
terça-feira, 9 de junho de 2020
Iporá: Justiça suspende decreto municipal que flexibilizou funcionamento do comércio.

domingo, 7 de junho de 2020
Entre o Espanto e a Resistência: A Crônica de uma Democracia em Xeque

Entre o Espanto e a Resistência: A Crônica de uma Democracia em Xeque
Por Pedro Claudio jornalista
Nos últimos anos, o Brasil tem vivido um turbilhão político, jurídico e midiático que colocou em xeque as estruturas da sua jovem democracia. A sensação de ameaça iminente à ordem democrática, para muitos, não é fruto de redes sociais ou teorias conspiratórias, mas sim do que se viu, ao vivo, em rede nacional. A televisão, em especial a TV Globo, desempenhou um papel central nesse processo — muitas vezes controverso, outras vezes decisivo.
A emissora mais influente do país assumiu um tom editorial implacável com o Partido dos Trabalhadores (PT). A cobertura extensa e incisiva da Operação Lava Jato associou, com insistência, o partido ao epicentro da corrupção nacional. Ainda que os desvios tenham atingido diversas siglas, o foco recaiu sobre o PT, empurrando-o para o descrédito popular. Mesmo assim, Fernando Haddad chegou ao segundo turno nas eleições presidenciais de 2018, o que mostra que a polarização já havia se instalado de forma profunda.
Do lado do próprio PT, as críticas também são severas. A legenda, segundo essa leitura, não conseguiu separar o joio do trigo dentro de sua estrutura, tampouco apresentou uma autocrítica convincente. Em vez de reconhecer erros concretos, preferiu contestar denúncias mesmo diante de provas robustas. Um comportamento que minou ainda mais sua credibilidade e o afastou de parte do eleitorado que ansiava por renovação e transparência.
O Judiciário, que deveria ser o guardião da imparcialidade, também teve seu protagonismo questionado. O então juiz Sérgio Moro, alçado a herói nacional, condenou e retirou da disputa presidencial o ex-presidente Lula, em uma decisão que anos depois seria anulada. Sua posterior entrada na política e nomeação como ministro do presidente beneficiado pela sua decisão judicial lançaram sombras sobre sua imparcialidade. O que poderia ter sido um legado de combate à corrupção virou um caso emblemático de conflito de interesses.
Nesse cenário, emergiu um novo líder. Com uma retórica simples e agressiva, alinhado a pautas conservadoras, especialmente as defendidas por setores evangélicos, Jair Bolsonaro encontrou espaço no vácuo deixado pelos partidos tradicionais. Sua estratégia incluiu críticas constantes à mídia, promessas de ruptura com “tudo isso que está aí” e ataques sistemáticos aos movimentos sociais e instituições democráticas.
O resultado foi um governo que, em muitos momentos, flertou com o autoritarismo. Ministros hostilizaram governadores, ameaçaram integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), e tentaram instrumentalizar a pandemia de covid-19 para ganhos políticos. A retórica agressiva contaminou o debate público e empurrou o país para um clima de permanente tensão.
Diante desse quadro, a comunicação virou campo de batalha. O que antes era considerado verdade passou a ser tratado como manipulação; o que era inaceitável virou rotina. Vivemos um tempo onde se questiona até mesmo os fundamentos do Estado Democrático de Direito — com setores da população pedindo o retorno de uma ditadura e atacando as instituições republicanas.
O Brasil se encontra diante de uma encruzilhada histórica. A história que será escrita nos próximos anos dependerá da capacidade de reconstruir pontes, valorizar a verdade, restaurar a confiança nas instituições e revalorizar a política como instrumento de transformação — não de destruição.
Como diz o velho ditado, “quem viver verá”. Mas é preciso estar atento e forte. A democracia não é um dado, é uma conquista diária. E ela, hoje, está mais ameaçada do que nunca.
sábado, 9 de maio de 2020
Ex-Prefeito de Iporá, pré candidato é condenado
Danilo Gleic, prefeito
de Iporá na gestão 2013-2016, foi condenado em primeira instância pela justiça
em processo referente a um caso ocorrido em seu mandato e denunciado pelo
ministério público em 2016.
