quinta-feira, 28 de maio de 2026

Romaria de Nossa Senhora Auxiliadora mantém tradição de fé e devoção em Iporá

 



A tradicional Romaria e Festa de Nossa Senhora Auxiliadora voltou a reunir milhares de fiéis em Iporá, no Oeste de Goiás, reafirmando uma das mais importantes manifestações religiosas do Estado. Em 2026, a programação foi realizada entre os dias 3 de abril e 23 de maio, com o tema “De mãos dadas com Maria Auxiliadora vivemos 80 anos de comunhão, fé e devoção”.

A celebração foi conduzida pelos RELIGIOSOS PASSIONISTAS da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, liderados pelo pároco padre Tarcílio José da Maia, juntamente com os vigários paroquiais padres Leonardo Luiz da Cruz e Rodrigo Alves Ferreira. A festa reuniu católicos das três paróquias de Iporá — Nossa Senhora Auxiliadora, São Paulo VI e Imaculada Conceição — em comunhão com toda a Diocese de São Luís de Montes Belos, presidida por Dom Lindomar Rocha Mota.

Embora neste ano a comunidade tenha celebrado simbolicamente os 80 anos da romaria, registros históricos apontam que a devoção em honra à padroeira começou antes mesmo desse período. Segundo a história da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, a tradição religiosa teve início ainda na década de 1940, consolidando-se como um dos maiores eventos religiosos do interior goiano.

Uma das maiores festas religiosas de Goiás

A Festa de Nossa Senhora Auxiliadora é considerada a terceira maior festa religiosa de Goiás, ficando atrás apenas da Romaria do Divino Pai Eterno, em Trindade, e da Romaria de Nossa Senhora d’Abadia do Muquém, em Niquelândia. No entanto, destaca-se pela longa duração da peregrinação e da programação religiosa.

Reconhecida oficialmente pelo Estado, a chamada “Festa de Maio” foi incluída no Calendário Cívico Cultural de Goiás por meio da Lei nº 17.247/2011.

Neste ano de 2026, a festa em louvor à padroeira ocorreu de 23 de abril a 24 de maio. Como o dia 24 de maio coincidiu com a celebração de Pentecostes, o encerramento festivo foi antecipado, ocasião em que também foram anunciados os próximos festeiros, representados pela Pastoral da Acolhida.

Peregrinação diária reúne milhares de fiéis

A essência da festa permanece praticamente inalterada ao longo das décadas. Todas as noites, entre mil e 1,5 mil pessoas percorrem diversos bairros da cidade em peregrinação, acompanhando a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora.

A programação inclui a reza do terço, momentos de espiritualidade popular, leitura bíblica, reflexão da Palavra e confraternização entre os participantes. Após os momentos religiosos, as comunidades promovem quermesses com prendas e doações arrecadadas para manutenção da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora.

Com o crescimento da festa e o aumento da participação popular, a paróquia passou a incluir missas em datas específicas, especialmente às quartas-feiras e domingos. Nesses dias, o terço é antecipado para possibilitar a celebração eucarística.

Um dos aspectos mais marcantes da romaria é a fidelidade dos participantes. Grande parte do público acompanha a programação diariamente durante todo o período festivo, mantendo viva uma tradição religiosa e cultural que atravessa gerações.

Leilão de gado integra programação festiva

A programação social da festa continua no dia 11 de julho, com a realização do tradicional Leilão de Gado no recinto do GJ Leilões, a partir das 14 horas.

O evento reúne produtores rurais e colaboradores da comunidade católica, que realizam doações de animais e prendas. O leilão tornou-se uma importante fonte de arrecadação para a manutenção das atividades paroquiais e também um momento de confraternização entre famílias da cidade e da zona rural.

Segundo a organização, a realização do leilão fora do calendário principal da festa facilita a logística e amplia a participação dos colaboradores e produtores da região.

Comunidade católica mantém forte tradição religiosa

De acordo com dados do IBGE, Iporá possui população estimada em pouco mais de 31 mil habitantes, sendo a maioria formada por católicos.

A cidade conta atualmente com três paróquias: a Paróquia São Paulo VI, conduzida pelo padre Geraldo Pereira Neto; a Paróquia Imaculada Conceição, sob responsabilidade do padre José Moreira; e a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, administrada pelo padre Tarcílio José da Maia.

A Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora pertence à Diocese de São Luís de Montes Belos e é assistida pelos religiosos passionistas, congregação que mantém presença histórica na evangelização da região oeste goiana.

 


O mundo envelheceu antes da consciência humana amadurecer.

 

Indicativo de Pedro Claudio — Sempre pensando pra existir

Vivemos um tempo estranho. Talvez o mais avançado da história humana. Talvez também um dos mais confusos.

A humanidade consegue olhar para o céu e imaginar cidades em Marte. Criamos inteligência artificial, fazemos cirurgias à distância, conversamos em tempo real com pessoas do outro lado do planeta e carregamos no bolso aparelhos mais poderosos do que computadores que levaram o homem à Lua. A tecnologia domina o nosso tempo, nossa rotina e até nossa forma de pensar.

Mas, ao mesmo tempo, parecemos presos em discussões pequenas, repetitivas e cansativas. O mundo gira em torno de guerras políticas, disputas ideológicas e brigas de torcidas. Lula, Bolsonaro, Trump e tantos outros nomes ocupam as mesas, os celulares e as redes sociais como se fossem o centro absoluto da existência humana. Enquanto isso, questões fundamentais parecem esquecidas.

Quem realmente controla o mundo hoje?

Não são exatamente os produtores de alimentos. Não são os cientistas que buscam a cura das doenças. Não são os agricultores que sustentam a vida. Nem os religiosos que antigamente orientavam moralmente a sociedade. Deus talvez continue no coração humano, mas muitas vezes já não está presente nas decisões que comandam o planeta.

Hoje, o poder está concentrado em outro lugar.

Nos gigantes da tecnologia. Nos donos das redes sociais. Nos investidores invisíveis. Nos banqueiros. Nos especialistas em algoritmos. Nos criadores de conteúdo. Nos donos da informação. O homem mais rico do mundo não ficou rico plantando arroz ou salvando vidas em hospitais. Ficou rico dominando tecnologia, comunicação e influência.

As redes sociais transformaram atenção em moeda. O conteúdo virou produto. O comportamento humano virou dado. E nós mesmos, sem perceber, muitas vezes viramos mercadoria dentro desse sistema.

É estranho perceber que água, oxigênio, alimentos e natureza — aquilo que realmente mantém a vida — perderam espaço no imaginário da sociedade moderna. Hoje se valoriza mais um celular novo do que uma nascente preservada. Mais um aplicativo do que uma árvore. Mais seguidores do que sabedoria.

Talvez estejamos vivendo uma era onde a humanidade evoluiu tecnologicamente mais rápido do que espiritualmente.

Criamos máquinas inteligentes, mas ainda temos dificuldade de conviver uns com os outros. Falamos em colonizar outros planetas enquanto destruímos o nosso. Produzimos excesso de informação, mas falta entendimento. Estamos hiperconectados, porém emocionalmente distantes.

E assim seguimos: entre festas e tragédias, entre evolução e retrocesso, entre esperança e medo.

O ser humano nunca teve tanto poder nas mãos. E talvez nunca tenha estado tão perdido sobre o que fazer com ele.

Pensar o mundo atual exige coragem. Coragem para perceber que progresso não é apenas tecnologia. Progresso também deveria significar humanidade, consciência, equilíbrio e sentido para existir.

Porque no final, talvez a maior pergunta não seja como conquistar outros planetas.

Mas como salvar a nós mesmos.