quarta-feira, 17 de maio de 2017

Implode classe política!

Crise política: delações premiadas colocam governo e oposição sob pressão

A validade das delações premiadas volta ao centro do debate político brasileiro. Se confirmadas e consideradas pela Justiça, podem provocar um verdadeiro desmonte do sistema atual, atingindo não apenas integrantes do governo que sucedeu Dilma Rousseff, mas também figuras da oposição. Pelo cenário, dificilmente “sobrará pedra sobre pedra” no alto escalão da política nacional.

Em meio às acusações, a Presidência da República divulgou nota oficial — recebida inclusive por este blog — na qual o presidente Michel Temer nega ter solicitado pagamentos para garantir o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

Segundo o texto, Temer afirma que “jamais solicitou pagamentos” e que não participou ou autorizou qualquer ação para evitar delações ou colaborações com a Justiça por parte do ex-parlamentar. O documento confirma que houve encontro com o empresário Joesley Batista, no início de março, no Palácio do Jaburu, mas reforça que “não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República”.

A nota também declara que o presidente “defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados”.

Cenário de incerteza
O clima em Brasília é de implosão política. As denúncias e investigações geram desgaste não apenas para o Palácio do Planalto, mas também para o Congresso Nacional, atingindo lideranças de diferentes partidos.

A sociedade, por sua vez, se vê perdida — dividida entre acreditar plenamente nos noticiários e desacreditar na totalidade dos políticos, ou desconfiar da imprensa e enxergar interesses ocultos por trás de cada revelação.

O desgaste também expõe uma crise de confiança ideológica. Se antes a ideologia servia como guia e identidade de grupos e indivíduos, hoje é vista por muitos como ferramenta de manipulação e alienação.

Nesse cenário, a política brasileira se assemelha a um barco com diversos remadores, cada um puxando para um lado diferente. Sem rumo claro, o país corre o risco de permanecer à deriva, desgastado por disputas internas e interesses particulares.

E agora, Brasil? A resposta parece distante, mas o sentimento é de urgência: reorganizar o rumo antes que a embarcação afunde de vez.