
Por Pedro Claudio Rosa
Jornalista, radialista Diácono católico
Vivemos um momento
histórico marcado por conflitos de ideias e identidades. Em todo o mundo —
especialmente no Brasil e nos Estados Unidos —, o debate sobre o modo de viver
em sociedade tem se tornado cada vez mais intenso e polarizado. Questões como
desigualdade social, direitos civis, ideologias políticas e liberdade de
expressão estão no centro das discussões, muitas vezes mais carregadas de
emoção do que de razão.
É natural que, diante de
tantas mudanças e incertezas, as pessoas se sintam instigadas a defender suas
posições. O problema é quando a defesa de ideias transforma-se em ataque ao
outro. A polarização ideológica tem provocado um cenário preocupante de intolerância,
em que discordar virou sinônimo de hostilidade. Expressões como "sou de
esquerda" ou "sou de direita" têm se tornado rótulos que, em vez
de abrir diálogo, selam muros de exclusão e desconfiança.
A sociedade atual parece
dividir-se entre espectros ideológicos que, em muitos casos, sequer são
plenamente compreendidos. Termos como socialismo, comunismo, globalismo e
ideologia de gênero são utilizados, por vezes, sem o devido entendimento de
seus significados históricos e teóricos. O debate público torna-se raso,
alimentado por paixões e desinformações, ao invés de ser baseado em estudo,
escuta e reflexão.
Nesse contexto, é urgente
resgatar a importância do diálogo. Em tempos de intolerância, os verdadeiros
tolerantes devem agir com inteligência, disposição e equilíbrio. Nunca com
imposição. A convivência democrática exige escuta ativa: observar o outro sem
filtros ideológicos, tentar entender suas motivações, analisar os contextos. Só
então é possível formar um julgamento justo — não para combater o outro como
inimigo, mas para compreender que a diferença de opinião é parte essencial da
vida em sociedade.
Julgar não deve ser um
ato automático, e sim um processo fundamentado na empatia e no discernimento.
Ações precipitadas, ofensas nas redes sociais e atitudes de desdém não
constroem pontes. Ao contrário, reforçam abismos.
A pergunta que se impõe a
cada cidadão é: como me comporto diante do diferente? Qual é a minha postura
nas redes sociais, no ambiente de trabalho, nas rodas de conversa? Estou
contribuindo para uma sociedade mais democrática e justa ou apenas replicando intolerância
com novas roupagens?
O momento é desafiador,
sim — mas também é oportuno. O desafio está em agir com consciência e
sabedoria. O diálogo, ainda que difícil, é a via mais promissora para construir
uma sociedade menos agressiva e mais justa. É preciso, mais do que nunca,
abandonar o ódio e adotar o respeito. É hora de ouvir, refletir, compreender —
e só então agir.
Para quem busca entender
melhor o vocabulário político contemporâneo e os conceitos em debate, o G1
publicou uma reportagem útil: Globalismo, ideologia de gênero, politicamente correto: o que
significam os termos usados pela equipe de Bolsonaro.
O conhecimento é a base
do diálogo — e o diálogo, a ponte para o respeito mútuo.