sexta-feira, 9 de maio de 2025

Jornalismo com economia, população prejudicada

 


Definhamos. E isso dói.
Por Pedro Claudio, na rádio desde 1987

09 de maio de 2025

Perdemos espaço. Perdemos força. Estamos encolhendo num tempo em que deveríamos crescer. O jornalismo local, antes vigoroso e influente, hoje luta para manter-se de pé. Digo isso com dor, mas também com a consciência de quem vive essa realidade há décadas.

Houve um tempo em que éramos ouvidos. Estávamos em todos — ou quase todos — os eventos da cidade. Nas sessões da câmara municipal, nas ações sociais das instituições, no Corpo de Bombeiros, na Polícia Civil e Militar, no Ministério Público e no Judiciário. Estávamos nos bairros, ouvindo o povo, entrevistando, questionando, dando voz às cooperativas, sindicatos e associações de moradores. Era um jornalismo presente, combativo, feito com equipe, estrutura e, principalmente, com propósito.

Com a chegada das redes sociais, tudo mudou. O cenário se reconfigurou para caber na lógica da velocidade e do alcance superficial. E nós, em vez de nos expandirmos, encolhemos. Perdemos espaço para mídias alternativas, muitas vezes conduzidas por pessoas sem preparo, sem formação ou estratégia — algumas até com diploma, mas guiadas apenas pela sobrevivência e lucro. Nesse vácuo, cresceram o discurso de ódio, a propaganda política sem questionamento, a informação sem filtro.

Por que deixamos de lutar por espaço? O primeiro golpe foi a estrutura. Antes, fazíamos jornalismo com, no mínimo, quatro pessoas: editor, coordenador de pauta, redator e dois repórteres. Tínhamos estúdio, produção local, jornal ao vivo em dois horários, veículo próprio com link direto da rua. Hoje? Uma só pessoa. Meia hora diária de conteúdo local. O resto são boletins prontos em rede. Sem carro, com ajuda de custo no combustível e tempo contado.

Com isso, deixamos de dar atenção ao que está perto — os problemas locais, os rostos conhecidos, as histórias reais da nossa gente. Focamos em conteúdo regional, estadual e até internacional. Mas quem fala do buraco na rua, da falta de médico no postinho, da escola que precisa de reforma?

Hoje, quem faz jornalismo mal consegue sair às ruas. Falta tempo para checar informações, para ouvir os dois lados, para estar onde as coisas acontecem. Cobrir eventos, especialmente noturnos e de fim de semana, virou desafio quase impossível.

É assim que estamos. Um novo tempo, sim. Mas não necessariamente melhor. Novas formas de fazer jornalismo, mas com velhos problemas: falta de estrutura, de pessoal, de apoio.

E seguimos. Mas não com o mesmo fôlego.

 

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