Prefeita de Iporá enfrenta terceiro pedido
de impeachment; dois processos tramitam na Câmara Municipal
Denúncias envolvem supostas
irregularidades na administração municipal e ampliam a tensão política entre o
Executivo e o Legislativo. Comissão Processante também enfrenta dificuldades
para citar a prefeita em processo anterior.
A prefeita de Iporá, Maysa Peres Cunha Peixoto,
enfrenta um novo capítulo de tensão política e jurídica. A Câmara Municipal
recebeu e aprovou a abertura de um terceiro pedido de impeachment contra a
chefe do Executivo nas sessões ordinárias de setembro, no dia 14 Com isso, dois processos de natureza
político-administrativa estão em tramitação no Legislativo, enquanto uma
primeira denúncia não chegou a ser acolhida pela Casa.
O cenário coloca a administração municipal sob maior
pressão e exige da Câmara a condução rigorosa dos procedimentos, com respeito à
legislação, ao contraditório e ao direito de defesa da prefeita.
Primeiro pedido não foi levado ao plenário
O primeiro pedido de impedimento foi apresentado pelo
advogado João Francisco, na condição de eleitor de Iporá. A denúncia
solicitava a apuração de supostas irregularidades que, segundo o autor,
poderiam caracterizar infrações político-administrativas atribuídas à prefeita.
Embora o documento tenha sido recebido pela Câmara
Municipal, o pedido não foi submetido à apreciação do plenário. Na ocasião, a
Presidência, orientada pela assessoria jurídica, decidiu não dar prosseguimento
à denúncia.
Dessa forma, a primeira iniciativa não resultou na
abertura de um processo de impeachment.
Segundo pedido: denúncia apresentada por
Heb Keller
O segundo pedido foi apresentado pela ex-vereadora Heb
Keller Fernandes e acabou acolhido pela maioria dos vereadores em sessão
realizada em maio de 2026.
A denúncia possui conteúdo semelhante ao primeiro
pedido e trata de supostas irregularidades na administração municipal. Após a
aprovação, foi realizado o sorteio dos integrantes da Comissão Processante,
inicialmente formada pelos vereadores Viviane Specian, Ricardo da Mota Vital
e Cássio Douglas Mendes Lara.
A comissão passou a conduzir os trabalhos de apuração,
com a responsabilidade de analisar os fatos denunciados, ouvir as partes,
examinar documentos e assegurar o direito de defesa da prefeita.
Justiça determina correções no
procedimento
O processo enfrentou questionamentos judiciais
apresentados pela defesa de Maysa Cunha.
Em agosto, a Justiça autorizou a retomada dos
trabalhos da Comissão Processante, mas determinou a anulação de atos realizados
anteriormente, incluindo uma reunião e um parecer de 25 de junho, além de atos
posteriores diretamente relacionados a eles. A comissão deveria retornar à
etapa adequada do procedimento e cumprir as determinações judiciais.
Posteriormente, o Tribunal de Justiça de Goiás negou
novo pedido da prefeita para suspender o processo. A decisão permitiu a
continuidade dos trabalhos, mas manteve a exigência de que a Câmara respeitasse
integralmente as garantias de defesa e refizesse os atos considerados
irregulares.
A discussão sobre a contagem do prazo de 90 dias para
a conclusão do processo, entretanto, ainda não foi definitivamente resolvida
pelo Tribunal.
Comissão relata dificuldade para citar a
prefeita
Na sessão da Câmara Municipal realizada nesta segunda-feira,
14 de setembro de 2026, a vereadora Viviane Specian, presidente da
Comissão Processante do segundo pedido, informou que os trabalhos continuam
seguindo as determinações do Poder Judiciário.
Segundo a parlamentar, a comissão ainda não conseguiu
efetivar a citação da prefeita. Viviane afirmou que foram realizadas 28
tentativas de citação e que o procedimento chegou a ficar suspenso por
aproximadamente 40 dias em razão de decisão judicial.
A citação é uma etapa fundamental, pois garante que a
denunciada seja formalmente comunicada do processo e possa exercer sua defesa.
