, o Brasil assistia assustado ao acidente radiológico de Goiânia, a maior tragédia nuclear da história brasileira. As notícias atravessavam o país pelas ondas do rádio, e nós as levávamos ao povo.

Poucos anos depois, em 1989, o país realizou sua primeira eleição presidencial direta após a ditadura. Fernando Collor de Mello venceu a disputa prometendo modernidade. Mas, em 1992, viria sua queda, em meio ao impeachment que paralisou o Brasil e lotou as ruas de “caras-pintadas”.

No cenário mundial, testemunhamos o fim da União Soviética, em 1991, encerrando a Guerra Fria e redesenhando a geopolítica do planeta. A Tchecoslováquia também deixava de existir, dividindo-se pacificamente em República Tcheca e Eslováquia. O mundo mudava rapidamente, e o rádio narrava cada transformação.

Também acompanhei a história da Igreja Católica atravessar diferentes pontificados. Em 1987, o papa era João Paulo II, figura marcante do século XX. Depois vieram Bento XVI, Francisco e agora Leão XIV, enquanto eu seguia diante dos microfones acompanhando a história do mundo e da minha cidade.

Na Diocese de São Luís de Montes Belos, acompanhei o primeiro bispo, Dom Stanislau Van Melis; depois, Dom Washington Cruz. Foi nesse período que me aproximei ainda mais da missão pastoral, envolvendo-me em diversas atividades da Igreja, até ser ordenado diácono permanente por Dom Carmelo Scampa. Mais recentemente, acompanhei a chegada de Dom Lindomar, atual bispo da diocese.

Na paróquia, convivi com Padre Wiro e muitos religiosos passionistas que por aqui passaram. Entre eles, Padre Daniel, diocesano,  que residiu com Padre Wiro em sua primeira paróquia e hoje atua em Adelândia.

Na rádio, fui praticamente tudo:

Repórter policial.
Repórter esportivo.
Narrador.
Comentarista.
Editor de jornalismo.
Apresentador.
Operador de áudio.
Redator.
Rádio-escuta.

Na era do rádio AM, fui o “Repórter 1580”. Depois, no 760 AM, enfrentei jornadas intensas: entradas ao vivo de meia em meia hora, das 6h30 da manhã até as 18h30. O trabalho exigia ouvir emissoras de outras cidades, transcrever notícias em máquinas de escrever, datilografar textos, preparar boletins e ainda apresentar programas. Me qualifiquei, com diversos cursos, fui para a academia, agreguei informação.

Era um jornalismo artesanal.

Humano.

Feito no ouvido, no papel e na coragem.

Ao longo dessa caminhada, o rádio não foi apenas profissão. Foi cenário da própria vida.

Ali vivi paqueras, namoro e casamento.

Casei-me com Marlene Eva, companheira de 29 anos de união. Vieram os filhos, Yure e Tauã, ambos formados, trabalhando e construindo seus caminhos. Em 2022 veio a dor da despedida e do luto, quando fiquei viúvo.

Mas a vida continuou.

Hoje, ao lado de Eva Maria, minha segunda Eva, sigo escrevendo novos capítulos.

E assim chego a 2026.

Já não sou o jovem tímido de 21 anos da oficina mecânica. Aos 60 anos, continuo na mesma empresa onde entrei sonhando apenas em testar a própria voz. São quase quatro décadas acompanhando o mundo mudar diante de um microfone.

Vi governos nascerem e caírem.

Vi moedas desaparecerem.

Vi o AM perder espaço para o digital.

Vi a internet transformar a comunicação.

Vi a notícia deixar o papel e chegar instantaneamente às telas dos celulares.

Mas uma coisa permaneceu:

a paixão pelo rádio.

Porque o rádio não é apenas tecnologia.

O rádio é companhia.

É memória.

É testemunha da história.

E, de certa forma, também foi testemunha da minha própria vida.

