sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Oração pela Consciência, pela Fé e pelo Caminho


 Oração pela Consciência, pela Fé e pelo Caminho


Que Deus conserve em mim a lucidez da mente
e a clareza do coração.
Que, mesmo na simplicidade das letras
e na limitação do saber,
eu jamais seja conduzido pela manipulação,
mas guiado pela consciência,
pela verdade e pela justiça.

Que eu não me torne ignorante
diante da petulância dos homens,
nem algoz na vida de ninguém.
Que minha vontade e meus desejos
nunca ultrapassem o direito do próximo,
e que minha insensatez
jamais se sobreponha ao bom senso.

Que minha capacidade cognitiva não me engane,
mas me ajude a discernir,
a escolher, a compreender.
Que eu chegue ao fim da caminhada
com o coração em paz
e o sentimento sereno de missão cumprida.

Que a rudeza da ignorância não me destrua,
nem o ceticismo dos estudos
me torne incrédulo.
Que meus pecados não ultrapassem
os limites do corpo, da alma e da consciência.
Que minha fé não seja em vão,
mas força viva, esperança constante
e luz nos dias difíceis.

Que meu olhar para o tempo passado
nunca seja marcado pelo arrependimento,
mas pela gratidão,
pela aprendizagem
e pela certeza de ter tentado fazer o bem.

Guia-me, Senhor,
pois sempre confiei em Ti
e entreguei em Tuas mãos
todo o meu destino.

Pedro Claudio Rosa

sábado, 24 de janeiro de 2026

Vamos pensar: Onde estamos sendo enganados?

 

Onde estamos sendo enganados?

Por Pedro Claudio
24 de janeiro de 2026


Onde estamos sendo enganados? Como estamos sendo enganados? E por que tantas vítimas acabam defendendo seus próprios algozes? Essas perguntas atravessam o nosso tempo e exigem mais do que respostas rápidas — pedem reflexão profunda, discernimento e coragem intelectual.

Nossa inocência, muitas vezes, é atravessada pela esperteza de poucos e pela simplicidade de muitos. No cenário nacional, vivemos uma explosão de plataformas digitais, transmissões em streaming, canais fechados e abertos de rádio e TV que se apresentam como imprensa. Parte deles, de fato, exerce função jornalística; outra parte atua claramente como braço partidário. Há quem se autoproclame comentarista ou jornalista e, de forma histérica, substitua a análise pelo ataque, o contraditório pelo achincalhe, a informação pelo linchamento verbal. Discordar passou a ser motivo suficiente para destruir reputações.

Instala-se, assim, uma confusão perigosa: opinião travestida de notícia, militância disfarçada de jornalismo. Uma imprensa que escolhe um lado, distorce fatos de maneira deliberada e apresenta versões parciais da realidade perde qualquer utilidade coletiva. Não informa; forma torcidas. Não esclarece; manipula. O resultado é uma sociedade manobrada como marionete, cheia de defensores das causas dos outros — típica condição de quem foi conduzido, mas nunca verdadeiramente convencido.

Esse fenômeno não se limita à política ou à mídia. Ele também se repete no campo religioso. Protegidas pela liberdade de crença e pelo princípio do Estado laico, diversas expressões religiosas acabam servindo de palco para projetos de poder, autopromoção e política partidária. No cristianismo, isso se torna ainda mais grave. Cristo não deixou dúvidas sobre o que pregava: justiça, misericórdia, serviço e verdade. Ainda assim, seu nome é frequentemente utilizado para deturpar, dominar e enganar. O apóstolo Paulo advertiu com clareza: “De fato, vai chegar um tempo em que muitos não suportarão a sã doutrina, mas, segundo seus próprios desejos, cercar-se-ão de mestres, quando sentirem coceira nos ouvidos” (2Tm 4,3, Bíblia Sagrada, CNBB, 2ª ed., 2019).

Num país onde a educação não alcança a todos, torna-se fácil fazer o pobre — em recursos, oportunidades e acesso à informação — defender a causa dos ricos. Defender quem já tem tudo. Quem pisa, desvia, se apropria e ostenta. O profeta Isaías denunciou essa lógica com dureza: “Ai dos que decretam leis injustas e dos escribas que redigem decretos opressores, para negar justiça aos pobres no julgamento” (Is 10,1-2, Bíblia Sagrada, CNBB, 2ª ed., 2019). O estelionato, nesse caso, não é clandestino; é oficial, público, à vista de todos. E, ainda assim, passa despercebido.

Comentadores lançam pedras com palavras, analisam apenas o lado que lhes convém, ignoram conquistas alheias e transformam o debate público em trincheira permanente. Isso não é crítica; é partidarismo. E o partidarismo, quando travestido de análise, serve para promover grupos e interesses específicos — quase sempre em benefício próprio.

