quinta-feira, 17 de setembro de 2026

A riqueza de uma frase que muitas vezes passa despercebida na Liturgia das Horas

 

A riqueza de uma frase que muitas vezes passa despercebida na Liturgia das Horas


Por Pedro Claudio

Na Liturgia das Horas, especialmente nas Laudes, há textos que repetimos diariamente e que, justamente pela frequência, correm o risco de passar despercebidos. Dizemos as palavras, rezamos os salmos, seguimos a oração e, às vezes, não paramos para perguntar o que aquela pequena introdução realmente está querendo nos dizer.

Um desses textos aparece antes do Salmo 142 (143), na numeração da liturgia cristã:

“Ninguém é justificado por observar a Lei de Moisés, mas por crer em Jesus Cristo.”
(cf. Gl 2,16)

É uma frase pequena, mas carrega uma das questões fundamentais da teologia de São Paulo: como o ser humano é justificado diante de Deus?

E aqui vale a pena parar um pouco.

O que Paulo está dizendo? Que devemos ignorar a Lei de Moisés? Que os Dez Mandamentos perderam seu valor? Que, depois de Cristo, cada pessoa pode fazer o que quiser simplesmente porque acredita em Jesus?

Não é isso.

A frase precisa ser entendida dentro do contexto em que Paulo escreveu e também dentro da compreensão cristã da relação entre a antiga e a nova Aliança.

Afinal, o que é a Lei de Moisés?

Quando falamos em Lei de Moisés, estamos falando principalmente da Torá, os cinco primeiros livros da Bíblia — Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio — e do conjunto de mandamentos e prescrições que estruturavam a vida religiosa, moral e comunitária de Israel.

Não se trata simplesmente de uma lista de regras.

A Lei fazia parte da Aliança de Deus com Israel. Ela orientava a relação com Deus, a vida comunitária, a justiça, o culto, a alimentação, a pureza ritual, o sábado, a circuncisão e muitas outras dimensões da existência do povo judeu.

Dentro desse conjunto estão também os Dez Mandamentos, que ocupam lugar fundamental na tradição bíblica e cristã.

O Catecismo da Igreja Católica explica que a Lei antiga é o primeiro estágio da Lei revelada e que suas prescrições morais estão resumidas no Decálogo. Para a Igreja, portanto, a Lei de Moisés não é algo simplesmente descartável ou sem valor. Ela faz parte da história da salvação e prepara para o Evangelho.

Então por que São Paulo diz que ninguém é justificado pelas obras da Lei?

Aqui está o ponto que muitas vezes pode causar confusão.

São Paulo está enfrentando uma questão muito concreta das primeiras comunidades cristãs: é necessário assumir as práticas da Lei judaica para pertencer plenamente ao povo de Deus e alcançar a salvação em Cristo?

Paulo responde que não.

Em sua compreensão, a pessoa não se torna justa diante de Deus simplesmente por cumprir exteriormente determinadas prescrições da Lei. A justificação é dom da graça de Deus, recebida pela fé em Jesus Cristo.

Em uma catequese dedicada justamente a esse tema, Bento XVI explicou que, para São Paulo, a palavra “Lei” (Torah) abrangia a totalidade da Lei de Moisés e que o debate envolvia especialmente práticas como circuncisão, normas alimentares, pureza ritual e observância do sábado. Bento XVI também advertiu que isso não significa libertação da prática do bem ou da ética.

Essa observação é importante.

Fé não significa ausência de responsabilidade.

Não é: “Acredito em Jesus, portanto posso fazer qualquer coisa.”

A fé cristã verdadeira conduz a uma vida transformada.

Jesus aboliu a Lei?

Também não.

O próprio Jesus, no Evangelho de Mateus, afirma que não veio abolir a Lei e os Profetas, mas levá-los à plenitude.

É exatamente nessa direção que a Igreja Católica compreende a relação entre a antiga e a nova Lei.

O Catecismo afirma que a Lei evangélica cumpre, ultrapassa e leva à perfeição a Lei antiga. A novidade não está simplesmente em trocar uma lista de regras por outra. Está na transformação do coração.

A Lei antiga mostra o caminho.

Cristo leva esse caminho à sua plenitude.

E o Espírito Santo torna possível viver essa novidade.

Por isso o Catecismo chama a Nova Lei de lei de amor, de graça e de liberdade.

A diferença está entre cumprir uma regra e viver uma relação com Deus

Talvez aqui esteja uma das riquezas da pequena frase que aparece antes do Salmo.

Uma pessoa pode cumprir uma regra exteriormente e, ainda assim, permanecer distante de Deus.

Pode cumprir o ritual e não ter misericórdia.

Pode conhecer a norma e não amar o próximo.

Pode apresentar-se como religioso e manter o coração fechado.

O cristianismo introduz uma mudança profunda: não basta saber o que é certo; é necessário deixar-se transformar por dentro.

É justamente isso que encontramos no ensinamento de Jesus.

O mandamento do amor a Deus e ao próximo não elimina a dimensão moral da existência. Ao contrário: dá-lhe uma profundidade maior.

Não é apenas “não matar”.

É também aprender a respeitar a vida.

Não é apenas “não roubar”.

É também aprender a ser justo.

Não é apenas cumprir uma obrigação religiosa.

É permitir que a fé transforme a maneira como tratamos as pessoas.

Por isso, a fé em Cristo não é uma espécie de salvo-conduto contra a responsabilidade moral.

