Jornalismo,
compromisso com os fatos
Quem quiser entender, que entenda.
Ao longo da minha trajetória no jornalismo, procurei
adotar uma postura que não se confunde com militância político-partidária. Não
faço jornalismo para defender governo nem para fazer oposição. Meu compromisso
sempre foi com os fatos, com os acontecimentos do cotidiano e com aquilo que
produz impacto direto ou indireto na vida das pessoas.
É natural que cada ouvinte ou leitor interprete uma
reportagem a partir de suas próprias convicções. Quem recebe a informação
também a filtra por suas experiências, valores e preferências. Por isso,
algumas pessoas podem imaginar que uma notícia favorece determinado grupo,
enquanto outras enxergam exatamente o contrário. Essa é uma consequência da
pluralidade de opiniões existente na sociedade.
Minha preocupação, porém, é outra. Busco construir
as pautas com equilíbrio, ouvindo diferentes versões quando elas existem,
evitando tanto os aplausos fáceis quanto as críticas irresponsáveis. O
jornalista não deve distribuir elogios nem lançar pedras ao acaso. Deve
informar com honestidade, contextualizar os fatos e permitir que a sociedade
forme sua própria opinião.
Se alguém afirmar que possuo um posicionamento
ideológico no sentido de possuir princípios e valores que orientam minha vida,
essa pessoa estará correta. Minha formação humana e espiritual é profundamente
marcada pelos valores do cristianismo. A defesa da dignidade da pessoa, da
verdade, da justiça, da honestidade, da solidariedade e do bem comum faz parte
da minha identidade. Não escondo isso, porque são princípios que procuro viver
em todas as dimensões da minha existência.
Entretanto, esses valores não transformam meu
trabalho jornalístico em instrumento de propaganda religiosa ou política. Ao
contrário, servem como fundamento ético para exercer a profissão com
responsabilidade, respeito e consciência.
Também não me vejo como assessor de autoridades,
partidos, governos ou grupos econômicos. A única assessoria que procuro prestar
é ao cidadão, ao ouvinte e ao leitor que depositam confiança no trabalho
realizado diariamente. É essa credibilidade, construída ao longo dos anos, que
me permite dialogar com pessoas de diferentes correntes políticas, participar
de ambientes diversos e manter portas abertas sem causar estranheza.
Quem me conhece sabe que não cultivo inimizades
políticas nem faço do microfone uma arma contra quem pensa diferente. O
respeito às pessoas sempre estará acima das divergências de opinião.
Isso, evidentemente, não significa neutralidade
diante daquilo que é errado. Quando surgem indícios de ilegalidade, desvio de
recursos públicos, corrupção, abuso de poder ou qualquer prática que prejudique
a coletividade, entendo que o jornalismo tem o dever de investigar, questionar
e informar, sempre respeitando o devido processo legal, o direito de defesa e a
responsabilidade com a verdade.
Da mesma forma, quando percebo má-fé, manipulação
ou atitudes destinadas a prejudicar pessoas, prefiro não participar desse tipo
de prática. O jornalismo não deve servir aos interesses da maldade, mas ao
interesse público.
É assim que procuro conduzir minhas pautas. Não
afirmo ser perfeito nem infalível. Posso cometer equívocos, como qualquer ser
humano, mas nunca deixarei de buscar a honestidade intelectual e o compromisso
com a verdade.
Enquanto Deus me conceder vida, continuarei
acreditando que o bom jornalismo é aquele que informa sem paixões partidárias,
fiscaliza com responsabilidade, respeita as pessoas e jamais perde de vista sua
verdadeira missão: servir à sociedade.
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