Se não refletirmos sobre isso, corremos o risco de sentar à mesa como convidados e descobrir, tarde demais, que não fomos chamados para o jantar, mas para o cardápio. Foi contra esse tipo de dominação que Jesus se levantou. Ainda assim, os “grandes” e “poderosos” que ele enfrentou continuam sendo defendidos por cidadãos simples, que entregam sua vida simbólica — e às vezes concreta — àqueles que os exploram.

O Evangelho não pede ingenuidade. Pelo contrário: “Vede, eu vos envio como ovelhas no meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10,16, Bíblia Sagrada, CNBB, 2ª ed., 2019). Jesus também ensina: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29, Bíblia Sagrada, CNBB, 2ª ed., 2019). Mansidão e humildade não são sinônimos de submissão cega, alienação ou cumplicidade com a injustiça. São virtudes que caminham junto com a lucidez, a prudência e o compromisso com a verdade.

Ser manso não é ser tolo. Ser humilde não é abrir mão da consciência crítica. Ao contrário: é reconhecer a própria dignidade e não permitir que ela seja usada contra si mesmo.

Como defender a causa de quem já tem tudo? De quem vive no luxo enquanto muitos mal sobrevivem? Pense nisso. Desperte. Viva — mas viva de verdade. Não a vida oferecida pela manipulação, pelo medo ou pela idolatria do poder, e sim a vida que nasce do pensamento livre, da fé coerente e da verdade que liberta.

 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Aumento do orçamento de Iporá reacende debate sobre aplicação dos recursos públicos

 


Foto: Professor Paulo Alves 

As gestões públicas geralmente iniciam o ano com planejamento e definição do orçamento. As prefeituras elaboram a Lei Orçamentária Anual (LOA), que é enviada ao Poder Legislativo. Esse instrumento define quanto o município pretende arrecadar ao longo do ano e estabelece onde e como os recursos públicos serão aplicados. Trata-se de uma lei fundamental para o funcionamento da administração pública.

A explicação é do professor Paulo Alves, da rede estadual de ensino, graduado em Gestão Pública e com experiência de dois mandatos como vereador em Iporá. Ele chama a atenção para a importância que a sociedade deve dar à Lei Orçamentária, por se tratar do principal planejamento financeiro do município.

Em relação a Iporá, Paulo Alves informa que o orçamento municipal para o ano de 2026 é de R$ 207.068.887,09 (duzentos e sete milhões, sessenta e oito mil, oitocentos e oitenta e sete reais e nove centavos). O orçamento entra em vigor em 1º de janeiro e segue até 31 de dezembro. Segundo sua análise, houve um acréscimo significativo em comparação com o ano anterior, quando o orçamento foi de aproximadamente R$ 166 milhões.

De acordo com o professor, o valor é calculado com base na média da arrecadação dos últimos anos, o que demonstra, segundo ele, que a arrecadação do município de Iporá está em crescimento. “Temos mais dinheiro em caixa”, afirma. Com esse argumento, Paulo Alves defende que não se justificam atrasos no pagamento de servidores públicos municipais ou a interrupção de serviços essenciais.

Ele alerta ainda que a sociedade deve acompanhar de perto a execução do orçamento, especialmente os vereadores, que têm a responsabilidade constitucional de fiscalizar a correta aplicação dos recursos públicos. O montante de R$ 207 milhões representa uma média aproximada de R$ 17 milhões por mês. “Não dá para fazer tudo o que o município precisa, mas dá para fazer muita coisa”, avalia.

Paulo Alves também defende a adoção do orçamento participativo, modelo que envolve a sociedade e os segmentos organizados na discussão da elaboração e, principalmente, da execução do orçamento, priorizando as reais necessidades da população. Segundo ele, esse mecanismo fortalece a fiscalização e contribui para a aplicação correta dos recursos públicos, atendendo aos anseios da comunidade.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Editorial — O papel da imprensa e o valor do jornalismo local

 


Editorial — O papel da imprensa e o valor do jornalismo local

Na foto: Pedro Claudio e Valdeci Marques, em final de 2025, avaliando publicação divulgada na página Oeste Goiano (oestegoiano.com.br).

A imprensa cumpre um papel essencial em qualquer sociedade democrática: informar, contextualizar, fiscalizar o poder e estimular o debate público. É por meio dela que fatos ganham sentido, versões são confrontadas e a população encontra subsídios para formar opinião. No entanto, ao observar o noticiário nacional, sobretudo nos grandes conglomerados de comunicação, percebe-se um fenômeno cada vez mais evidente: conteúdos praticamente idênticos circulando em diferentes plataformas, com pequenas variações de enfoque, linguagem ou título.

