segunda-feira, 21 de julho de 2025

Sou o que sou

 


Sou o que sou

(por Pedro Claudio Rosa)

Sou o que sou.
Cristão? Creio que sim — porque creio.
Mesmo que me forcem rótulos,
mesmo que tentem moldar minha fé
no ferro de suas certezas alheias.

A cada dia, um agnóstico
não por dúvida,
mas porque insistem que eu duvide.
Católico, certeza — por herança, por insistência.
Diácono, para sempre —
ordem recebida, aceite, concebida com temor e coragem.

Sou ovelha —
não desgarrada,
mas escorregada…
com um pé fora do aprisco,
o outro preso na esperança.
Ovelha meio banida, meio lembrada,
que insiste em permanecer
mesmo quando o rebanho vira o rosto.

Por escolha própria,
por força das circunstâncias,
por amor, por teimosia —
assim sou, assim sigo.

Sou Pedro Claudio Rosa.
Esposo, Pai, filho, irmão,
crente, firme,
tentado o tempo todo.
Escorraçado por muitos,
mas encrustado onde importa.

Sou sem culpa plena,
sem inocência total —
mas com decência.
Essa é minha essência.

Sou eu.

domingo, 20 de julho de 2025

Mistérios da Existência e os Caminhos da Salvação

 


Mistérios da Existência e os Caminhos da Salvação

Por Pedro Claudio Rosa 20 de julho de 2025

 

Os mistérios da existência sempre inquietaram o coração humano. Desde os primórdios, os seres vivos pensantes, nós, os humanos, buscamos compreender nosso propósito, nossa origem e nosso destino. Para o homem de fé cristã, a resposta a essas perguntas repousa nas Escrituras. A Bíblia é fonte de esperança e revelação. Ali encontramos palavras que apontam para a vida após a morte e o consolo da eternidade.

 

Quando Jesus, pregado na cruz, olha para o lado e diz ao ladrão arrependido: “Em verdade te digo: ainda hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23,43), Ele oferece não apenas a promessa do Céu, mas também a misericórdia infinita de Deus. Em outros momentos, como em João 11,25-26, Ele afirma: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim jamais morrerá”. Palavras que aquecem o coração de quem crê.

 

No entanto, não podemos ignorar que essas mesmas promessas, por vezes, são distorcidas. Muitos se aproveitam da fé alheia. Criam infernos sob medida, desenham demônios em cada esquina, e oferecem o antídoto — desde que você entre no templo certo, pague o valor certo, obedeça a autoridade certa. O medo vira moeda, e o paraíso, um produto à venda. Como alerta Jesus em Mateus 7,15: “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelha, mas por dentro são lobos devoradores”.

 

Nesse cenário, surge a dúvida legítima: será que o simples fato de frequentar uma igreja, de doar dinheiro, garante a salvação? E os que nunca ouviram falar de Jesus? E os que nasceram sob outras crenças, outras culturas, outros deuses?

 

Um agnóstico religioso — se essa expressão ousada pode ser usada —,  pergunta: quais os verdadeiros caminhos para a salvação? Será possível que um Deus justo e amoroso condene alguém que viveu com bondade, mas sem conhecer o Cristo? Será que a fé precisa, obrigatoriamente, de um rótulo e uma denominação?

 

É fato que a religião, em muitos momentos da história, foi ferramenta de dominação. E também é fato que, sem algum tipo de freio moral, o ser humano pode mergulhar no caos. Há, sim, uma necessidade de ordem, de valores, de esperança que transcenda a vida terrena. Talvez, mais do que o medo do inferno, o que nos move é o desejo de viver com sentido, de fazer o bem, de amar e ser amados.

 

Jesus, acima de tudo, ensinou o amor. “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (João 13,34). A fé cristã genuína não se resume a normas ou templos, mas à vivência desse amor, ao combate contra as injustiças, à solidariedade com os pobres, à promoção da paz.

 

Estar no templo pode ser um alívio, um lugar de encontro com o divino. Mas cuidado: na luta contra a manipulação, há o risco de endurecer o coração, tornar-se cético demais, frio demais, e viver como os irracionais — sem fé, sem amor, sem esperança.

 

Somos pensantes. Isso nos dá responsabilidade. Conforme Gênesis 2,7, “Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego da vida”. Do pó viemos e ao pó retornaremos. Mas enquanto há fôlego, há missão.

 

Somos nada — diante da eternidade — e, ao mesmo tempo, somos tudo, porque somos capazes de refletir, de escolher, de amar. Não tenhamos medo de pensar. Mas não nos esqueçamos de sentir. A razão é luz, mas o amor é chama. Que nosso caminho seja guiado por ambas.

 

Pense. Reflita. E, sobretudo, ame.

Pedro Claudio, pensando, no domingo 20 de julho de 2025

terça-feira, 15 de julho de 2025

Onde está o Cristo pobre em meio a tanto luxo?

 

Onde está o Cristo pobre em meio a tanto luxo?

Por Pedro Claudio, 15 de julho de 2025


Sempre me pergunto, com o coração inquieto: se Jesus foi simples, pobre, defensor dos pobres e sempre pregou isso, por que temos hoje tantos sinais de ostentação entre nós, seus seguidores? Por que vestes caras, paramentos reluzentes, igrejas que mais parecem palácios, onde o pobre muitas vezes entra com receio, sentindo que não pertence àquele lugar?

É difícil compreender. E não falo como quem está de fora. Participei de cursos de teologia, formações pastorais e bíblicas, e mesmo assim me vejo cercado de dúvidas. Porque o Evangelho é claro — não deixa margem para interpretações condescendentes com a acumulação de bens.

Disse Jesus ao jovem rico:

“Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me.”
(Mateus 19,21)

E mais adiante, completa:

“É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.”
(Mateus 19,24)

Essas palavras não são simbólicas ou exageradas. São diretas, desafiadoras. Elas confrontam a lógica do mundo — e deveriam confrontar a Igreja também, quando esta parece preferir a segurança do luxo à radicalidade do Evangelho.