Pensando o viver

 


Por Pedro Claudio

A vida nem sempre responde no tempo que esperamos. Há dias em que plantamos amor e colhemos silêncio, semeamos esperança e encontramos espinhos. Ainda assim, seguir caminhando já é uma forma de vitória. A felicidade talvez não esteja em alcançar tudo o que desejamos, mas em aprender a permanecer inteiros diante do que não compreendemos. Apenas viva, reflita e permita que Deus conduza o caminho.

 

Entre buscar a felicidade e realmente ser feliz existe um longo caminho de amadurecimento. Nem tudo terá resposta imediata, nem toda dor terá explicação. Mas a vida pede calma, reflexão e fé. O amanhã continua sendo uma incógnita, porém a Providência Divina nunca abandona aqueles que persistem em caminhar com esperança no coração.

A vida nos arranha, nos testa e muitas vezes nos deixa sem conclusões. Mas talvez o sentido esteja justamente nisso: viver sem precipitações, compreender sem tanta cobrança e confiar que até os espinhos podem ensinar. Quem mantém a fé descobre que Deus transforma caminhos difíceis em experiências de crescimento. Apenas vida. 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Editorial: Entre a esperança e a preocupação, os desafios da administração pública em Iporá

 Por Pedro Claudio, jornalista repórter



Escrevo nesta tarde de 7 de maio de 2026 uma reflexão sobre os rumos da administração pública de Iporá. A prefeita Maysa Cunha Peres Peixoto surgiu para muita gente como a esperança de uma nova era administrativa à frente do Executivo municipal. Entretanto, passados mais de um ano e meio de gestão, a administração não engrena como parte da população imaginava.

Como repórter, acompanho as administrações municipais desde o final dos anos 80 e início dos anos 90. Vi passar governos de José Antonio da Silva Sobrinho, em seu primeiro mandato, depois Sebastião Pereira  Coutinho, ambos já falecidos, além de Mac Mahoen Távora Diniz, a frustração com Iron Guimarães, o período de Luiz Otávio, passando ainda por Valdion Marques, Danilo Gleic e Naçoitan Araújo Leite , até chegar agora à primeira mulher eleita para governar o município.

Não se trata aqui de uma crítica pessoal ou religiosa. O problema está na impressão de que a gestão adota um modelo excessivamente centralizador e com forte influência de uma visão quase teocrática de governo. Independentemente da religião de qualquer gestor, pessoas devem ser avaliadas pela capacidade técnica, administrativa e política, e não pelo nível de engajamento religioso ou proximidade ideológica.

Governos teocráticos historicamente não funcionam bem dentro de um Estado democrático e laico. O Estado brasileiro é laico por natureza e pela própria formação plural de seu povo. Misturar excessivamente convicções pessoais com administração pública tende a criar distorções, favorecimentos e decisões pouco técnicas.

Há ainda um conjunto de fatores complicadores nesta gestão. O primeiro deles é a inexperiência administrativa, algo que poderia ser compensado com assessorias competentes, diálogo político e planejamento eficiente. Mas é justamente aí que mora outra fragilidade: a ausência de planejamento consistente.

Administrar uma cidade exige olhar amplo. É necessário enxergar o município como um organismo inteiro, identificar suas necessidades, mapear fragilidades, quantificar problemas e compreender as reais condições financeiras disponíveis. A partir disso, definem-se prioridades e executam-se ações possíveis, sem aventuras e sem projetos atropelados.

Talvez isso não produza manchetes grandiosas nem transforme imediatamente alguém em “grande administradora”, mas ao menos mantém o barco equilibrado em meio à correnteza. O problema é que, na atual gestão, muitas ações parecem ser tomadas às pressas, sem amadurecimento técnico e sem diálogo suficiente.

Percebe-se uma tentativa constante de imprimir velocidade e marca pessoal às decisões. Porém, governar não é apenas demonstrar vontade ou autoridade. Saber ouvir, aceitar orientações, dividir responsabilidades e cercar-se de assessorias competentes não é sinal de fraqueza. Pelo contrário: isso amplia as chances de sucesso administrativo.

