quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Crônica | A prisão chamada Terra

Crônica | A prisão chamada Terra

Por Pedro Claudio – Jornalista, Radialista, estudante de Teologia e História

 

Imagine duas pessoas presas em um mesmo espaço. Um local fechado, sem portas, sem janelas. A única abertura é pequena — por onde chega, todos os dias, uma porção exata de alimento, suficiente para manter os dois vivos. Nem mais, nem menos. Uma medida milimetricamente calculada.

 

Mas há uma regra não escrita nessa prisão: se um comer mais do que lhe cabe, o outro morre. Simples assim. Não há reservas, não há estoque, não há misericórdia do tempo. É o equilíbrio ou o fim. Um excesso de um lado é a escassez do outro.

 

Agora imagine que essa prisão é o nosso planeta. A Terra. Esse lugar imenso, onde nos movemos achando que somos livres, mas estamos todos presos entre o nascer e o morrer. O tempo é o carcereiro, e a natureza, a única fonte de sustento.

 

Olhe ao seu redor. Veja o que você consome. Preste atenção na gordura acumulada, nas sacolas que não param de chegar, no armário cheio de comida, na conta bancária crescendo como se isso fosse garantia de alguma eternidade. Está sobrando, não está?

 

Enquanto isso, nas ruas, nas periferias, em outros cantos da cidade ou do mundo, há pessoas que sequer recebem a pequena porção diária. Gente que morre de fome — literalmente — porque alguém mais decidiu que precisava de mais. Só mais um pouco. Só mais um luxo. Só mais um exagero.

 

Somos iguais, feitos da mesma matéria, filhos do mesmo pó e com o mesmo destino: voltar à terra. Mas mesmo nessa igualdade biológica, construímos desigualdades brutais. Dividimos o mundo em castas invisíveis, em muros reais e simbólicos. Criamos a falsa ilusão de que podemos viver bem enquanto o outro vive mal. E aplaudimos isso.

 

Nos orgulhamos do que chamamos de conquistas: "fruto do meu trabalho", dizemos. Mas esquecemos que muita riqueza nasce do suor dos outros. E, pior: muitos acumulam não para viver, mas para que sobre. E, quando alguém ousa questionar isso, a resposta vem com a ira de quem protege um território — “isso é meu!”.

 

Fazemos do acúmulo um escudo. Do egoísmo, uma virtude. A cesta básica, o dízimo, a caridade esporádica nos tranquilizam a consciência — mas não mudam o sistema que permite que uns tenham muito enquanto outros não têm nada.

 

Vivemos, no fundo, como se essa prisão chamada Terra fosse um espaço de disputa e não de convivência. Como se a sobrevivência de um fosse indiferente à morte do outro. Mas o equilíbrio — lembre-se — é o que mantém os dois vivos. Quando um cai, a estrutura toda balança.

 

Talvez ainda haja tempo para mudar. Talvez ainda possamos reaprender a dividir. A viver com o suficiente. A entender que o que nos sobra pode ser o que falta a alguém. E que, no final das contas, ninguém sai vivo da prisão — mas é possível sair com dignidade.

 

Porque, afinal, humanidade não se mede pelo que se tem. Mas pelo quanto se reparte.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Pedágio na G0 060 Piranhas a Goiânia está passando na assembleia.


Está tramitando na assembleia Legislativa de Goiás, projeto de lei que autoriza o governo do estado a terceirizar as rodovias com impacto direto nesta região Oeste de Goiás. Entre os trechos indicados para a cobrança de pedágios estão de Iporá a São Luis de Montes Belos e de Iporá a Piranhas, e também de São Luis de Montes Belos a Goiânia.

 O relatório assinado pelo deputado relator: Virmondes Cruvinel opta  pela aprovação mas existem divergências, na comissão mista da assembleia houve 13 deputados favoráveis e 8 contra e com emendas rejeitadas. Havia emenda que isentava os moradores próximos dos locais de cobrança, também foi rejeitada a proposta que obrigaria uma contrapartida da empresa concessionária nos gastos com a recente reconstrução do asfalto.

Aprovada na comissão, o projeto vai agora ao plenário, e caso passe o governo estará autorizado a abrir licitação para a escolha das empresas interessadas. Em caso de aprovação, quem for de Piranhas pra Goiânia certamente passará por dois pedágios, quem for de Iporá a Goiânia pagará dois pedágios, certamente.


