Superlotação e risco à
segurança: situação do presídio de Iporá exige solução urgente
Por Pedro Cláudio – Jornalista e radialista
A situação do sistema
prisional em Iporá, Goiás, é alarmante e foi colocada em evidência durante o
evento Justiça Pela Paz em Casa, realizado de 20 a 24 de agosto. Em uma
mesa-redonda com a participação de advogados, juízes, promotores, policiais,
estudantes de direito e psicologia, além de lideranças comunitárias, ficou
claro que o presídio local está à beira de um colapso.
Segundo dados
apresentados no evento, o presídio de Iporá, em 23 de agosto, abrigava 138
presos, número bem acima de sua capacidade. E a situação pode piorar: há 95
mandados de prisão em fase final de tramitação ainda em 2018, e a expectativa é
de que, em 2019, mais 100 pessoas sejam presas na região.
“Uma bomba-relógio no
centro da cidade”
A gravidade foi
reconhecida publicamente pelo prefeito Naçoitan Leite, que classificou o
presídio como "uma bomba-relógio pronta a explodir a qualquer
momento". O gestor ressaltou que, além da superlotação, a localização do
presídio no centro da cidade representa risco à população.
A prefeitura já disponibilizou
um terreno para a construção de uma nova unidade prisional, mas reforça que a
responsabilidade pela obra é do governo estadual. Segundo o prefeito, existe
também uma proposta do município de que os detentos trabalhem como forma de
ressocialização e recuperação plena, o que demandaria uma nova estrutura.
Projeto de presídio
regional
O juiz de execução penal
Samuel João Martins, de Iporá, também reforçou que o projeto de construção de
um novo presídio já está pronto e que a ideia é transformar Iporá em sede de
uma unidade regional, que atenderia cidades como Caiapônia, Piranhas,
Israelândia e Aragarças.
No entanto, diante da
demora do poder público estadual, uma solução alternativa foi proposta. Os
juízes Samuel João Martins (Iporá) e Marcos Boechat Lopes Filho (Israelândia)
apresentaram à Diretoria-Geral da Administração Penitenciária de Goiás um plano
emergencial: transferir todas as mulheres presas da região para a unidade
prisional de Israelândia.
Ampliação em Israelândia:
alívio parcial
Em Israelândia, o
presídio está sendo reformado com recursos do Conselho da Comunidade, e está
prevista uma ampliação de 30 vagas específicas para o público feminino. Essa
medida pode ajudar a desafogar parcialmente o sistema prisional de Iporá, mas
depende de autorização do governo estadual para a contratação de servidores e a
compra de viatura do tipo camburão, necessária para o transporte de presas e
armamentos.
Sistema em colapso
A situação em Iporá
reflete um problema estrutural que atinge várias regiões do país: presídios
superlotados, projetos travados, falta de investimentos e risco constante à
segurança da população. A sociedade civil, o Judiciário local e os gestores
municipais tentam buscar soluções, mas, sem ações concretas do governo estadual,
a crise tende a se agravar ainda mais.
O presídio de Iporá, em
sua condição atual, não suporta mais a pressão do sistema. A construção de uma
nova unidade e a reorganização regional são urgentes e inadiáveis.
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