Opinião | Imprensa não deve ser “faz de conta”; deve promover cidadania
Pedro Claudio Rosa
Fazer parte da imprensa é, ao mesmo tempo, privilégio e responsabilidade. É um exercício contínuo de aprendizado — com as pessoas, com os fatos e com o tempo. Ser jornalista é narrar a história diariamente, mas também contribuir para que ela seja melhor. Exige, acima de tudo, desprendimento: sair de si e olhar para o outro. É com esse espírito que se constrói uma comunicação comprometida com a sociedade.
A lembrança de profissionais que marcaram trajetórias reforça esse ideal. Muitos exerceram o jornalismo como missão, compreendendo que informar não é apenas relatar acontecimentos, mas dar sentido a eles com ética e respeito. É nesse contexto que se percebe o verdadeiro papel da imprensa: servir ao interesse público.
Em qualquer veículo de comunicação, há sempre uma linha editorial, uma estrutura empresarial e um conjunto de interesses que influenciam a forma como a notícia é apresentada. Ainda assim, cabe ao jornalista manter o compromisso com a verdade, reconhecendo que seu trabalho tem impacto direto na formação de opinião da sociedade.
O acesso privilegiado a fontes, informações e bastidores coloca o profissional de imprensa em posição de confiança. Ele se torna, muitas vezes, conselheiro e intermediador de realidades. No entanto, não é juiz nem dono da verdade. Sua função é oferecer elementos para que o cidadão compreenda o mundo de forma crítica, sem cair na ingenuidade ou na manipulação.
A liberdade de imprensa, consolidada no Brasil após decisões históricas como a revogação da antiga Lei de Imprensa pelo Supremo Tribunal Federal em 2009, ampliou o espaço para informar, investigar e denunciar. Mas essa liberdade vem acompanhada de responsabilidade. Não se trata de abrir espaço para o sensacionalismo ou para o desrespeito, mas de reforçar o compromisso com a verdade e com o equilíbrio.
A experiência acumulada ao longo de décadas revela que o mundo está em constante transformação. Mudam-se os meios, as tecnologias e as formas de comunicação. O que não deve mudar é o compromisso com a ética. Ideologias, muitas vezes, são utilizadas como ferramentas de persuasão e poder, e cabe à imprensa não se tornar instrumento dessas distorções.
Mais do que nunca, é necessário reafirmar: a imprensa não pode ser “faz de conta”. Deve ser instrumento de cidadania, de esclarecimento e de construção de uma sociedade mais consciente. Esse é o desafio permanente de quem escolhe viver da informação — e para ela.

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