Quando o mestre de cerimônias esquece qual
é o seu papel
Precisamos aprender, em Iporá, a organizar e conduzir
eventos com mais naturalidade e profissionalismo. Não escrevo estas linhas para
ensinar ninguém, mas para compartilhar uma percepção de quem, há muitos anos,
acompanha solenidades, cerimônias e eventos dos mais diversos.
E não se trata de um único mestre de cerimônias. O que
tenho observado é que alguns parecem copiar uns aos outros na tentativa de
demonstrar quem é o melhor, quem emociona mais ou quem consegue arrancar mais
aplausos. Mas será que param para pensar em quem realmente desejam agradar? O
convidado que está sendo anunciado ou o público que assiste ao evento?
Confesso que não sou especialista em cerimonial.
Porém, sou um atento ouvinte. Durante muitos anos acompanhei cerimônias e, na
época da faculdade, também tive a oportunidade de atuar algumas vezes nessa
função. Naquele tempo havia protocolo, planejamento e, principalmente, um
coordenador que fazia questão de manter o mestre de cerimônias dentro daquilo
que havia sido estabelecido. O foco era o evento, não quem segurava o
microfone.
Hoje, infelizmente, em algumas ocasiões vejo acontecer
exatamente o contrário. O anúncio de uma autoridade ou de um convidado
transforma-se em um espetáculo à parte. Voz impostada, entonação de narrador
esportivo, pausas dramáticas e uma sucessão de adjetivos que, muitas vezes,
mais cansam do que valorizam a pessoa apresentada.
O mestre de cerimônias exerce uma função importante:
conduzir a programação com elegância, informar o público, apresentar os
participantes e garantir que tudo aconteça com organização e naturalidade. Seu
protagonismo está justamente na discrição e na capacidade de fazer o evento
brilhar.
A boa comunicação dispensa exageros. Um convidado
merece ser apresentado por seus méritos reais, com respeito, objetividade e bom
senso. Quando os elogios se tornam excessivos e a interpretação ganha mais
destaque do que a informação, corre-se o risco de provocar o efeito contrário:
constranger quem é apresentado e cansar quem está assistindo.
Talvez esteja faltando alguém que tenha coragem de
dizer: "Não faça isso. Está exagerado. Está cansativo. Está tirando o
brilho de quem realmente deveria ser o centro das atenções."
A verdadeira qualidade de um mestre de cerimônias não
está na potência da voz, nem na quantidade de adjetivos que utiliza, mas na
capacidade de conduzir um evento com serenidade, elegância e eficiência. Quando
a cerimônia termina e todos se lembram dos homenageados, das mensagens e dos
momentos vividos, é sinal de que o cerimonial cumpriu sua missão. Quando o que
fica na memória é apenas a performance de quem estava ao microfone, talvez seja
hora de rever o conceito de protagonismo.
Em cerimônias, como em tantas outras atividades, menos quase sempre é mais. O melhor mestre de cerimônias é aquele que faz o evento acontecer, e não aquele que tenta ser a principal atração dele.
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