Antes de escolher, pense: que tipo de político
estamos elegendo?
Nós,
eleitores, estamos oficialmente sendo torpedeados pela propaganda eleitoral.
Desde 16 de agosto, candidatas, candidatos e partidos podem divulgar suas
propostas e buscar o voto. O próprio Tribunal Superior Eleitoral lembra que a
propaganda deve permitir ao eleitor conhecer a trajetória, as propostas, as
mensagens e as realizações de quem disputa uma eleição.
Mas será
que propaganda é suficiente para escolher um candidato?
Nem
sempre o candidato que mais aparece é a melhor opção. Nem sempre quem fala mais
alto tem as melhores ideias. E nem sempre aquele que transforma o adversário em
inimigo apresenta um projeto capaz de melhorar a vida da população.
Por isso,
talvez seja hora de diminuir o volume da propaganda e aumentar o volume da
reflexão.
Cada
eleitor tem suas próprias convicções. Há quem escolha um candidato pela defesa
de determinadas políticas sociais; há quem valorize posições sobre vacinação,
segurança pública, direitos humanos, economia, costumes ou meio ambiente. Tudo
isso faz parte do debate democrático.
O
problema começa quando deixamos de avaliar ideias e passamos simplesmente a
escolher lados.
É preciso
olhar o histórico do candidato. O que ele fez quando teve oportunidade de
exercer um cargo público? Cumpriu o que prometeu? Como votou? Como administrou?
Como tratou o dinheiro público? Apresentou resultados? Prestou contas?
Respeitou as instituições? Soube conviver com quem pensa diferente?
E há
outra pergunta que merece ser feita: por que alguém quer tanto permanecer na
política?
A
política deveria ser, antes de tudo, um instrumento para promover o bem
coletivo. Mas, quando o mandato passa a ser tratado como patrimônio familiar, a
preocupação precisa aumentar.
Não é
raro vermos famílias inteiras entrando na política: primeiro um membro, depois
a esposa ou o marido, depois os filhos, netos e outros parentes. Não há,
evidentemente, nada de errado pelo simples fato de pessoas da mesma família
disputarem eleições. O problema surge quando a política deixa de ser serviço
público e passa a ser encarada como carreira familiar permanente, sustentada
pelo poder, pelos salários e pela estrutura do Estado.
O mandato
público não deveria ser um negócio de família.
Também
precisamos prestar atenção ao novo papel das redes sociais. Hoje, uma campanha
pode transformar alguém em herói e, no mesmo instante, transformar o adversário
em vilão. Uma acusação repetida milhares de vezes pode parecer verdade
simplesmente porque foi repetida milhares de vezes.
Mas
acusação não é prova. Vídeo não é necessariamente verdade. Montagem não é
informação. E, nas Eleições 2026, o TSE estabeleceu regras específicas para
combater a desinformação e disciplinar o uso de inteligência artificial na
propaganda eleitoral.
Precisamos,
portanto, desconfiar do candidato que constrói sua campanha apenas destruindo o
adversário.
Quem
promete apenas combater, eliminar, destruir ou acabar com o outro está
apresentando um projeto de governo ou apenas um projeto de poder?
Onde
estão as propostas para a saúde?
Onde
estão as propostas para a educação?
Onde está
o compromisso com o emprego, a renda, a segurança, a agricultura, o meio
ambiente e a melhoria dos serviços públicos?
E,
principalmente: como pretende fazer tudo isso?
Porque
prometer é fácil. Difícil é apresentar um caminho possível, explicar de onde
virão os recursos e depois prestar contas do que foi realizado.
Também
precisamos abandonar a ideia de que política é simplesmente escolher "o
menos pior". Talvez seja necessário reconhecer que o voto não deveria ser
apenas uma obrigação eleitoral, mas uma oportunidade de participar das decisões
que afetam a nossa própria vida.
O
Tribunal Superior Eleitoral mantém, inclusive, um guia destinado a orientar o
eleitor na escolha consciente de representantes, com informações sobre as
funções dos cargos, as atribuições dos Poderes e as formas de fiscalização.
Então,
antes de votar, vale fazer algumas perguntas simples:
Eu
conheço o passado desse candidato?
Conheço
suas propostas ou apenas suas críticas aos adversários?
Ele
apresenta soluções ou apenas inimigos?
Já
exerceu cargo público? O que realizou?
Como se
comportou diante do dinheiro público?
Tem
disposição para prestar contas?
Defende o
interesse coletivo ou principalmente seus próprios interesses políticos?
Quero
escolher alguém porque acredito em seu projeto ou porque fui convencido de que
o outro é pior?
Talvez
essa seja uma das maiores responsabilidades do eleitor: não permitir que o
marketing pense por nós.
Não
precisamos votar em quem grita mais. Não precisamos votar em quem tem mais
seguidores. Não precisamos transformar candidato em ídolo nem adversário em
inimigo.
Precisamos
escolher representantes.
E
representante é aquele que recebe temporariamente uma parcela do poder que
pertence à sociedade.
Por isso,
antes de apertar as teclas da urna, vale pensar: será que estamos elegendo
alguém para servir à população ou estamos, ano após ano, sustentando pessoas
que descobriram na política uma maneira de sustentar a si mesmas e aos seus?
A
resposta é individual.
O voto
também.
Pense
nisso. Pesquise. Compare. Questione. E vote consciente.