A fé que justifica é uma fé que produz frutos.

A Lei mostra, mas a graça transforma

O Catecismo usa uma imagem muito bonita para explicar a Lei antiga: ela funciona como um pedagogo. Mostra o caminho, denuncia o pecado, orienta o ser humano e prepara para o Evangelho. Mas, por si mesma, não comunica a força interior da graça para realizar plenamente aquilo que ela ensina.

Aqui podemos compreender melhor São Paulo.

A questão não é simplesmente Lei contra fé.

É compreender que a salvação não é uma conquista humana acumulada pelo cumprimento exterior de regras.

A salvação é graça.

E a graça recebida pela fé produz uma vida nova.

É por isso que São Paulo pode falar de fé e, ao mesmo tempo, insistir na caridade.

A fé não elimina a prática do bem.

A fé verdadeira conduz ao amor.

E o Salmo 142?

É justamente interessante que essa frase seja colocada como introdução ao Salmo 142 (143), uma “Prece na aflição”.

O salmista não se apresenta diante de Deus como alguém que tem uma ficha perfeita e exige reconhecimento pelos seus méritos.

Ao contrário, ele clama por misericórdia.

É a oração de alguém que reconhece sua fragilidade e coloca sua esperança em Deus.

Isso dá ainda mais sentido à frase que introduz o salmo:

“Ninguém é justificado por observar a Lei de Moisés, mas por crer em Jesus Cristo.”

É como se a liturgia nos lembrasse diariamente de algo que facilmente esquecemos: não somos salvos porque somos perfeitos. Somos chamados a viver da graça de Deus.

E isso vale também para quem exerce um ministério.

A Liturgia das Horas como escola diária

Talvez seja justamente por isso que a Liturgia das Horas seja tão rica.

Para quem tem a obrigação canônica de rezá-la, como os ministros ordenados, ela não deveria ser apenas mais uma obrigação a ser cumprida.

E para os demais cristãos, a oração das Horas pode ser uma preciosa fonte de espiritualidade.

As Laudes, especialmente, colocam o início do dia diante de Deus.

Salmos, leituras, antífonas, preces e hinos vão formando uma espécie de escola espiritual diária.

Mas é preciso tempo.

É preciso não apenas pronunciar as palavras.

É preciso, algumas vezes, parar.

Perguntar.

Pesquisar.

Voltar ao texto bíblico.

Conhecer seu contexto.

E perceber que uma frase que parece pequena pode esconder séculos de reflexão teológica.

A Liturgia diária é muito mais rica do que simplesmente rezar textos porque eles estão previstos no livro.

Ela pode fortalecer o ministro ordenado, o missionário, o religioso, a religiosa e todo cristão que procura viver sua fé no cotidiano.

Talvez uma das grandes riquezas da oração seja justamente esta: ela nos faz parar para compreender aquilo que estamos dizendo.

E, no caso dessa pequena frase antes do Salmo 142, a pergunta continua atual: 

Estou tentando conquistar Deus pelo cumprimento exterior das regras ou estou permitindo que a fé em Cristo transforme meu coração e minha maneira de viver?

Talvez seja uma boa pergunta para começar o dia.

Por Pedro Claudio
Reflexão sobre a Liturgia das Horas, a Lei de Moisés, a fé e a justificação em São Paulo.

 


Quando a Justiça vira disputa nas redes sociais

 


Quando a Justiça vira disputa nas redes sociais

Por Pedro Claudio
Reflexão, crônica e opinião — escrita a partir das discussões pré-eleitorais de 2026, para que fique registrada na memória aquilo que estamos vivendo.

Há uma frase antiga que parece ter perdido espaço no debate público: “Justiça não se discute, se cumpre.”

Durante muito tempo, essa expressão representou uma compreensão simples da vida em sociedade: existem leis, existem instituições encarregadas de aplicá-las e, quando alguém discorda de uma decisão judicial, existem os instrumentos legais para contestá-la.

Hoje, porém, parece que alguma coisa mudou.

Cada vez mais vemos pessoas questionando o Judiciário, o Supremo Tribunal Federal e decisões de juízes e ministros não necessariamente pelo caminho dos processos, dos recursos e dos argumentos jurídicos, mas principalmente pelas redes sociais.

E aqui faço uma distinção que considero importante: uma coisa é questionar uma decisão da Justiça; outra é deslegitimar a própria instituição da Justiça.

Uma decisão judicial pode e deve ser criticada. O Direito não é uma ciência imune ao debate. Juízes podem errar, tribunais podem tomar decisões controversas e o sistema de Justiça também está sujeito aos mecanismos de controle previstos na Constituição.

A própria Constituição estabelece que os Poderes da União — Legislativo, Executivo e Judiciário — são independentes e harmônicos entre si. Também garante que lesões ou ameaças a direitos sejam submetidas à apreciação do Poder Judiciário.

O problema, na minha visão, começa quando a discussão deixa de ser sobre o processo, a prova, a lei e os fundamentos da decisão e passa a ser simplesmente:

“O juiz é ligado a fulano.”

“O ministro pertence a determinado grupo.”

“Rasgaram a Constituição.”

“Foi julgamento político.”

Muitas vezes, nem sequer se discute mais o fato que originou o processo. Discute-se a pessoa que julgou, a instituição que decidiu ou a preferência política de quem está sendo julgado.

Isso merece reflexão.