Publicações em portais como G1, UOL, Veja, IstoÉ e outros frequentemente apresentam as mesmas informações, estruturadas de forma semelhante, como se houvesse um roteiro previamente estabelecido. Muda-se a ordem dos parágrafos, ajusta-se o tom, mas o núcleo da narrativa permanece igual. A sensação é de que todos falam a mesma coisa, ao mesmo tempo, com pouca ou nenhuma informação realmente diferenciada. Não se trata, necessariamente, de “copiar”, mas de uma prática que privilegia a reprodução rápida do conteúdo já disponível, em detrimento da apuração aprofundada, da investigação própria e da busca por exclusividade.

Produzir matérias com enfoque distinto sobre o mesmo fato é, sem dúvida, mais econômico e menos arriscado. Exige menos tempo, menos recursos e quase nenhuma pesquisa avançada. Contudo, essa lógica empobrece o debate público e reduz a diversidade de interpretações, algo essencial para uma sociedade plural. Grandes veículos, justamente por disporem de estrutura, profissionais especializados e acesso às esferas de poder, poderiam — e deveriam — investir mais em reportagens exclusivas, análises originais e pautas que fujam do lugar-comum.

É nesse cenário que os veículos locais e regionais ganham relevância. O jornalismo do interior, mesmo com limitações técnicas, financeiras e de alcance, possui um diferencial inegável: a proximidade com os fatos, com as pessoas e com a realidade cotidiana. É ele que acompanha de perto os problemas da comunidade, debate questões locais, dá voz a quem raramente aparece no noticiário nacional e revela realidades que não cabem nas grandes manchetes.

É verdade que o jornalismo regional não dispõe da mesma expertise, nem do mesmo poder de influência dos grandes meios. Falta, muitas vezes, estrutura, reconhecimento e valorização. Ainda assim, há mérito e importância no chamado “jornalismo feito a machado”: aquele construído com esforço, persistência e compromisso, muitas vezes na simplicidade, sem ser simplório. Nessa prática, informar, orientar e até influenciar positivamente a sociedade torna-se possível, mesmo sem holofotes.

Assim seguimos na região Oeste de Goiás. Nem sempre valorizados como deveríamos, mas convictos de que resultados positivos são alcançados. O jornalismo local, quando exercido com responsabilidade e ética, cumpre sua missão fundamental: servir à comunidade, fortalecer a cidadania e manter viva a essência da imprensa — a de ser ponte entre os fatos e a sociedade.

Pedro Claudio

 

domingo, 4 de janeiro de 2026

Venezuela, Estados Unidos e o dilema do mal necessário.

 


Venezuela, Estados Unidos e o dilema do “mal necessário”

Por Pedro Claudio

Não é um assunto que esteja diretamente ligado à minha área de competência técnica. Ainda assim, como simples cidadão que vive em um país democrático — onde a liberdade de expressão é assegurada, desde que exercida com responsabilidade — sinto-me no direito de opinar, ou, como se diz popularmente, “dar meu pitaco”, a exemplo de milhões de pessoas que acompanham os acontecimentos internacionais.

O caso envolvendo Venezuela e Estados Unidos é complexo e cercado de versões, interesses e narrativas. A opinião que formo é construída a partir das informações a que tenho acesso: imprensa, análises de especialistas, redes sociais e comentários de terceiros. Trata-se, portanto, de uma visão leiga, mas nem por isso descompromissada com a realidade.

Diante desse conjunto de informações, a impressão que tenho é de que se realizou ali aquilo que muitos chamariam de um “mal necessário”. Alguém que tinha poder, capacidade e influência acabou agindo. Donald Trump agiu. Pelo que tudo indica, não consultou formalmente o Congresso norte-americano, mas certamente ouviu assessores próximos — e, como é de seu perfil, deixou que seu ego também tivesse peso na decisão.

As intenções por trás dessa ação são motivo de intenso debate. Teria sido uma tentativa de fazer justiça humanitária contra um regime acusado de se apoderar do poder e massacrar parte de sua população? Uma estratégia para conter o fluxo de entorpecentes em direção aos Estados Unidos? Uma demonstração de força geopolítica para deixar claro que nenhuma liderança deve contestar sua autoridade? Ou ainda um movimento calculado de olho nas riquezas naturais da Venezuela, país que concentra cerca de 17% das reservas de petróleo do planeta?

Fato é que Donald Trump foi ousado, petulante e, como poucos líderes contemporâneos, imprevisível. Nesse aspecto, guarda semelhanças com Vladimir Putin, que bombardeia a Ucrânia na tentativa de retomar territórios que considera seus. São líderes que agem à margem do consenso internacional quando acreditam que seus interesses estratégicos estão em jogo.