Em pouco mais de um ano e meio  foram inúmeras minirreformas administrativas, remanejamentos de servidores, rearranjos internos e mudanças de equipe. Poucos desligamentos definitivos, muitas trocas e quase nenhuma estabilidade administrativa. O resultado é a sensação de que tudo muda para continuar no mesmo lugar.

Enquanto isso, as dificuldades financeiras aumentam. Dívidas são proteladas, problemas são empurrados adiante e cresce a preocupação de que a estrutura administrativa chegue a um ponto de desgaste ainda maior. Agora, no início de maio, anuncia-se mais uma reforma administrativa, com exonerações, cortes e nova concentração de decisões.

A pergunta que fica é: há tempo para corrigir a rota?

Ainda há. Mas isso exige humildade política, capacidade de ouvir, planejamento verdadeiro e menos personalismo. Uma administração pública não se sustenta apenas na força da vontade individual de quem governa. Ela depende de equipe técnica, diálogo, equilíbrio fiscal e confiança coletiva.

O barco ainda navega. Mas os sinais de infiltração são visíveis. E quando uma embarcação pública afunda, não afoga apenas quem está no comando. Afoga junto servidores, fornecedores, trabalhadores e toda uma população que depende dos serviços públicos.

Fica a reflexão: quem poderá salvar Iporá de mais uma crise administrativa prolongada?

 


segunda-feira, 4 de maio de 2026

 Artigo | Juventude negra segue como principal vítima da violência no Brasil em 2026




A realidade da violência no Brasil continua revelando um retrato preocupante e persistente: a desigualdade racial segue sendo um dos principais marcadores das vítimas. Dados atualizados de estudos recentes apontam que cerca de 70% dos jovens assassinados no país são negros, confirmando uma tendência que se mantém ao longo dos anos e que evidencia um problema estrutural ainda não superado.

De acordo com o Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a taxa de homicídios entre jovens negros permanece significativamente superior à de jovens não negros. O relatório indica que jovens negros têm mais de duas vezes e meia a probabilidade de serem vítimas de homicídio em comparação com jovens brancos. A maioria dessas mortes ocorre em contextos de vulnerabilidade social, periferias urbanas e áreas com menor presença de políticas públicas efetivas.

Além disso, dados do UNICEF e do IBGE continuam mostrando desigualdades históricas em outros indicadores sociais. A subnotificação de registro civil, embora tenha avançado, ainda atinge de forma desproporcional crianças negras e de regiões mais pobres. Na área da saúde, a população negra também enfrenta maiores índices de mortalidade infantil em comparação com a população branca, ficando atrás apenas de populações indígenas em alguns indicadores.

Especialistas destacam que a violência no Brasil não pode ser analisada apenas sob o recorte etário. Ela tem cor, território e condição socioeconômica bem definidos. Jovens negros, moradores de periferias e com menor acesso a oportunidades educacionais e profissionais formam o grupo mais exposto a situações de risco.

Nesse contexto, movimentos sociais e organizações da sociedade civil seguem defendendo pautas históricas por meio de manifestações como a Marcha da Consciência Negra, que levanta eixos fundamentais para enfrentar essas desigualdades estruturais.

Entre as principais reivindicações estão:

  • A necessidade de uma reforma política que reduza a influência do poder econômico nas decisões públicas;
  • A democratização dos meios de comunicação, ampliando a pluralidade de vozes;
  • A revisão do modelo de segurança pública, com propostas como a desmilitarização da polícia e maior controle social;
  • O fortalecimento de políticas públicas voltadas à inclusão racial;
  • A efetiva aplicação das leis antirracismo já existentes no país;
  • A garantia da liberdade religiosa, especialmente para religiões de matriz africana;
  • E o enfrentamento à violência contra a mulher negra, que ocupa posição central nas estruturas familiares e sociais mais vulneráveis.

Dados mais recentes também reforçam o protagonismo feminino nesses contextos. Informações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social indicam que a maioria das famílias em situação de vulnerabilidade segue sendo chefiada por mulheres, com predominância de mulheres negras. Essa realidade evidencia como desigualdades de gênero e raça se interligam e se retroalimentam.