Onde estão hoje os seguidores de São Francisco de Assis, de Santa Dulce dos Pobres, do Papa João XXIII — homens e mulheres que, com simplicidade, fizeram da sua vida um testemunho? Carros populares tornaram-se quase escândalo. Celulares simples, exceção. A desculpa é a segurança, a necessidade do trabalho. Mas até onde isso é verdade? E onde começa a sede por status?

É fácil julgar os outros, é verdade. Muitos políticos, por exemplo, chegam dizendo que vão mudar o sistema, mas logo que assumem um cargo, passam a servir-se dele. Isso também ocorre em nossas comunidades. Há os que começaram ao lado dos pobres, mas com o tempo, preferiram os salões dos mais abastados.

O Papa Francisco vem nos lembrando da “Igreja em saída”, uma Igreja “pobre para os pobres”. Mas será que estamos realmente seguindo esse caminho?

“Acumulastes tesouros nos últimos dias. Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram vossos campos, que por vós foi retido com fraude, está clamando.”
(Tiago 5,3-4)

Hoje, não é incomum ver taxas para sacramentos, ofertas “obrigatórias”, festas que excluem quem não pode pagar. O discurso é acolhedor, mas na prática... basta olhar quem está no banco ao lado. Quantos dos pequenos realmente permanecem? Quantos se sentem à vontade?

Apesar de tudo isso, não falo como quem se coloca acima. Eu também erro, também sou parte dessa realidade. Também carrego a minha parcela de incoerência. Mas, por isso mesmo, me questiono: será que nossa conversão é real? Ou é só de aparência?

“Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e os ladrões arrombam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu.”
(Mateus 6,19-20)

Que a cada dia, ao olhar para o Cristo crucificado — nu, rejeitado, excluído — possamos rever nossas prioridades. Que a nossa conversão seja sincera, cotidiana. E que, mesmo em meio à modernidade, não percamos o essencial: a simplicidade, o amor aos pobres, a partilha.

“Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.”
(Mateus 5,3)

sábado, 12 de julho de 2025

Taxação dos EUA contra o Brasil levanta dúvidas e conexões políticas inusitadas

 

Taxação dos EUA contra o Brasil levanta dúvidas e conexões políticas inusitadas
Por Pedro Cláudio

12 de julho de 2025

A recente decisão do ex-presidente americano Donald Trump de anunciar medidas tarifárias contra o Brasil surpreendeu até mesmo os analistas mais experientes. O movimento, aparentemente econômico, carrega uma nuvem de incertezas e levanta suspeitas sobre motivações políticas ocultas — especialmente ao se observar que Trump, em seus discursos, tem colocado o ex-presidente Jair Bolsonaro como figura central de defesa, como se o Brasil estivesse agindo de forma injusta contra ele.

É difícil entender a lógica por trás dessa retaliação comercial. Há quem diga que Trump está mal informado sobre o contexto brasileiro, especialmente sobre o processo judicial que envolve Bolsonaro. Mas essa hipótese parece fraca. Trump, ainda que polêmico, costuma agir com estratégia — ou pelo menos com base em um cálculo político. É mais plausível pensar que há algo maior em jogo.

No Brasil, apesar das críticas constantes às instituições, o Judiciário mantém sua independência. O presidente Lula, mesmo que quisesse atender a um pedido de Trump em favor de Bolsonaro, não teria meios legais ou institucionais para intervir. A situação de Bolsonaro é clara: ele enfrenta acusações sérias de violar a lei, especialmente ao não aceitar o resultado das eleições e por espalhar desinformação sobre as urnas eletrônicas sem qualquer prova concreta.

A postura de Trump, portanto, parece ser menos sobre justiça ou verdade e mais sobre sinalização política a seus próprios apoiadores — especialmente considerando que Bolsonaro é visto por muitos como um aliado ideológico nos moldes do “trumpismo tropical”. Essa aliança entre os dois, ainda que simbólica, parece render frutos nas estratégias eleitorais de Trump, que já está em campanha.

Economistas e analistas internacionais destacam ainda outro ponto que não pode ser ignorado: o avanço dos países do Brics e a tentativa de construção de uma nova ordem econômica mundial. Nesse cenário, os Estados Unidos se sentem pressionados por uma possível perda de influência global. Países como China, Rússia, Índia, Brasil e África do Sul — e os novos membros que vêm se juntando ao bloco — começam a ensaiar uma autonomia em relação ao dólar, aos mercados ocidentais e aos centros de poder tradicionais.

A taxação, portanto, pode ser uma forma de aviso: um gesto agressivo que busca manter o Brasil e outros países do Sul Global sob vigilância e pressão, dificultando movimentos que ameaçam a hegemonia americana.

No fim, tudo parece parte de um jogo geopolítico maior, onde interesses econômicos, alianças ideológicas e estratégias eleitorais se misturam. Ainda assim, paira a dúvida: será que Trump realmente acredita nas narrativas que defende? Ou tudo faz parte de um plano mais amplo, pensado e executado com objetivos muito além das aparências?

Seja qual for a resposta, é um momento de alerta — e de análise cuidadosa — tanto para o Brasil quanto para o mundo.

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Minha fé, minha esperança, minha fortaleza!

 “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou” (Gl 5,1)

Por Pedro Cláudio, diácono permanente, em férias do trabalho, junho de 2025, expondo pensamento e opinião pessoal.


Deus nunca é peso. A missão que vem d’Ele jamais oprime. Quando o que você faz, mesmo em nome de Deus, se transforma em fardo, cansaço espiritual e opressão, cuidado: isso pode não ser a missão divina, mas sim um projeto humano. Pode ser que você esteja sendo manipulado por pessoas, grupos ou estruturas que se escondem atrás de um verniz religioso para manter privilégios ou exercer poder.