O grande problema, no entanto, são os efeitos colaterais dessas ações. Como reagirão Rússia, China e a União Europeia? Quais serão os desdobramentos diplomáticos, econômicos e militares? E onde entram os países da América Latina nesse tabuleiro?

A realidade é dura: por mais que a maioria dos países latino-americanos condene determinadas ações, sua influência prática é limitada. Em alguns casos, a reação pode até resultar em prejuízos econômicos, ao se indispor com uma potência global. Ainda assim, o ideal — e o desejável — é que não assumamos uma postura submissa, de “cão vira-lata” ou de mentalidade colonial. Não devemos aceitar o papel de quintal de nenhuma grande potência.

Ao mesmo tempo, é preciso cautela. “Ir devagar com o andor, porque o santo é de barro.” Não considero correto explorar ideologicamente essa situação para atacar adversários políticos internos ou para atiçar ainda mais a fogueira. Divergências políticas não devem servir de combustível para radicalizações irresponsáveis no cenário internacional.

Apesar de todas as ressalvas, continuo acreditando que alguma ação precisava ser tomada. Não é aceitável normalizar a tomada do poder pela força, a perpetuação de ditaduras e a supressão da vontade popular. A democracia — o poder do povo — deve ser um valor preponderante, inclusive quando se trata da “casa dos outros”.

Esse é um debate difícil, cheio de contradições e zonas cinzentas. Não há soluções simples. Mas silenciar diante de regimes autoritários também não parece ser uma opção justa ou sustentável.

sábado, 3 de janeiro de 2026

O uso do título “doutor” e os limites entre tradição e rigor profissional

 

O uso do título “doutor” e os limites entre tradição e rigor profissional

Por Pedro Claudio


Nas últimas décadas, tornou-se cada vez mais comum observar profissionais de diferentes áreas — especialmente da saúde, do direito e da estética — apresentarem-se publicamente como “doutor” ou “doutora”, seja em redes sociais, videochamadas ou materiais institucionais. Embora o fenômeno pareça banal, ele merece reflexão, pois envolve não apenas tradição e costume, mas também rigor técnico e ética profissional.

É inegável que médicos, odontólogos, advogados e outros profissionais com formação superior exercem funções de grande relevância social. São profissionais habilitados, legalmente autorizados a atuar e, muitas vezes, altamente qualificados em suas áreas. No entanto, é preciso distinguir reconhecimento social de titulação acadêmica. Na maioria dos casos, essas pessoas não possuem doutorado, título acadêmico obtido após a conclusão de um curso específico, com defesa de tese reconhecida pelo Ministério da Educação.

Ser chamado de doutor pela população, por clientes ou por pessoas do convívio social é algo natural e, muitas vezes, decorre de respeito, admiração ou tradição cultural. Outra situação, bem diferente, é a autodeclaração. Apresentar-se como doutor sem possuir o título acadêmico não parece sensato e pode transmitir uma ideia equivocada sobre a própria formação. Curiosamente, mesmo entre aqueles que possuem doutorado, é comum uma postura mais discreta, com a apresentação simples do nome, da profissão e da especialidade.

No caso da advocacia, há um elemento histórico relevante. O tratamento de “doutor” atribuído a advogados e advogadas remonta ao período do Império e consolidou-se como um costume jurídico no Brasil, ainda que não corresponda, necessariamente, a um doutorado acadêmico. Trata-se de uma exceção baseada na tradição, e não na regra geral da titulação universitária. Para as demais profissões, não há previsão legal semelhante que justifique o uso formal do título.

A banalização do termo “doutor” pode, inclusive, gerar desconfiança. Quando alguém se autointitula doutor sem possuir o título correspondente, cria-se a impressão de tentativa de afirmação artificial de autoridade, o que não contribui para a credibilidade profissional. Competência, ética e conhecimento se demonstram na prática, e não no uso indevido de títulos.

Por respeito, consideração ou admiração, muitas pessoas continuam a chamar determinados profissionais de doutor — especialmente médicos, odontólogos que, em muitos casos, são efetivamente doutores. Esse tratamento, quando parte do outro, é legítimo e compreensível. O problema reside na autoproclamação.

Em tempos de comunicação instantânea e exposição constante, vale a reflexão: apresentar-se de forma honesta, clara e coerente com a própria formação é sinal de maturidade profissional. Dizer “sou médica”, “sou odontólogo”, “sou advogado” ou “sou professor” não diminui ninguém. Pelo contrário, reforça a credibilidade e o respeito que toda profissão merece.

 Pedro Claudio, reflexão feita após ver nas redes sociais muita gente se chamando de doutor ou doutora.