segunda-feira, 22 de junho de 2026

IPORÁ PASSA A CONTAR COM CONVENTO DAS IRMÃS CARMELITAS SERVAS DA MISERICÓRDIA DE SIÃO

 


Foto; Lucimar Pereira Borges

A cidade de Iporá passa a contar oficialmente com a presença de uma comunidade religiosa feminina. Desde o dia 17 de junho está em funcionamento o Convento Santa Terezinha, das Irmãs Carmelitas Servas da Misericórdia de Sião.

As religiosas foram acolhidas pela comunidade iporaense ainda no dia 25 de fevereiro, durante Santa Missa celebrada na Paróquia São Paulo VI. Já na última quarta-feira, dia 17 de junho, aconteceu a inauguração oficial da nova casa religiosa, em celebração presidida pelo bispo diocesano Dom Lindomar, com a presença da Madre Elena de Jesus, vinda da Diocese de Ponta Grossa.

O convento está localizado ao lado da Capela Cristo Rei, no Conjunto Águas Claras.

Passam a integrar a comunidade as irmãs Maria José de Jesus, Maria Teresa de Jesus, Maria Goretti de Jesus e Faustina de Jesus.

Mas quais serão as atividades desenvolvidas pelas religiosas em Iporá? Conversamos com a irmã Maria José de Jesus. Ela explica que a missão da congregação é somar forças ao trabalho evangelizador já realizado pela Igreja local.

A presença de conventos faz parte da história do cristianismo há muitos séculos. Os primeiros registros de comunidades religiosas organizadas remontam aos séculos III e IV, quando homens e mulheres passaram a dedicar suas vidas integralmente à oração, à contemplação e ao serviço religioso.

Embora todos façam parte da tradição católica, cada congregação possui um carisma próprio, uma identidade espiritual que orienta sua missão e suas atividades. Algumas ordens religiosas são contemplativas, conhecidas popularmente como irmãs de clausura. Nesses mosteiros, a vida é dedicada principalmente à oração e ao silêncio, com contato bastante restrito com o público.

Já as Carmelitas Servas da Misericórdia de Sião possuem um carisma voltado à evangelização, à oração e ao serviço pastoral junto às comunidades, atuando em sintonia com os trabalhos desenvolvidos pela Diocese de São Luís de Montes Belos e pela Paróquia São Paulo VI.

Com a inauguração do Convento Santa Terezinha, Iporá amplia sua presença religiosa e ganha mais um espaço dedicado à fé, à espiritualidade e ao fortalecimento da vida cristã.

PARÓQUIA SÃO PAULO VI: UMA HISTÓRIA DE CRESCIMENTO DA IGREJA CATÓLICA EM IPORÁ

Em agosto de 2018, a Diocese de Iporá viveu um momento histórico com a criação de uma nova paróquia na cidade. Na ocasião, o então recém-ordenado padre Pablo Henrique de Faria foi empossado como primeiro pároco da comunidade Cristo Libertador, em celebração presidida pelo bispo diocesano, Dom Carmelo Scampa, no dia 12 de agosto daquele ano.

A nova unidade pastoral nasceu do desmembramento da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, matriz histórica da cidade e sede dos religiosos passionistas, responsáveis pela evangelização da região desde a criação da Diocese de Iporá. A medida atendeu à necessidade de ampliar a presença da Igreja junto aos fiéis diante do crescimento populacional e da expansão urbana do município.

Inicialmente, a nova paróquia recebeu o nome de Cristo Libertador. Poucos meses depois, com a canonização do Papa Paulo VI pelo Vaticano, em 14 de outubro de 2018, a comunidade passou a se chamar oficialmente Paróquia São Paulo VI, tornando-se a primeira da diocese dedicada ao santo pontífice.

Na época de sua posse, o padre Pablo Henrique chamava a atenção por sua trajetória singular. Natural de São Luís de Montes Belos, ele formou-se em Medicina, especializando-se em Otorrinolaringologia. Após cerca de dez anos de exercício profissional, deixando para trás uma carreira consolidada e uma clínica própria, decidiu seguir o chamado vocacional que manifestava desde a infância. Realizou seus estudos de Filosofia e Teologia em Roma, na Itália, e foi ordenado sacerdote em julho de 2018, assumindo logo em seguida a missão de estruturar a nova paróquia iporaense.

A Paróquia São Paulo VI passou a atender diversas comunidades urbanas e rurais, entre elas Nossa Senhora das Graças, Parque das Estrelas, Sagrada Família, Santa Gemma Galgani, Imaculada Conceição, além das comunidades rurais da Cocolândia, Pé de Pato, Lage, Cruzeirinho e Santa Marta. Também integrava a nova área pastoral o município de Amorinópolis e suas comunidades.

