Reflexão – Por Pedro Claudio
15 de março de 2026
Nos últimos tempos, principalmente a partir da
popularização da internet e do advento das redes sociais, surgiu uma figura
curiosa da sociedade contemporânea: o chamado influenciador ou influenciadora
digital. Como o próprio nome indica, “influencer” é alguém com poder de
influenciar opiniões, comportamentos e até decisões de consumo e de voto.
Mas esse fenômeno levanta uma pergunta
inevitável: por que tantas pessoas precisam de alguém para pensar por elas?
O crescimento desse tipo de personagem nas
redes é impressionante. O Brasil é hoje um dos países que mais consomem redes
sociais no mundo, com mais de 130 milhões de usuários conectados, e o número de
influenciadores digitais já passa de 2
milhões no país.
Estudos mostram ainda que 37% dos
brasileiros já compraram algum produto por influência de posts nas redes
sociais, e uma parcela significativa afirma que pretende passar ainda
mais tempo nesses ambientes digitais.
Ou seja, não se trata de um fenômeno pequeno.
É um novo modo de comunicação, de consumo e até de formação de opinião.
Outro dia alguém escreveu — não recordo o
autor — que o sucesso dos influenciadores é um sinal do aumento da burrice
coletiva. Talvez seja uma frase dura, mas ela provoca reflexão. Afinal, quando
abandonamos o hábito da leitura, quando deixamos de refletir e analisar por
conta própria, abrimos espaço para que outros pensem por nós.
Isso tem consequências. Em um ambiente de
informação rápida, superficial e muitas vezes emocional, torna-se mais fácil
manipular opiniões. Abrem-se brechas para a disseminação de notícias falsas,
para o consumo irrefletido e até para a eleição de políticos que não apresentam
comportamento ético ou compromisso com a sociedade.
Mas seria injusto afirmar que tudo é negativo
no universo dos influenciadores.
Existem pessoas sérias nesse meio, que
estudam, pesquisam, possuem formação consistente ou acumulam experiências de
vida que merecem ser compartilhadas. Há educadores, cientistas, comunicadores e
trabalhadores que utilizam as redes para ensinar, orientar e promover
conhecimento.
Aliás, pensando bem, influenciadores sempre
existiram.
Penso na sabedoria dos meus pais e dos mais
antigos, gente simples do interior que conhecia a natureza e os remédios do
cerrado. Gente que sabia que o cordão-de-frade
ajudava nos problemas de estômago, que a quina
era utilizada na medicina caseira, que a erva-de-santa-maria
servia para diversos males. Havia também plantas que alimentavam, como aquela
que produzia uma espuma quando batida, conhecida como butique em algumas regiões.
Esse conhecimento não estava na internet, não
tinha curtidas nem seguidores. Era transmitido de geração em geração, pela
experiência e pela convivência.
Talvez esses sim fossem verdadeiros
influenciadores — não porque apareciam em vídeos ou mostravam uma vida de luxo,
mas porque possuíam sabedoria acumulada e compromisso com a comunidade.
Hoje, muitas vezes, a influência se constrói
de outra forma. Valoriza-se a aparência, o consumo, a vida de celebridades, as
festas da alta sociedade e os romances dos famosos.
E então fica a pergunta:
Estamos realmente evoluindo como sociedade ou
apenas trocando sabedoria por entretenimento?
Influenciar não é apenas convencer alguém a
comprar algo ou seguir uma tendência. Influenciar deveria significar ajudar as
pessoas a pensar melhor, a compreender o mundo e a tomar decisões mais
conscientes.
Talvez o verdadeiro desafio da nossa época
seja este: aprender a usar as redes sociais sem abandonar aquilo que sempre foi
essencial para a liberdade humana — a capacidade de pensar por conta própria.
Pedro Claudio – jornalista e comunicador.
Texto elaborado a partir de reflexões do autor com
apoio de ferramentas de inteligência artificial para organização e revisão.