Não se trata de defender juiz, ministro, tribunal ou qualquer autoridade. Trata-se de compreender que uma sociedade democrática precisa de instituições que funcionem para além da nossa simpatia por elas.

Se alguém comete um crime, responde a um processo e recebe uma condenação, é legítimo recorrer, apresentar argumentos, contestar provas e buscar a revisão da decisão dentro dos mecanismos previstos em lei.

A própria estrutura constitucional prevê decisões judiciais fundamentadas e mecanismos de controle e revisão.

O que me parece estranho é quando a contestação abandona o processo judicial e migra para as redes sociais, transformando uma discussão jurídica em uma batalha política.

E isso pode produzir consequências que talvez ainda não percebamos em toda a sua dimensão.

Quando a instituição só é legítima quando concorda conosco

É como se estivéssemos ensinando que as instituições são legítimas apenas quando decidem de acordo com aquilo que pensamos.

Quando favorecem o nosso lado, são corretas.

Quando contrariam nossa preferência, são perseguidoras, políticas ou ilegítimas.

Que sociedade pode funcionar assim?

A democracia não pode depender da ideia de que uma instituição é boa somente quando produz a decisão que desejamos.

É possível discordar profundamente de uma decisão judicial. É possível considerar uma sentença equivocada. É possível defender mudanças na legislação, no funcionamento dos tribunais e até no próprio sistema de Justiça.

Mas tudo isso pode ser feito dentro das regras democráticas.

O problema aparece quando a crítica à decisão se transforma em uma tentativa permanente de desqualificar a instituição.

A eleição vai mudar quem manda no STF?

Tenho observado também algo que considero curioso no ambiente pré-eleitoral de 2026.

Candidatos e grupos políticos aparecem defendendo medidas contra ministros do STF, falando em cassação, impeachment ou outras formas de enfrentamento ao Supremo.

Não estou aqui discutindo quem tem razão em cada caso. Minha pergunta é outra:

O que exatamente acontecerá depois da eleição?

Se determinado candidato for eleito, ele passará a mandar no STF?

Se outro grupo vencer, terá o direito de controlar os ministros?

E se forem eleitos políticos de diferentes correntes, todos passarão a querer interferir no Tribunal conforme suas conveniências?

É aí que a coisa fica estranha.

A eleição escolhe representantes para exercer determinadas funções dentro dos limites estabelecidos pela Constituição. Ela não entrega a ninguém o comando absoluto das demais instituições da República.

A Constituição estabelece a independência e a harmonia entre os Poderes.

Então fico pensando: se amanhã um grupo político vencer uma eleição e entender que pode determinar como o Judiciário deve agir, o que acontecerá quando o grupo adversário vencer a eleição seguinte?

Vamos repetir o mesmo procedimento?

Cada eleição terá seu próprio Judiciário?

Cada governo terá seu próprio entendimento sobre quais decisões judiciais são legítimas?

É uma pergunta que vale ser feita antes, e não depois.

Política ou politicagem?

Talvez estejamos confundindo política com politicagem.

Política é o debate sobre os caminhos da sociedade, sobre políticas públicas, leis, direitos e deveres.

Politicagem é transformar praticamente tudo em instrumento de disputa eleitoral, inclusive instituições que deveriam funcionar dentro das regras estabelecidas pela Constituição.

E talvez haja também uma responsabilidade nossa enquanto sociedade.

Quando repetimos frases prontas nas redes sociais sem conhecer o processo, quando compartilhamos acusações sem verificar os fatos e quando aceitamos como verdade qualquer narrativa que confirme aquilo que já pensamos, contribuímos para enfraquecer nossa própria capacidade de compreender a realidade.

Não precisamos gostar de ministro, juiz, prefeito, governador, presidente, deputado ou vereador.

Precisamos compreender que as instituições existem para funcionar além das pessoas que temporariamente ocupam seus cargos.

Ministros passam. Presidentes passam. Governadores passam. Deputados passam. Prefeitos passam.

As instituições permanecem.

E é justamente por isso que elas precisam estar submetidas às regras, e não às conveniências de quem ocupa o poder em determinado momento.

Discordar faz parte. Deslegitimar é outra coisa.

Podemos discordar do STF.

Podemos discordar de um juiz.

Podemos discordar de uma sentença.

Podemos discordar de uma lei.

Podemos inclusive defender mudanças profundas no funcionamento das instituições.

Isso faz parte da democracia.

Mas existe uma diferença entre discordar dentro da democracia e trabalhar para desacreditar a democracia quando ela não entrega o resultado que desejamos.

Talvez eu esteja sendo ingênuo.

Talvez minha compreensão seja simples demais.

Mas continuo pensando que, bem ou mal, temos instituições, temos leis e temos servidores públicos encarregados de fazê-las cumprir.

Se uma decisão estiver errada, que seja contestada.

Se houver abuso, que seja denunciado.

Se houver ilegalidade, que seja levada aos órgãos competentes.

Se uma lei precisar ser modificada, que o Congresso a modifique pelos mecanismos constitucionais.

Se uma decisão judicial puder ser revista, que se utilizem os recursos previstos.

Mas que a contestação aconteça dentro das regras.

Porque, se cada eleição passar a significar que o vencedor poderá determinar o que o Judiciário deve fazer, então a pergunta deixa de ser apenas quem ganhou a eleição.

A pergunta passa a ser:

Para que precisamos das instituições?

