domingo, 25 de junho de 2017

2017 Rede de alta tensão em Iporá: 5 mortes e riscos constantes, CELG quer saída dos moradores.

Advogado move ação para retirada de rede de alta tensão que passa sobre casas em Iporá

Moradores vivem sob risco de morte e reivindicam retirada da estrutura instalada desde a década de 1970; CELG defende reintegração de posse

O advogado João Antônio Francisco ingressou na Justiça com uma ação civil contra a CELG (Companhia Energética de Goiás) exigindo a retirada de uma rede de alta tensão que passa diretamente sobre cerca de 90 residências no município de Iporá, no Oeste goiano. Segundo ele, a presença da estrutura representa risco iminente à vida dos moradores e já causou, ao menos, cinco mortes na cidade.

Entre as vítimas está o trabalhador Hélio Alves de Souza, de 35 anos, que morreu em 2016 ao sofrer uma descarga elétrica enquanto construía uma casa no setor Bela Vista. Hélio teve 70% do corpo queimado após, segundo relatos, tocar acidentalmente em um dos fios da rede.

Na petição, João Antônio argumenta que a rede foi instalada durante o governo do presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), época em que a área era desabitada. Com o crescimento urbano de Iporá nas últimas décadas, dezenas de famílias passaram a construir no local, muitas delas com escritura registrada dos imóveis e fornecimento regular de energia elétrica.

“O que queremos é a retirada da rede. Esse é o sonho dos moradores. Não se pode colocar a culpa na população que construiu legalmente em seus terrenos. A CELG é que precisa se adequar à nova realidade urbana”, afirmou o advogado. Ele contesta ainda o pedido de reintegração de posse feito pela empresa, que pretende retirar os moradores da área sob a justificativa de que a ocupação é irregular.

A CELG, por sua vez, sustenta que a rede de transmissão foi erguida legalmente na década de 1970 e que os moradores construíram sob os fios de maneira indevida, descumprindo as normas de segurança que exigem uma distância mínima de seis metros de cada lado da rede. A companhia afirma que já notificou a Prefeitura de Iporá e os próprios moradores sobre os riscos, sem sucesso.

O caso tem mobilizado a comunidade local há anos. Um movimento popular pela retirada da rede foi articulado há cerca de duas décadas, sem avanços significativos. Agora, a ação judicial representa uma nova esperança para as famílias que vivem cotidianamente sob fios de altíssima tensão.

A Justiça ainda não decidiu sobre o pedido liminar de remoção da estrutura. Até lá, os moradores seguem convivendo com o medo constante de novos acidentes.



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