Por Pedro Claudio de Iporá Goiás 04 de maio de 2025
A vida é uma travessia desigual. Uns nascem prontos, outros precisam se construir aos pedaços. Alguns parecem ter sido colocados na linha de chegada enquanto outros mal encontram o ponto de partida. Entre os que se dão bem e os que lutam, estende-se um abismo silencioso — não apenas de oportunidades, mas de reconhecimento, de dignidade, de pertencimento.
Há uma distância quase sagrada entre os que dizem estar salvos e os que ainda buscam redenção. Religiosos se proclamam intermediários entre o céu e a terra, como se a salvação fosse propriedade sua, já garantida, já alcançada. Os fiéis, por sua vez, caminham, tropeçam, rezam, esperam. Talvez não pelo céu, mas por um olhar, uma escuta, uma resposta. E a distância entre os dois não é de fé, mas de poder.
Vivemos numa ordem onde poucos governam, mandam, interpretam e ensinam — e muitos obedecem, calam, aprendem o que lhes é permitido. Um mundo onde a autoridade não precisa de razão, apenas de posição. Os que carecem são mantidos por migalhas, não por falta de abundância, mas porque é assim que se perpetua o domínio.
O mesmo se dá nas sombras da fama e do heroísmo: de um lado os protagonistas da história, do outro os que aplaudem. Os que brilham, e os que se encantam com o brilho. Fãs olham de longe, heróis caminham acima. Os primeiros projetam sonhos, os segundos encarnam o inalcançável. E assim, de espelhos em espelhos, os papéis se fixam.
Cada um tem sua história — mas nem toda história tem voz. E os que caminham com o peso do silêncio sabem: a humanidade avança, mas não necessariamente evolui. O mundo gira, mas gira sempre para os mesmos.
E assim caminha a humanidade — entre muros invisíveis e pontes que não se constroem. Nada se tira, nada se cede. Apenas se mantém.
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