Apesar de avanços institucionais e legais nas últimas décadas, o Brasil ainda enfrenta grandes desafios para garantir igualdade de oportunidades e proteção à juventude negra. A persistência desses índices revela que não se trata apenas de um problema de segurança pública, mas de um conjunto de fatores históricos, sociais e econômicos que exigem políticas integradas e contínuas.

A superação desse cenário passa necessariamente pelo compromisso coletivo com a justiça social, o combate ao racismo estrutural e a promoção de políticas que garantam dignidade, educação e oportunidades para todos. Mais do que números, são vidas interrompidas precocemente — e um futuro que precisa ser reconstruído com urgência.

Fontes:

  • Atlas da Violência 2025 – IPEA e Fórum Brasileiro de Segurança Pública
  • IBGE – Indicadores sociais e demográficos
  • UNICEF Brasil – Relatórios sobre infância e desigualdade

A alegria de Isabel ao ser visitada por Maria

 Tema: A alegria de Isabel ao ser visitada por Maria


Visita proféticaLucas 1,39-45

A partir do anúncio do anjo Gabriel a Maria, inicia-se um movimento profundo de comunicação que atravessa gerações e não pode ser interrompido. A mensagem divina não permanece estática: ela se propaga, ganha vida e transforma corações. Primeiro, o anjo anuncia a Maria a boa notícia que vem de Deus. Em seguida, Maria, tomada por essa graça, não se fecha em si mesma — parte apressadamente para a região montanhosa, ao encontro de sua prima Isabel.

Ao receber Maria, Isabel experimenta a alegria do Espírito e proclama, em alta voz, louvores ao Senhor. Mais tarde, Zacarias também se une a esse movimento de anúncio ao testemunhar o nascimento de João, aquele que prepararia o caminho do Salvador. E, na noite de Belém, os anjos novamente anunciam aos pastores, que, por sua vez, se tornam mensageiros da Boa Nova destinada a todo o povo.

Assim se revela a dinâmica do Evangelho: um fluxo contínuo de comunicação, onde cada encontro se torna ocasião de anúncio. A Boa Notícia não é feita para ser guardada, mas partilhada. Quando alguém deixa de transmiti-la, talvez ainda não tenha compreendido plenamente sua força e seu sentido.

Somos chamados a não interromper essa corrente viva do Evangelho. A missão cristã consiste em manter acesa essa dinâmica da Boa Nova de Cristo, que nos traz o amor, a reconciliação e a plenitude da vida em Deus. É um convite permanente a viver e anunciar essa verdade com alegria e autenticidade.

Compreendendo essa realidade, percebemos que Cristo continua a chegar a todos os lugares, em todos os tempos. Como Ele mesmo ensinou no encontro com a samaritana, o verdadeiro encontro com Deus não se limita a um espaço físico: chega a hora em que não será “nem aqui, nem em Jerusalém”, pois o Pai procura aqueles que o adoram em espírito e verdade.

Que também nós, à semelhança de Maria e Isabel, sejamos portadores dessa alegria que nasce do encontro com Deus e que se transforma em anúncio vivo para o mundo.

Reflexão de Pedro Claudio
Festa em Amorinópolis – a pedido de Irmã Cecília Lain
16 de julho de 2014

Imprensa não deve ser “faz de conta”; deve promover cidadania

 Opinião | Imprensa não deve ser “faz de conta”; deve promover cidadania


Pedro Claudio Rosa

Fazer parte da imprensa é, ao mesmo tempo, privilégio e responsabilidade. É um exercício contínuo de aprendizado — com as pessoas, com os fatos e com o tempo. Ser jornalista é narrar a história diariamente, mas também contribuir para que ela seja melhor. Exige, acima de tudo, desprendimento: sair de si e olhar para o outro. É com esse espírito que se constrói uma comunicação comprometida com a sociedade.

