sexta-feira, 7 de agosto de 2026

De olho nas eleições

 Por Pedro Claudio a partir de informações recebidas, de acompanhamento nas mídias sociais e fruto de análise de muitos pensadores. Eis um resumo das preocupações.


As eleições de 2026 se aproximam e, mais uma vez, o Brasil se prepara para uma disputa política que deverá mobilizar paixões, convicções e, também, muita desinformação.

Mas o que realmente estará em jogo nas urnas? Será apenas uma disputa entre candidatos e partidos? Ou estamos diante de algo maior, envolvendo os limites da democracia, o respeito às instituições e a própria soberania nacional?

É preciso olhar além da propaganda eleitoral.

Existe um fenômeno que ganhou força nos últimos anos e que merece a atenção do eleitor: a chamada monetização do ódio.

A expressão parte da ideia de que, nas redes sociais, conteúdos que provocam medo, indignação, raiva e conflito podem alcançar muito mais pessoas. E quanto maior o engajamento, maior pode ser o retorno financeiro e político para quem produz esse conteúdo.

Nesse ambiente, a chamada guerra cultural deixa de ser apenas uma disputa de ideias e pode também funcionar como estratégia de comunicação e marketing político.

É nesse contexto que ganha importância a análise do professor João Cezar de Castro Rocha, pesquisador que estuda o extremismo político e a radicalização no Brasil.

Entre os conceitos discutidos por ele está o chamado “caos cognitivo”: uma situação em que o cidadão é submetido diariamente a tantas informações, versões, acusações e contradições que se torna cada vez mais difícil distinguir fato, opinião, propaganda e manipulação.

E há uma pergunta que precisa ser feita: quem ganha dinheiro e poder quando a sociedade permanece permanentemente dividida?

Nas redes sociais, o conflito pode virar produto. A indignação pode virar audiência. A audiência pode virar dinheiro. E o dinheiro pode financiar mais conteúdo, mais conflito e mais audiência.

É uma lógica que alguns analistas comparam a uma espécie de “esquema Ponzi” aplicado à política: o sistema precisa produzir continuamente novas emoções, novos inimigos e novas controvérsias para continuar funcionando.

Essa discussão aparece também nas análises sobre líderes como Donald Trump, Jair Bolsonaro, Javier Milei, Nayib Bukele e, no Brasil, nomes como Nikolas Ferreira.

Isso não significa dizer que todos sejam iguais ou que suas propostas sejam idênticas. Significa perguntar se existe, entre diferentes experiências políticas, um modelo de comunicação baseado na confrontação permanente, na mobilização emocional e na criação de um ambiente político cada vez mais polarizado.

E aqui está o ponto principal: o eleitor não pode terceirizar sua capacidade de pensar.

Em 2026, cada cidadão terá diante de si vídeos, discursos, memes, mensagens de WhatsApp, cortes de entrevistas e milhares de publicações nas redes sociais.

Antes de compartilhar, vale perguntar: quem produziu isso? Qual é a fonte? Existe evidência? Estou diante de uma informação ou de uma tentativa de provocar uma reação emocional?

A democracia não depende apenas do voto. Depende também da capacidade de uma sociedade discutir ideias sem transformar o adversário em inimigo.

Por isso, talvez uma das maiores disputas de 2026 não esteja apenas entre candidatos.

Ela esteja dentro da cabeça de cada eleitor.

Entre a informação e a manipulação. Entre o argumento e o ataque. Entre o pensamento crítico e o ódio.

Porque quando o ódio vira mercadoria, quem perde não é apenas um lado da política.

Quem pode perder é a própria capacidade de uma sociedade pensar coletivamente sobre o futuro do país.

Pedro Claudio para o Jornal RDR.