EDITORIAL – Jornal RDR
Liberdade de imprensa é pilar da democracia
Por Pedro Claudio
A liberdade de imprensa é um dos pilares
fundamentais da democracia. Sem um jornalismo livre, a sociedade perde um dos
seus principais instrumentos de fiscalização, transparência e acesso à
informação. Quando a imprensa trabalha sem medo, quem ganha é o cidadão, que
passa a ter mais condições de compreender os fatos e acompanhar a atuação do
poder público e das instituições.
As ameaças ao trabalho jornalístico,
infelizmente, ainda acontecem. Os acontecimentos recentes em Brasília são
apenas um exemplo entre muitos casos concretos de tentativas de intimidação
contra profissionais da imprensa. Sempre que surgem episódios desse tipo,
cresce também a preocupação com os limites do respeito à liberdade de expressão
e ao direito de informar.
Um caso recente ganhou repercussão nacional ao
envolver o jornalista Lauro Jardim,
colunista do jornal O Globo, que teria
sido alvo de ameaças atribuídas ao empresário Daniel
Vorcaro, investigado em apurações envolvendo o Banco Master. A reação de
entidades da comunicação foi imediata.
A Associação
Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão repudiou com veemência
qualquer tentativa de intimidar um profissional de imprensa e destacou que
atitudes desse tipo são incompatíveis com o Estado Democrático de Direito.
Outras entidades também se manifestaram reforçando que ameaças a jornalistas
representam ataques diretos à liberdade de informação.
Mas os
desafios enfrentados pelo jornalismo não se limitam a episódios de grande
repercussão nacional. Em muitos municípios do país, situações menores, porém
igualmente preocupantes, também acontecem. Há gestores públicos que, ao não
concordarem com a atuação da imprensa, tentam interferir no trabalho
jornalístico procurando a coordenação dos veículos de comunicação, numa
tentativa de influenciar ou pressionar a linha de cobertura.
O profissional do jornalismo precisa ser livre
para exercer sua função com responsabilidade, ética e compromisso com a
verdade. Trabalhar com liberdade não significa agir sem critérios, mas sim sem
pressões externas que tentem limitar o direito de informar.
O jornalista não pode e não deve ficar preso a
tendências ideológicas, religiosas ou muito menos políticas. Fatos são fatos, e
a notícia precisa ser veiculada. Cada veículo de comunicação tem, naturalmente,
sua linha editorial, seu estilo e sua forma de abordar determinados assuntos.
Isso faz parte da pluralidade de ideias que sustenta uma sociedade democrática.
Mas ter linha editorial não significa prisão de pensamento ou submissão a
interesses.
De tempos em tempos surgem políticos e pessoas
menos avisadas — muitas vezes culturalmente mal informadas sobre o papel da
imprensa — tentando dar o tom da atividade jornalística. Esse tipo de postura
revela desconhecimento sobre a importância da liberdade de imprensa e sobre o
papel que o jornalismo exerce na construção da democracia.
Uma
sociedade madura compreende que a imprensa pode incomodar, questionar e cobrar
explicações. Esse é justamente o seu papel. Quando o jornalismo é respeitado, a
democracia se fortalece. Quando tentam silenciá-lo, quem perde é toda a
sociedade.
Pense!
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