Jesus foi claro ao dizer:


“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”
(Mateus 11,28-30)

Se o que você faz é com alegria, com a certeza interior de que está colaborando para algo maior e bom, com paz no coração e sem buscar recompensa, então você está servindo a Deus. Porque Ele não deseja sacrifícios vazios, nem quer que você se anule:

“Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância.”
(João 10,10)

Infelizmente, muitos estão engajados em atividades religiosas não por fé viva, mas por medo da condenação, por desejo de agradar líderes religiosos ou por status social. Entram em grupos, dedicam tempo, participam de eventos, mas com o coração distante, presos à ideia de que isso “compra” a salvação. Isso não é fé — é submissão a um sistema.

Deus não se alegra com aparências:

“Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim.”
(Isaías 29,13, citado por Jesus em Mateus 15,8)

A fé verdadeira amadurece com o tempo, com a experiência. Não se trata de fazer tudo o que mandam, mas de viver segundo a liberdade dos filhos de Deus (cf. Rm 8,14-15).
Posso dizer, com mais de 40 anos de caminhada na Igreja, que minha fé não foi abalada, mas se tornou mais consciente, firme e serena. Hoje vejo com clareza que muitas das obrigações impostas nada tinham a ver com o Evangelho de Jesus, e sim com interesses de homens.

Não acredito em “espantalhos espirituais” criados para gerar medo e depois oferecer a solução “mágica” por parte de alguns. Isso não é Evangelho, é estratégia de manipulação.
Jesus não prometeu sinais extraordinários a quem duvida:

“Nenhum sinal será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas.”
(Mateus 12,39)

Jonas passou três dias no ventre da baleia — figura que os evangelistas associam aos três dias de Cristo no sepulcro. Esse é o sinal máximo: a Ressurreição. Já temos tudo o que precisamos para crer. Quem quer mais que isso, talvez não esteja buscando fé, mas espetáculo.

Portanto, viva com confiança. Você é filho do Bem, do Deus Criador, e não de um mal oculto que te vigia. Você nasceu para ser feliz.
Peça sabedoria, como Salomão pediu:

“Concede, pois, ao teu servo um coração cheio de sabedoria para julgar o teu povo e discernir entre o bem e o mal.”
(1 Reis 3,9)

Livre-se das amarras impostas por pessoas mais espertas que se aproveitam da boa-fé alheia.
“Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade.” (2 Coríntios 3,17)

Com fé, com liberdade, com alegria no serviço,
Pedro Cláudio
Diácono Permanente – em férias, mas sempre atento.

Crônica de um debate entre vozes inquietas


 

Crônica de um debate entre vozes inquietas
Por Pedro Cláudio

03 de julho de 2025. O cenário político brasileiro segue seu curso tortuoso, entre reformas que não reformam, narrativas que se anulam e uma população, como diria Emília Viotti na clássica obra Da Monarquia à República, “abestalhada” – atônita diante do espetáculo repetitivo do poder.

Foi nesse contexto que surgiu mais uma troca de ideias nas redes sociais entre mim e o professor e comunicador Valteir Santos. Ele publicou uma daquelas verdades incômodas que circulam pouco fora dos grupos engajados:

“O Congresso é um CLUBE DE MILIONÁRIOS!
93% dos deputados estão entre os 10% mais ricos do Brasil.
18% são super-ricos, donos de fortunas acima de R$ 50 milhões.
E só 7% representam os 90% do povo.
Enquanto isso, eles:
Liberam isenção pra jatinhos em 72 dias.
Liberam cassinos em 45 dias.
Cortam impostos de iates em 2 meses.
Mas a isenção no seu imposto de renda? 11 meses parada!
CongressoInimigoDoPovo
Quer mudar isso? Vote em quem luta pelo POVO.
Cobre o seu deputado, cobre o seu senador.
Exija a votação do PL 2741,
que isenta o IR sem cortar benefícios,
taxando os super-ricos.
Abra o olho. Não se deixe enganar!”

Li, respirei fundo e comentei, talvez mais com desalento do que com esperança:

“Valteir, e pelo jeito vamos continuar assim…
Parece que estamos presos num ciclo vicioso. Veja a dificuldade que é convencer os eleitores a mudar de opinião.
É como aquele cachorrinho com cócegas no rabo: gira, roda, se cansa tentando morder o próprio incômodo, mas não sai do lugar.”

É frustrante. A realidade que tentamos expor com dados, com argumentação sólida, parece competir com memes, manchetes inventadas, vídeos editados com má intenção — e perder.

A política virou entretenimento, torcida, meme e fake news. As redes sociais, muitas vezes intoxicadas por desinformação, convencem mais do que qualquer esforço de análise séria. É o mundo da pós-verdade: onde o “sentir” supera o “saber”, e onde a mentira repetida com raiva se impõe sobre o dado falado com calma.

E nós? Seguimos aqui, falando, resistindo, tentando provocar alguma reflexão. Mas, sinceramente, tem dias em que parece uma batalha contra moinhos de vento. A sensação de impotência nos visita — e com frequência.

Ainda assim, Valteir, seguimos. Porque, apesar de tudo, ainda acreditamos que pensar, mesmo que doa, é o primeiro passo para mudar.

sábado, 31 de maio de 2025

Por Onde Caminha a Humanidade?

 


Por Onde Caminha a Humanidade?

Por Pedro Claudio Rosa – jornalista - pensando ...
Ideia central e conteúdo construído com auxílio da inteligência artificial.
Iporá, Goiás, 31 de maio de 2025

A pergunta "Por onde caminha a humanidade?" já foi tema de livros, filmes e profundas reflexões filosóficas. Ela ressurge com força sempre que nos deparamos com a irracionalidade coletiva que atravessa séculos e fronteiras. Mesmo na era da informação, da ciência e dos direitos humanos, seguimos presos a ciclos de violência, intolerância e manipulação.

