domingo, 6 de janeiro de 2019

Em tempos de intolerância, o diálogo é a arma dos que ainda acreditam na democracia


Em tempos de intolerância, o diálogo é a arma dos que ainda acreditam na democracia

Por Pedro Claudio Rosa Jornalista, radialista Diácono católico

Vivemos um momento histórico marcado por conflitos de ideias e identidades. Em todo o mundo — especialmente no Brasil e nos Estados Unidos —, o debate sobre o modo de viver em sociedade tem se tornado cada vez mais intenso e polarizado. Questões como desigualdade social, direitos civis, ideologias políticas e liberdade de expressão estão no centro das discussões, muitas vezes mais carregadas de emoção do que de razão.

É natural que, diante de tantas mudanças e incertezas, as pessoas se sintam instigadas a defender suas posições. O problema é quando a defesa de ideias transforma-se em ataque ao outro. A polarização ideológica tem provocado um cenário preocupante de intolerância, em que discordar virou sinônimo de hostilidade. Expressões como "sou de esquerda" ou "sou de direita" têm se tornado rótulos que, em vez de abrir diálogo, selam muros de exclusão e desconfiança.

A sociedade atual parece dividir-se entre espectros ideológicos que, em muitos casos, sequer são plenamente compreendidos. Termos como socialismo, comunismo, globalismo e ideologia de gênero são utilizados, por vezes, sem o devido entendimento de seus significados históricos e teóricos. O debate público torna-se raso, alimentado por paixões e desinformações, ao invés de ser baseado em estudo, escuta e reflexão.

Nesse contexto, é urgente resgatar a importância do diálogo. Em tempos de intolerância, os verdadeiros tolerantes devem agir com inteligência, disposição e equilíbrio. Nunca com imposição. A convivência democrática exige escuta ativa: observar o outro sem filtros ideológicos, tentar entender suas motivações, analisar os contextos. Só então é possível formar um julgamento justo — não para combater o outro como inimigo, mas para compreender que a diferença de opinião é parte essencial da vida em sociedade.

Julgar não deve ser um ato automático, e sim um processo fundamentado na empatia e no discernimento. Ações precipitadas, ofensas nas redes sociais e atitudes de desdém não constroem pontes. Ao contrário, reforçam abismos.

A pergunta que se impõe a cada cidadão é: como me comporto diante do diferente? Qual é a minha postura nas redes sociais, no ambiente de trabalho, nas rodas de conversa? Estou contribuindo para uma sociedade mais democrática e justa ou apenas replicando intolerância com novas roupagens?

O momento é desafiador, sim — mas também é oportuno. O desafio está em agir com consciência e sabedoria. O diálogo, ainda que difícil, é a via mais promissora para construir uma sociedade menos agressiva e mais justa. É preciso, mais do que nunca, abandonar o ódio e adotar o respeito. É hora de ouvir, refletir, compreender — e só então agir.

Para quem busca entender melhor o vocabulário político contemporâneo e os conceitos em debate, o G1 publicou uma reportagem útil: Globalismo, ideologia de gênero, politicamente correto: o que significam os termos usados pela equipe de Bolsonaro.

O conhecimento é a base do diálogo — e o diálogo, a ponte para o respeito mútuo.


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