Perder ou ganhar, qual a melhor saída?
Crônica | Por Pedro Cláudio, estudante de
Teologia , história - jornalista e
radialista
A história da humanidade
é atravessada por disputas. Desde que o Homo erectus descobriu o fogo, ali por
volta de 79 a.C., acendeu-se mais do que brasas — acendeu-se o desejo de poder.
Quem dominava o fogo era mais forte, mais respeitado, mais temido. Era um sinal
de controle, de vantagem, de sobrevivência. Desde então, pouca coisa mudou no
coração do ser humano. Continuamos, século após século, disputando. Mas agora,
não apenas pela sobrevivência, e sim pelo status, pelo ego, pelo espelho.
Na modernidade — ou
pós-modernidade, se preferirem os mais antenados —, ninguém quer perder. Perder
é quase sinônimo de fracassar. O ser humano quer vencer sempre. Ser o melhor no
emprego, o mais bonito na rede social, o mais forte na academia, o mais inteligente
na roda de conversa. O problema é que essa busca por estar por cima, muitas
vezes, faz com que a gente perca a própria essência. Vencer, a qualquer custo,
nos transforma.
As disputas, mesmo nas
modalidades esportivas que deveriam ser celebrações do talento e da
coletividade, acabam por alimentar o individualismo e a rivalidade desmedida.
Já não se joga pelo time, mas pelo destaque individual. Já não se participa
para somar, mas para sobressair. E, nesse mundo onde o ter se sobrepõe
ao ser, criamos uma cultura do descarte, da indiferença, da eliminação
do outro.
Estamos todos dentro de
um funil sem fundo — cada um querendo sua parte maior, sua vitória pessoal, sua
glória, mesmo que às custas do próximo. E o mais perigoso: vamos nos
acostumando com isso, vamos achando normal. Afinal, dizem, é assim que o mundo
funciona. Mas a que custo?
Vivemos um tempo em que
os valores que poderiam nos nortear estão sendo relativizados ou simplesmente
ignorados. O senso de limite se esvai. Vale tudo. Vale passar por cima, mentir,
manipular, calar a verdade. Não se teme mais nada. Deus virou personagem
secundário, quando não uma figura descartável. A vida após a morte? Bobagem.
Coisa de gente ingênua ou "sem estudo", como ouço por aí.
Mas e se estivermos
errados? E se essa busca desenfreada por vencer for, na verdade, uma corrida
rumo ao abismo? Seremos todos kamikazes modernos, detonando a própria vida em
nome de uma vaidade que, no fim, não salva, não cura e não permanece.
Talvez perder, às vezes,
seja a melhor saída. Perder para si mesmo, para o orgulho, para o ego. Perder
para ganhar em humanidade, em empatia, em compaixão. Porque nem sempre quem
chega primeiro vence. Às vezes, a grande vitória está em parar, respirar e deixar
o outro passar.
E você? Está mesmo
ganhando? Ou só perdendo tempo?
Pedro Cláudio é
jornalista e radialista.