No cenário internacional, a guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022, persiste com novos capítulos de destruição em 2025. Recentemente, forças russas capturaram mais localidades no leste e nordeste ucraniano, enquanto a diplomacia segue estagnada. A ameaça de uma escalada ainda maior preocupa líderes europeus. O chefe do Exército britânico chegou a alertar para a possibilidade de um conflito direto entre a Rússia e a OTAN nos próximos anos (RTP, Diario AS).

No Oriente Médio, o conflito entre Israel e Hamas também continua sem uma solução. Em maio de 2025, o Hamas propôs libertar 10 reféns vivos e entregar os corpos de outros 18 em troca de um cessar-fogo permanente e da retirada das forças israelenses da Faixa de Gaza. Israel, por sua vez, rejeitou a proposta e mantém sua ofensiva militar. Enquanto isso, a população civil agoniza diante da escassez de ajuda humanitária e da destruição contínua (El País, Diário de Notícias, RTP).

No Brasil, a polarização entre bolsonarismo e lulismo escancara uma ferida social. Embora pesquisas indiquem que a polarização seja ainda mais intensa nos Estados Unidos, a realidade brasileira também é alarmante. A disputa entre esquerda e direita tem gerado confrontos verbais e físicos, dificultando qualquer tentativa de diálogo e comprometendo a construção de consensos (O Globo).

É profundamente preocupante ver como, em nome de ideologias ou lideranças políticas, muitos esquecem valores básicos como a empatia e a solidariedade. Quando figuras como o Padre Júlio Lancellotti, conhecido por seu trabalho com a população em situação de rua, são alvo de críticas por defender os mais vulneráveis, algo está profundamente errado em nosso senso moral coletivo.

Ainda mais inquietante é ver pobres defendendo interesses de elites econômicas que os oprimem, muitas vezes motivados por desinformação ou manipulação. O fantasma do "comunismo", usado como ameaça imaginária, mascara uma realidade em que uma minoria poderosa se perpetua no topo da pirâmide social com o apoio inconsciente da base.

A irracionalidade humana não é novidade. Mas sua persistência mesmo em tempos de avanços científicos e tecnológicos é um paradoxo que assombra. A esperança, no entanto, ainda reside na educação, no fortalecimento das instituições democráticas e na promoção de uma cultura de paz e respeito às diferenças.

Por onde caminha a humanidade?
Talvez a resposta esteja em nossas escolhas diárias, na disposição de escutar o outro, no exercício da empatia e na coragem de romper com narrativas de ódio. O desafio é imenso, mas a possibilidade de mudança – por mais tênue que seja – começa em cada um de nós.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Câmara de Iporá tem semana de embates e denúncias: consignados, IPASI e infraestrutura dominam debates

 

Debates acalorados marcam sessões na Câmara de Vereadores de Iporá

Câmara de Iporá tem semana de embates e denúncias: consignados, IPASI e infraestrutura dominam debates

 

A política em Iporá segue movimentada em 2025, com tensão crescente nas sessões legislativas da Câmara Municipal. Embora a prefeita Maysa Cunha (AVANTE) afirme trabalhar em harmonia com os 13 vereadores da Casa, os discursos da oposição e os embates registrados nos últimos dias demonstram que o clima está longe de ser pacífico.

 

Na sessão da última segunda-feira (12), o vereador Suélio Gomes (MDB) trouxe à tona uma série de denúncias que deram o tom da semana. Entre as principais, a acusação de que a Prefeitura estaria descontando empréstimos consignados diretamente da folha dos servidores municipais sem repassar os valores às instituições bancárias. “Isso tem causado sérios transtornos aos servidores, que estão sendo cobrados injustamente pelas instituições financeiras”, afirmou Suélio, que também pediu a substituição da assessoria jurídica do Executivo, classificando sua atuação como ineficiente.

 

A líder do governo na Câmara, vereadora Cláudia Lima (AVANTE), tentou conter os danos e rebateu as críticas, afirmando que os problemas seriam herdados da gestão anterior, comandada por Naçoitan Leite (UNIÃO BRASIL). A resposta, no entanto, foi prontamente rebatida pela vereadora Viviane Specian (PT), que afirmou: “Os atrasos nos repasses são da atual gestão, não adianta tentar transferir responsabilidades.”

 

Além da questão dos consignados, Suélio Gomes também apontou deficiências na infraestrutura urbana, com destaque para falhas nos serviços terceirizados de iluminação pública e na execução do tapa-buracos. Ele ainda criticou o número excessivo de contratações por parte da prefeitura, o que, segundo ele, estaria sobrecarregando a folha de pagamento do município.

 

Viviane Specian aproveitou a tribuna para reacender outro tema sensível: a situação do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Iporá (IPASI). Segundo a parlamentar, a atual gestão continua adotando práticas da administração anterior, realizando repasses ao instituto apenas mediante pressão judicial. Ela denunciou que o IPASI está sem a Certidão de Regularidade Previdenciária (CRP) e acumula uma dívida que ultrapassa os R$ 50 milhões. Apesar do quadro preocupante, Viviane reconheceu que a nova presidência do instituto tem buscado implementar mudanças estruturais.

 

As sessões da Câmara seguem até esta sexta-feira (16), sempre às 9h da manhã, com transmissão ao vivo pelo canal oficial da Casa no YouTube. A expectativa é que os debates continuem intensos, com possíveis novos desdobramentos e esclarecimentos sobre as denúncias que vêm agitando o cenário político iporaense.


domingo, 11 de maio de 2025

Novo Papa: muito se espera, pouco pode ser feito

Nas estradas do mundo



 

Novo Papa: muito se espera, pouco pode ser feito

Por Pedro Claudio Iporá Goiás, 11 de maio de 2025

Com a chegada do Papa Leão XIV, renova-se a esperança de muitos por mudanças nos rumos da Igreja Católica. A sociedade contemporânea, marcada por fortes transformações culturais e sociais, levanta pautas sensíveis e, muitas vezes, desafiadoras para a tradição da fé cristã. Entre os anseios populares estão o reconhecimento sacramental da união entre pessoas do mesmo sexo, a ordenação de mulheres, a possibilidade de que casais em segunda união recebam o sacramento do Matrimônio, além da abertura do celibato sacerdotal e a ampliação das atribuições dos diáconos permanentes.