A lembrança de profissionais que marcaram trajetórias reforça esse ideal. Muitos exerceram o jornalismo como missão, compreendendo que informar não é apenas relatar acontecimentos, mas dar sentido a eles com ética e respeito. É nesse contexto que se percebe o verdadeiro papel da imprensa: servir ao interesse público.

Em qualquer veículo de comunicação, há sempre uma linha editorial, uma estrutura empresarial e um conjunto de interesses que influenciam a forma como a notícia é apresentada. Ainda assim, cabe ao jornalista manter o compromisso com a verdade, reconhecendo que seu trabalho tem impacto direto na formação de opinião da sociedade.

O acesso privilegiado a fontes, informações e bastidores coloca o profissional de imprensa em posição de confiança. Ele se torna, muitas vezes, conselheiro e intermediador de realidades. No entanto, não é juiz nem dono da verdade. Sua função é oferecer elementos para que o cidadão compreenda o mundo de forma crítica, sem cair na ingenuidade ou na manipulação.

A liberdade de imprensa, consolidada no Brasil após decisões históricas como a revogação da antiga Lei de Imprensa pelo Supremo Tribunal Federal em 2009, ampliou o espaço para informar, investigar e denunciar. Mas essa liberdade vem acompanhada de responsabilidade. Não se trata de abrir espaço para o sensacionalismo ou para o desrespeito, mas de reforçar o compromisso com a verdade e com o equilíbrio.

A experiência acumulada ao longo de décadas revela que o mundo está em constante transformação. Mudam-se os meios, as tecnologias e as formas de comunicação. O que não deve mudar é o compromisso com a ética. Ideologias, muitas vezes, são utilizadas como ferramentas de persuasão e poder, e cabe à imprensa não se tornar instrumento dessas distorções.

Mais do que nunca, é necessário reafirmar: a imprensa não pode ser “faz de conta”. Deve ser instrumento de cidadania, de esclarecimento e de construção de uma sociedade mais consciente. Esse é o desafio permanente de quem escolhe viver da informação — e para ela.

domingo, 3 de maio de 2026

60+… e agora, como viver?

 

60+… e agora, como viver?


Por Pedro Claudio, pensando.....pensando.....e vivendo.....

Chegar à velhice não é derrota — é travessia vencida. Em meio às dores do corpo, às armadilhas da vida e às incertezas da mente, alcançar esse tempo é, sim, uma vitória silenciosa. Muitos ficaram pelo caminho; você chegou. E isso já diz muito.

Mas a vida não para de desafiar. Apenas muda de pergunta.

Se antes a luta era construir, agora é sustentar o sentido. Se antes o esforço era garantir o pão, hoje é aprender a saborear cada dia com o pão que já existe. E, talvez, o maior desafio desse tempo seja mesmo a solidão — não necessariamente a ausência de pessoas, mas o silêncio que cresce quando o mundo ao redor segue em outro ritmo.

Os filhos, quando existem, caminham suas próprias estradas — como um dia você também caminhou. Cobrar presença não cabe, mas acolher quando ela vem é graça que aquece o coração. Os tempos mudaram: famílias menores, rotinas mais apertadas, distâncias maiores. E assim a vida segue, ensinando o desprendimento.

O corpo já não responde como antes. A saúde pede cuidado. Os planos longos dão lugar ao valor do agora. E isso, embora pareça perda, pode ser também um convite: viver com mais profundidade, menos pressa, mais verdade.

A Bíblia oferece um olhar diferente sobre esse tempo — não como fim, mas como maturidade:

“Mesmo na velhice dará fruto, estará viçoso e frondoso.” (Salmo 92,15)

Há frutos que só nascem depois de muitos anos. A paciência, a sabedoria, a capacidade de enxergar além das aparências — tudo isso é colheita de uma vida inteira.

E quando o silêncio parece grande demais, há um convite antigo e profundo:

“Depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma brisa suave.” (1 Reis 19,12)

Deus não está apenas no barulho das conquistas, mas na quietude dos dias simples. É nesse tempo que se aprende a escutar melhor, a perceber o essencial.