Nova realidade pastoral

Oito anos depois, a organização pastoral da Igreja Católica em Iporá continua evoluindo. Atualmente, a Paróquia São Paulo VI tem como pároco o Padre Geraldo, que dá continuidade ao trabalho iniciado por Padre Pablo e seus sucessores.

A cidade passou a contar ainda com uma quarta paróquia. Além da histórica Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, considerada a paróquia-mãe do município e que abriga a padroeira de Iporá, foram criadas a Paróquia São Paulo VI, a Paróquia Imaculada Conceição, atualmente conduzida pelo Padre José Moreira, e outra unidade pastoral que amplia a presença evangelizadora da Diocese.

Segundo a Diocese de Iporá, a criação dessas novas paróquias ocorreu em resposta ao crescimento da população católica e à necessidade de uma atuação pastoral mais próxima das comunidades, permitindo melhor acompanhamento religioso, social e missionário dos fiéis.

Assim, a história iniciada em 2018 com a chegada do médico que se tornou padre permanece como um marco da expansão da Igreja Católica em Iporá, refletindo um processo contínuo de fortalecimento da evangelização e de aproximação da Igreja com as comunidades urbanas e rurais da região.

Por Pedro Cláudio
Iporá, junho de 2026.


domingo, 21 de junho de 2026

A fé além dos templos: o que se enxerga quando se observa a religião do lado de fora

 

A fé além dos templos: o que se enxerga quando se observa a religião do lado de fora

Por Pedro Claudio

O que acontece quando alguém deixa de participar ativamente de um grupo religioso, mas não abandona a fé? É possível continuar acreditando, rezando e buscando a Deus sem a frequência habitual ao templo, às reuniões e às atividades da comunidade?

A experiência mostra que sim. A fé pode sobreviver ao afastamento institucional. Entretanto, ela raramente permanece igual. O tempo e a distância mudam o olhar. Quem deixa de ocupar determinados espaços passa a enxergar aspectos que antes estavam encobertos pela rotina, pelas responsabilidades e pelo envolvimento diário.

O afastamento nem sempre é fruto de uma escolha. Muitas vezes ele decorre de circunstâncias da vida. Mas, quando acontece, provoca algo interessante: a pessoa deixa de olhar a religião apenas por dentro e passa a observá-la também por fora. E quem observa de fora enxerga coisas que antes passavam despercebidas.

A fé em Jesus pode permanecer intacta. Em alguns casos, torna-se até mais forte. O que muda é a percepção das fragilidades humanas presentes em qualquer instituição religiosa. O olhar torna-se mais crítico, não necessariamente mais descrente.

Meu entendimento sobre Jesus não mudou. Continuo encontrando nele a referência maior da vida cristã. O que mudou foi a forma de perceber os comportamentos humanos que cercam a religião. E isso inclui não apenas os líderes religiosos, mas também os fiéis.

Lembro-me de uma canção do padre Zezinho que fala sobre amar como Jesus amou e viver como Jesus viveu. Talvez esteja aí a essência do cristianismo. Não se trata de reproduzir costumes de dois mil anos atrás, mas de compreender os valores que orientaram a vida de Cristo.

Jesus viveu em uma época que também possuía ricos, palácios, reis e estruturas de poder. E, mesmo assim, escolheu o caminho da simplicidade. Trabalhou, caminhou entre o povo e nunca fez do prestígio social um objetivo.

Os Evangelhos mostram um homem simples, conhecido como carpinteiro (Mc 6,3). Ensinava que "o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça" (Lc 9,58). Expulsou os vendedores do Templo (Jo 2,16), advertiu sobre os perigos do apego aos bens materiais e exigiu de seus seguidores uma profunda disposição para servir.

Talvez seja justamente nesse ponto que surgem algumas inquietações para quem observa a religião com certa distância.

Existe um risco que acompanha qualquer liderança religiosa: o apego ao reconhecimento. O ministério e o serviço podem, sem que se perceba, transformar-se em status. Há pessoas que passam a ser admiradas, aplaudidas e tratadas como se ocupassem uma categoria superior dentro da comunidade.

Muitos fiéis, movidos pela devoção e pelo respeito, colocam padres, pastores, bispos e outros líderes em um pedestal. Algumas vezes, atribuem-lhes uma importância quase incompatível com a condição humana que possuem. E seria ingenuidade imaginar que essa admiração não agrade a alguns. O reconhecimento público, os aplausos, os privilégios e a influência podem se tornar tentações tão perigosas quanto o dinheiro.

