quinta-feira, 11 de junho de 2026

A Seleção Ainda é Genuinamente Brasileira?

 


Antes de a bola rolar e os resultados influenciarem qualquer análise, faço questão de registrar esta reflexão. Independentemente de o Brasil conquistar ou não a Copa do Mundo de 2026, algo me incomoda profundamente: pela primeira vez, a Seleção Brasileira será comandada por um técnico estrangeiro.

Não se trata de questionar a competência de Carlo Ancelotti. Seu currículo fala por si. É um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol. O problema, para mim, não é a capacidade técnica. É a simbologia.

A Seleção Brasileira sempre representou muito mais do que um time de futebol. Ela é uma expressão da identidade nacional. Durante décadas, o Brasil encantou o mundo com seu jeito próprio de jogar, pensar e viver o futebol. Nossos títulos foram construídos por brasileiros dentro e fora de campo.

Hoje, já convivemos com uma realidade difícil para quem aprecia o futebol nacional. A maioria dos convocados atua no exterior. São jogadores formados aqui, é verdade, mas que desenvolvem suas carreiras longe dos gramados brasileiros. Até certo ponto, compreendo essa dinâmica. O mercado globalizado levou nossos talentos para os maiores clubes do mundo.

Mas o comando técnico é diferente.

O treinador é quem define estratégias, estabelece a cultura do grupo, toma as decisões finais e imprime sua visão sobre a equipe. Quando essa figura não é brasileira, algo da essência nacional parece se perder.

Se o Brasil levantar a taça em 2026, a história registrará que a seleção pentacampeã ampliou sua galeria de títulos sob o comando de um italiano. Ao lado de nomes como Vicente Feola, Aymoré Moreira, Mário Zagallo, Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari, aparecerá Carlo Ancelotti. É um fato que não consigo enxergar com naturalidade.

Talvez alguns considerem essa visão ultrapassada. Respeito. Mas acredito que existem momentos em que o orgulho nacional tem valor. Não falo de xenofobia, isolamento ou rejeição aos estrangeiros. Pelo contrário. Defendo um país aberto, acolhedor e capaz de aprender com outras culturas.

No entanto, há espaços em que a afirmação da própria identidade faz diferença. E a Seleção Brasileira é um deles.

O futebol sempre foi uma das maiores demonstrações da capacidade criativa do povo brasileiro. Quando dependemos de um comandante estrangeiro para buscar o título máximo do esporte, fica a sensação de que deixamos de acreditar plenamente em nossa própria competência.

Aprender com quem faz bem é uma virtude. Copiar modelos de sucesso também pode ser inteligente. Mas entregar o posto de maestro, professor, mestre ou comandante máximo da seleção nacional é uma decisão que merece reflexão.

Será que realmente não temos treinadores capazes? Será que o país que revelou tantos craques e conquistou cinco Copas do Mundo não consegue formar um técnico à altura de sua história?

São perguntas que permanecem.

Apesar de tudo, torcerei como sempre. Quero ver o Brasil campeão. Quero ver a camisa amarela novamente no topo do mundo. Quero comemorar o tão sonhado hexacampeonato.

Apenas confesso que, para mim, a conquista teria um sabor mais especial se fosse construída integralmente por brasileiros.

Talvez você concorde. Talvez discorde.

Mas a reflexão está feita.

Escrevo estas linhas em 11 de junho de 2026, antes de a bola rolar e de qualquer resultado influenciar minha opinião. Neste sábado, 13 de junho, o Brasil fará sua estreia na Copa do Mundo diante de Marrocos.

Coincidência ou não, será no dia 13, número eternizado pelo velho Lobo. Se estivesse entre nós, o que diria Mário Zagallo diante deste novo capítulo da história da Seleção Brasileira? Talvez repetisse seu bordão mais famoso e desafiasse os críticos a engolirem suas previsões. Talvez defendesse a tradição da camisa amarela. Ou talvez apenas lembrasse que, acima de tudo, o importante é o Brasil vencer.

Seja qual for a resposta, uma coisa é certa: quando a Seleção entra em campo, o coração do brasileiro continua batendo mais forte. E é por isso que, apesar das reflexões e das divergências, sigo torcendo pelo hexacampeonato.

Que venha a Copa. E que venha o hexa.

 

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