Definhamos.
E isso dói.
Por Pedro Claudio, na rádio desde 1987
09 de
maio de 2025
Perdemos espaço. Perdemos força. Estamos encolhendo
num tempo em que deveríamos crescer. O jornalismo local, antes vigoroso e
influente, hoje luta para manter-se de pé. Digo isso com dor, mas também com a
consciência de quem vive essa realidade há décadas.
Houve um tempo em que éramos ouvidos. Estávamos em
todos — ou quase todos — os eventos da cidade. Nas sessões da câmara municipal,
nas ações sociais das instituições, no Corpo de Bombeiros, na Polícia Civil e
Militar, no Ministério Público e no Judiciário. Estávamos nos bairros, ouvindo
o povo, entrevistando, questionando, dando voz às cooperativas, sindicatos e
associações de moradores. Era um jornalismo presente, combativo, feito com
equipe, estrutura e, principalmente, com propósito.
Com a chegada das redes sociais, tudo mudou. O
cenário se reconfigurou para caber na lógica da velocidade e do alcance
superficial. E nós, em vez de nos expandirmos, encolhemos. Perdemos espaço para
mídias alternativas, muitas vezes conduzidas por pessoas sem preparo, sem
formação ou estratégia — algumas até com diploma, mas guiadas apenas pela
sobrevivência e lucro. Nesse vácuo, cresceram o discurso de ódio, a propaganda
política sem questionamento, a informação sem filtro.
Por que deixamos de lutar por espaço? O primeiro
golpe foi a estrutura. Antes, fazíamos jornalismo com, no mínimo, quatro
pessoas: editor, coordenador de pauta, redator e dois repórteres. Tínhamos
estúdio, produção local, jornal ao vivo em dois horários, veículo próprio com
link direto da rua. Hoje? Uma só pessoa. Meia hora diária de conteúdo local. O
resto são boletins prontos em rede. Sem carro, com ajuda de custo no
combustível e tempo contado.
Com isso, deixamos de dar atenção ao que está perto
— os problemas locais, os rostos conhecidos, as histórias reais da nossa gente.
Focamos em conteúdo regional, estadual e até internacional. Mas quem fala do
buraco na rua, da falta de médico no postinho, da escola que precisa de
reforma?
Hoje, quem faz jornalismo mal consegue sair às
ruas. Falta tempo para checar informações, para ouvir os dois lados, para estar
onde as coisas acontecem. Cobrir eventos, especialmente noturnos e de fim de
semana, virou desafio quase impossível.
É assim que estamos. Um novo tempo, sim. Mas não
necessariamente melhor. Novas formas de fazer jornalismo, mas com velhos
problemas: falta de estrutura, de pessoal, de apoio.
E seguimos. Mas não com o mesmo fôlego.
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