Talvez por isso Jesus tenha sido tão enfático quando ensinou: "O maior entre vós seja aquele que serve" (Mt 23,11). E mais ainda: "Quem quiser ser o primeiro entre vós, seja vosso servo" (Mt 20,27).

A autoridade cristã, segundo o Evangelho, não se mede pela quantidade de pessoas que obedecem, mas pela capacidade de servir.

Isso não significa ignorar que os ministros religiosos precisam ser sustentados. A própria Escritura afirma que "o trabalhador merece o seu sustento" (Mt 10,10). É justo que tenham condições dignas de vida e exerçam seu ministério sem preocupações excessivas com a sobrevivência material.

Porém, permanece válida a pergunta sobre os limites entre uma vida digna e uma vida marcada por excessos. O Evangelho não exige miséria, mas recomenda simplicidade. Não condena o conforto moderado, mas alerta constantemente contra o apego ao luxo e aos privilégios.

O grande desafio continua sendo viver próximo do povo. Compartilhar suas alegrias, suas dificuldades e suas limitações. Jesus não escolheu os palácios como centro de sua missão. Escolheu as estradas, as casas simples e a convivência com trabalhadores comuns.

O mais curioso é que o afastamento das estruturas religiosas não me afastou de Cristo. Em muitos momentos, permitiu até percebê-lo com maior clareza. Descobri que a fé não depende exclusivamente da presença física em um templo, embora a comunidade continue sendo importante para a caminhada cristã.

Continuo acreditando que a Igreja é maior do que seus erros e mais profunda do que suas contradições. Mas também acredito que uma fé madura não fecha os olhos para a realidade. Amar a Igreja não significa ignorar suas fragilidades. Significa reconhecê-las sem perder a esperança.

Talvez a principal lição seja esta: aprender a distinguir Cristo daquilo que os homens fazem em seu nome. Porque instituições mudam, lideranças passam e costumes se transformam. Mas continua atual a pergunta que Jesus fez aos seus discípulos: "E vós, quem dizeis que eu sou?" (Mt 16,15).

No final das contas, a resposta a essa pergunta continua sendo o verdadeiro centro da fé.

 


domingo, 14 de junho de 2026

Hoje é Domingo, Pé de Cachimbo

 


Hoje é Domingo, Pé de Cachimbo

Por Pedro Cláudio

Neste domingo, 14 de junho, bateu uma saudade daqueles tempos em que a infância era vivida nas ruas, nos quintais e nas calçadas. Uma época em que não existiam internet, redes sociais, celulares ou jogos eletrônicos. A diversão nascia da criatividade, das amizades e das brincadeiras simples que marcaram gerações.

Lembrei-me de uma parlenda folclórica muito conhecida:

Hoje é domingo,
pé de cachimbo.
O cachimbo é de ouro,
bate no touro.
O touro é valente,
bate na gente.
A gente é fraca,
cai no buraco.
O buraco é fundo,
acabou-se o mundo.

Quem cresceu ouvindo esses versos certamente sorri ao recordá-los. Eram palavras passadas de criança para criança, de pais para filhos, preservando uma cultura popular rica e espontânea.

Também vieram à memória brincadeiras que hoje quase desapareceram. Uma delas era o famoso "passar o anel", quando a expectativa tomava conta de todos para descobrir quem estava com o objeto escondido entre as mãos. Outra era a tradicional roda da "Ciranda, Cirandinha", que reunia crianças em cantorias e movimentos simples, mas cheios de alegria.

As lembranças mostram como o tempo passa. As gerações mudam, os costumes se transformam e novas tecnologias ocupam espaço em nossas vidas. Mas a memória tem o poder de guardar momentos especiais e de nos lembrar que a felicidade muitas vezes estava nas coisas mais simples.

Ao recordar essas brincadeiras e cantigas, percebemos que tudo passa na vida. Ficam as histórias, as lembranças e a gratidão por ter vivido um tempo em que a imaginação era a principal tecnologia disponível.

E você, de qual brincadeira da infância sente mais saudade?

sábado, 13 de junho de 2026

A Cultura que Nos Habita

 

Artigo de Opinião: A Cultura que Nos Habita

Por Pedro Claudio


Artigo de Opinião: A Cultura que Nos Habita

Por Pedro Claudio

A história oferece exemplos claros desse poder da cultura. Durante a Idade Média e em diversos outros períodos, quando um reino conquistava outro, não bastava vencer militarmente. Era preciso destruir símbolos, apagar tradições, proibir antigos cultos e impor uma nova forma de enxergar o mundo. Os vencidos eram levados a abandonar seus deuses, seus costumes e até sua identidade coletiva. Em certo sentido, morriam para uma realidade e renasciam para outra.

