segunda-feira, 17 de agosto de 2026

CHEGOU A HORA DA ONÇA BEBER ÁGUA — OU SERÁ GATINHO? QUE TIPO DE ELEITOR VOCÊ É?

 

Antes de escolher, pense: que tipo de político estamos elegendo?





Nós, eleitores, estamos oficialmente sendo torpedeados pela propaganda eleitoral. Desde 16 de agosto, candidatas, candidatos e partidos podem divulgar suas propostas e buscar o voto. O próprio Tribunal Superior Eleitoral lembra que a propaganda deve permitir ao eleitor conhecer a trajetória, as propostas, as mensagens e as realizações de quem disputa uma eleição.

Mas será que propaganda é suficiente para escolher um candidato?

Nem sempre o candidato que mais aparece é a melhor opção. Nem sempre quem fala mais alto tem as melhores ideias. E nem sempre aquele que transforma o adversário em inimigo apresenta um projeto capaz de melhorar a vida da população.

Por isso, talvez seja hora de diminuir o volume da propaganda e aumentar o volume da reflexão.

Cada eleitor tem suas próprias convicções. Há quem escolha um candidato pela defesa de determinadas políticas sociais; há quem valorize posições sobre vacinação, segurança pública, direitos humanos, economia, costumes ou meio ambiente. Tudo isso faz parte do debate democrático.

O problema começa quando deixamos de avaliar ideias e passamos simplesmente a escolher lados.

É preciso olhar o histórico do candidato. O que ele fez quando teve oportunidade de exercer um cargo público? Cumpriu o que prometeu? Como votou? Como administrou? Como tratou o dinheiro público? Apresentou resultados? Prestou contas? Respeitou as instituições? Soube conviver com quem pensa diferente?

E há outra pergunta que merece ser feita: por que alguém quer tanto permanecer na política?

A política deveria ser, antes de tudo, um instrumento para promover o bem coletivo. Mas, quando o mandato passa a ser tratado como patrimônio familiar, a preocupação precisa aumentar.

Não é raro vermos famílias inteiras entrando na política: primeiro um membro, depois a esposa ou o marido, depois os filhos, netos e outros parentes. Não há, evidentemente, nada de errado pelo simples fato de pessoas da mesma família disputarem eleições. O problema surge quando a política deixa de ser serviço público e passa a ser encarada como carreira familiar permanente, sustentada pelo poder, pelos salários e pela estrutura do Estado.

O mandato público não deveria ser um negócio de família.

Também precisamos prestar atenção ao novo papel das redes sociais. Hoje, uma campanha pode transformar alguém em herói e, no mesmo instante, transformar o adversário em vilão. Uma acusação repetida milhares de vezes pode parecer verdade simplesmente porque foi repetida milhares de vezes.

Mas acusação não é prova. Vídeo não é necessariamente verdade. Montagem não é informação. E, nas Eleições 2026, o TSE estabeleceu regras específicas para combater a desinformação e disciplinar o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral.

Precisamos, portanto, desconfiar do candidato que constrói sua campanha apenas destruindo o adversário.

Quem promete apenas combater, eliminar, destruir ou acabar com o outro está apresentando um projeto de governo ou apenas um projeto de poder?

Onde estão as propostas para a saúde?

Onde estão as propostas para a educação?

Onde está o compromisso com o emprego, a renda, a segurança, a agricultura, o meio ambiente e a melhoria dos serviços públicos?

E, principalmente: como pretende fazer tudo isso?

Porque prometer é fácil. Difícil é apresentar um caminho possível, explicar de onde virão os recursos e depois prestar contas do que foi realizado.

Também precisamos abandonar a ideia de que política é simplesmente escolher "o menos pior". Talvez seja necessário reconhecer que o voto não deveria ser apenas uma obrigação eleitoral, mas uma oportunidade de participar das decisões que afetam a nossa própria vida.

O Tribunal Superior Eleitoral mantém, inclusive, um guia destinado a orientar o eleitor na escolha consciente de representantes, com informações sobre as funções dos cargos, as atribuições dos Poderes e as formas de fiscalização.

Então, antes de votar, vale fazer algumas perguntas simples:

Eu conheço o passado desse candidato?

Conheço suas propostas ou apenas suas críticas aos adversários?

Ele apresenta soluções ou apenas inimigos?

Já exerceu cargo público? O que realizou?

Como se comportou diante do dinheiro público?

Tem disposição para prestar contas?

Defende o interesse coletivo ou principalmente seus próprios interesses políticos?

Quero escolher alguém porque acredito em seu projeto ou porque fui convencido de que o outro é pior?

Talvez essa seja uma das maiores responsabilidades do eleitor: não permitir que o marketing pense por nós.

Não precisamos votar em quem grita mais. Não precisamos votar em quem tem mais seguidores. Não precisamos transformar candidato em ídolo nem adversário em inimigo.

Precisamos escolher representantes.

E representante é aquele que recebe temporariamente uma parcela do poder que pertence à sociedade.

Por isso, antes de apertar as teclas da urna, vale pensar: será que estamos elegendo alguém para servir à população ou estamos, ano após ano, sustentando pessoas que descobriram na política uma maneira de sustentar a si mesmas e aos seus?

A resposta é individual.

O voto também.

Pense nisso. Pesquise. Compare. Questione. E vote consciente.