domingo, 24 de agosto de 2025

Quando a fé sustenta e o caminhar vacila

 

Por Pedro Claudio Rosa – 24 de agosto de 2025


Minha profissão religiosa é coletiva e particular ao mesmo tempo.
Meu caminhar é solitário e comunitário ao mesmo tempo.
Meu viver é único e coletivo ao mesmo tempo.

No entanto, a fé que entranha meus pensamentos e guia minhas ações é minha: íntima, misteriosa, pulsante. A vida é coletiva, mas a morte será solitária, e nesse abismo pessoal só a confiança em Deus pode me sustentar.

Sou como aquela comunidade apontada por Jesus: “Homem de pouca fé, por que duvidaste?” (Mt 14,31). Contudo, anseio ser como aquele que possui fé do tamanho de um grão de mostarda, pois está escrito: “Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a esta montanha: ‘Passa daqui para lá’, e ela passará; e nada vos será impossível” (Mt 17,20).

Porque ter fé capaz de mover montanhas me leva à plenitude da vida, àquele lugar onde a esperança não desiste e o amor não se apaga.

Creio fielmente na presença de Deus em minha humanidade, não apenas na mão criadora que me formou, mas no convite constante para lançar-me em águas mais profundas, como o Senhor disse a Simão: “Faze-te ao largo, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4).

Quiçá um dia, caminhando sobre as águas como Pedro, eu possa levar uma mensagem de paz. Uma paz que nasce da Palavra – essa espada afiada, viva e eficaz: “Mais cortante do que qualquer espada de dois gumes” (Hb 4,12).

No princípio era só a Palavra, e “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1,1). Pela Palavra tudo veio à existência, e pela Palavra eu existo.

Que esta Palavra me edifique.
Que me dê resiliência.
Que me faça resistir aos devaneios do mundo.
Que me leve sempre ao centro da vontade de Deus, onde a fé, ainda que pequena, floresce em eternidade.


domingo, 17 de agosto de 2025

Democracia: conceito, fundamentos e desafios

 

Democracia: conceito, fundamentos e desafios

 


Por Pedro Claudio – jornalista e historiador

Texto construído a partir de pesquisas

 

A palavra democracia tem origem na Grécia Antiga, formada por dois termos: demos (povo) e kratos (poder ou governo). Assim, etimologicamente, democracia significa “poder do povo” ou “governo do povo”. Na prática, trata-se de um sistema político em que a soberania reside no povo, exercida diretamente ou por meio de representantes eleitos.

 

O filósofo e jurista italiano Norberto Bobbio (1909–2004), um dos maiores estudiosos da democracia no século XX, define-a não como um regime perfeito, mas como um conjunto de regras do jogo político que garantem a participação e o controle dos cidadãos sobre os governantes. Para Bobbio, a democracia não é apenas um ideal, mas sim um processo institucional que deve assegurar direitos, liberdades e mecanismos de fiscalização do poder.

 

“O problema da democracia não é apenas o de saber quem governa, mas como governa.”

— Norberto Bobbio, O Futuro da Democracia

 

Os pilares da democracia

 

Para que um regime seja efetivamente democrático, alguns princípios básicos devem ser preservados:

 

Direitos individuais e coletivos – Liberdade de expressão, direito de opinião, de escolha política, de organização social e partidária.

 

Instituições fortes e independentes – Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal e demais órgãos de controle devem atuar de forma autônoma.

 

Processos legais e devido processo – Nenhum cidadão pode ser condenado sem ampla defesa, provas contundentes e julgamento fundamentado.

 

Presunção de inocência – Até que se prove o contrário, todos são inocentes perante a lei.

 

Respeito à divergência – Ser democrático significa aceitar opiniões diferentes, desde que não envolvam violência, crimes ou desrespeito às leis.

 

Democracia x Autoritarismo

 

Na democracia, um processo judicial segue várias etapas: investigação policial, análise do Ministério Público, direito de defesa, aceitação (ou não) da denúncia por um magistrado, oitiva de testemunhas e, só depois, eventual condenação. É um caminho longo, mas necessário para garantir justiça.

 

No autoritarismo, não há essa garantia: muitas vezes a acusação já é seguida de condenação sumária, sem defesa nem fundamentação legal. É por isso que, apesar de suas imperfeições, a democracia ainda representa o regime político mais seguro para proteger direitos e limitar abusos de poder.

