Manipulação: quem puxa as cordas?
Por Pedro Claudio
Você já parou para pensar
na manipulação? Já refletiu sobre como, muitas vezes, somos usados por alguém,
por um grupo político, por líderes religiosos — até por um time de futebol? A
fragilidade da nossa mente, somada às nossas paixões, pode nos levar a agir sem
razão.
Vivemos cercados de
incentivos para consumir e obedecer. Criam datas “comemorativas” para fazer
você gastar o salário: Dia dos Pais, Dia das Mães, Natal, Dia das Crianças... e
por aí vai. Tudo embalado por uma mídia insistente, que transforma afeto em mercadoria
e carinho em prestação parcelada.
Na política, a
manipulação é um espetáculo à parte. Veja as recentes cenas no Congresso:
políticos paralisando o trabalho legislativo não para defender a maioria, mas
para atender interesses de um grupo minoritário. Onde estava a preocupação com
o atendimento de saúde pública? Com a manutenção de programas sociais? Com a
geração de empregos? Ao contrário, parecia haver um esforço para desmontar o
que foi construído com tanto custo.
Nas redes sociais, pobres
eleitores se engalfinham, trocando ofensas e bloqueios, defendendo “seu lado”
como se a vida dependesse disso. No fim, quem ganha? Os mesmos que se
beneficiam do caos.
E a religião? Já reparou
no luxo de alguns líderes religiosos? Palácios, carros importados, vida de
conforto — tudo sustentado pelos fiéis que acreditam estar contribuindo “pela
obra”. Mas será mesmo? Será que todo esse ouro brilha para Jesus ou só para os
cofres de quem o administra?
O futebol segue a mesma
lógica. Torcedores brigam, gastam dinheiro, enfrentam longas viagens para
apoiar o time. Enquanto isso, jogadores recebem salários milionários e
dirigentes vivem em alto padrão. O torcedor volta para casa de ônibus lotado,
muitas vezes sacrificando uma refeição decente pelo ingresso do jogo.
Pix para políticos,
dízimos sem retorno social, horas e mais horas defendendo interesses alheios:
tudo isso é fruto de uma manipulação coletiva. Há sempre um manipulador e há os
manipulados. De um lado, mentes brilhantes arquitetando estratégias; do outro,
gente que não para para pensar.
Não vale a pena lutar
cegamente por um partido político — a menos que você seja parte dele e conheça
seus bastidores. Não vale entregar seu suor incondicionalmente para um time, já
que o retorno financeiro vai para atletas e dirigentes. Na fé, vale ajudar,
participar, fazer o bem. Mas é preciso estar atento: como vivem os líderes que
você mantém? Eles se parecem mais com você ou com uma elite intocável?
Pense nisso. E,
principalmente, não se deixe manipular.
Pedro Claudio –
jornalista, pensador
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