segunda-feira, 22 de junho de 2026

Jovem Pan e o novo jornalismo de posicionamento


Jornalismo livre funciona

A Jovem Pan criou, nos últimos anos, uma nova forma de fazer jornalismo no Brasil. Se isso é certo ou errado, cabe ao público julgar. O fato é que a emissora deixou de disfarçar seu alinhamento político e passou a defender de maneira explícita o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu grupo político.

Não se trata apenas de uma linha editorial conservadora, algo legítimo em qualquer democracia. O diferencial está na intensidade desse posicionamento. Em muitos momentos, comentaristas e programas ultrapassam a análise dos fatos e assumem um papel semelhante ao de militantes políticos.

Essa realidade levanta uma discussão importante. No Brasil, rádio e televisão operam por meio de concessões públicas. Historicamente, a legislação prevê princípios como pluralidade de opiniões, equilíbrio na informação e respeito ao interesse público. Em tese, os veículos não deveriam se transformar em instrumentos de promoção de um único grupo político.

Mas também não podemos ser ingênuos. A neutralidade absoluta nunca existiu. Todo veículo de comunicação possui valores, interesses, crenças e visões de mundo que influenciam a escolha das pautas, o destaque dado às notícias e até mesmo a seleção de seus comentaristas. Alguns tendem mais à esquerda, outros mais à direita; alguns privilegiam o liberalismo econômico, outros o progressismo social.

A diferença é que, durante décadas, essas inclinações editoriais eram mais discretas. A Jovem Pan decidiu torná-las explícitas. Em vez de sustentar o discurso da imparcialidade absoluta, assumiu claramente uma posição, aproximando-se de modelos já conhecidos em determinados canais de opinião dos Estados Unidos.

O debate que surge é legítimo: essa transparência fortalece a democracia ao deixar claras as convicções do veículo ou enfraquece o jornalismo ao reduzir o espaço para a diversidade de opiniões dentro da própria emissora? O desafio continua sendo o mesmo de sempre: informar com responsabilidade, distinguir notícia de opinião e permitir que o cidadão forme seu próprio julgamento.

Escrevo estas linhas com a experiência de quem trabalha no jornalismo desde 1987. Sou do tempo em que as emissoras de rádio exibiam vinhetas durante as eleições afirmando sua imparcialidade. Naquela época, acreditávamos que era possível demonstrar ao público uma neutralidade quase absoluta.

Hoje, talvez eu não utilizasse mais aquelas vinhetas. O ouvinte, o leitor e o telespectador não são ingênuos. Eles percebem tendências, identificam preferências e compreendem que cada veículo enxerga os fatos a partir de determinada perspectiva. O público não é burro; é atento.

Nem mesmo no futebol eu admitia o chamado bairrismo. Sempre defendi que uma equipe de transmissão deveria narrar e comentar os fatos, e não se transformar em torcida organizada. Atualmente, porém, vemos narrativas mais passionais, tanto no esporte quanto na política, refletindo uma sociedade cada vez mais polarizada e conectada.

São novos tempos. O desafio não é negar essa realidade, mas compreendê-la. É navegar por esse ambiente de opiniões fortes sem abrir mão da honestidade intelectual, da busca pela verdade e do respeito aos fatos. Para quem já viveu tantas transformações na imprensa brasileira, fica a convicção de que a tecnologia muda, os formatos mudam, as plataformas mudam, mas a credibilidade continua sendo o maior patrimônio de qualquer jornalista.

Por Pedro Claudio


IPORÁ PASSA A CONTAR COM CONVENTO DAS IRMÃS CARMELITAS SERVAS DA MISERICÓRDIA DE SIÃO

 


Foto; Lucimar Pereira Borges

A cidade de Iporá passa a contar oficialmente com a presença de uma comunidade religiosa feminina. Desde o dia 17 de junho está em funcionamento o Convento Santa Terezinha, das Irmãs Carmelitas Servas da Misericórdia de Sião.

As religiosas foram acolhidas pela comunidade iporaense ainda no dia 25 de fevereiro, durante Santa Missa celebrada na Paróquia São Paulo VI. Já na última quarta-feira, dia 17 de junho, aconteceu a inauguração oficial da nova casa religiosa, em celebração presidida pelo bispo diocesano Dom Lindomar, com a presença da Madre Elena de Jesus, vinda da Diocese de Ponta Grossa.

O convento está localizado ao lado da Capela Cristo Rei, no Conjunto Águas Claras.

Passam a integrar a comunidade as irmãs Maria José de Jesus, Maria Teresa de Jesus, Maria Goretti de Jesus e Faustina de Jesus.