Talvez essa seja uma discussão muito mais importante do que qualquer eleição.

Escrevo esta reflexão no contexto pré-eleitoral de 2026 não para defender este ou aquele político, partido ou corrente ideológica, mas para deixar registrado o que estamos vivendo.

A política passa.

A eleição passa.

Os candidatos passam.

Mas aquilo que construímos — ou destruímos — em nossa relação com as instituições pode permanecer por muito tempo.

E talvez seja justamente por isso que devêssemos pensar um pouco mais antes de transformar toda decisão que nos desagrada em uma guerra nas redes sociais.

Pedro Claudio
Jornalista e radialista
Reflexão/opinião — 2026

 


segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Prefeita de Iporá enfrenta terceiro pedido de impeachment; dois processos tramitam na Câmara Municipal

 

Prefeita de Iporá enfrenta terceiro pedido de impeachment; dois processos tramitam na Câmara Municipal



Denúncias envolvem supostas irregularidades na administração municipal e ampliam a tensão política entre o Executivo e o Legislativo. Comissão Processante também enfrenta dificuldades para citar a prefeita em processo anterior.

A prefeita de Iporá, Maysa Peres Cunha Peixoto, enfrenta um novo capítulo de tensão política e jurídica. A Câmara Municipal recebeu e aprovou a abertura de um terceiro pedido de impeachment contra a chefe do Executivo nas sessões ordinárias de setembro, no dia 14  Com isso, dois processos de natureza político-administrativa estão em tramitação no Legislativo, enquanto uma primeira denúncia não chegou a ser acolhida pela Casa.

O cenário coloca a administração municipal sob maior pressão e exige da Câmara a condução rigorosa dos procedimentos, com respeito à legislação, ao contraditório e ao direito de defesa da prefeita.

Primeiro pedido não foi levado ao plenário

O primeiro pedido de impedimento foi apresentado pelo advogado João Francisco, na condição de eleitor de Iporá. A denúncia solicitava a apuração de supostas irregularidades que, segundo o autor, poderiam caracterizar infrações político-administrativas atribuídas à prefeita.

Embora o documento tenha sido recebido pela Câmara Municipal, o pedido não foi submetido à apreciação do plenário. Na ocasião, a Presidência, orientada pela assessoria jurídica, decidiu não dar prosseguimento à denúncia.

Dessa forma, a primeira iniciativa não resultou na abertura de um processo de impeachment.

Segundo pedido: denúncia apresentada por Heb Keller

O segundo pedido foi apresentado pela ex-vereadora Heb Keller Fernandes e acabou acolhido pela maioria dos vereadores em sessão realizada em maio de 2026.

A denúncia possui conteúdo semelhante ao primeiro pedido e trata de supostas irregularidades na administração municipal. Após a aprovação, foi realizado o sorteio dos integrantes da Comissão Processante, inicialmente formada pelos vereadores Viviane Specian, Ricardo da Mota Vital e Cássio Douglas Mendes Lara.

A comissão passou a conduzir os trabalhos de apuração, com a responsabilidade de analisar os fatos denunciados, ouvir as partes, examinar documentos e assegurar o direito de defesa da prefeita.

Justiça determina correções no procedimento

O processo enfrentou questionamentos judiciais apresentados pela defesa de Maysa Cunha.

Em agosto, a Justiça autorizou a retomada dos trabalhos da Comissão Processante, mas determinou a anulação de atos realizados anteriormente, incluindo uma reunião e um parecer de 25 de junho, além de atos posteriores diretamente relacionados a eles. A comissão deveria retornar à etapa adequada do procedimento e cumprir as determinações judiciais.

Posteriormente, o Tribunal de Justiça de Goiás negou novo pedido da prefeita para suspender o processo. A decisão permitiu a continuidade dos trabalhos, mas manteve a exigência de que a Câmara respeitasse integralmente as garantias de defesa e refizesse os atos considerados irregulares.

A discussão sobre a contagem do prazo de 90 dias para a conclusão do processo, entretanto, ainda não foi definitivamente resolvida pelo Tribunal.

Comissão relata dificuldade para citar a prefeita

Na sessão da Câmara Municipal realizada nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2026, a vereadora Viviane Specian, presidente da Comissão Processante do segundo pedido, informou que os trabalhos continuam seguindo as determinações do Poder Judiciário.

Segundo a parlamentar, a comissão ainda não conseguiu efetivar a citação da prefeita. Viviane afirmou que foram realizadas 28 tentativas de citação e que o procedimento chegou a ficar suspenso por aproximadamente 40 dias em razão de decisão judicial.

A citação é uma etapa fundamental, pois garante que a denunciada seja formalmente comunicada do processo e possa exercer sua defesa. A comissão sustenta que está cumprindo as orientações judiciais, mas enfrenta dificuldades para localizar a prefeita e concluir essa etapa.

A defesa, por sua vez, tem o direito de utilizar os recursos legais disponíveis para questionar atos do procedimento e assegurar o cumprimento das garantias processuais.

Terceiro pedido é apresentado pelo Sindiporá

O terceiro pedido de impeachment partiu do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Iporá — Sindiporá.

A entidade protocolou a denúncia apontando supostas irregularidades relacionadas a descontos efetuados na folha de pagamento dos servidores, incluindo valores de mensalidades sindicais, empréstimos consignados e contribuições destinadas ao Ipasgo. As alegações ainda precisam ser examinadas no âmbito do processo político-administrativo.

