Antes de a bola rolar e os resultados influenciarem qualquer análise, faço
questão de registrar esta reflexão. Independentemente de o Brasil conquistar ou
não a Copa do Mundo de 2026, algo me incomoda profundamente: pela primeira vez,
a Seleção Brasileira será comandada por um técnico estrangeiro.
Não se trata de questionar a competência de
Carlo Ancelotti. Seu currículo fala por si. É um dos treinadores mais
vitoriosos da história do futebol. O problema, para mim, não é a capacidade
técnica. É a simbologia.
A Seleção Brasileira sempre representou muito
mais do que um time de futebol. Ela é uma expressão da identidade nacional.
Durante décadas, o Brasil encantou o mundo com seu jeito próprio de jogar,
pensar e viver o futebol. Nossos títulos foram construídos por brasileiros
dentro e fora de campo.
Hoje, já convivemos com uma realidade difícil
para quem aprecia o futebol nacional. A maioria dos convocados atua no
exterior. São jogadores formados aqui, é verdade, mas que desenvolvem suas
carreiras longe dos gramados brasileiros. Até certo ponto, compreendo essa
dinâmica. O mercado globalizado levou nossos talentos para os maiores clubes do
mundo.
Mas o comando técnico é diferente.
O treinador é quem define estratégias,
estabelece a cultura do grupo, toma as decisões finais e imprime sua visão
sobre a equipe. Quando essa figura não é brasileira, algo da essência nacional
parece se perder.
Se o Brasil levantar a taça em 2026, a
história registrará que a seleção pentacampeã ampliou sua galeria de títulos
sob o comando de um italiano. Ao lado de nomes como Vicente Feola, Aymoré
Moreira, Mário Zagallo, Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari,
aparecerá Carlo Ancelotti. É um fato que não consigo enxergar com naturalidade.
Talvez alguns considerem essa visão ultrapassada.
Respeito. Mas acredito que existem momentos em que o orgulho nacional tem
valor. Não falo de xenofobia, isolamento ou rejeição aos estrangeiros. Pelo
contrário. Defendo um país aberto, acolhedor e capaz de aprender com outras
culturas.
No entanto, há espaços em que a afirmação da
própria identidade faz diferença. E a Seleção Brasileira é um deles.
O futebol sempre foi uma das maiores
demonstrações da capacidade criativa do povo brasileiro. Quando dependemos de
um comandante estrangeiro para buscar o título máximo do esporte, fica a
sensação de que deixamos de acreditar plenamente em nossa própria competência.
Aprender com quem faz bem é uma virtude.
Copiar modelos de sucesso também pode ser inteligente. Mas entregar o posto de
maestro, professor, mestre ou comandante máximo da seleção nacional é uma
decisão que merece reflexão.
Será que realmente não temos treinadores
capazes? Será que o país que revelou tantos craques e conquistou cinco Copas do
Mundo não consegue formar um técnico à altura de sua história?
São perguntas que permanecem.
Apesar de tudo, torcerei como sempre. Quero
ver o Brasil campeão. Quero ver a camisa amarela novamente no topo do mundo.
Quero comemorar o tão sonhado hexacampeonato.
Apenas confesso que, para mim, a conquista
teria um sabor mais especial se fosse construída integralmente por brasileiros.
Talvez você concorde. Talvez discorde.
Mas a reflexão está feita.
Escrevo estas linhas em 11 de junho de 2026, antes de a
bola rolar e de qualquer resultado influenciar minha opinião. Neste sábado, 13
de junho, o Brasil fará sua estreia na Copa do Mundo diante de Marrocos.
Coincidência ou não, será no dia 13, número eternizado
pelo velho Lobo. Se estivesse entre nós, o que diria Mário Zagallo diante deste
novo capítulo da história da Seleção Brasileira? Talvez repetisse seu bordão
mais famoso e desafiasse os críticos a engolirem suas previsões. Talvez
defendesse a tradição da camisa amarela. Ou talvez apenas lembrasse que, acima
de tudo, o importante é o Brasil vencer.
Seja qual for a resposta, uma coisa é certa: quando a
Seleção entra em campo, o coração do brasileiro continua batendo mais forte. E
é por isso que, apesar das reflexões e das divergências, sigo torcendo pelo
hexacampeonato.
Que venha a Copa. E que venha o hexa.

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