Houve debate na assembleia sobre os valores cobrados, a oposição fala em 8 reais, mas o presidente da AGETOP Jayme Rincón nega///
Hoje o pedágio de Goiânia a Anápolis para veículos pequenos, de passeio, está a R$ 3,90, pedágio para moto R$ 1,55 e para caminhões e ônibus a R$ 7,80.
Pelo projeto a empresa vencedora da licitação será autorizada a explorar o serviço por 35 anos em seis trechos. Além de arrecadar com a cobrança dos pedágios, a concessionária terá a responsabilidade de cuidar dos serviços  de operação, manutenção, conservação e monitoramento//

O governo justifica a medida informando a insuficiência de recursos públicos para o trabalho e a necessidade de oferecer melhores condições para o tráfego de veículos. 

sábado, 9 de dezembro de 2017

Mulher condenada a 123 anos de prisão por estupro das filhas.

Veja se tem absurdo em Goiás uma mulher foi condenada a cumprir pela por colaborar a prática do estupro de suas duas filhas. O estuprador era seu companheiro, padrasto das vítimas. O homem era um suposto religioso, inventou que as enteadas eram doentes e que precisava de um tratamento. A mãe preparava o ambiente, em uma cama, o rosto das vítimas eram tapados por um cobertor, numa espécie de cortina para que se realizasse o suposto tratamento que consistia na introdução de uma seringa nas genitálias das vítimas. Outra coisa era introduzida, e, inclusive uma das vítimas engravidou do padrasto. Os abusos sexuais aconteceram entre os anos de 1996 e 2007 e as vítimas tinham menos de 14 anos. Eles foram abusadas até por volta dos 17 anos, quando denunciaram o fato. A juíza substituta Laura Ribeiro de Oliveira, da comarca de Cachoeira Dourada, condenou uma mãe a 123 anos e 18 dias de reclusão, em regime fechado.


Fonte : Centro de Comunicação Social do TJGO

Inscrições do Sisu serão abertas em 29 de janeiro

Foto UEG Iporá- Goiás
Candidatos que fizeram Enem neste ano e tiraram nota superior a zero podem participar e concorrer a uma vaga no ensino superior.

O edital de abertura do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) foi lançado, nesta sexta-feira (8), pelo Ministério da Educação. Quem fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste ano deve ficar atento: as inscrições vão de 29 de janeiro às 23h59 do dia 1º de fevereiro.

O desempenho dos candidatos no Enem deve ser publicado em 19 de janeiro. Os participantes que tirarem mais do que zero na redação podem concorrer a uma vaga no ensino superior público.

Ao todo, 130 instituições ofertaram oportunidades, entre universidades, centros universitários, institutos federais e faculdades. Das 63 universidades federais do País, 61 já aceitam a nota do Enem para ingresso nos cursos.

Nesta etapa, as vagas são destinadas à entrada nos cursos no primeiro semestre de 2018. Em maio, um novo edital deve ser lançado para preencher vagas no segundo semestre letivo.

O Sisu permite que os candidatos indiquem dois cursos, conforme a nota de corte. Enquanto o período de inscrição estiver aberto, os candidatos podem alterar quantas vezes quiserem as opções de acordo com a flutuação das notas de corte.


Fonte: Governo do Brasil, com informações do Ministério da Educação

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

• CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO PASSA A TER FORMATO DE CARTÃO INTELIGENTE

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Com o objetivo de oferecer soluções mais seguras e modernas à população brasileira, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) do Ministério das Cidades, lança a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em formato de cartão inteligente.  O documento, que hoje é emitido em papel, passa a ser em suporte de cartão plástico, do tipo policarbonato, contendo microcontrolador (chip).

Segundo o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, a medida é benéfica para todos, uma vez que proporcionará maior segurança e possibilitará integração com outros países. “Buscamos a modernização, inovação como muitos países já adotaram para aumentar a segurança, reduzir a probabilidade de ocorrência de fraudes e aumentar a durabilidade”, explicou o ministro.

Até 1º de janeiro de 2019 os órgãos e entidades executivos de trânsito dos Estados e do Distrito Federal deverão adequar seus procedimentos para adoção do novo modelo da CNH estabelecido em Resolução que será publicada nesta semana, quando revogará a Resolução CONTRAN nº 598, de 24 de maio de 2016, que regulamenta a produção e a expedição da CNH com novo layout e requisitos de segurança.

Novo modelo - O Contran contou com o suporte técnico do Centro de Pesquisa em Arquitetura da Informação (CPAI) da Universidade de Brasília (UNB), que elaborou um “Estudo de Impacto da Mudança da CNH”, que recomendou a alteração do modelo do documento, sugeriu o uso de cartão inteligente, também conhecido como smart cad que assemelha-se a um cartão de crédito convencional,  com gravação a laser dos dados variáveis e com chip. 