A denúncia ocorre em um contexto de outras controvérsias envolvendo os repasses de valores descontados dos servidores. Em agosto, o Ministério Público de Goiás informou o ajuizamento de uma ação de improbidade administrativa contra a prefeita, relacionada a atrasos no repasse de contribuições ao Ipasgo Saúde. A ação teve origem em apurações iniciadas após representação do Sindiporá.

É importante destacar que a existência de uma denúncia ou de uma ação judicial não significa, por si só, que houve comprovação de irregularidades ou que a prefeita tenha sido condenada. Os fatos precisam ser apurados pelas instituições competentes, com garantia de defesa.

Câmara aprova abertura do novo processo

O pedido apresentado pelo Sindiporá foi submetido à votação no plenário da Câmara Municipal de Iporá. O resultado foi de sete votos favoráveis e quatro contrários. O vereador Keilo Pereira Borges estava ausente.

Votaram contra a abertura do processo:

  • Cláudia Ribeiro de Lima;
  • Ronis Aparecida da Silva — Suavinha;
  • Wenio Lima de Jesus;
  • Samuel Martins de Queiroz.

Votaram favoravelmente:

  • Ricardo da Mota Vital;
  • Cássio Douglas Mendes Lara;
  • Carlos Henrique dos Anjos Barbosa;
  • Rafael Junio Neves de Souza;
  • Rangel Araújo Pimenta;
  • Suélio Gomes da Silva;
  • Viviane de Leão Duarte Specian.

Nova Comissão Processante

Após a aprovação da denúncia do Sindiporá, foi realizado sorteio para definir os integrantes da nova Comissão Processante.

Segundo as informações apresentadas, a comissão será formada por:

  • Cássio Douglas Mendes Lara;
  • Ricardo da Mota Vital;
  • Wenio Lima de Jesus.

A comissão deverá analisar o conteúdo da denúncia, verificar a existência de elementos que justifiquem o prosseguimento da apuração, ouvir os envolvidos e produzir um parecer. Ao final, caberá ao plenário da Câmara deliberar sobre o resultado do processo, observadas as regras legais aplicáveis.

O que está em jogo

A abertura de um novo processo amplia a pressão sobre a prefeita Maysa Cunha e demonstra que a relação entre o Executivo e parte do Legislativo continua marcada por divergências.

Entretanto, pedido de impeachment não equivale a afastamento automático nem representa condenação antecipada. A Câmara precisa investigar os fatos, garantir o direito de defesa e fundamentar suas decisões.

Do outro lado, a prefeita e sua defesa têm o direito de contestar as acusações e recorrer ao Poder Judiciário quando entenderem que houve violação das regras do procedimento.

O desafio do Legislativo será conduzir os dois processos com transparência, responsabilidade e respeito às instituições. Para a população de Iporá, o que importa é que as denúncias sejam esclarecidas, que eventuais responsabilidades sejam apuradas e que a administração municipal continue funcionando em benefício do interesse público.

A crise política está instalada, mas o desfecho ainda depende do andamento dos processos, das decisões judiciais e das conclusões das Comissões Processantes.



Cultura, estudo e pesquisa: antídotos contra a ignorância e a visão míope

 


Cultura, estudo e pesquisa: antídotos contra a ignorância e a visão míope

Por Pedro Claudio

Hoje me peguei pensando sobre a importância da cultura, do estudo, da pesquisa e da capacidade de enxergar o mundo para além das fronteiras das nossas próprias convicções. A reflexão surgiu ao observar diversas publicações nas redes sociais relacionadas às atividades religiosas de algumas pessoas.

Não se trata de questionar a fé de ninguém, muito menos de desvalorizar a religião. A fé é uma dimensão importante da vida humana. O problema começa quando a convicção pessoal se transforma em certeza absoluta, quando alguém passa a acreditar que está acima do bem e do mal e que tudo aquilo que pensa, diz ou defende deve ser aceito como verdade.

Uma fé que não admite perguntas pode se transformar em instrumento de controle.

Em determinados ambientes religiosos, percebe-se uma forte identificação com o grupo, com seus símbolos, suas vestimentas, seus discursos e seus líderes. Essa identificação, quando vivida de maneira saudável, pode fortalecer a comunidade e promover solidariedade. Entretanto, quando acompanhada da incapacidade de dialogar com quem pensa diferente, pode produzir uma visão estreita da realidade.

A pessoa passa a enxergar o mundo por uma única janela. Tudo o que está do lado de fora é visto com desconfiança, suspeita ou até como ameaça.

Quando pensar deixa de ser uma escolha

O estudo, a cultura e a pesquisa têm uma função fundamental: ampliar horizontes. Eles nos ajudam a compreender que a realidade é complexa, que a história possui diferentes interpretações e que nenhuma pessoa ou grupo detém o monopólio do conhecimento.

É preocupante quando alguém abre mão da própria capacidade de pensar e passa a depender integralmente das conclusões de um líder. Não há problema em ouvir orientações, respeitar autoridades ou buscar aconselhamento. O perigo está em aceitar tudo sem questionar, sem pesquisar e sem considerar outras perspectivas.

A inteligência não se mede pela quantidade de frases decoradas, pela capacidade de falar com segurança ou pela habilidade de convencer multidões. Pensar exige humildade para reconhecer que podemos estar errados.