A decisão foi proferida pelo titular da 1ª Vara Cível e Criminal da comarca de Iporá, juiz Samuel João Martins que acolheu a argumentação do Ministério Público de Goiás de que o então prefeito Danilo teria deixado de cumprir ordem judicial, ele foi condenado a 11 meses de detenção em regime aberto, mas a pena privativa de liberdade foi substituída por uma restritiva de direito consistente na prestação de serviços à comunidade.
Os promotores de
justiça da procuradoria de Justiça Especializada em Crimes Praticados por
Prefeitos alegaram que o então gestor não explicou à época o motivo da recusa
ou da impossibilidade, devido a isso foi denunciado.
SOBRE o caso
A pedido do MP-GO a
justiça ordenou que o município de Iporá providencie tratamento psiquiátrico a
uma criança, então com 6 anos, inclusive com atendimento psicológico clínico
por meio do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas),
com o devido acompanhamento psicossocial de toda a família.
A sentença saiu,
quinta-feira, dia 07 de maio de 2020, conforme a notícia publicada no site do
MP.
Os advogados Tauã de
Paula Rosa e Claiton Alves dos Santos, que estão realizado a defesa de Danilo
Gleic, em nota, criticaram a sentença, e afirmaram que o ex prefeito cumpriu
com sua função de gestor e não possui culpa, pois remeteu a decisão para seus
assistentes técnicos para cumprirem com a determinação. Os advogados vão
recorrer, e estão confiantes na absolvição.
Diz a nota:
“Trata-se de uma
decisão proferida no ano de 2014, em que o juiz determinou que a Prefeitura de
Iporá promovesse uma avaliação psiquiátrica em uma criança, e, se fosse o caso,
já iniciar os tratamentos médicos.
Ocorre que Danilo
Gleic, à época em que era prefeito, ao receber os mandados de intimação, já
remeteu para as assistências social e jurídica para dar cumprimento a
determinação judicial, exercendo, a sua função de gestor municipal.
O chefe do Poder Executivo municipal possui assistências técnicas para conseguir prestar um serviço público com qualidade e, por tais razões, é preciso descentralizar tarefas, motivo pelo qual é essencial remeter os mandados para os assistentes competentes à cumprirem com a imposição judicial.
No caso em apreço, os servidores do CREAS (Centro de Referência de Assistência Social) estavam com estrema dificuldade em localizar a criança e sua genitora para o acompanhamento, e isso foi devidamente justificado, por ofício, ao juiz que proferiu a decisão. E mesmo com dificuldades, o CREAS realizou o acompanhamento psicossocial à criança.
A Prefeitura de Iporá,
por meio do Hospital Municipal, solicitou autorização para o Hospital São
Cotollengo, em Goiânia, a fim de acompanhar a criança com diagnóstico inicial
de transtornos hipercinéticos, já que o município não detinha médico
especializado, nem mesmo na saúde privada tinha especialista. Com isso, a
criança entrou na fila de espera, mesmo com solicitação de vaga feita com
urgência.
Assim, não houve
descumprimento por culpa do Prefeito Municipal, que exerceu com sua função de
forma correta, tanto é que além deste processo criminal, existe outro que está
tramitando na área cível pelo mesmo fato, em uma ação de improbidade. Neste
processo cível, Danilo Gleic teve julgamento favorável, e mesmo com recurso do
Ministério Público, o Tribunal de Justiça manteve decisão a seu favor,
justamente por ter cumprindo com sua função de gestor municipal.
A defesa, assim que for
intimada, vai recorrer ao Tribunal de Justiça, e como no outro processo, tem
certeza da absolvição de Danilo Gleic.
Tauã de Paula Rosa
(OAB/GO n. 49038)
Claiton Alves dos
Santos (OAB/GO n. 12118)”.
sábado, 2 de maio de 2020
A dor é minha companhia, a saudade meu carma, a ressurreição a esperança.
Por Pedro Claudio Rosa
Na madrugada de 19 de janeiro de 2020, parte do meu
mundo desabou: faleceu Marlene Eva de Paula Rosa, minha digníssima e eterna
esposa, como eu a chamava. Não há tempo que cure essa dor; a ferida não se
fecha. Mesmo passados — hoje, 2 de maio de 2020 — exatos 104 dias, o tempo sem
ela é como comida sem tempero: tudo se tornou insosso, sem gosto.