A comissão sustenta que está cumprindo as orientações judiciais, mas enfrenta
dificuldades para localizar a prefeita e concluir essa etapa.
A defesa, por sua vez, tem o direito de utilizar os
recursos legais disponíveis para questionar atos do procedimento e assegurar o
cumprimento das garantias processuais.
Terceiro pedido é apresentado pelo
Sindiporá
O terceiro pedido de impeachment partiu do Sindicato
dos Servidores Públicos Municipais de Iporá — Sindiporá.
A entidade protocolou a denúncia apontando supostas
irregularidades relacionadas a descontos efetuados na folha de pagamento dos
servidores, incluindo valores de mensalidades sindicais, empréstimos
consignados e contribuições destinadas ao Ipasgo. As alegações ainda precisam
ser examinadas no âmbito do processo político-administrativo.
A denúncia ocorre em um contexto de outras
controvérsias envolvendo os repasses de valores descontados dos servidores. Em
agosto, o Ministério Público de Goiás informou o ajuizamento de uma ação de
improbidade administrativa contra a prefeita, relacionada a atrasos no repasse
de contribuições ao Ipasgo Saúde. A ação teve origem em apurações iniciadas
após representação do Sindiporá.
É importante destacar que a existência de uma
denúncia ou de uma ação judicial não significa, por si só, que houve
comprovação de irregularidades ou que a prefeita tenha sido condenada. Os
fatos precisam ser apurados pelas instituições competentes, com garantia de
defesa.
Câmara aprova abertura do novo processo
O pedido apresentado pelo Sindiporá foi submetido à
votação no plenário da Câmara Municipal de Iporá. O resultado foi de sete
votos favoráveis e quatro contrários. O vereador Keilo Pereira Borges
estava ausente.
Votaram contra a abertura do processo:
- Cláudia
Ribeiro de Lima;
- Ronis
Aparecida da Silva — Suavinha;
- Wenio
Lima de Jesus;
- Samuel
Martins de Queiroz.
Votaram favoravelmente:
- Ricardo
da Mota Vital;
- Cássio
Douglas Mendes Lara;
- Carlos
Henrique dos Anjos Barbosa;
- Rafael
Junio Neves de Souza;
- Rangel
Araújo Pimenta;
- Suélio
Gomes da Silva;
- Viviane
de Leão Duarte Specian.
Nova Comissão Processante
Após a aprovação da denúncia do Sindiporá, foi
realizado sorteio para definir os integrantes da nova Comissão Processante.
Segundo as informações apresentadas, a comissão será
formada por:
- Cássio
Douglas Mendes Lara;
- Ricardo
da Mota Vital;
- Wenio
Lima de Jesus.
A comissão deverá analisar o conteúdo da denúncia,
verificar a existência de elementos que justifiquem o prosseguimento da
apuração, ouvir os envolvidos e produzir um parecer. Ao final, caberá ao
plenário da Câmara deliberar sobre o resultado do processo, observadas as
regras legais aplicáveis.
O que está em jogo
A abertura de um novo processo amplia a pressão sobre
a prefeita Maysa Cunha e demonstra que a relação entre o Executivo e parte do
Legislativo continua marcada por divergências.
Entretanto, pedido de impeachment não equivale a
afastamento automático nem representa condenação antecipada. A Câmara
precisa investigar os fatos, garantir o direito de defesa e fundamentar suas
decisões.
Do outro lado, a prefeita e sua defesa têm o direito
de contestar as acusações e recorrer ao Poder Judiciário quando entenderem que
houve violação das regras do procedimento.
O desafio do Legislativo será conduzir os dois
processos com transparência, responsabilidade e respeito às instituições. Para
a população de Iporá, o que importa é que as denúncias sejam esclarecidas, que
eventuais responsabilidades sejam apuradas e que a administração municipal
continue funcionando em benefício do interesse público.
A crise política está instalada, mas o
desfecho ainda depende do andamento dos processos, das decisões judiciais e das
conclusões das Comissões Processantes.