Essas questões, intensamente debatidas, não são novas. Ganharam fôlego nos últimos anos, especialmente durante o pontificado do Papa Francisco, que soube conduzir a Igreja com escuta, empatia e abertura pastoral, sem, contudo, romper com os fundamentos da fé. Houve avanços, sim — avanços que se deram “sem sair da casinha”, como muitos costumam dizer. O Papa Francisco plantou sementes importantes de diálogo e discernimento, sempre com atenção à Tradição, ao Magistério e à Palavra de Deus.

A Igreja não caminha por modismos. Seu alicerce não está apenas no clamor das massas ou nas pressões culturais do tempo presente. A Igreja é, antes de tudo, guiada pelo Espírito Santo. Ela escuta seus fiéis — leigos, consagrados, ministros ordenados — nos sínodos e nos espaços legítimos de participação, mas não se precipita. O discernimento e a prudência são marcas de sua história milenar.

Ao contrário de algumas confissões que seguem a lógica do Sola Scriptura, princípio reformador de Lutero, a Igreja Católica se fundamenta na Tradição viva e no Magistério, em constante diálogo com as Escrituras. A Bíblia, sim, é fonte primordial, mas sua interpretação se faz à luz do Espírito, da comunidade e da fidelidade à caminhada de fé que começou com os apóstolos e segue até hoje.

Muitos esperam que o novo Papa promova reformas profundas. No entanto, é necessário lembrar que nem tudo o que a sociedade deseja está em sintonia com a verdade revelada. A Igreja pode acolher, dialogar, refletir e adaptar certas práticas disciplinares, mas jamais comprometerá a integridade do Evangelho. Mudanças já aconteceram ao longo dos séculos — e continuarão a acontecer — mas não ao sabor da modernidade sem norte, e sim sob a luz do Espírito Santo.

Que Deus ilumine o Papa Leão XIV e conduza a Igreja por caminhos de sabedoria, acolhimento e fidelidade. Que saibamos abrir espaço para novos lares, novas formas de presença eclesial, sem nunca nos perder do essencial: o Evangelho de Cristo, fonte de vida, amor e salvação.

Por Pedro Claudio Iporá Goiás, 11 de maio de 2025

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Diarreia Cerebral – Reflexão de um Diácono em Conflito

 



Diarreia Cerebral – Reflexão de um Diácono em Conflito
Por Pedro Cláudio – 09 de maio de 2025, às 19h47

Minha fé permanece viva. Sinto a presença de Deus em cada instante da minha existência. A mão do Altíssimo repousa sobre mim como promessa viva de que Ele caminha comigo, mesmo em meio ao caos humano. Porém, é no entrelaçar da fé com a experiência comunitária que sinto as feridas mais profundas. As relações humanas — marcadas por escolhas, rupturas, julgamentos e estruturas — abalaram a vivência eclesial e a fraternidade com o povo de Deus.

Do ponto de vista sociológico, percebo o quanto a instituição religiosa se move dentro das lógicas do poder, da norma e da autoridade. Mesmo em comunidades de fé, prevalecem, muitas vezes, os mecanismos de exclusão e silenciamento. Quando o indivíduo se desvia do padrão estabelecido ou questiona estruturas, corre o risco de ser afastado, não apenas das funções, mas também do afeto coletivo. Sinto isso na pele. A suspensão das minhas atividades como diácono não foi apenas jurídica; foi existencial. Sinto-me marginalizado por estruturas que deveriam acolher. Não coloco nos ombros de ninguém e carrego só essa cruz! Minha culpa, minha tão grande culpa.

Na dimensão filosófica, me questiono: quem sou eu além da função? Sou diácono porque fui ordenado, mas também sou porque existo como servo, como ponte, como aquele que anuncia o Verbo mesmo em silêncio. A condição humana é marcada por tensões internas — entre o ser e o dever-ser, entre o reconhecimento externo e a verdade interior. A suspensão não anula meu ser. Continuo sendo. E ser, neste contexto, é um ato de resistência existencial.

A teologia me lembra que a graça é irrevogável. O dom recebido pela imposição das mãos não depende do aplauso da comunidade ou da chancela do clero. É Deus quem chama, quem sustenta, quem envia. Ainda que impedido por normas canônicas ou malquisto por lideranças, meu coração continua em serviço. Minha teologia é encarnada: feita de poeira, lágrima, silêncio e fé. Se Cristo foi rejeitado entre os seus, por que seria diferente com os seus servos?

Na esfera religiosa, sigo confiando na intercessão da Mãe Santíssima. Maria, que acompanhou o Filho até a cruz, conhece bem a dor do silêncio e da exclusão. A ela, suplico: que interceda por este filho em conflito, que rogue para que o Cristo renasça em mim, apesar das minhas quedas, das minhas dúvidas, da minha incapacidade de encontrar sentido no agora.

Nada será como antes, é verdade. Mas Deus é eternamente novo. Minha fé, apesar de ferida, é maior que os decretos. Ela é sublime, porque é dom; é de graça, porque é Graça. E mesmo que o “novo normal” ainda esteja distante, eu o aguardo com esperança.

Sou diácono permanente. Para sempre. Porque fui chamado. E Deus não se esquece dos seus. E eu... eu sou d’Ele.

 

Jornalismo com economia, população prejudicada

 


Definhamos. E isso dói.
Por Pedro Claudio, na rádio desde 1987

09 de maio de 2025

Perdemos espaço. Perdemos força. Estamos encolhendo num tempo em que deveríamos crescer. O jornalismo local, antes vigoroso e influente, hoje luta para manter-se de pé. Digo isso com dor, mas também com a consciência de quem vive essa realidade há décadas.

