sexta-feira, 24 de agosto de 2018

2018 Superlotação e risco à segurança: situação do presídio de Iporá exige solução urgente



Superlotação e risco à segurança: situação do presídio de Iporá exige solução urgente
Por Pedro Cláudio – Jornalista e radialista

A situação do sistema prisional em Iporá, Goiás, é alarmante e foi colocada em evidência durante o evento Justiça Pela Paz em Casa, realizado de 20 a 24 de agosto. Em uma mesa-redonda com a participação de advogados, juízes, promotores, policiais, estudantes de direito e psicologia, além de lideranças comunitárias, ficou claro que o presídio local está à beira de um colapso.

Segundo dados apresentados no evento, o presídio de Iporá, em 23 de agosto, abrigava 138 presos, número bem acima de sua capacidade. E a situação pode piorar: há 95 mandados de prisão em fase final de tramitação ainda em 2018, e a expectativa é de que, em 2019, mais 100 pessoas sejam presas na região.

“Uma bomba-relógio no centro da cidade”

A gravidade foi reconhecida publicamente pelo prefeito Naçoitan Leite, que classificou o presídio como "uma bomba-relógio pronta a explodir a qualquer momento". O gestor ressaltou que, além da superlotação, a localização do presídio no centro da cidade representa risco à população.

A prefeitura já disponibilizou um terreno para a construção de uma nova unidade prisional, mas reforça que a responsabilidade pela obra é do governo estadual. Segundo o prefeito, existe também uma proposta do município de que os detentos trabalhem como forma de ressocialização e recuperação plena, o que demandaria uma nova estrutura.

Projeto de presídio regional

O juiz de execução penal Samuel João Martins, de Iporá, também reforçou que o projeto de construção de um novo presídio já está pronto e que a ideia é transformar Iporá em sede de uma unidade regional, que atenderia cidades como Caiapônia, Piranhas, Israelândia e Aragarças.

No entanto, diante da demora do poder público estadual, uma solução alternativa foi proposta. Os juízes Samuel João Martins (Iporá) e Marcos Boechat Lopes Filho (Israelândia) apresentaram à Diretoria-Geral da Administração Penitenciária de Goiás um plano emergencial: transferir todas as mulheres presas da região para a unidade prisional de Israelândia.

Ampliação em Israelândia: alívio parcial

Em Israelândia, o presídio está sendo reformado com recursos do Conselho da Comunidade, e está prevista uma ampliação de 30 vagas específicas para o público feminino. Essa medida pode ajudar a desafogar parcialmente o sistema prisional de Iporá, mas depende de autorização do governo estadual para a contratação de servidores e a compra de viatura do tipo camburão, necessária para o transporte de presas e armamentos.

Sistema em colapso

A situação em Iporá reflete um problema estrutural que atinge várias regiões do país: presídios superlotados, projetos travados, falta de investimentos e risco constante à segurança da população. A sociedade civil, o Judiciário local e os gestores municipais tentam buscar soluções, mas, sem ações concretas do governo estadual, a crise tende a se agravar ainda mais.

O presídio de Iporá, em sua condição atual, não suporta mais a pressão do sistema. A construção de uma nova unidade e a reorganização regional são urgentes e inadiáveis.

 


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