sexta-feira, 24 de abril de 2026

Sob o olhar de Maria, Iporá vive 80 anos de fé, humildade e transformação

Em Iporá, a romaria de Nossa Senhora Auxiliadora chega aos seus 80 anos como um testemunho vivo de fé que atravessa gerações. Mais do que um evento religioso, trata-se de um caminho espiritual percorrido “de mãos dadas com Maria”, aquela que a Igreja reconhece como Mãe de Jesus e, também, mãe de toda a humanidade. Na catequese da Igreja e no ensinamento recente do Papa Francisco, Maria ocupa um lugar central como modelo de evangelização. Na exortação apostólica Evangelii Gaudium, ele a apresenta como “a Mãe da Evangelização”, aquela que, com simplicidade e confiança, acolheu a Palavra e a colocou em prática. Maria não chama atenção para si, mas conduz sempre a Cristo — como faz até hoje na caminhada dos fiéis. Esse testemunho aparece de forma clara no cântico do Magnificat, registrado no Evangelho segundo Evangelho de Lucas (Lc 1,46-55), na Bíblia CNBB. Ali, Maria proclama: “Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes”. Esse trecho não é apenas poesia, mas um verdadeiro programa de vida cristã: valorizar os pequenos, os esquecidos, os que muitas vezes são deixados à margem. É um convite direto a não supervalorizar os grandes em detrimento dos pequeninos, mas a enxergar a dignidade de cada pessoa. Outro sinal profundo do papel de Maria está no nascimento de Jesus. Conforme narrado também no Evangelho de Lucas (Lc 2,6-7), o Filho de Deus veio ao mundo em um lugar simples, um estábulo, ambiente humilde e marcado pela presença de animais. A tradição cristã sempre viu nesse cenário um sinal poderoso: Maria, com sua fé, transforma um espaço aparentemente indigno em lugar sagrado. Onde Deus entra, tudo pode ser renovado. Esse é o poder de transformação que o Papa Francisco frequentemente recorda: Deus age no pequeno, no simples, no cotidiano. E Maria é o maior exemplo dessa ação silenciosa e eficaz. Sua vida mostra que a santidade não nasce da perfeição humana, mas da abertura sincera ao amor de Deus. Essa mesma lógica aparece no ensinamento de Jesus sobre a fé. No Evangelho segundo Evangelho de Mateus (Mt 17,20), Ele afirma que uma fé do tamanho de um grão de mostarda é capaz de mover montanhas. Não se trata de grandeza exterior, mas de confiança verdadeira. É essa fé que sustenta o peregrino, mesmo diante das fragilidades e dúvidas. Maria, em sua missão, continua apontando o caminho. Nas bodas de Caná, conforme o Evangelho de João (Jo 2,5), ela diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Essa orientação permanece atual e essencial: o centro da vida cristã é seguir Jesus. Assim, olhar para Maria, especialmente neste tempo de romaria em Iporá, é renovar a esperança. É aceitar o convite à conversão, à perseverança e à confiança. A caminhada cristã, muitas vezes, se parece com um mar de águas turbulentas. Mas, conduzidos por Cristo e amparados pela intercessão da Mãe, é possível atravessar as dificuldades e alcançar a “terra prometida”. É essa fé simples, firme e transformadora que sustenta há 80 anos a romaria. E é ela que continua guiando cada passo dos que, de mãos dadas com Maria Auxiliadora, seguem firmes no caminho do Evangelho.