Por Pedro Claudio Rosa
Na madrugada de 19 de janeiro de 2020, parte do meu
mundo desabou: faleceu Marlene Eva de Paula Rosa, minha digníssima e eterna
esposa, como eu a chamava. Não há tempo que cure essa dor; a ferida não se
fecha. Mesmo passados — hoje, 2 de maio de 2020 — exatos 104 dias, o tempo sem
ela é como comida sem tempero: tudo se tornou insosso, sem gosto.
O que me mantém de pé, mesmo em meio à perturbação da
alma, é a missão que me foi dada: cuidar dos filhos, acolher o amor dos
parentes, dos amigos e da comunidade, e, sobretudo, sustentar-me na fé que
recebi de meus pais e da Sagrada Escritura.
"Irmãos, não queremos deixar-vos na
ignorância quanto aos que adormeceram, para que não fiqueis tristes como os
outros que não têm esperança. Com efeito, se cremos que Jesus morreu e
ressuscitou, cremos igualmente que Deus, por meio de Jesus, reunirá consigo os
que adormeceram. Eis o que temos a vos dizer, de acordo com a Palavra do
Senhor: Nós, os vivos, os que permanecermos até a vinda do Senhor, não
passaremos à frente dos que tiverem adormecido, pois o Senhor mesmo, à sua
ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, descerá do céu. E os que
morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os que
permanecermos, seremos arrebatados, junto com eles, entre nuvens, ao encontro
do Senhor nos ares. E, assim, estaremos sempre com o Senhor."
(1Ts 4,13-17 — Bíblia Sagrada, tradução oficial da CNBB)
A morte, na minha condição humana, me abate. Mas a
certeza da ressurreição e do reencontro com todos os que amo me fortalece e
reanima.
Vivendo aqui em Sacramento, como cristão católico,
creio fielmente no que está escrito:
"De modo que eles já não são dois,
mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe."
(Mt 19,6)
Unidos para sempre pela Palavra de Deus.
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