Além das riquezas materiais, os vencedores também se apropriavam das pessoas. Os chamados despojos de guerra incluíam terras, objetos, animais e seres humanos capturados. Muitos eram obrigados a abandonar suas crenças e a assimilar a cultura dos conquistadores. A história está repleta desses exemplos, frequentemente retratados em livros e filmes, mostrando que dominar um povo significava muito mais do que controlar seu território: significava controlar sua memória, sua identidade e sua forma de compreender o mundo.

Talvez seja por isso que ainda hoje existam disputas tão intensas no campo das ideias. Afinal, quem influencia a cultura influencia a maneira como as pessoas enxergam a realidade. A escola, a família, a religião, os meios de comunicação, a internet e até os grupos de amizade participam diariamente da construção dos nossos valores. Muitas vezes acreditamos estar agindo por vontade própria, quando na verdade estamos reproduzindo conceitos e comportamentos que aprendemos ao longo da vida.

Essa estratégia revela uma verdade profunda: controlar a cultura é controlar a forma como as pessoas pensam.

Por isso, devemos ter cautela quando afirmamos que nossa visão de mundo é a única correta. Sou cristão e acredito nos ensinamentos de Jesus. Essa fé orienta minha vida e meus valores. No entanto, existem bilhões de pessoas que enxergam o mundo a partir de outras tradições religiosas ou filosóficas. Não necessariamente porque sejam melhores ou piores, mas porque foram formadas em contextos culturais diferentes.

O sociólogo Émile Durkheim já demonstrava que a sociedade exerce uma força poderosa sobre os indivíduos. Sigmund Freud, por sua vez, argumentava que muitos dos nossos impulsos são reprimidos para possibilitar a convivência social. Enquanto isso, Jean Piaget mostrava como o conhecimento é construído pela interação entre o indivíduo e o ambiente em que vive.

Todos esses pensadores, cada um a seu modo, ajudam a compreender que o ser humano não pode ser analisado isoladamente. Somos resultado de nossa biologia, mas também de nossa educação, de nossa cultura, de nossa fé e das experiências que acumulamos ao longo da vida.

Talvez por isso seja tão importante cultivar a tolerância. Quem trabalha com educação, especialmente nas licenciaturas, aprende que cada pessoa carrega uma história singular. Nem sempre o comportamento do outro pode ser explicado apenas por escolhas individuais. Existem fatores familiares, culturais, emocionais e sociais que influenciam profundamente a maneira como cada um age.

É nesse contexto que também reflito sobre a responsabilização dos jovens. Muitas vezes exigimos deles um nível de maturidade que nem os próprios adultos possuem. Transferimos responsabilidades sem reconhecer que a formação moral e cultural dos mais novos depende, em grande medida, do exemplo e da orientação oferecidos pelos mais velhos. E nem sempre idade significa sabedoria.

Ao final, talvez a maior lição seja esta: somos menos livres do que imaginamos e mais influenciados pelo meio do que gostamos de admitir. Vivemos cercados por forças visíveis e invisíveis que moldam nossos pensamentos, nossos desejos e nossas convicções.

Reconhecer essa realidade não deve nos tornar pessimistas. Pelo contrário. Deve nos tornar mais humildes diante das diferenças humanas e mais conscientes de que aquilo que chamamos de verdade muitas vezes é, também, o reflexo da cultura que nos formou.

Pense nisso.

Texto reflexivo inspirado em leituras realizadas durante minha graduação, especialmente nas contribuições de Jean Piaget e Sigmund Freud para a compreensão do desenvolvimento humano, da formação do conhecimento e das influências sociais e culturais sobre o comportamento.

 


quinta-feira, 11 de junho de 2026

A Seleção Ainda é Genuinamente Brasileira?

 


Antes de a bola rolar e os resultados influenciarem qualquer análise, faço questão de registrar esta reflexão. Independentemente de o Brasil conquistar ou não a Copa do Mundo de 2026, algo me incomoda profundamente: pela primeira vez, a Seleção Brasileira será comandada por um técnico estrangeiro.

Não se trata de questionar a competência de Carlo Ancelotti. Seu currículo fala por si. É um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol. O problema, para mim, não é a capacidade técnica. É a simbologia.

A Seleção Brasileira sempre representou muito mais do que um time de futebol. Ela é uma expressão da identidade nacional. Durante décadas, o Brasil encantou o mundo com seu jeito próprio de jogar, pensar e viver o futebol. Nossos títulos foram construídos por brasileiros dentro e fora de campo.

