terça-feira, 26 de maio de 2026

O mistério da vida, a saudade e a esperança no futuro eterno

 


Por Pedro Claudio

A saudade talvez seja uma das marcas mais profundas da existência humana. Há nuances no luto que nunca vão embora. Quando se ama de verdade, quem parte continua presente de alguma forma na memória, nos gestos, nas lembranças e até no silêncio. O tempo passa, a correria do dia a dia ocupa espaço, a distância dos acontecimentos ameniza certas dores, porque a vida dos que ficam precisa seguir. Mas algumas ausências jamais deixam completamente o coração.

Muitas vezes surge a pergunta que acompanha a humanidade desde sempre: para onde vão aqueles que partiram? Há inúmeras teses, religiões, doutrinas e interpretações tentando responder ao grande mistério da vida após a morte. Mas a verdade é que ninguém voltou para contar, exceto Jesus Cristo, segundo a fé cristã, que ressuscitou e deixou sua mensagem sobre a eternidade.

No Evangelho de João, na versão da CNBB, Jesus diz:

“Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós.”
João 14,2

É uma das passagens mais consoladoras da Bíblia, porque transmite a ideia de continuidade, acolhimento e esperança além da existência terrena.

No livro do Apocalipse também aparecem imagens simbólicas sobre a eternidade e a presença divina. Um dos textos mais conhecidos descreve a cidade santa iluminada pela glória de Deus:

“A cidade não precisa de sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz, e sua lâmpada é o Cordeiro.”
Apocalipse 21,23

Há ainda a imagem da humanidade sendo conduzida para junto de Deus, numa caminhada espiritual rumo à eternidade, acompanhada pela presença celestial e pela esperança de uma nova morada.

A vida, no entanto, continua sendo uma grande incógnita. O futuro sempre será incerto. E talvez uma das maiores lições da existência seja justamente perceber que, diante de Deus e do tempo, todos têm o mesmo destino. Ricos e pobres, pretos e brancos, poderosos e humildes, ninguém permanece para sempre nesta terra. O que fica são lembranças, histórias, marcas e afetos, que também vão se apagando lentamente na memória das gerações.

As religiões tentam oferecer respostas. Algumas trazem conforto verdadeiro. Outras, em certos momentos, parecem transformar a fé em instrumento de controle humano, estabelecendo regras e promessas de salvação eterna. É compreensível que existam normas e princípios, porque uma sociedade sem limites pode mergulhar no caos. Ainda assim, muitas dúvidas permanecem.

Quem tem fé costuma olhar com preocupação para quem não compartilha da mesma crença. Há os que se dizem plenamente convencidos da verdade que professam. Eu, porém, acredito na ação de Deus na construção humana, na presença divina que inspira o amor, a justiça e a bondade. Mas também carrego dúvidas sobre intenções humanas quando alguns, do púlpito, transformam a fé em espetáculo, em premonições ou em instrumentos de manipulação.

Talvez muitos dos que pregam estejam sinceramente convencidos daquilo que anunciam. Talvez outros usem a mensagem divina como proteção, influência ou poder nesta vida terrena. No fim, o coração humano sempre será um território difícil de decifrar.

Por isso, a sabedoria dos antigos continua atual. Como dizia minha mãe: confiar sempre… desconfiando.

 Iporá Goiás, 26 de maio de 2026

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