Além da resistência e alta durabilidade, a nova CNH considera a possibilidade de inserção de dados e informações relativos aos condutores nos chips embarcados, bem como facilitar acesso a certificados digitais. Ela amplia as possibilidades de utilização dos documentos, a consulta e verificação de inúmeros dados.

Serviços Possíveis com a nova CNH -  A nova CNH em “cartão inteligente” será equipada com um chip sem contato, de  protocolo aberto e não proprietário, independente de software e hardware, tecnologia de leitura de dados presente nos smartphones.

O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) controla as chaves de acesso aos dados gravados no chip e pode permitir, através de convênio, que outras entidades públicas ou privadas utilizem “pastas ou aplicações específicas” dentro do chip, sem correr o risco de leitura ou gravação indevida de dados protegidos/sigilosos.

Algumas possibilidades:

1) Fiscalização mais rápida e off line (sem o uso de dados) utilizando telefones celulares
2) Pagamento de pedágio
3) Pagamento de transporte público
4) Controle de acesso (prédios públicos, universidades, estacionamentos, etc..)
5) Identificação através de comparação biométrica (as digitais estarão carregadas dentro do chip e poderão ser usadas para validar a identidade em bancos, serviços públicos, e-Governo, etc..)



Assessoria de Comunicação Social 
Ministério das Cidades 

domingo, 3 de dezembro de 2017

2018 Quiçá aconteça um milagre: entre cruzes e esperanças, um novo ano se anuncia



Quiçá aconteça um milagre: entre cruzes e esperanças, um novo ano se anuncia
Por Pedro Cláudio – Jornalista, radialista, estudante de Teologia e História

Final de ano é tempo de recomeços. É Natal, é virada de calendário, é esperança depositada num novo ciclo que, talvez, seja mais justo que o anterior. Para muitos, o desejo é de fartura, paz e prosperidade para si e para os seus. Para outros, é simplesmente sobreviver. Cada qual carrega sua cruz, e nem todas pesam o mesmo, embora todas exijam resistência.

No entanto, ao chegar o fim de 2017, a sensação que paira é de que a tempestade ainda não passou — ou, quem sabe, apenas começou. O cenário político foi marcado por escândalos sucessivos, corrupção disseminada, reformas aprovadas a toque de caixa que penalizam justamente os que mais precisam do Estado. A Previdência, reconfigurada para excluir os frágeis; a nova legislação trabalhista, que fragiliza os direitos conquistados com décadas de luta. Até o salário mínimo, em sua essência protetiva, foi reduzido a uma cifra simbólica, insuficiente para garantir dignidade.

No campo religioso, o que se vê também causa espanto. A fé, que deveria consolar, ensinar e transformar, muitas vezes se transforma em palco de vaidades e exploração. Líderes que pregam uma coisa, mas vivem de outra forma. “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.” E assim, muitos pastores se ocultam sob mantos de santidade para manter seus impérios — não espirituais, mas financeiros.

Diante disso, a pergunta se impõe: quem nos salvará? Um político que se dizia honesto, mas se corrompeu no poder? Um empresário bem-sucedido que só deseja blindar os seus? Líderes religiosos que confundem fé com comércio? Em meio à desesperança, reconheçamos: há, sim, quem ainda luta com ética, fé e dignidade. Mas, como se diz, uma andorinha só não faz verão.

 

2018 chega cercado de incertezas, e talvez só uma revolução profunda — não necessariamente armada, mas moral, ética e espiritual — possa nos tirar do lamaçal. Que revolução seria essa? Francesa, russa, cubana? Ou uma silenciosa revolução de consciência, de escolhas individuais e coletivas que alterem o curso da história?

É preciso sabedoria para atravessar o mar de lama sem se sujar, como quem caminha sobre águas turbulentas com os pés firmes na esperança e os olhos voltados ao bem comum. É preciso carregar a cruz — não como fardo que nos abate, mas como resistência ao sistema que exclui, oprime e desumaniza.

Como nos ensina o Evangelho de Mateus (19,16-26), a salvação não está no acúmulo, mas no desprendimento. Não está no templo luxuoso, mas na prática da justiça. Não está na aparência da piedade, mas no amor ao próximo. Um jovem rico se entristeceu ao ouvir que para seguir Jesus teria que repartir seus bens com os pobres. A cruz do desapego foi demais para ele.

Talvez essa também seja a cruz da humanidade hoje: a dificuldade de abrir mão dos privilégios em favor de um bem maior. Como disse Jesus, “Aos homens isso é impossível, mas a Deus tudo é possível.”

Se ninguém quiser ouvir, que ao menos se leia. E se ninguém ler, que se grite. Porque, mesmo diante do silêncio dos poderosos e da surdez dos templos, ainda há os que insistem na esperança. E quiçá aconteça um milagre.