Hoje, já convivemos com uma realidade difícil para quem aprecia o futebol nacional. A maioria dos convocados atua no exterior. São jogadores formados aqui, é verdade, mas que desenvolvem suas carreiras longe dos gramados brasileiros. Até certo ponto, compreendo essa dinâmica. O mercado globalizado levou nossos talentos para os maiores clubes do mundo.

Mas o comando técnico é diferente.

O treinador é quem define estratégias, estabelece a cultura do grupo, toma as decisões finais e imprime sua visão sobre a equipe. Quando essa figura não é brasileira, algo da essência nacional parece se perder.

Se o Brasil levantar a taça em 2026, a história registrará que a seleção pentacampeã ampliou sua galeria de títulos sob o comando de um italiano. Ao lado de nomes como Vicente Feola, Aymoré Moreira, Mário Zagallo, Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari, aparecerá Carlo Ancelotti. É um fato que não consigo enxergar com naturalidade.

Talvez alguns considerem essa visão ultrapassada. Respeito. Mas acredito que existem momentos em que o orgulho nacional tem valor. Não falo de xenofobia, isolamento ou rejeição aos estrangeiros. Pelo contrário. Defendo um país aberto, acolhedor e capaz de aprender com outras culturas.

No entanto, há espaços em que a afirmação da própria identidade faz diferença. E a Seleção Brasileira é um deles.

O futebol sempre foi uma das maiores demonstrações da capacidade criativa do povo brasileiro. Quando dependemos de um comandante estrangeiro para buscar o título máximo do esporte, fica a sensação de que deixamos de acreditar plenamente em nossa própria competência.

Aprender com quem faz bem é uma virtude. Copiar modelos de sucesso também pode ser inteligente. Mas entregar o posto de maestro, professor, mestre ou comandante máximo da seleção nacional é uma decisão que merece reflexão.

Será que realmente não temos treinadores capazes? Será que o país que revelou tantos craques e conquistou cinco Copas do Mundo não consegue formar um técnico à altura de sua história?

São perguntas que permanecem.

Apesar de tudo, torcerei como sempre. Quero ver o Brasil campeão. Quero ver a camisa amarela novamente no topo do mundo. Quero comemorar o tão sonhado hexacampeonato.

Apenas confesso que, para mim, a conquista teria um sabor mais especial se fosse construída integralmente por brasileiros.

Talvez você concorde. Talvez discorde.

Mas a reflexão está feita.

Escrevo estas linhas em 11 de junho de 2026, antes de a bola rolar e de qualquer resultado influenciar minha opinião. Neste sábado, 13 de junho, o Brasil fará sua estreia na Copa do Mundo diante de Marrocos.

Coincidência ou não, será no dia 13, número eternizado pelo velho Lobo. Se estivesse entre nós, o que diria Mário Zagallo diante deste novo capítulo da história da Seleção Brasileira? Talvez repetisse seu bordão mais famoso e desafiasse os críticos a engolirem suas previsões. Talvez defendesse a tradição da camisa amarela. Ou talvez apenas lembrasse que, acima de tudo, o importante é o Brasil vencer.

Seja qual for a resposta, uma coisa é certa: quando a Seleção entra em campo, o coração do brasileiro continua batendo mais forte. E é por isso que, apesar das reflexões e das divergências, sigo torcendo pelo hexacampeonato.

Que venha a Copa. E que venha o hexa.

 

terça-feira, 9 de junho de 2026

O Fio Invisível da Fé: Minha Herança Familiar Através da Oração

 


Por Pedro Claudio

A história de uma família não se escreve apenas com certidões de nascimento, inventários ou grandes feitos públicos. Muitas vezes, o patrimônio mais sólido de uma linhagem reside no invisível: nas palavras repetidas ao pé da cama, no limiar da porta antes de ganhar o mundo, no sussurro que atravessa gerações. Para não deixar morrer a tradição, eu, Pedro Claudio, compartilho com vocês um caminho que percorro em minha vida espiritual desde criança — uma prece que me foi ensinada por meu pai, José Claudio Rosa, que por sua vez a recebeu de meu avô, Lafaiete Claudio Rosa, e que certamente veio de outros que os antecederam em nossa família.

Sempre que saio de casa, as palavras que me guiam são estas:

"De minha casa vou saindo, por meu caminho vou andando; Jesus Cristo é meu guia, a Virgem Santíssima e os santos anjos vão me acompanhando. Tomo Deus por meu Pai, a Virgem Santíssima por minha Mãe, os anjos por meus parentes e os santos por meus advogados, para que meus inimigos não me possam ferir nem matar, nem meu sangue tirar; nem por cobra seja ofendido, nem por cão danado mordido. Livrai-me de toda prisão e aflição, para que eu não morra sem confissão. Por Jesus, Maria e José, minha alma vossa é. Amém."

