terça-feira, 26 de maio de 2026

Credenciamento da comunicação pública em Iporá gera debate sobre legalidade, transparência e uso de recursos públicos


A publicação do edital de credenciamento/chamada pública nº 12/2025 pela Prefeitura de Iporá, destinado à contratação de serviços de comunicação social, ampliou o debate político e jurídico no município sobre os limites da publicidade institucional e a forma de aplicação de recursos públicos na divulgação das ações da administração municipal.

 

O edital prevê o credenciamento de pessoas físicas e jurídicas para prestação de serviços de divulgação dos atos e ações da gestão municipal, incluindo emissoras de rádio, fundações educativas, portais digitais e perfis em redes sociais. A proposta abriu questionamentos sobre critérios técnicos, alcance de mídia e distinção entre jornalismo, publicidade institucional e promoção governamental.

 

Especialistas em direito administrativo observam que a Constituição Federal, no artigo 37, parágrafo primeiro, determina que a publicidade dos atos públicos deve possuir caráter educativo, informativo ou de orientação social, vedando promoção pessoal de autoridades e agentes públicos. Nesse contexto, o uso da expressão “divulgação dos feitos da gestão” passou a ser alvo de interpretações distintas entre apoiadores e críticos do modelo adotado.

 

Outro ponto discutido envolve a aplicação da Lei Federal nº 14.133/2021, a nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos, que admite o credenciamento quando houver inviabilidade de competição. No entanto, juristas apontam que a modalidade exige critérios objetivos, impessoais e transparentes para evitar favorecimentos ou contratações sem parâmetros técnicos definidos.

 

A inclusão de perfis de redes sociais ao lado de veículos tradicionais de comunicação também provocou questionamentos sobre métricas de audiência, regularidade jurídica, responsabilidade editorial e comprovação de alcance real das publicações. Para analistas da área de comunicação pública, a ausência de indicadores claros de desempenho pode comprometer a efetividade da política de divulgação institucional.

 

No campo da comunicação, especialistas destacam ainda a diferença entre atividade jornalística e publicidade institucional. Enquanto o jornalismo pressupõe independência editorial e liberdade de apuração, a publicidade possui vínculo comercial e finalidade promocional. A falta de clareza nessa distinção pode gerar dúvidas no público sobre a natureza dos conteúdos divulgados.

 

No caso das fundações educativas e emissoras sem fins lucrativos, o debate ganha dimensão adicional. Essas instituições possuem finalidade educativa e cultural definida em legislação específica, o que exige cautela quanto à veiculação de publicidade remunerada para não desvirtuar sua função institucional.

 

Nos bastidores políticos de Iporá, o assunto repercute entre lideranças locais, profissionais da comunicação e representantes da sociedade civil. A discussão também pode alcançar órgãos de fiscalização e controle, como o Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás e o Ministério Público de Goiás, responsáveis por acompanhar a legalidade dos contratos públicos e o cumprimento dos princípios constitucionais da administração pública.

 

O caso reacende uma discussão mais ampla sobre comunicação pública no Brasil: até que ponto informar a população sobre ações governamentais atende ao interesse coletivo e em que momento a divulgação institucional pode se aproximar de estratégia política ou promocional.

 

Em meio ao debate, permanece o desafio das administrações públicas de construir políticas de comunicação transparentes, eficientes e alinhadas aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência previstos na Constituição Federal.


O mistério da vida, a saudade e a esperança no futuro eterno

 


Por Pedro Claudio

A saudade talvez seja uma das marcas mais profundas da existência humana. Há nuances no luto que nunca vão embora. Quando se ama de verdade, quem parte continua presente de alguma forma na memória, nos gestos, nas lembranças e até no silêncio. O tempo passa, a correria do dia a dia ocupa espaço, a distância dos acontecimentos ameniza certas dores, porque a vida dos que ficam precisa seguir. Mas algumas ausências jamais deixam completamente o coração.

Muitas vezes surge a pergunta que acompanha a humanidade desde sempre: para onde vão aqueles que partiram? Há inúmeras teses, religiões, doutrinas e interpretações tentando responder ao grande mistério da vida após a morte. Mas a verdade é que ninguém voltou para contar, exceto Jesus Cristo, segundo a fé cristã, que ressuscitou e deixou sua mensagem sobre a eternidade.

No Evangelho de João, na versão da CNBB, Jesus diz:

“Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós.”
João 14,2

É uma das passagens mais consoladoras da Bíblia, porque transmite a ideia de continuidade, acolhimento e esperança além da existência terrena.

No livro do Apocalipse também aparecem imagens simbólicas sobre a eternidade e a presença divina. Um dos textos mais conhecidos descreve a cidade santa iluminada pela glória de Deus:

“A cidade não precisa de sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz, e sua lâmpada é o Cordeiro.”
Apocalipse 21,23

Há ainda a imagem da humanidade sendo conduzida para junto de Deus, numa caminhada espiritual rumo à eternidade, acompanhada pela presença celestial e pela esperança de uma nova morada.

A vida, no entanto, continua sendo uma grande incógnita. O futuro sempre será incerto. E talvez uma das maiores lições da existência seja justamente perceber que, diante de Deus e do tempo, todos têm o mesmo destino. Ricos e pobres, pretos e brancos, poderosos e humildes, ninguém permanece para sempre nesta terra. O que fica são lembranças, histórias, marcas e afetos, que também vão se apagando lentamente na memória das gerações.

As religiões tentam oferecer respostas. Algumas trazem conforto verdadeiro. Outras, em certos momentos, parecem transformar a fé em instrumento de controle humano, estabelecendo regras e promessas de salvação eterna. É compreensível que existam normas e princípios, porque uma sociedade sem limites pode mergulhar no caos. Ainda assim, muitas dúvidas permanecem.

Quem tem fé costuma olhar com preocupação para quem não compartilha da mesma crença. Há os que se dizem plenamente convencidos da verdade que professam. Eu, porém, acredito na ação de Deus na construção humana, na presença divina que inspira o amor, a justiça e a bondade. Mas também carrego dúvidas sobre intenções humanas quando alguns, do púlpito, transformam a fé em espetáculo, em premonições ou em instrumentos de manipulação.

Talvez muitos dos que pregam estejam sinceramente convencidos daquilo que anunciam. Talvez outros usem a mensagem divina como proteção, influência ou poder nesta vida terrena. No fim, o coração humano sempre será um território difícil de decifrar.

Por isso, a sabedoria dos antigos continua atual. Como dizia minha mãe: confiar sempre… desconfiando.

 Iporá Goiás, 26 de maio de 2026