Houve um tempo em que éramos ouvidos. Estávamos em todos — ou quase todos — os eventos da cidade. Nas sessões da câmara municipal, nas ações sociais das instituições, no Corpo de Bombeiros, na Polícia Civil e Militar, no Ministério Público e no Judiciário. Estávamos nos bairros, ouvindo o povo, entrevistando, questionando, dando voz às cooperativas, sindicatos e associações de moradores. Era um jornalismo presente, combativo, feito com equipe, estrutura e, principalmente, com propósito.

Com a chegada das redes sociais, tudo mudou. O cenário se reconfigurou para caber na lógica da velocidade e do alcance superficial. E nós, em vez de nos expandirmos, encolhemos. Perdemos espaço para mídias alternativas, muitas vezes conduzidas por pessoas sem preparo, sem formação ou estratégia — algumas até com diploma, mas guiadas apenas pela sobrevivência e lucro. Nesse vácuo, cresceram o discurso de ódio, a propaganda política sem questionamento, a informação sem filtro.

Por que deixamos de lutar por espaço? O primeiro golpe foi a estrutura. Antes, fazíamos jornalismo com, no mínimo, quatro pessoas: editor, coordenador de pauta, redator e dois repórteres. Tínhamos estúdio, produção local, jornal ao vivo em dois horários, veículo próprio com link direto da rua. Hoje? Uma só pessoa. Meia hora diária de conteúdo local. O resto são boletins prontos em rede. Sem carro, com ajuda de custo no combustível e tempo contado.

Com isso, deixamos de dar atenção ao que está perto — os problemas locais, os rostos conhecidos, as histórias reais da nossa gente. Focamos em conteúdo regional, estadual e até internacional. Mas quem fala do buraco na rua, da falta de médico no postinho, da escola que precisa de reforma?

Hoje, quem faz jornalismo mal consegue sair às ruas. Falta tempo para checar informações, para ouvir os dois lados, para estar onde as coisas acontecem. Cobrir eventos, especialmente noturnos e de fim de semana, virou desafio quase impossível.

É assim que estamos. Um novo tempo, sim. Mas não necessariamente melhor. Novas formas de fazer jornalismo, mas com velhos problemas: falta de estrutura, de pessoal, de apoio.

E seguimos. Mas não com o mesmo fôlego.

 

domingo, 4 de maio de 2025

Minha oração Poética

 


Oração da Rocha Solta

Por Pedro Claudio Rosa

Minha oração, ó Deus,
não é por ouro, nem por trono,
nem por nome em pedra ou história em bronze.
Peço sabedoria —
mas não aquela que impõe, que se ergue sobre ombros alheios,
e sim a que me permite ser eu, inteiro e silencioso,
sem coroas, sem correntes, sem máscaras.

Peço sabedoria para não ser conduzido por cordas invisíveis,
nem eu, condutor de vontades alheias.
Que eu não me perca em jogos de poder,
nem use meu saber para escurecer o outro.

Que em mim, a ignorância se curve
diante da luz da inteligência —
não para me elevar,
mas para enxergar além do espelho.

Minha fé, Senhor,
não seja cegueira vestida de devoção,
mas visão serena,
que compreende o invisível sem desprezar o tangível.
Que eu creia com razão, e raciocine com coração,
sem ceticismo árido,
mas também sem uma fé opaca que se fecha ao mundo.

Na vida, não quero ser vassalo, nem suserano.
Não quero títulos, nem bandeiras.
Nem capitalista, nem comunista,
nem príncipe, nem súdito.
Quero ser apenas o que sou:
uma rocha solta no universo,
um fragmento que busca se encaixar,
não em sistemas, mas em você.

Minha oração é por paz —
a paz de quem nada domina,
mas se reconhece parte do Todo.

Seja feliz.
E se puder, leve-me contigo —
não como servo, não como mestre,
mas como presença.
Apenas presença.

Iporá Goiás,04 de maio de 2025.

Para pensar tem titubear

 "Assim caminha a humanidade"

Por Pedro Claudio de Iporá Goiás 04 de maio de 2025

A vida é uma travessia desigual. Uns nascem prontos, outros precisam se construir aos pedaços. Alguns parecem ter sido colocados na linha de chegada enquanto outros mal encontram o ponto de partida. Entre os que se dão bem e os que lutam, estende-se um abismo silencioso — não apenas de oportunidades, mas de reconhecimento, de dignidade, de pertencimento.

Há uma distância quase sagrada entre os que dizem estar salvos e os que ainda buscam redenção. Religiosos se proclamam intermediários entre o céu e a terra, como se a salvação fosse propriedade sua, já garantida, já alcançada. Os fiéis, por sua vez, caminham, tropeçam, rezam, esperam. Talvez não pelo céu, mas por um olhar, uma escuta, uma resposta. E a distância entre os dois não é de fé, mas de poder.

Vivemos numa ordem onde poucos governam, mandam, interpretam e ensinam — e muitos obedecem, calam, aprendem o que lhes é permitido. Um mundo onde a autoridade não precisa de razão, apenas de posição. Os que carecem são mantidos por migalhas, não por falta de abundância, mas porque é assim que se perpetua o domínio.

O mesmo se dá nas sombras da fama e do heroísmo: de um lado os protagonistas da história, do outro os que aplaudem. Os que brilham, e os que se encantam com o brilho. Fãs olham de longe, heróis caminham acima. Os primeiros projetam sonhos, os segundos encarnam o inalcançável. E assim, de espelhos em espelhos, os papéis se fixam.

Cada um tem sua história — mas nem toda história tem voz. E os que caminham com o peso do silêncio sabem: a humanidade avança, mas não necessariamente evolui. O mundo gira, mas gira sempre para os mesmos.

E assim caminha a humanidade — entre muros invisíveis e pontes que não se constroem. Nada se tira, nada se cede. Apenas se mantém.