Ao olhar para essa herança com um olhar atento, percebo que essa fórmula reúne características fascinantes da religiosidade popular católica brasileira e portuguesa. Ela não é apenas uma prece de proteção; é o testemunho vivo de um catolicismo dinâmico, transmitido pela memória do coração.

Abaixo, compartilho com vocês uma análise que faço sobre o conteúdo desta oração, a partir de uma pesquisa histórica. Ela revela muito sobre nossas origens e, com certeza, é um tema sobre o qual poucas pessoas pararam para pensar e refletir."

Anatomia de uma Fé Popular: Análise do Conteúdo

Podemos compreender a profundidade dessa prece dividindo-a em seis partes fundamentais:

1. Entrega do caminho a Deus

"De minha casa vou saindo, no meu caminho vou andando, Jesus Cristo é meu guia..." Esta é uma fórmula tradicional de proteção para quem sai de casa. A ideia de Cristo como guia evoca o Evangelho de João, no qual Jesus afirma ser o Caminho, a Verdade e a Vida. É o reconhecimento de nossa vulnerabilidade ao deixar a segurança do lar.

2. Invocação da Virgem, anjos e santos

"Tomo Deus por meu pai, Virgem por minha mãe, os anjos por parentes e os santos por advogados..." Essa construção reorganiza o mundo social de quem reza. Diante do isolamento, passamos a ser cercados por uma "família celestial". A expressão "santos por advogados" é belíssima e muito antiga na espiritualidade católica, onde a palavra "advogado" carrega o sentido estrito de intercessor diante de Deus.

3. Pedido de proteção física

"Para que meus inimigos não me possam ferir nem matar, nem meu sangue tirar..." Este trecho reflete perfeitamente uma época em que nossos antepassados enfrentavam viagens a cavalo, estradas desertas, conflitos de terra e muitos perigos cotidianos. A fé era a armadura real contra a violência do mundo.

4. Proteção contra animais

"Nem por cobra seja ofendido, nem por cão danado mordido." Uma formulação tipicamente ligada ao meio rural. "Cão danado" era o termo antigo para o animal com raiva, uma sentença de morte quase certa no passado. Orações com esse teor aparecem com frequência no folclore religioso do interior do Brasil.

5. Preparação para a morte cristã

"Livrai-me de toda a prisão para que eu não morra sem confissão." Aqui se revela a raiz teológica do catolicismo tradicional. Durante séculos, o maior medo de um fiel não era a morte em si, mas a "morte repentina e desassistida". Morrer após receber o sacramento da confissão era considerada a maior das graças para a salvação da alma.

6. Consagração final

"Por Jesus, Maria e José minha alma vossa é." O fechamento sela um pacto de total entrega e fidelidade à Sagrada Família, colocando a vida e a eternidade sob a guarda dos maiores protetores do lar.

O Mistério da Tradição Oral

Curioso sobre a extensão dessa prece, fiz uma busca detalhada pelos trechos mais característicos dela na internet e o resultado me surpreendeu: não encontrei registros exatos da versão que recito. Embora existam muitas orações e hinos com expressões semelhantes — como "Jesus é meu guia" ou pedidos de proteção aos anjos —, a fórmula completa, com essa estrutura exata, parece não estar publicada em lugar nenhum.

Isso me confirma que somos guardiões de uma joia da tradição oral. Muitas dessas preces nasceram séculos atrás, cruzaram o oceano vindas de Portugal e sobreviveram no interior do Brasil apenas porque pais dedicados decidiram ensiná-las aos seus filhos, sofrendo pequenas e belas adaptações ao longo das eras.

A linguagem usada — termos como "cão danado", "santos por advogados" e "não me possam meu sangue tirar" — carrega a pátina do tempo, lembrando fórmulas devocionais dos séculos XVIII e XIX.

Reflexão Final

Ao compartilhar essa oração com vocês, sinto que cumpro o papel de manter acesa uma chama que aqueceu os passos do meu avô Lafaiete e do meu pai José Claudio. Caminhar repetindo essas palavras é a certeza de que nunca ando sozinho; sigo acompanhado por uma multidão de antepassados que, diante das incertezas da vida, se apegavam exatamente à mesma fé.

Que essa herança espiritual continue viva, protegendo meus passos e inspirando todos nós a valorizar as pequenas grandes tradições que dão sentido à nossa história.