Mas quais serão as atividades desenvolvidas pelas religiosas em Iporá? Conversamos com a irmã Maria José de Jesus. Ela explica que a missão da congregação é somar forças ao trabalho evangelizador já realizado pela Igreja local.

A presença de conventos faz parte da história do cristianismo há muitos séculos. Os primeiros registros de comunidades religiosas organizadas remontam aos séculos III e IV, quando homens e mulheres passaram a dedicar suas vidas integralmente à oração, à contemplação e ao serviço religioso.

Embora todos façam parte da tradição católica, cada congregação possui um carisma próprio, uma identidade espiritual que orienta sua missão e suas atividades. Algumas ordens religiosas são contemplativas, conhecidas popularmente como irmãs de clausura. Nesses mosteiros, a vida é dedicada principalmente à oração e ao silêncio, com contato bastante restrito com o público.

Já as Carmelitas Servas da Misericórdia de Sião possuem um carisma voltado à evangelização, à oração e ao serviço pastoral junto às comunidades, atuando em sintonia com os trabalhos desenvolvidos pela Diocese de São Luís de Montes Belos e pela Paróquia São Paulo VI.

Com a inauguração do Convento Santa Terezinha, Iporá amplia sua presença religiosa e ganha mais um espaço dedicado à fé, à espiritualidade e ao fortalecimento da vida cristã.

PARÓQUIA SÃO PAULO VI: UMA HISTÓRIA DE CRESCIMENTO DA IGREJA CATÓLICA EM IPORÁ

Em agosto de 2018, a Diocese de Iporá viveu um momento histórico com a criação de uma nova paróquia na cidade. Na ocasião, o então recém-ordenado padre Pablo Henrique de Faria foi empossado como primeiro pároco da comunidade Cristo Libertador, em celebração presidida pelo bispo diocesano, Dom Carmelo Scampa, no dia 12 de agosto daquele ano.

A nova unidade pastoral nasceu do desmembramento da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, matriz histórica da cidade e sede dos religiosos passionistas, responsáveis pela evangelização da região desde a criação da Diocese de Iporá. A medida atendeu à necessidade de ampliar a presença da Igreja junto aos fiéis diante do crescimento populacional e da expansão urbana do município.

Inicialmente, a nova paróquia recebeu o nome de Cristo Libertador. Poucos meses depois, com a canonização do Papa Paulo VI pelo Vaticano, em 14 de outubro de 2018, a comunidade passou a se chamar oficialmente Paróquia São Paulo VI, tornando-se a primeira da diocese dedicada ao santo pontífice.

Na época de sua posse, o padre Pablo Henrique chamava a atenção por sua trajetória singular. Natural de São Luís de Montes Belos, ele formou-se em Medicina, especializando-se em Otorrinolaringologia. Após cerca de dez anos de exercício profissional, deixando para trás uma carreira consolidada e uma clínica própria, decidiu seguir o chamado vocacional que manifestava desde a infância. Realizou seus estudos de Filosofia e Teologia em Roma, na Itália, e foi ordenado sacerdote em julho de 2018, assumindo logo em seguida a missão de estruturar a nova paróquia iporaense.

A Paróquia São Paulo VI passou a atender diversas comunidades urbanas e rurais, entre elas Nossa Senhora das Graças, Parque das Estrelas, Sagrada Família, Santa Gemma Galgani, Imaculada Conceição, além das comunidades rurais da Cocolândia, Pé de Pato, Lage, Cruzeirinho e Santa Marta. Também integrava a nova área pastoral o município de Amorinópolis e suas comunidades.

Nova realidade pastoral

Oito anos depois, a organização pastoral da Igreja Católica em Iporá continua evoluindo. Atualmente, a Paróquia São Paulo VI tem como pároco o Padre Geraldo, que dá continuidade ao trabalho iniciado por Padre Pablo e seus sucessores.

A cidade passou a contar ainda com uma terceira paróquia. Além da histórica Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, considerada a paróquia-mãe do município e que abriga a padroeira de Iporá, foram criadas a Paróquia São Paulo VI, a Paróquia Imaculada Conceição, atualmente conduzida pelo Padre José Moreira, e outra unidade pastoral que amplia a presença evangelizadora da Diocese.

Segundo a Diocese de Iporá, a criação dessas novas paróquias ocorreu em resposta ao crescimento da população católica e à necessidade de uma atuação pastoral mais próxima das comunidades, permitindo melhor acompanhamento religioso, social e missionário dos fiéis.

Assim, a história iniciada em 2018 com a chegada do médico que se tornou padre permanece como um marco da expansão da Igreja Católica em Iporá, refletindo um processo contínuo de fortalecimento da evangelização e de aproximação da Igreja com as comunidades urbanas e rurais da região.

Por Pedro Cláudio
Iporá, junho de 2026.