sexta-feira, 3 de julho de 2026

Quando o mestre de cerimônias esquece qual é o seu papel

 


Quando o mestre de cerimônias esquece qual é o seu papel

Precisamos aprender, em Iporá, a organizar e conduzir eventos com mais naturalidade e profissionalismo. Não escrevo estas linhas para ensinar ninguém, mas para compartilhar uma percepção de quem, há muitos anos, acompanha solenidades, cerimônias e eventos dos mais diversos.

E não se trata de um único mestre de cerimônias. O que tenho observado é que alguns parecem copiar uns aos outros na tentativa de demonstrar quem é o melhor, quem emociona mais ou quem consegue arrancar mais aplausos. Mas será que param para pensar em quem realmente desejam agradar? O convidado que está sendo anunciado ou o público que assiste ao evento?

Confesso que não sou especialista em cerimonial. Porém, sou um atento ouvinte. Durante muitos anos acompanhei cerimônias e, na época da faculdade, também tive a oportunidade de atuar algumas vezes nessa função. Naquele tempo havia protocolo, planejamento e, principalmente, um coordenador que fazia questão de manter o mestre de cerimônias dentro daquilo que havia sido estabelecido. O foco era o evento, não quem segurava o microfone.

Hoje, infelizmente, em algumas ocasiões vejo acontecer exatamente o contrário. O anúncio de uma autoridade ou de um convidado transforma-se em um espetáculo à parte. Voz impostada, entonação de narrador esportivo, pausas dramáticas e uma sucessão de adjetivos que, muitas vezes, mais cansam do que valorizam a pessoa apresentada.

O mestre de cerimônias exerce uma função importante: conduzir a programação com elegância, informar o público, apresentar os participantes e garantir que tudo aconteça com organização e naturalidade. Seu protagonismo está justamente na discrição e na capacidade de fazer o evento brilhar.

A boa comunicação dispensa exageros. Um convidado merece ser apresentado por seus méritos reais, com respeito, objetividade e bom senso. Quando os elogios se tornam excessivos e a interpretação ganha mais destaque do que a informação, corre-se o risco de provocar o efeito contrário: constranger quem é apresentado e cansar quem está assistindo.

Talvez esteja faltando alguém que tenha coragem de dizer: "Não faça isso. Está exagerado. Está cansativo. Está tirando o brilho de quem realmente deveria ser o centro das atenções."

A verdadeira qualidade de um mestre de cerimônias não está na potência da voz, nem na quantidade de adjetivos que utiliza, mas na capacidade de conduzir um evento com serenidade, elegância e eficiência. Quando a cerimônia termina e todos se lembram dos homenageados, das mensagens e dos momentos vividos, é sinal de que o cerimonial cumpriu sua missão. Quando o que fica na memória é apenas a performance de quem estava ao microfone, talvez seja hora de rever o conceito de protagonismo.

Em cerimônias, como em tantas outras atividades, menos quase sempre é mais. O melhor mestre de cerimônias é aquele que faz o evento acontecer, e não aquele que tenta ser a principal atração dele.