 

Indicações de leitura

 

Norberto Bobbio – O Futuro da Democracia (1984)

 

Robert Dahl – Sobre a Democracia (1998)

 

Alexis de Tocqueville – A Democracia na América (1835)

 

José Afonso da Silva – Curso de Direito Constitucional Positivo (obra fundamental para entender a democracia no Brasil)

 

👉 Em resumo, compreender a democracia exige reconhecer que ela não é apenas “o governo da maioria”, mas um sistema complexo de garantias, responsabilidades e equilíbrios institucionais. Defender a democracia significa respeitar as regras do jogo democrático, mesmo quando pensamos diferente.

 

Objetivo: contribuir para um debate saudável.

Por Pedro Claudio – jornalista e historiador – Texto construído a partir de pesquisas.

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Conheça-te a ti mesmo

 


Conheça-te a ti mesmo

Por Pedro Claudio Rosa

Nos anos 90, encontrei Micheline Lacasse.
Psicóloga canadense, viajante de almas,
trouxe na bagagem um livro que soava mais como um oráculo:
“Conheça-te a ti mesmo”.

Passamos um fim de semana juntos,
entre conversas e silêncios,
e aquela frase ficou em mim como pedra de rio,
rolando por anos no fundo da consciência.

Na juventude, eu jurava que me conhecia.
Sabia o que queria, o que temia,
o que me fazia sorrir ou sangrar.
Mas não sabia nada.

A vida — professora severa —
me levou para salas de aula que eu nunca quis frequentar.
E foi assim que entendi:
há decisões em que não nos reconhecemos,
sobretudo quando somos colocados à prova.

Veio a sequência macabra.
A perda de Severiana, minha sogra,
companheira de rotina e cuidados,
baque seco.
Depois, minha mãe, esteio da família,
conselheira, raiz que nos mantinha reunidos.

E então, o abismo: Marlene.
Vinte e nove anos juntos — desde 19 de maio de 1990.
Trabalhadora, amada pelos filhos, pela comunidade,
única com diploma universitário em nossa família.
E, ainda assim, em 20 de janeiro de 2020,
decidiu partir pelo caminho sem volta.
Quatro anos e ainda não sei deglutir esse fato.

Segurei-me nos filhos, Tauã e Yure.
Mais tarde, Deus me enviou Eva Maria, também viúva,
para que um fosse o esteio do outro.
Hoje, caminhamos juntos, amparando nossas ruínas.

Mas não foi só o seio familiar que sofreu rachaduras.
Perdi amigos que eram faróis:
Roberto Lopes, parceiro de profissão.
Noildo Miguel, homem sábio e lutador.
Diácono Manoel Messias, chefe e amigo,
mesmo nas discordâncias,
meu confidente.
E Ovídio Joaquim dos Santos,
companheiro de missão na Igreja.

Como conviver com isso?
Não sei.
A gente fica aéreo, fora dos trilhos,
tomando caminhos que não seriam os desejados.

Peço a Deus que não me traga mais despedidas,
até que eu mesmo seja chamado
à eternidade —
esse campo fértil de incógnitas e fé.

E volto à pergunta de Micheline:
Conhece-te a ti mesmo?

Sou ministro ordenado da Igreja Católica.
Desde a infância, servi nos altares,
mas agora estou distante da missão,
em um relacionamento que a lei da Igreja proíbe.
Não me reconheço, mas também não me nego.
Talvez seja hora de reinventar a missão,
ou talvez seja hora de apenas caminhar.

Hoje sei:
não nos conhecemos.
Não conhecemos nossos caminhos.
Não somos donos do destino,
por mais que nos agarremos a essa ilusão.

Fatos nos empurram para atos.
Atos abrem trilhas.
E trilhas nos levam a paisagens
que nunca sonhamos.

Uma coisa é certa:
enquanto eu respirar,
quero sentir a alegria possível.
Que Deus me guie —
mesmo por estradas incertas —
para um mundo melhor.
Eu espero.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Afinal, sou mocinho ou bandido?

 


Afinal, sou mocinho ou bandido?

Por Pedro Claudio em 11 de agosto de 2025

Até pouco tempo, eu tinha certeza: sou do bem. Sou contra o mal. O mocinho da vida, não o vilão da história. Mas, ultimamente, essa certeza anda bamboleando. Parece que hoje, quem defende o bem comum, quem pensa no outro, quem acredita na justa distribuição de riquezas e no direito à saúde para todos, é visto com desconfiança — quase como um inimigo.

Se você quer que todos tenham acesso à faculdade que desejam, que as oportunidades sejam iguais, logo recebe um rótulo: “perigoso”, “vilão”, “contra o progresso”. O mundo virou do avesso, e eu me pego pensando: afinal, sou algoz ou vítima?