Uma pessoa pode se expressar muito bem, demonstrar grande confiança e parecer intelectualmente forte. No entanto, essa aparência pode esconder uma fragilidade diante de argumentos diferentes daqueles que está acostumada a ouvir.

É justamente por isso que a educação e a cultura são tão importantes. Elas nos ensinam a distinguir opinião de fato, convicção de conhecimento e discurso persuasivo de argumento consistente.

A religião não deveria ser uma fronteira

No campo religioso, essa reflexão ganha ainda mais importância.

Há pessoas tão envolvidas com sua denominação que passam a acreditar que somente o seu grupo está no caminho certo. A roupa, a linguagem, os costumes e as interpretações particulares tornam-se critérios para julgar o comportamento e até a dignidade dos outros.

Quem pensa diferente é considerado equivocado. Quem frequenta outra igreja é visto com desconfiança. Quem interpreta a Bíblia de outra maneira pode ser tratado como alguém que não conhece a verdade.

Mas será que a fé cristã pode ser reduzida a uma denominação, a um estilo de vestir ou à obediência irrestrita a um líder?

Jesus Cristo ensinou o amor ao próximo, a misericórdia, a humildade e o cuidado com os mais vulneráveis. Não parece coerente defender esses ensinamentos enquanto se transforma o outro em inimigo apenas porque ele pensa, veste-se ou acredita de maneira diferente.

A história do cristianismo, aliás, é marcada por diferentes interpretações, movimentos, tradições e comunidades. Conhecer essa história não diminui a fé. Ao contrário, pode ajudar a compreendê-la com mais profundidade.

A pesquisa não precisa destruir a fé. Ela pode libertá-la da ingenuidade.

A fragilidade por trás das certezas

Vivemos um tempo em que discursos religiosos, políticos e ideológicos conseguem mobilizar multidões com grande facilidade. As redes sociais ampliaram essa capacidade de influência. Uma frase de efeito, uma interpretação isolada ou uma afirmação repetida muitas vezes pode parecer uma verdade incontestável.

Nesse ambiente, é preciso ter cuidado.

Pessoas que aparentam muita segurança podem ser frágeis diante de qualquer argumento que confirme aquilo em que já acreditam. Em vez de avaliar criticamente uma informação, aceitam-na porque foi apresentada por alguém de sua confiança.

Esse comportamento não é exclusividade de um grupo religioso. Pode ocorrer em igrejas, partidos políticos, movimentos sociais, ambientes acadêmicos e em qualquer comunidade que transforme suas próprias ideias em verdades intocáveis.

O problema não está em pertencer a um grupo. Está em perder a liberdade de pensar fora dele.

Fé, humildade e responsabilidade

Como cristão, acredito na importância de permanecer firme na fé em Jesus Cristo e em seus ensinamentos. Mas essa firmeza não deveria ser confundida com arrogância espiritual ou com a pretensão de possuir todas as respostas.

A imagem bíblica da casa construída sobre a rocha nos convida à solidez. Uma fé verdadeiramente amadurecida não se sustenta apenas na emoção, no entusiasmo coletivo ou na repetição de palavras. Ela precisa resistir às dúvidas, às perguntas e aos desafios da realidade.

Quem estuda, pesquisa e conhece outras culturas e tradições não necessariamente abandona suas convicções. Muitas vezes, passa a compreender melhor aquilo em que acredita e aprende a respeitar o direito dos outros de também buscar a verdade.

Ninguém deveria se considerar proprietário da salvação. Podemos testemunhar nossa fé, anunciar o Evangelho e procurar viver os ensinamentos de Cristo, mas o julgamento definitivo sobre a salvação pertence a Deus.

Não cabe a nós estabelecer, com arrogância, quem está dentro ou fora do alcance da misericórdia divina.

Que venham novos ares!

Precisamos de uma sociedade que valorize mais a leitura, a educação, a cultura, a pesquisa e o diálogo. Precisamos de pessoas dispostas a ouvir antes de julgar, investigar antes de compartilhar e refletir antes de condenar.

Precisamos de uma fé que não tenha medo do conhecimento, de uma religião que não se transforme em instrumento de exclusão e de líderes que ensinem seus seguidores a pensar, e não apenas a obedecer.

Que venham novos ares!

Que possamos permanecer firmes na fé em Jesus Cristo, sem perder a humildade para reconhecer que não somos donos da verdade e muito menos os únicos destinatários da salvação.

A verdadeira sabedoria talvez comece quando descobrimos que, por mais que saibamos, ainda temos muito a aprender.

Por Pedro Claudio

domingo, 13 de setembro de 2026

Será que o Vila Nova Sobe nesse ano confira a análise

 

Vila Nova na Série B: Análise das Chances de Acesso à Série A

Por Pedro Claudio



O Vila Nova chega à 28ª rodada da Série B no G-4, ocupando a 3ª posição com 47 pontos em 27 jogos (58% de aproveitamento), empatado com Fortaleza e Criciúma. O líder é o Juventude (50 pts), seguido pelo Novorizontino (49 pts).

Campanha Atual (27 Jogos)

  • Vitórias: 14 | Empates: 5 | Derrotas: 8
  • Gols: 39 marcados | 30 sofridos | Saldo: +9

Projeções para os 11 Jogos Restantes

Cenário

Pontos Somados

Pontuação Final

Muito ruim

8

55

Regular

15

62

Boa campanha

18

65

Excelente

21

68

Aproveitamento máximo

33

80

Uma meta entre 18 e 21 pontos finais deixa o Vila com 65 a 68 pontos, faixa altamente competitiva para o acesso. Somar apenas 11 pontos (33% de aproveitamento) colocaria a vaga em sério risco.