 

O Espírito Santo e a Missão do Cristão

 O Espírito Santo e a Missão do Cristão

Quando experimentamos o amor de Deus e a salvação oferecida por Jesus Cristo, somos naturalmente impulsionados a anunciar essa Boa Nova. Desde os primeiros dias da Igreja, após a Ressurreição de Cristo e a descida do Espírito Santo em Pentecostes, os discípulos compreenderam que não poderiam guardar para si a experiência transformadora que haviam vivido.

O Espírito Santo foi a força que conduziu os apóstolos a superar o medo e a proclamar o Evangelho com coragem. O mesmo Pedro que havia negado Jesus tornou-se uma das maiores testemunhas da fé cristã. Essa transformação demonstra que a missão não depende apenas das capacidades humanas, mas da ação poderosa do Espírito de Deus na vida daqueles que se colocam à sua disposição.

A história da Igreja mostra também que o Evangelho é destinado a todos os povos. O Espírito Santo conduziu os primeiros cristãos a compreenderem que a salvação não era privilégio de um grupo específico, mas um dom oferecido a toda a humanidade. Assim, homens e mulheres, ricos e pobres, judeus e pagãos foram chamados a fazer parte da mesma comunidade de fé.

Essa comunidade cristã se caracterizava pela união, pela oração, pela partilha dos bens e pela perseverança na Palavra de Deus. Mesmo diante de perseguições, dificuldades e conflitos internos, os primeiros cristãos permaneceram firmes porque confiavam na ação do Espírito Santo.

Hoje, o desafio continua sendo o mesmo: viver a fé de forma autêntica e testemunhar Jesus Cristo no ambiente familiar, no trabalho, na escola e em todos os lugares onde estamos. Cada cristão é chamado a ser um sinal vivo do Evangelho, anunciando não apenas com palavras, mas principalmente com atitudes de amor, justiça, solidariedade e misericórdia.

Que o Espírito Santo continue renovando a Igreja e fortalecendo cada fiel para assumir sua missão com alegria, coragem e ardor missionário, levando a esperança de Cristo a todos aqueles que necessitam conhecer o amor de Deus.

Pedro Claudio


segunda-feira, 8 de junho de 2026

Padre Pablo Henrique utiliza redes sociais para defender catequese mais sólida e posições conservadoras

 

Padre Pablo Henrique utiliza redes sociais para defender catequese mais sólida e posições conservadoras


O padre Pablo Henrique, ordenado sacerdote pela então Diocese de São Luís de Montes Belos — atualmente pertencente à Diocese de Itumbiara — e médico de formação, tornou-se uma das figuras religiosas mais atuantes nas redes sociais da região. Com presença constante no Instagram e Facebook, suas publicações alcançam milhares de pessoas e despertam reações distintas: é amplamente aplaudido por muitos fiéis, mas também alvo de críticas e, por vezes, de incompreensão.

Um dos aspectos mais marcantes de sua trajetória é a decisão de abandonar a carreira médica, tradicionalmente considerada uma profissão de grande estabilidade e boa remuneração, para dedicar-se integralmente ao sacerdócio. A escolha é frequentemente associada ao ideal cristão de renúncia. O bispo que o ordenou, Dom Carmelo Scampa, hoje bispo emérito, costumava relativizar o destaque dado ao fato de Pablo ter deixado a medicina, argumentando que todo padre, ao atender ao chamado vocacional, deixa para trás projetos, bens e oportunidades para servir à Igreja.

Além da atividade evangelizadora, Padre Pablo manifesta posicionamentos públicos sobre temas políticos, culturais e religiosos. Em suas redes sociais, costuma criticar o Partido dos Trabalhadores (PT) e setores da esquerda, associando essas correntes a pautas como a descriminalização do aborto, a discussão sobre identidade de gênero e uma visão de sociedade que, segundo ele, diverge dos princípios tradicionais do catolicismo. Em sentido oposto, representantes e simpatizantes desses grupos rejeitam essa caracterização, sustentando que tais associações fazem parte do embate político e ideológico contemporâneo.

O sacerdote também não evita fazer críticas à própria Igreja quando entende que determinadas práticas precisam ser revistas. Enquanto esteve à frente da Paróquia São Paulo VI, em Iporá, por exemplo, não aderiu à Campanha da Fraternidade, promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A iniciativa costuma abordar temas sociais e de promoção da dignidade humana, mas, na visão de Padre Pablo, determinadas abordagens podem afastar a atenção da formação doutrinária e sacramental dos fiéis.

Uma de suas publicações mais recentes provocou debates ao abordar a situação da catequese. Nela, o sacerdote questiona uma frase frequentemente repetida nos ambientes pastorais de que "catequese não é aula" e que "catequista não é professor". Em tom crítico, ele pergunta: "Então, o que é?".