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Ressurgindo para a vida, Pedro e Eva

 

Ressurgindo para a vida, Pedro e Eva




(Uma declaração de amor)

Por Pedro Claudio à Eva Maria.

Ressurgindo para a vida,
como a flor que teima em brotar entre espinhos,
há sempre esperança, há sempre recomeços.
O amor — esse infinito que poetas ousam descrever,
e amantes vivem com fervor —
vence o silêncio, transforma a solidão em companhia.

Resiliência, resiliência!
Essa chama discreta que nos mantém em pé,
que ensina a ver o mundo com olhos mais limpos,
e a ter coragem, mesmo quando a alma vacila.

E então, no tempo da maturidade,
quando já trazemos cicatrizes e manias,
quando as certezas rareiam e os dias se tornam mais curtos,
encontrar alguém que olha na mesma direção
é mais que sorte — é graça, é o toque de Deus.

Pedro Cláudio Rosa e Eva Maria da Silveira,
vidas distintas, histórias que não pareciam cruzar,
mas corações dispostos a continuar vivendo,
a amar de novo, a rir de novo, a acreditar de novo.

No dia 29 de abril de 2023,
duas almas se reconheceram.
Num lugar simples, até inóspito,
nasceu um amor sereno e forte,
como nasce a rosa no deserto.

Desde então, caminhamos juntos,
com olhos nos mesmos sonhos,
com fé em cada passo, com gratidão por cada amanhecer.

Eva, minha companheira,
minha vida e a própria vida em flor.
Amo-te com a alma inteira,
e juntos vamos seguir, até onde Deus permitir.

Pois o amor habita em mim —
e em ti encontro o abrigo, o encanto,
o motivo de seguir escrevendo essa história,
nossa história, com mãos entrelaçadas e corações em uníssono.

28 de abril de 2025

 

Terra de Ninguém texto de 2017 ler sem anacronismo

 

Terra de Ninguém
Por Pedro Claudio Rosa

Num país onde a corrupção corre solta e a indignação popular é incapaz de reparar os danos infligidos aos cofres públicos, onde a revelação do crime não conduz à punição, mas a benefícios — prisão domiciliar em mansões, privilégios em celas confortáveis, com boa alimentação, entretenimento, banho de sol e convivência amistosa entre os encarcerados —, não se pode falar em seriedade.

Num país onde o trabalhador carrega nos ombros o fardo dos crimes de colarinho branco, onde as leis, sob o pretexto de justiça, são moldadas para perpetuar os privilégios dos ricos; onde se contribui por toda uma vida para uma aposentadoria que talvez nunca chegue; onde os pobres, nas filas dos hospitais públicos, são tratados com descaso e desumanidade — aqui, não há espaço para a esperança.

Aqui, igrejas erguem templos monumentais em nome de Deus, enquanto exploram a fé do povo, assegurando conforto e prestígio àqueles que deveriam ser apenas servos. Sob o manto da liberdade religiosa, instala-se a impunidade, e enganar o próximo torna-se prática cotidiana, sempre sem castigo.

Nesta terra do faz de conta, a transparência é opaca, a torpeza é uma promessa de futuro, o grito morre no vazio, a fé ilude, e a vida vale tão pouco quanto a bala de uma arma ou o corte sujo de uma faca.

Revolução? Para quê? Revoltar-se? Para quê? A quem recorrer?

Aqui, os salvadores da pátria tornam-se algozes; os heróis, vilões; os santos, demonizados; e os sonhos, pesadelos.

Despertar? Jamais! Acordar?... Não há esperança nesta terra de ninguém. Aqui, a vida pende sempre por um fio, e cada vintém pesa mais do que a dignidade.

Pedro Claudio Rosa
Um ninguém na multidão
Iporá, Goiás, 12 de novembro de 2017

Reflexão sobre a Democracia e a Interação nas Redes Sociais


 Reflexão sobre a Democracia e a Interação nas Redes Sociais

Por Pedro Claudio e Amigos -Jornalista:  Registro 0004144/GO

Iporá Goiás tarde de 28 de abril de 2025

Texto produzido por mim e compartilhado nas redes sociais tem gerado diversas reações entre amigos internautas. Isso é parte fundamental da democracia: toda pessoa tem o direito de viver e de expressar suas ideias, de acordo com sua visão de mundo, sua formação, sua interação social, sua vivência em comunidade familiar e seu grau de intelectualidade. O olhar que cada um tem sobre o mundo depende profundamente desses fatores. Vamos refletir!

Eis a publicação:

O que o Sr. Trump quer? Caos!
Por Pedro Claudio, Historiador

Acredito que sim — o Sr. Trump quer o caos. Mas não qualquer tipo de confusão. Ele deseja um tipo de desordem que o projete para a história, que o coloque ao lado de figuras como Alexandre, o Grande, Napoleão Bonaparte ou mesmo alguns antigos czares. Sua ambição parece ir além da política: ele quer ser lembrado, quer deixar uma marca.

Não há outra explicação plausível para sua postura tão incendiária. Trump não quer apenas governar; ele busca ser imortalizado como uma figura grandiosa — seja como herói ou como vilão. Seu objetivo não é simplesmente vencer eleições, mas destacar-se de forma definitiva na história da humanidade.

Atualmente, ele se apresenta como um azarão, um opositor do sistema, mas essa narrativa parece ser apenas uma peça de um jogo muito maior. O futuro ainda é incerto, e só o tempo dirá qual será seu papel definitivo nos livros de história.