Mapeamento dos Adversários

  • Obrigação em casa: América-MG, Londrina e Cuiabá.
  • Pontos viáveis fora: Botafogo-SP e Náutico.
  • Confrontos diretos e pedreiras: Fortaleza (F), Criciúma (F), Juventude (C), Novorizontino (C) e São Bernardo (F).

Próximo Desafio e Fatores Decisivos O próximo jogo é contra o Avaí (Ressacada, 14/09, 21h30). Enfrentar um adversário da parte inferior fora de casa exige cautela, mas uma vitória reforça drasticamente a posição no G-4.

Além de olhar para a tabela de concorrentes como Operário e Atlético-GO, o Tigre tem a seu favor a ausência de clássicos estaduais nesta reta final, o que diminui a pressão emocional e foca a preparação no desempenho do grupo. O acesso depende apenas de si.


sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Iporá precisa de mais do que boa vontade: precisa de planejamento, números e propostas

 

Iporá precisa de mais do que boa vontade: precisa de planejamento, números e propostas



Por Pedro Claudio

O vice-prefeito de Iporá, Léo Contador, demonstra disposição para participar da vida pública e, ao longo dos últimos meses, passou a fazer críticas e observações sobre a administração municipal. Segundo ele próprio tem deixado transparecer em suas manifestações, existe dificuldade de espaço e de diálogo dentro do governo da prefeita Mayza Cunha.

Não vejo, pelo menos até aqui, um rompimento político formal entre os dois.

Vejo um vice-prefeito que parece estar procurando seu espaço, manifestando opiniões e tentando ser ouvido. E isso não é necessariamente novidade na política. A relação entre prefeitos e vice-prefeitos, em muitos municípios, é marcada justamente por essa dificuldade de definir claramente o papel de quem foi eleito para ser o segundo na linha de comando do Executivo.

O vice não administra diretamente. A responsabilidade constitucional pela condução da Prefeitura é do prefeito. O vice, entretanto, não precisa ser uma figura decorativa. Pode colaborar, fiscalizar politicamente, apresentar ideias, participar do debate público e, principalmente, preparar-se para eventualmente assumir a Prefeitura.

É nesse ponto que acredito que Léo Contador poderia avançar.

Tenho acompanhado algumas de suas manifestações nas redes sociais e percebo críticas e opiniões colocadas, muitas vezes, de maneira cuidadosa. Porém, em minha avaliação, elas ainda permanecem muito no campo das ideias gerais e pouco entram naquilo que realmente interessa ao cidadão: números, prioridades, propostas e caminhos concretos.

E aqui está, talvez, a grande contribuição que um vice-prefeito com formação e conhecimento na área contábil poderia oferecer ao debate.

Cadê os números?

Vamos imaginar uma situação simples.

Se Iporá arrecada, somando transferências constitucionais, FPM, ICMS, receitas próprias, IPTU, ISS, taxas, eventos e demais fontes, determinado volume de recursos durante o ano, quanto efetivamente entra nos cofres municipais?

E quanto a Prefeitura gasta?

Quanto vai para a folha de pagamento?

Quanto custa a saúde?

Quanto custa a educação?

Quanto é destinado à manutenção da cidade?

Quanto está comprometido com contratos, financiamentos, precatórios, fornecedores e outras obrigações?

Existe déficit ou superávit?

Qual é o tamanho da dívida?

Quanto existe de restos a pagar?

Quanto dinheiro está disponível para investimento?

É justamente a partir dessas respostas que se começa a discutir uma administração municipal de maneira séria.

Se existe déficit, por exemplo, a pergunta seguinte não pode ser apenas "quem é o culpado?". É preciso perguntar: onde cortar? O que pode ser reduzido? O que precisa ser renegociado? Onde buscar novos recursos? Quais despesas são indispensáveis? Quais investimentos podem ser adiados? Que recursos podem ser buscados junto ao Governo de Goiás, Governo Federal, deputados, senadores e outras instituições?

Esse é o tipo de debate que Iporá precisa.

Mudança pode ser necessária

Se a situação financeira do município for realmente difícil, talvez seja necessária uma mudança importante na maneira de administrar.

E mudança, muitas vezes, não significa fazer mais. Pode significar gastar melhor, cortar desperdícios, reorganizar estruturas, estabelecer prioridades e, em alguns casos, tomar medidas impopulares.

É preciso ter coragem para fazer aquilo que precisa ser feito para colocar as contas em ordem.

É claro que existe um limite: a Prefeitura não pode deixar de prestar os serviços básicos à população. Saúde, educação, assistência social, limpeza urbana e outros serviços essenciais precisam continuar funcionando.

Mas também não se pode administrar pensando apenas na popularidade do momento.

Populismo pode agradar hoje e produzir uma conta ainda maior amanhã.

Se há um problema financeiro, ele precisa ser enfrentado. Se há dinheiro, é preciso mostrar onde está sendo aplicado. Se não há dinheiro, é preciso explicar por quê.

E a Prefeitura?

Essa cobrança, entretanto, não deve ser dirigida somente ao vice-prefeito.