O que me mantém de pé, mesmo em meio à perturbação da
alma, é a missão que me foi dada: cuidar dos filhos, acolher o amor dos
parentes, dos amigos e da comunidade, e, sobretudo, sustentar-me na fé que
recebi de meus pais e da Sagrada Escritura.
"Irmãos, não queremos deixar-vos na
ignorância quanto aos que adormeceram, para que não fiqueis tristes como os
outros que não têm esperança. Com efeito, se cremos que Jesus morreu e
ressuscitou, cremos igualmente que Deus, por meio de Jesus, reunirá consigo os
que adormeceram. Eis o que temos a vos dizer, de acordo com a Palavra do
Senhor: Nós, os vivos, os que permanecermos até a vinda do Senhor, não
passaremos à frente dos que tiverem adormecido, pois o Senhor mesmo, à sua
ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, descerá do céu. E os que
morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os que
permanecermos, seremos arrebatados, junto com eles, entre nuvens, ao encontro
do Senhor nos ares. E, assim, estaremos sempre com o Senhor."
(1Ts 4,13-17 — Bíblia Sagrada, tradução oficial da CNBB)
A morte, na minha condição humana, me abate. Mas a
certeza da ressurreição e do reencontro com todos os que amo me fortalece e
reanima.
Vivendo aqui em Sacramento, como cristão católico,
creio fielmente no que está escrito:
"De modo que eles já não são dois,
mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe."
(Mt 19,6)
Unidos para sempre pela Palavra de Deus.
Vidas em risco
Mistério na região Oeste de Goiás: homem desaparecido desde fevereiro, 3 suspeitos foram presos.
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casa onde residia Pedro |
Para manter a democracia é preciso ter, coragem, A QUEM DIGA e dinheiro. Será?.
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quarta-feira, 30 de outubro de 2019
Destempero que pode levar a ruína
Opinião Pedro Claudio - Licenciado em História UEG, 32 anos de radiojornalismo comunitário. Escrito em 30/10/2019
sábado, 14 de setembro de 2019
Brasil em chamas: entre a crise ambiental e o colapso moral

Por Pedro Claudio Rosa –
Licenciado em História, Jornalista, Radialista e Diácono Permanente na Igreja
Católica Apostólica Romana
Vivemos tempos difíceis
em todo o Brasil. Não bastasse a instabilidade política, a polarização
ideológica, as reformas controversas — trabalhista, previdenciária —, e os
escândalos que abalaram as instituições, como a Lava Jato e a Vaza Jato, o país
ainda enfrenta um cenário alarmante de devastação ambiental. É fogo por todos
os lados. Os meses de julho, agosto e setembro de 2019, no pleno século XXI,
registraram uma onda de incêndios que consumiram grandes áreas do Cerrado, da
Mata Atlântica e da Amazônia. A fauna e a flora sofrem; os rios secam. O país
arde em chamas — literal e simbolicamente.
Em meio ao caos, até a
rádio, meio de comunicação considerado por muitos obsoleto, transmite o clamor
desesperado de líderes indígenas pela proteção dos Caiapós e de outras
comunidades ameaçadas. A situação remete àqueles tempos antigos em que, na
ausência de explicações científicas, buscava-se sentido nos desígnios divinos.
Se estivéssemos na Idade Média, talvez tudo isso fosse visto como um castigo de
Deus pelos pecados da humanidade.
Mas hoje, os estudiosos
apontam causas bem mais concretas: o tempo seco, a ganância desmedida, o avanço
descontrolado do agronegócio e o uso político do fogo, inclusive como
instrumento de pressão e desestabilização. Fato é que o ser humano — esse ser
racional — parece ter abdicado da razão. Vivemos um tempo em que a ignorância
veste capa de convicção, e o individualismo se sobrepõe ao bem comum.
Recordo com saudade dos
tempos da minha infância, nas décadas de 70 e 80, quando a fé popular era forte
nesta região. Via minha mãe, Luzia Joaquina Rosa, rezar ao pé do cruzeiro, com
flores e água, pedindo chuva. E a chuva vinha. Hoje, parece que perdemos até a
fé. Acumulamos diplomas, debatemos teologia, discutimos política, mas
esquecemos de amar, de cuidar, de viver com compaixão.