Interessante observar as reações dos internautas:

  • Wanderley Alves: "O senhor Trump está tentando desmontar um esquema jamais visto na história e isso está incomodando a esquerda mundial, inclusive no Brasil. Este governo mantém os menos formados na pobreza extrema, numa espécie de cabresto através de programas sociais, em vez de investir na formação e capacitação dos cidadãos, especialmente no Nordeste. Muitos eleitores acreditaram que comeriam picanha, e vejam só o que está acontecendo!"
  • Vanda Lucia: "Verdade, Pedro."
  • Wanderley Alves (em resposta a Vanda Lucia): "Vamos olhar para nossos próprios umbigos e não tapar o sol com a peneira. Talvez a situação esteja cômoda para quem concorda ou tanto faz!"
  • Dalmi Alcantara: "Eu concordo contigo e penso mais: temos muitos 'Trumps' por aí. Só que alguns não têm objetivo algum, apenas irresponsabilidade, inconsciência e incompetência."
  • José Marcelo Oliveira: "Bom texto, Pedro Claudio. Esse é o raio-x da questão. Trump parece possuir acordos com outras potências para se tornar 'dono' do Ocidente, enquanto o Oriente fica para outros. Lamentável o surgimento de bestas assim."
  • Uilson Antônio: "Ele é emblemático. A estratégia que ele usa para governar é a mesma que ele emprega na gestão de suas empresas."
  • Célio Vanes: "Um doidivanas achando que é dono da Terra Redonda, com uma arma atômica nas mãos, 'atirando nos próprios pés'..."
  • Mauricio Silva Borges: "Uma coisa eu tenho certeza: os livros de história não vão contar que os bandidos de antes são os mesmos que estão escravizando o povo brasileiro hoje, com uma ditadura relativa. Go Trump!"
  • Rogério Monteiro: "Quando alguém enfrenta o sistema, incomoda muita gente. E pelo texto acima, vejo que ele está conseguindo. Os EUA deram um passo à frente, enquanto nós aqui demos um passo atrás. Azar nosso, sorte dos americanos!"
  • Maria Eleusa: "Meu amigo locutor e historiador!"
  • Diac Rosilei Ferreira Aparecida Eli: "Bom dia, amigo!"
  • Cleidnei Barbosa Machado: "Falando em caos, o Brasil está se afundando numa velocidade extrema, mas preferimos desviar o foco detonando o Trump..."
  • João Carlos Barreto: "Que bacana revê-lo. Abraço!"

As diferentes reações só reafirmam a riqueza de pensamentos e a diversidade de perspectivas que fazem parte da vida em sociedade. O debate, o contraditório e a livre expressão são pilares de qualquer democracia saudável. Cada olhar carrega suas experiências e sua própria visão de mundo — e é isso que torna o 

Minha História no Jornalismo: Entre a Pauteira e a Cabeceada


 


Minha História no Jornalismo: Entre a Pauteira e a Cabeceada

Atuo no jornalismo em rádio desde 1987, em Iporá, Goiás, numa época em que ainda pairavam os resquícios da censura e da vigilância sobre a imprensa, heranças amargas da ditadura. E quem conhece rádio de interior sabe: muitas vezes é preciso bater o escanteio e correr para cabecear — mas, graças a Deus, a comemoração é sempre coletiva.

Aprendiz ontem, aprendiz hoje. Em 2025, completo 38 anos de atividade e continuo aprendendo. Um episódio que marcou minha trajetória foi quando um advogado, em tom crítico, me chamou de "repórter inerte". No momento, foi difícil digerir, mas, mais tarde, compreendi a correção. O repórter não pode e não deve ficar parado. Desde então, passei a estar mais presente nas audiências do fórum, principalmente em pautas da área criminal. Visitava cartórios, delegacias, quartéis da Polícia Militar, criava relações de confiança e conquistava facilidades de acesso à informação. Estar onde a notícia acontece virou princípio: quem fica inerte corre o risco de contar apenas meias-verdades ou se pautar por uma única versão dos fatos, claro, hoje, temos outros meios, na na época sem celular, sem rede social, nem internet. telefone só discado e cada chamada tinha um valor a pagar.

Mais adiante, ao entrevistar um político, ouvi outra crítica: que eu fazia perguntas "capciosas". Agradeci. Para mim, foi um elogio. O repórter precisa ser ousado, fazer as perguntas que o povo quer ver respondidas, sem medo de deixar o entrevistado em situação desconfortável. O importante é manter-se sem partidarismo, sem ideologia, sem julgamento, apenas com o compromisso de inquirir e buscar a verdade. Isso é bom para toda a sociedade.

No entanto, não basta perguntar: é preciso checar, apurar, confirmar. Uma notícia mal apurada é como um remédio com a dosagem errada — pode causar sérios problemas. O desafio é grande, especialmente porque muitas vezes falta estrutura, e as empresas de comunicação, inevitavelmente, precisam equilibrar o ideal jornalístico com a realidade financeira.

Sobre as perguntas "capciosas", reafirmo: o repórter precisa ter responsabilidade, saber onde está pisando, ter clareza do objetivo e consciência da missão. Isso depende da formação do profissional, da sociedade em que vive, de seus valores e, no meu caso, de uma orientação cristã, católica, pautada pela Doutrina Social da Igreja. Perguntar sim, mas com coerência, checando antes de divulgar.

Político que trabalha apenas para si mesmo ou para um pequeno grupo deve, sim, se incomodar com uma imprensa atuante. Contestação é normal. Na história recente da polarização política no Brasil, todos — direita, esquerda e centro — reclamam da imprensa. Mas é importante lembrar: a função do jornalismo não é agradar; é informar. E deve fazer isso sem medo, mas com ética, formando consciências.

Isso não é ideologia; é fato. A imprensa não pode se dobrar a pressões e deve, sempre, sair da inércia. Que as perguntas incômodas, aquelas que perturbam, continuem existindo — sempre acompanhadas de apuração rigorosa dos fatos, doa a quem doer, inclusive a nós mesmos.

Pedro Cláudio
Comunicador e Jornalista em Iporá, Goiás
Desde 1987, sem interrupções — conhecendo histórias, registrando acontecimentos, entrando nos lares, fazendo amizades e construindo pontes. Iporá manhã de 28 de abril de 2025.