A prefeita Mayza Cunha também tem responsabilidade de apresentar à população, com clareza, a situação encontrada e os resultados da administração.

A prefeita já afirmou que realizou uma espécie de diagnóstico da Prefeitura, que contratou equipe para analisar a situação administrativa e financeira e que está trabalhando para colocar o município no caminho que considera correto.

Muito bem.

Mas o cidadão precisa saber mais.

Dizer que "Deus está ajudando", que "estamos no caminho certo" ou que "Iporá é o povo que quer" pode fazer parte do discurso político. Mas administração pública precisa ir além das frases de efeito.

É preciso mostrar.

Quanto foi encontrado? Quanto existe hoje? O que foi feito? Quanto custou? O que ainda precisa ser feito? Qual é a meta? Qual é o prazo?

Isso vale para a prefeita e vale para o vice-prefeito.

Comunicação também é gestão

Existe ainda outro problema que considero importante: a comunicação da Prefeitura com a população.

Comunicação pública não pode ser apenas divulgação de inaugurações, eventos, obras e ações administrativas.

Comunicação pública também é prestação de contas.

O cidadão precisa saber quais obras estão em andamento, quanto custam, de onde veio o dinheiro, qual é o prazo de conclusão e quais dificuldades estão sendo encontradas.

Precisa saber quais problemas foram identificados na saúde, na educação, na infraestrutura e nas finanças e o que está sendo feito para resolvê-los.

E isso precisa chegar à população não apenas pelas redes sociais oficiais.

A imprensa local continua tendo papel fundamental.

Uma entrevista coletiva, uma prestação de contas periódica, uma conversa aberta com rádios, jornais e outros meios de comunicação poderiam contribuir muito para aproximar a Prefeitura da população.

Uma sugestão ao vice-prefeito

Por isso, como jornalista e também como cidadão que acompanha a vida pública de Iporá há muitos anos, faço uma sugestão ao vice-prefeito Léo Contador.

Se existe uma visão diferente sobre os caminhos da administração municipal, apresente essa visão de maneira concreta à população.

Não precisa ser um documento complicado, cheio de termos técnicos.

Pode ser algo simples:

Qual é o problema?
Qual é a proposta?
Qual é a prioridade?
Quanto custa?
De onde virão os recursos?
Qual é o prazo?
E como a população poderá acompanhar o resultado?

Isso seria muito mais forte do que uma sequência de críticas ou mensagens genéricas nas redes sociais.

E, principalmente, permitiria que a população pudesse avaliar as ideias do vice-prefeito e compará-las com aquilo que está sendo feito pela atual administração.

Começo, meio e fim

Tenho ouvido muito a expressão "começo, meio e fim".

Na administração pública, eu traduziria essa expressão por uma palavra: planejamento.

Planejamento significa saber onde estamos, definir onde queremos chegar, estabelecer prioridades, calcular quanto será necessário investir, definir prazos e, depois, avaliar se o resultado foi alcançado.

Então, quais são hoje, na avaliação do vice-prefeito, os principais problemas de Iporá?

Como melhorar a saúde pública?

Como melhorar a educação?

O que fazer pela infraestrutura urbana e pelas estradas?

Como gerar oportunidades de emprego e renda?

Como melhorar a arrecadação sem simplesmente aumentar impostos?

Como reduzir despesas sem prejudicar os serviços essenciais?

Como recuperar a capacidade de investimento do município?

E, principalmente, qual é o projeto de cidade que está sendo proposto para os próximos anos?

Essas são perguntas que merecem respostas.

Política também é escolha

Apoiar deputados estaduais e federais também faz parte da política. É legítimo que Léo Contador tenha seus candidatos e peça votos para eles.

Mas nós, eleitores, precisamos ir além da escolha de nomes.

Precisamos perguntar:

O que esses deputados podem trazer para Iporá?

Quais recursos serão destinados ao município?

Quais projetos vão defender?

Quais compromissos assumirão?

E qual é o projeto político-administrativo daqueles que pretendem liderar Iporá?

A população não deveria escolher apenas pessoas. Deveria escolher também propostas e projetos.

Por isso, a cobrança que faço aqui não é apenas ao vice-prefeito Léo Contador. É também à prefeita Mayza Cunha, aos vereadores, aos deputados que representam Iporá e a todos aqueles que pretendem exercer algum papel de liderança política no município.

Precisamos sair do discurso abstrato e entrar no terreno dos fatos.

Iporá precisa, sim, de sonhos.

Mas sonho sem planejamento vira promessa.

Precisa de boa vontade.

Mas boa vontade sem ação produz pouca coisa.

Precisa de recursos.

Mas dinheiro sem planejamento pode ser desperdiçado.

E precisa, sobretudo, de transparência para que o cidadão possa acompanhar, cobrar e avaliar.

Se existe um problema financeiro, que se mostrem os números.

Se existem soluções, que sejam apresentadas.

Se é necessário cortar, que se explique onde e por quê.

Se é possível buscar recursos, que se diga onde e como.

Se existem resultados, que sejam demonstrados.

Iporá não precisa apenas de quem diga que quer uma cidade melhor. Precisa de quem consiga explicar, com clareza, como pretende construí-la.

Esse debate não deveria ser uma disputa entre Mayza e Léo.

Deveria ser uma discussão sobre Iporá.

E, nesse debate, a população merece ouvir menos frases prontas e mais números, propostas, planejamento, transparência e resultados.