segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Afinal, sou mocinho ou bandido?

 


Afinal, sou mocinho ou bandido?

Por Pedro Claudio em 11 de agosto de 2025

Até pouco tempo, eu tinha certeza: sou do bem. Sou contra o mal. O mocinho da vida, não o vilão da história. Mas, ultimamente, essa certeza anda bamboleando. Parece que hoje, quem defende o bem comum, quem pensa no outro, quem acredita na justa distribuição de riquezas e no direito à saúde para todos, é visto com desconfiança — quase como um inimigo.

Se você quer que todos tenham acesso à faculdade que desejam, que as oportunidades sejam iguais, logo recebe um rótulo: “perigoso”, “vilão”, “contra o progresso”. O mundo virou do avesso, e eu me pego pensando: afinal, sou algoz ou vítima?

Na Igreja Católica, onde vivo minha fé como batizado, crismado e diácono ordenado, já ouvi que isso que penso é “teologia da libertação” — e lá de alguns vem o coro: “Cruz credo! Sai pra lá, comunista! Petista!”. Me convidam a virar as costas para o outro e, ao mesmo tempo, me dizem para me voltar para Cristo. Mas em Cristo está justamente o outro, o próximo. Como conciliar?

Parece que, se você defende causas sociais ou questiona o acúmulo exagerado de riqueza, automaticamente é contra o sistema, contra o país, contra tudo. E aí surge o rótulo de sempre: comunista, querendo transformar o Brasil numa Venezuela ou Cuba. Opiniões prontas, muitas vezes sem conhecer a realidade de lá, nem o contexto, nem o pretexto.

Vivemos num mundo estranho. Israel lança bombas e mata crianças, e há quem pendure a bandeira deles no altar de casa. Os Estados Unidos ameaçam o Brasil, impõem taxas, prejudicam nossa economia e provocam desemprego — e tem gente hasteando sua bandeira em praça pública, muitas vezes construída com dinheiro do próprio povo.

Diante disso, já não sei se sou vilão ou vítima, se estou ajudando ou atrapalhando, se estou aliviando ou aumentando o peso da cruz que tantos carregam. A crise não é só minha: é de identidade coletiva. E aí vem a pergunta: com quem se aconselhar? O mundo está rachado ao meio, e divisão — todos sabemos — significa “diabolos” na raiz da palavra, ou seja, o próprio demônio.

Que Deus nos dê sabedoria para viver e nos livre dos caminhos que negam a humanidade. Porque, diante dessa crise de identidade global, talvez só nos reste esperar — e confiar — numa intervenção divina.

Reflexão da vida Pedro Claudio de Iporá Goiás, 11 de agosto de 2025