A polarização nos
fragmenta. Ser de direita ou de esquerda virou rótulo de guerra. Uns defendem o
crescimento econômico e a propriedade privada, outros os direitos humanos e a
igualdade social. Mas ninguém parece disposto a enxergar que estamos todos no mesmo
barco — e que ele está fazendo água. Em vez de unirmos esforços para salvar o
que resta, preferimos discutir quem tem razão, enquanto afundamos.
Falta-nos inteligência
emocional e espiritual para compreender a gravidade da situação. Falta-nos
humildade para reconhecer erros e coragem para mudar. Falta-nos fé — não apenas
religiosa, mas fé no ser humano, no coletivo, na esperança.
Talvez seja hora de rezar
mais. A oração pode não mudar o clima de imediato, mas pode mudar corações. E
corações transformados são capazes de atitudes novas. Oremos, sim — mas também
plantemos, cuidemos, eduquemos, escutemos.
Porque, do jeito que
vamos, só nos restará o vazio de uma terra arrasada e o eco de nossas próprias
escolhas. E que Deus tenha piedade de nós.
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
É preciso proteger melhor o meio ambiente
Bandeira de Iporá |
Morte na G0 060, no período de emergência decretado pelo Governo.

O que causa estranheza é o silencio do governo para essa situação, não se fala em como será a recuperação, reconstrução da ponte, obra iniciada e parada. O decreto de emergência serviu pra quê?
sexta-feira, 6 de setembro de 2019
Mundo atual, eu tenho a força
Crônica: A minha força pode expor minha fraqueza
Por Pedro Cláudio
Vivemos tempos em que o grito é confundido com razão,
e a força — muitas vezes disfarçada de opinião — nada mais é que a máscara de
uma fragilidade mal resolvida. Há em nós, humanos, uma mania antiga e
persistente: querer conduzir o enredo, ditar o rumo, escrever o último capítulo
da história como se fôssemos os únicos autores da verdade.
Isso sempre existiu, mas neste início de século XXI,
tornou-se um espetáculo diário. Nas redes sociais, qualquer um se transforma em
especialista. Não importa o tema: ciência, política, religião ou até
meteorologia. O saber cede espaço à convicção. Não se consulta a fonte,
ignora-se o contexto, e o pretexto é sempre o mesmo — eu tenho o direito de
opinar.
Sim, todos temos esse direito. Mas o que poucos
lembram é que junto dele vem o dever da responsabilidade. Quando a minha força
de opinar se torna uma imposição, quando transformo minha voz em sentença e meu
palanque em tribunal, corro o risco de revelar, sem perceber, a minha maior
fraqueza: o medo de estar errado.
E aí está o problema. Passo a desqualificar tudo que
me contraria. Se a notícia me incomoda, o problema não sou eu — é o jornal, é a
imprensa, é o jornalista. De um segundo para o outro, passo a rotular: esquerdista,
direitista, comunista, golpista, vendido. O adjetivo que escolho depende, é
claro, da minha própria posição diante dos fatos.
Em vez de mudar de canal, desligar a TV, rolar a tela
para cima ou buscar uma nova fonte, faço questão de consumir o conteúdo só para
atacá-lo. Parece contraditório, e é. Mas também é humano. E perigoso.
Mais perigoso ainda é quando essa opinião rasa ganha
microfone, púlpito, tribuna. Quando uma liderança, escolhida para representar
um grupo, ignora o coletivo e impõe a sua visão como se fosse única. Essa força
performática, teatral, gritante — que se pretende firmeza — pode colocar em
risco todo um conjunto que não foi consultado, mas que será julgado pela fala
de um só.
A humanidade, que já assistiu “bestializada” a muitos
absurdos, como bem descreveu Aristides Lobo em 1889, agora assiste atônita às
novas formas de manipulação. Lutamos ao lado de quem prega a intolerância,
idolatramos discursos que ignoram os pobres, inferiorizam os negros, vilanizam
os indígenas. E tudo isso em nome de um progresso que não hesita em arrancar
árvores, contaminar rios, sufocar florestas.
Talvez um dia sejamos capazes de entender que a
verdadeira força está em saber ouvir. Que o verdadeiro poder está em recuar,
reconhecer limites, permitir o contraponto. E que a maturidade não se mede em
decibéis, mas na sabedoria de saber quando calar é o maior gesto de respeito.