Segundo Padre Pablo, um dos grandes problemas enfrentados pela Igreja na atualidade é a falta de conhecimento sobre a própria fé. Em sua análise, muitas pessoas afirmam que a missa é cansativa ou pouco atrativa porque não compreendem seu verdadeiro significado. Para ele, grande parte dos fiéis desconhece a riqueza da liturgia, o sentido das músicas, a dimensão espiritual da celebração e a presença real de Cristo na Eucaristia.

O sacerdote também critica a utilização de recursos teatrais durante as celebrações, argumentando que, em alguns casos, o espetáculo acaba se sobrepondo ao caráter sagrado e sacrificial da missa. Na sua avaliação, quando as pessoas destacam apenas que a celebração foi "bonita" ou divertida, isso revela uma compreensão limitada daquilo que, para a tradição católica, representa o memorial do sacrifício de Cristo.

Na reflexão divulgada, Padre Pablo sustenta que a pequena incidência de conversões profundas decorre justamente da deficiência na formação religiosa. Em sua visão, muitos católicos não sabem participar adequadamente da comunhão nem compreender o sentido espiritual do sacrifício eucarístico.

Ele faz ainda uma comparação com o Antigo Testamento, afirmando que o povo judeu recebia sólida instrução religiosa, embora seus sacrifícios fossem exteriores, baseados na oferta de animais. Já no cristianismo, em que o sacrifício de Cristo é único e definitivo, a participação consciente dos fiéis dependeria de uma catequese consistente, desenvolvida tanto na família quanto na própria comunidade eclesial.

Em uma das passagens que mais repercutiram, Padre Pablo afirma que a atual fragilidade da catequese seria consequência da ação do mal, sustentando que "Satanás destruiu a catequese" ao difundir a ideia de que ela não deve ser encarada como um verdadeiro processo de ensino e aprendizado da fé.

As manifestações do sacerdote reforçam uma característica já conhecida de sua atuação pastoral: a defesa de uma formação religiosa mais tradicional, centrada na doutrina, na liturgia e no aprofundamento do conhecimento da fé católica.

sábado, 6 de junho de 2026

Entre pregadores e influenciadores: a crise da autonomia intelectual.

 

A era dos influenciados

Confesso que às vezes não entendo muito esses tempos atuais. Parece que estamos cercados de pregadores, mentores, coaches, influenciadores e especialistas para tudo. Nas igrejas, multiplicam-se pessoas que afirmam conhecer a vontade de Deus melhor do que qualquer um. Nas redes sociais, surgem diariamente novos "influenciadores", gente que se apresenta como referência para ensinar como viver, pensar, investir, amar, votar ou até mesmo acreditar.

Fico pensando se, em algum momento, perdemos a capacidade de tirar nossas próprias conclusões.

Sou de um tempo em que as pessoas liam livros, jornais, estudavam nas escolas, frequentavam bibliotecas, conversavam nas praças ou nas academias e, a partir disso, construíam suas próprias opiniões. Havia divergências, claro, mas cada um era responsável pelo próprio julgamento. A independência intelectual era quase um valor.

Hoje, parece que muita gente prefere terceirizar o pensamento. Em vez de analisar um fato, espera que alguém faça a interpretação por ela. E há quem tenha descoberto que isso pode ser um excelente negócio. Afinal, quanto maior a dependência do público, maior a audiência, maior a influência e, consequentemente, maior o lucro.

Isso fica ainda mais delicado quando entra no campo da fé. Pessoas pegam textos sagrados, interpretam conforme seus interesses e, não raras vezes, fecham os olhos e dizem: "Deus está me revelando que...". O problema não é a espiritualidade, nem a crença. O problema é quando alguém usa o nome de Deus para transformar opiniões pessoais em verdades absolutas.

E o mais impressionante é que sempre existe quem esteja disposto a seguir, sem questionar, sem refletir, sem confrontar aquilo com a própria consciência ou com aquilo que está escrito.

Talvez a maior crise do nosso tempo não seja a falta de informação. Nunca tivemos tanto acesso ao conhecimento. A verdadeira crise pode ser a falta de autonomia para pensar.

Influenciar pessoas não é necessariamente algo ruim. Professores influenciam, pais influenciam, líderes religiosos influenciam, jornalistas influenciam. O problema começa quando a influência substitui o pensamento crítico.

A liberdade não está apenas em poder falar. Está, principalmente, em poder pensar por conta própria. E isso talvez seja uma das coisas mais valiosas que uma sociedade pode preservar. 

Por Pedro Claudio