A velhice não precisa ser espera da morte, mas reconhecimento da vida que continua — no respirar de cada manhã, no alimento de cada dia, na memória que guarda histórias, na experiência que orienta outros caminhos.

“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos um coração sábio.” (Salmo 90,12)

Talvez seja esse o segredo: não contar os anos que restam, mas dar valor aos dias que ainda são dados.

Sim, há limites. Há perdas. Há saudades. Mas também há presença — a presença de Deus, que não abandona:

“Até a vossa velhice eu serei o mesmo, até quando tiverdes cabelos brancos eu vos carregarei.” (Isaías 46,4)

Você não chegou até aqui sozinho. E não seguirá sozinho.

Agora é tempo de viver com mais alma do que pressa. Tempo de agradecer mais do que reclamar. Tempo de ensinar, mesmo em silêncio. Tempo de confiar.

A vida não termina aos 60+. Ela apenas mudou de forma.

E, no mistério dessa nova fase, permanece a promessa: há um infinito preparado para quem crê — onde a finitude encontra sentido, e a caminhada encontra descanso em Deus.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, Paulus

 

sábado, 2 de maio de 2026

Eleitores Goiás devem eleger dois senadores nas eleições de 2026


 Muita gente não sabe, mas o Brasil tem 81 senadores da República. O mandato de um senador no país é de 8 anos.

Essas cadeiras não são renovadas todas de uma vez: a cada eleição, o Senado passa por renovação parcial. Em 2026, estarão em disputa dois terços das vagas, ou seja, 54 cadeiras em todo o país.

Cada estado brasileiro e o Distrito Federal elegem 3 senadores, independentemente do tamanho da população.

Situação em Goiás

Em Goiás, os atuais senadores são:

  • Jorge Kajuru (PSB)
  • Vanderlan Cardoso (PSD)
  • Wilder Morais (PL)

Desses três, dois terão seus mandatos encerrados em 2026: Jorge Kajuru e Vanderlan Cardoso, eleitos em 2018. Já Wilder Morais, eleito em 2022, segue no cargo até 2030.

Portanto, em Goiás estarão em disputa 2 vagas para o Senado Federal nas eleições de 2026.

Definição dos candidatos

Os partidos políticos têm prazo definido pela legislação eleitoral para escolher seus candidatos. As convenções partidárias, onde são oficializados os nomes, devem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026.

Após esse período, as candidaturas são registradas na Justiça Eleitoral, dando início oficial à disputa pelas vagas no Senado.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Existe purgatório? Entenda o que dizem as tradições Cristãs

Existe purgatório? Entenda o que dizem as tradições cristãs


A ideia de purgatório, bastante conhecida na tradição católica, voltou ao debate em discussões sobre fé e vida após a morte. Popularizada na literatura por Dante Alighieri, na obra A Divina Comédia, essa crença tem raízes mais antigas no cristianismo.

Segundo a Igreja Católica, o purgatório não é um lugar físico, mas um estado de purificação da alma. Ele seria destinado às pessoas que morreram em comunhão com Deus, mas que ainda precisam de purificação antes de alcançar plenamente o céu.

A doutrina encontra apoio em passagens bíblicas como 2Macabeus 12,44 e 1Coríntios 3,11-15, além de ter sido estruturada ao longo da Idade Média em concílios da Igreja. O ensinamento oficial está presente no Catecismo da Igreja Católica.

Outras tradições cristãs, no entanto, têm visões diferentes. Igrejas protestantes não reconhecem o purgatório, por entenderem que a salvação ocorre de forma direta pela graça de Deus. Já a Igreja Ortodoxa admite a oração pelos mortos e uma possível purificação após a morte, mas sem definir esse processo como purgatório.

O tema segue sendo ponto de distinção entre as diferentes correntes do cristianismo, ao mesmo tempo em que revela reflexões profundas sobre justiça, misericórdia e vida eterna.


Reflexão espiritual

Purgatório: mais que um lugar, um encontro com Deus

Quando se fala em purgatório, muitos imaginam sofrimento ou castigo. Mas a compreensão mais profunda aponta para algo diferente: um processo de purificação pelo amor de Deus.

