Mistérios da Existência
e os Caminhos da Salvação
Por Pedro Claudio Rosa
20 de julho de 2025

Os mistérios da
existência sempre inquietaram o coração humano. Desde os primórdios, os seres
vivos pensantes, nós, os humanos, buscamos compreender nosso propósito, nossa
origem e nosso destino. Para o homem de fé cristã, a resposta a essas perguntas
repousa nas Escrituras. A Bíblia é fonte de esperança e revelação. Ali
encontramos palavras que apontam para a vida após a morte e o consolo da
eternidade.
Quando Jesus, pregado na
cruz, olha para o lado e diz ao ladrão arrependido: “Em verdade te digo: ainda
hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23,43), Ele oferece não apenas a
promessa do Céu, mas também a misericórdia infinita de Deus. Em outros
momentos, como em João 11,25-26, Ele afirma: “Eu sou a ressurreição e a vida.
Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim
jamais morrerá”. Palavras que aquecem o coração de quem crê.
No entanto, não podemos
ignorar que essas mesmas promessas, por vezes, são distorcidas. Muitos se
aproveitam da fé alheia. Criam infernos sob medida, desenham demônios em cada
esquina, e oferecem o antídoto — desde que você entre no templo certo, pague o
valor certo, obedeça a autoridade certa. O medo vira moeda, e o paraíso, um
produto à venda. Como alerta Jesus em Mateus 7,15: “Cuidado com os falsos
profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelha, mas por dentro são
lobos devoradores”.
Nesse cenário, surge a
dúvida legítima: será que o simples fato de frequentar uma igreja, de doar
dinheiro, garante a salvação? E os que nunca ouviram falar de Jesus? E os que
nasceram sob outras crenças, outras culturas, outros deuses?
Um agnóstico
religioso — se essa expressão ousada pode ser usada —, pergunta: quais os
verdadeiros caminhos para a salvação? Será possível que um Deus justo e amoroso
condene alguém que viveu com bondade, mas sem conhecer o Cristo? Será que a fé
precisa, obrigatoriamente, de um rótulo e uma denominação?
É fato que a religião,
em muitos momentos da história, foi ferramenta de dominação. E também é fato
que, sem algum tipo de freio moral, o ser humano pode mergulhar no caos. Há,
sim, uma necessidade de ordem, de valores, de esperança que transcenda a vida
terrena. Talvez, mais do que o medo do inferno, o que nos move é o desejo de
viver com sentido, de fazer o bem, de amar e ser amados.
Jesus, acima de tudo,
ensinou o amor. “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (João 13,34). A fé
cristã genuína não se resume a normas ou templos, mas à vivência desse amor, ao
combate contra as injustiças, à solidariedade com os pobres, à promoção da paz.
Estar no templo pode
ser um alívio, um lugar de encontro com o divino. Mas cuidado: na luta contra a
manipulação, há o risco de endurecer o coração, tornar-se cético demais, frio
demais, e viver como os irracionais — sem fé, sem amor, sem esperança.
Somos pensantes. Isso
nos dá responsabilidade. Conforme Gênesis 2,7, “Então o Senhor Deus formou o
homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego da vida”. Do pó viemos e
ao pó retornaremos. Mas enquanto há fôlego, há missão.
Somos nada — diante da
eternidade — e, ao mesmo tempo, somos tudo, porque somos capazes de refletir,
de escolher, de amar. Não tenhamos medo de pensar. Mas não nos esqueçamos de sentir.
A razão é luz, mas o amor é chama. Que nosso caminho seja guiado por ambas.
Pense. Reflita. E,
sobretudo, ame.
Pedro Claudio,
pensando, no domingo 20 de julho de 2025
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