sexta-feira, 27 de maio de 2016

Mundo secularizado, religioso ridicularizado, estamos a beira do abismo.


Foto - Padre Rodrigo e Pedro Claudio

Diante desse cenário, torna-se cada vez mais urgente recuperar o sentido crítico e a liberdade interior. Não se trata de negar os avanços da ciência ou da tecnologia, mas de recolocá-los no devido lugar: como instrumentos a serviço da pessoa humana, e não como novos deuses a ditar comportamentos, valores e consciências. Quando o homem abdica de pensar por si mesmo e passa a repetir discursos prontos, embalados por narrativas sedutoras, perde-se não apenas a identidade cultural, mas também a capacidade de escolher o bem com responsabilidade.

Os ideais cristãos, muitas vezes taxados de ultrapassados, continuam sendo profundamente atuais exatamente por apontarem para a dignidade da pessoa, o valor da vida, o respeito mútuo e a centralidade do amor. O que parece “antigo” aos olhos do mundo é, na verdade, um contraponto necessário a uma sociedade marcada pelo imediatismo, pelo relativismo moral e pela superficialidade das relações. A fé, quando bem compreendida, não aliena; ao contrário, ilumina a razão e fortalece a consciência.

É preciso, portanto, educar o olhar e o coração para discernir. Nem tudo o que é exibido merece ser absorvido, nem toda novidade representa progresso. O verdadeiro avanço humano acontece quando há equilíbrio entre razão, ética e espiritualidade. Sem esse tripé, a sociedade corre o risco de caminhar tecnologicamente para frente, mas moralmente para trás.

Talvez este seja o grande desafio do nosso tempo: reaprender a viver com sobriedade, silêncio interior e responsabilidade, resgatando valores que não envelhecem porque estão enraizados na verdade. Somente assim poderemos atravessar as ondas midiáticas sem naufragar, mantendo firmes as virtudes que sustentam a vida em comunidade — a fé que dá sentido, a esperança que impulsiona e a caridade que humaniza.

Por Pedro Claudio Rosa
Iporá – Goiás

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