quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Editorial — O papel da imprensa e o valor do jornalismo local

 


Editorial — O papel da imprensa e o valor do jornalismo local

Na foto: Pedro Claudio e Valdeci Marques, em final de 2025, avaliando publicação divulgada na página Oeste Goiano (oestegoiano.com.br).

A imprensa cumpre um papel essencial em qualquer sociedade democrática: informar, contextualizar, fiscalizar o poder e estimular o debate público. É por meio dela que fatos ganham sentido, versões são confrontadas e a população encontra subsídios para formar opinião. No entanto, ao observar o noticiário nacional, sobretudo nos grandes conglomerados de comunicação, percebe-se um fenômeno cada vez mais evidente: conteúdos praticamente idênticos circulando em diferentes plataformas, com pequenas variações de enfoque, linguagem ou título.

Publicações em portais como G1, UOL, Veja, IstoÉ e outros frequentemente apresentam as mesmas informações, estruturadas de forma semelhante, como se houvesse um roteiro previamente estabelecido. Muda-se a ordem dos parágrafos, ajusta-se o tom, mas o núcleo da narrativa permanece igual. A sensação é de que todos falam a mesma coisa, ao mesmo tempo, com pouca ou nenhuma informação realmente diferenciada. Não se trata, necessariamente, de “copiar”, mas de uma prática que privilegia a reprodução rápida do conteúdo já disponível, em detrimento da apuração aprofundada, da investigação própria e da busca por exclusividade.

Produzir matérias com enfoque distinto sobre o mesmo fato é, sem dúvida, mais econômico e menos arriscado. Exige menos tempo, menos recursos e quase nenhuma pesquisa avançada. Contudo, essa lógica empobrece o debate público e reduz a diversidade de interpretações, algo essencial para uma sociedade plural. Grandes veículos, justamente por disporem de estrutura, profissionais especializados e acesso às esferas de poder, poderiam — e deveriam — investir mais em reportagens exclusivas, análises originais e pautas que fujam do lugar-comum.

É nesse cenário que os veículos locais e regionais ganham relevância. O jornalismo do interior, mesmo com limitações técnicas, financeiras e de alcance, possui um diferencial inegável: a proximidade com os fatos, com as pessoas e com a realidade cotidiana. É ele que acompanha de perto os problemas da comunidade, debate questões locais, dá voz a quem raramente aparece no noticiário nacional e revela realidades que não cabem nas grandes manchetes.

É verdade que o jornalismo regional não dispõe da mesma expertise, nem do mesmo poder de influência dos grandes meios. Falta, muitas vezes, estrutura, reconhecimento e valorização. Ainda assim, há mérito e importância no chamado “jornalismo feito a machado”: aquele construído com esforço, persistência e compromisso, muitas vezes na simplicidade, sem ser simplório. Nessa prática, informar, orientar e até influenciar positivamente a sociedade torna-se possível, mesmo sem holofotes.

Assim seguimos na região Oeste de Goiás. Nem sempre valorizados como deveríamos, mas convictos de que resultados positivos são alcançados. O jornalismo local, quando exercido com responsabilidade e ética, cumpre sua missão fundamental: servir à comunidade, fortalecer a cidadania e manter viva a essência da imprensa — a de ser ponte entre os fatos e a sociedade.

Pedro Claudio

 

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