Se Deus é amor, aproximar-se plenamente d’Ele exige um coração totalmente livre. O purgatório, nessa visão, não seria punição, mas cuidado — um tempo (ou estado) em que a alma é preparada para viver essa plenitude.

Mais do que discutir se existe ou não, o tema provoca uma pergunta pessoal: como estou preparando minha vida hoje? Estou aberto à transformação, ao perdão, à conversão?

A fé cristã convida a confiar que Deus não abandona ninguém no caminho. Mesmo após a morte, sua misericórdia continua agindo.


Texto para catequese

O que é o purgatório?

O purgatório é um ensinamento da Igreja Católica que fala sobre a purificação final das pessoas que morrem na graça de Deus, mas ainda não estão completamente santas.

👉 Não é um lugar físico como céu ou inferno
👉 Não é uma “segunda chance”
👉 É um estado de purificação

📌 A base desse ensinamento está:

  • Na tradição da Igreja
  • Em passagens bíblicas como 2Macabeus 12,44
  • No Catecismo da Igreja Católica (nº 1030 a 1032)

🙏 Por isso, a Igreja ensina a rezar pelos falecidos, acreditando que essa oração faz parte da comunhão dos santos.

⚠️ Importante:

  • Protestantes não acreditam no purgatório
  • Ortodoxos acreditam na oração pelos mortos, mas não definem purgatório como a Igreja Católica

💡 Em resumo: o purgatório mostra que Deus quer que todos cheguem ao céu plenamente purificados, vivendo sua graça por completo.

 


segunda-feira, 27 de abril de 2026

Iporá e São Luís de Montes Belos: polos do Oeste goiano revelam forças distintas em qualidade de vida, economia e educação

 Iporá e São Luís de Montes Belos: polos do Oeste goiano revelam forças distintas em qualidade de vida, economia e educação


No Oeste de Goiás, duas cidades seguem como referências regionais e frequentemente entram no debate público sobre qual oferece melhores condições para se viver: Iporá e São Luís de Montes Belos. A discussão, comum nas redes sociais, ganha agora novos contornos com o uso da Inteligência Artificial, que permite análises mais objetivas, destacando pontos fortes e limitações de cada município.

Na área da comunicação, São Luís de Montes Belos apresenta um cenário diversificado, com emissoras como a Rádio Vale da Serra — que migrou do AM para o FM e é gerida pela Diocese — além da Rádio Vale FM, administrada pela Congregação Redentorista. O município também conta com rádio comunitária e outras emissoras, ampliando o acesso à informação.

Iporá, por sua vez, mantém tradição com a Rádio Rio Claro 91,9 FM, a mais antiga da região,  que fez história com um jornalismo atuante, combativo e sempre presente nos eventos, o que faz da emissora historicamente líder na preferencia do publico, também ligada à Diocese de São Luís de Montes Belos. Há ainda uma rádio educativa e uma comunitária — esta última fora do ar no mês de abril. No ambiente digital, cresce em ambas as cidades a atuação de produtores independentes, com páginas como Oeste Goiano, Iporá Notícias e TV Web Iporá.

Na saúde, Iporá dispõe de estrutura diversificada, com hospitais particulares como Evangélico, São Paulo e Cristo Redentor, além de clínicas, hospital municipal, UPA (Unidade de Pronto Atendimento) regional, unidade da Hemorrede e serviço de hemodiálise, a clinica Neflocenter. São Luís de Montes Belos tem como referência o Hospital Regional Geraldo Landó, complementado por hospitais particulares e um grande numero de clínicas.

O campo educacional também reforça o papel regional das duas cidades. Iporá conta com uma unidade da Universidade Estadual de Goiás (UEG), vinculada administrativamente a São Luís de Montes Belos, com destaque para cursos de licenciatura em História, Matemática, Geografia, Ciências Biológicas, Letras e Matemática, além do bacharelado em Direito. O município abriga ainda o Instituto Federal Goiano, com cursos como Ciência da Computação, Licenciatura em Química, Agronomia, Administração Rural, entre outras opções, além da presença da faculdade privada UniIporá.