Porque, no fim das contas, a minha força — quando
usada para calar o outro — não passa de um reflexo do que mais me apavora: o
vazio que grita dentro de mim.
sábado, 31 de agosto de 2019
Prefeita de Doverlandia Go internada no HUGOL em Goiânia após cair de mula.
terça-feira, 27 de agosto de 2019
Polícia Civil de Goiás se prepara para o combate a corrupção.
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Produção academica em Iporá, preocupação com meio ambiente.



Crianças orientadas para evitar incêndios


quinta-feira, 22 de agosto de 2019
GO 174 , Diorama a Montes Claros de Goiás, uma novela sem fim. Começa mais um capitulo
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Valéria e depu. Karlos - Foto Assessoria |
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Foto; assessoria |
2019 Mineração é um cavalo de Tróia para as cidades.
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Jarbas Vieira - MAM |
Rede Diocesana alerta:
mineração pode representar riscos para comunidades locais
Por Pedro Claudio
A Rede Diocesana de
Rádio, atenta aos fatos que impactam a vida da população, reforça seu papel de
conscientização e reflexão crítica sobre temas que muitas vezes chegam à
sociedade de forma distorcida ou superficial. Um desses temas, que ganha
destaque, é a mineração — atividade cercada de promessas de progresso,
mas que pode esconder graves consequências sociais e ambientais.
O que para muitos
municípios parece um atalho para o desenvolvimento econômico, pode se revelar
um verdadeiro “fogo de palha”: brilha intensamente no início, mas logo se
apaga, deixando apenas cinzas e prejuízos. Essa é a avaliação de Jarbas
Vieira, representante do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração
(MAM), organização que atua desde 2002 junto às comunidades afetadas por
empreendimentos minerários no Brasil.
O caso de Iporá: alívio
disfarçado
Em meados dos anos 2000,
a cidade de Iporá, no Oeste de Goiás, chegou a vislumbrar a instalação
de um projeto de exploração de níquel, o que trouxe expectativas de
geração de empregos e aquecimento econômico. No entanto, com a crise financeira
global de 2008, o projeto foi interrompido — e hoje, para especialistas, como o
professor Valdir Specian, geógrafo da UEG de Iporá, essa “frustração”
pode ter sido uma sorte disfarçada.
Segundo o professor, o
município escapou de uma série de impactos que costumam acompanhar esse tipo de
atividade, e que são observados em dezenas de outras cidades do país.
Efeitos colaterais da
mineração
Jarbas Vieira explica que
a chegada de grandes projetos minerários altera profundamente a rotina e a
estrutura social dos municípios. “Quando uma mina se instala, vem uma leva de
trabalhadores de várias regiões do país. Isso gera aumento da prostituição, do
consumo de drogas, da violência, da exploração sexual — inclusive de menores —
além de outras formas de degradação social”, afirma.
Para ele, o retorno
financeiro para as cidades é ínfimo frente aos prejuízos. “As comunidades arcam
com as consequências ambientais, como a contaminação das águas e o
desmatamento, e também perdem sua identidade e modo de vida. Tudo isso para
atender a interesses econômicos externos, que nada deixam de legado positivo”.
Panorama nacional:
impacto em 3.500 municípios
Hoje, mais de 2.000
municípios brasileiros recebem a Compensação Financeira pela Exploração
Mineral (CFEM), conhecida como o "royalties da mineração". Além
disso, o MAM estima que outros 1.500 municípios enfrentam a mineração de
forma irregular ou ilegal. Somados, são cerca de 3.500 cidades onde o
extrativismo mineral está presente.
O Brasil concentra 92%
da sua mineração legalizada em apenas três estados: Minas Gerais, Goiás
e Pará, com 62 municípios abrigando as maiores operações minerárias. Apesar
da magnitude econômica, o impacto real sobre as comunidades locais é motivo de
grande preocupação.
Consciência e resistência
Organizado em 13
estados brasileiros, o MAM atua com ações concretas para ampliar o debate
sobre os direitos das populações locais e os limites da mineração predatória. A
proposta do movimento é que a atividade mineral seja repensada com base na
soberania popular, respeitando os limites ambientais e sociais de cada
território.
A Rede Diocesana de Rádio
reforça: informar é essencial. Só com conhecimento e participação social será
possível construir uma sociedade que não troque sua saúde, sua água e sua
dignidade por promessas passageiras de crescimento.