Já São Luís de Montes Belos concentra a sede regional da UEG, com destaque para cursos como Medicina Veterinária, Zootecnia, além de licenciaturas em Letras e Pedagogia. O município também se destaca no pioneirismo regional  com instituição de ensino superior privada, ampliando a oferta educacional.

Indicadores ajudam a dimensionar as diferenças. As duas cidades têm população semelhante, em torno de 35 mil habitantes. Iporá apresenta leve vantagem no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com 0,743, frente a 0,731 de São Luís de Montes Belos, refletindo melhor equilíbrio entre renda, saúde e educação.

Por outro lado, São Luís se destaca no aspecto econômico, com PIB per capita próximo de R$ 59 mil, quase o dobro do registrado em Iporá, que gira em torno de R$ 34 mil. A economia montebelense é impulsionada pelo agronegócio e pelo comércio diversificado, enquanto Iporá tem base mais concentrada em serviços e no setor público.

Na análise geral, São Luís de Montes Belos leva vantagem em oportunidades econômicas e proximidade com Goiânia, fator que facilita o acesso a serviços especializados e negócios. Iporá, por outro lado, se destaca pela qualidade de vida e por um estilo mais tranquilo, características valorizadas por quem busca estabilidade.

O comparativo mostra que não há uma resposta única: São Luís tende a atrair quem busca crescimento profissional e maior renda, enquanto Iporá se consolida como opção para quem valoriza equilíbrio e qualidade de vida no interior.

domingo, 26 de abril de 2026

Uso do termo “comunismo” no debate político exige mais conhecimento e menos desinformação

 

Falar de política exige responsabilidade, conhecimento e, acima de tudo, compromisso com a verdade. Volto a um tema que precisa ser melhor compreendido: o uso do termo “comunismo” no debate público brasileiro.

Nos últimos anos, especialmente desde a campanha vitoriosa de Jair Messias Bolsonaro, o termo passou a ser amplamente utilizado como uma espécie de rótulo para atacar adversários políticos, em especial o Partido dos Trabalhadores (PT). Muitas vezes, essa associação é feita sem explicação clara do que, de fato, significa comunismo.

Mas afinal, o que é comunismo?

O comunismo é uma teoria política e econômica desenvolvida principalmente por Karl Marx e Friedrich Engels no século XIX. Em sua forma teórica, propõe uma sociedade sem classes sociais, sem propriedade privada dos meios de produção e com igualdade econômica plena. No entanto, esse modelo ideal nunca foi plenamente implementado na prática por nenhum país.

Diversos países ao longo da história adotaram regimes inspirados em ideias socialistas ou comunistas, mas sempre com adaptações, contextos próprios e resultados variados. Ou seja, o comunismo existe como pensamento e corrente ideológica, mas sua forma “pura” permanece teórica.

O problema surge quando conceitos complexos são reduzidos a slogans. O uso do termo “comunismo” como ferramenta de medo ou ataque político pode gerar desinformação e alimentar divisões baseadas mais em emoção do que em conhecimento. A história mostra que narrativas simplificadas e baseadas no medo podem ter consequências graves. O próprio Adolf Hitler utilizou discursos que exploravam o medo e criavam inimigos internos para mobilizar a população — com resultados trágicos para a humanidade.

Por isso, mais do que repetir palavras, é fundamental compreender seus significados. Dizer “não gosto do comunismo” sem saber o que ele representa pode ser apenas reflexo de uma narrativa reproduzida, não de uma opinião formada.

Educação e informação são as melhores ferramentas contra a manipulação. Questionar, estudar e buscar fontes confiáveis ajudam a construir um debate mais honesto e consciente.

Em tempos de redes sociais e informações rápidas, fica o alerta: nem tudo que se repete é verdade. E compreender antes de julgar é sempre o melhor caminho. 

Por Pedro Claudio 26 de abril de 2026