Na Igreja Católica, onde vivo minha fé como batizado, crismado e diácono ordenado, já ouvi que isso que penso é “teologia da libertação” — e lá de alguns vem o coro: “Cruz credo! Sai pra lá, comunista! Petista!”. Me convidam a virar as costas para o outro e, ao mesmo tempo, me dizem para me voltar para Cristo. Mas em Cristo está justamente o outro, o próximo. Como conciliar?

Parece que, se você defende causas sociais ou questiona o acúmulo exagerado de riqueza, automaticamente é contra o sistema, contra o país, contra tudo. E aí surge o rótulo de sempre: comunista, querendo transformar o Brasil numa Venezuela ou Cuba. Opiniões prontas, muitas vezes sem conhecer a realidade de lá, nem o contexto, nem o pretexto.

Vivemos num mundo estranho. Israel lança bombas e mata crianças, e há quem pendure a bandeira deles no altar de casa. Os Estados Unidos ameaçam o Brasil, impõem taxas, prejudicam nossa economia e provocam desemprego — e tem gente hasteando sua bandeira em praça pública, muitas vezes construída com dinheiro do próprio povo.

Diante disso, já não sei se sou vilão ou vítima, se estou ajudando ou atrapalhando, se estou aliviando ou aumentando o peso da cruz que tantos carregam. A crise não é só minha: é de identidade coletiva. E aí vem a pergunta: com quem se aconselhar? O mundo está rachado ao meio, e divisão — todos sabemos — significa “diabolos” na raiz da palavra, ou seja, o próprio demônio.

Que Deus nos dê sabedoria para viver e nos livre dos caminhos que negam a humanidade. Porque, diante dessa crise de identidade global, talvez só nos reste esperar — e confiar — numa intervenção divina.

Reflexão da vida Pedro Claudio de Iporá Goiás, 11 de agosto de 2025

domingo, 10 de agosto de 2025

Iporá Goiás-Duas mulheres presas por crimes violentos

Duas mulheres são presas em Iporá por crimes violentos

 Noticia publicada em 2016

Nesta semana, a Polícia Civil prendeu duas mulheres em Iporá (GO) pela prática de crimes violentos — uma por homicídio e outra por assalto à mão armada.

 

Na quarta-feira (17), em cumprimento de mandado de prisão expedido pela Justiça, Rosirene Rodrigues da Silva foi recolhida ao presídio local. Ela é apontada como autora do homicídio de Erasmo Silva Gonçalves, de 36 anos, ocorrido em 25 de dezembro de 2016.

 

Na data do crime, o corpo da vítima foi encontrado boiando no Rio Caiapó, nas proximidades da ponte na GO-221, entre Iporá e Palestina de Goiás. Segundo a investigação, Rosirene confessou ter matado o marido e contou com a ajuda do amante e de um tio para transportar o corpo do bairro Parque das Estrelas, em Iporá, até a ponte, de onde foi lançado no rio.

 

A segunda prisão ocorreu na segunda-feira (15), quando Milena Leite Santos foi detida após assaltar uma lanchonete no centro da cidade. Armada com uma faca, ela ameaçou clientes e funcionários, levando aparelhos celulares das vítimas antes de fugir em uma motocicleta de pequena cilindrada.

 

A polícia foi acionada imediatamente e localizou a suspeita chegando em sua residência, na Avenida Caiapó. Com ela, foram encontrados a arma utilizada no crime — uma faca de cozinha — e um celular roubado no assalto. Outros aparelhos também foram apreendidos na casa da suspeita.

 

As duas mulheres permanecem presas e à disposição da Justiça.

sábado, 9 de agosto de 2025

Manipulação: quem puxa as cordas?

 

Manipulação: quem puxa as cordas?
Por Pedro Claudio




Você já parou para pensar na manipulação? Já refletiu sobre como, muitas vezes, somos usados por alguém, por um grupo político, por líderes religiosos — até por um time de futebol? A fragilidade da nossa mente, somada às nossas paixões, pode nos levar a agir sem razão.

Vivemos cercados de incentivos para consumir e obedecer. Criam datas “comemorativas” para fazer você gastar o salário: Dia dos Pais, Dia das Mães, Natal, Dia das Crianças... e por aí vai. Tudo embalado por uma mídia insistente, que transforma afeto em mercadoria e carinho em prestação parcelada.

Na política, a manipulação é um espetáculo à parte. Veja as recentes cenas no Congresso: políticos paralisando o trabalho legislativo não para defender a maioria, mas para atender interesses de um grupo minoritário. Onde estava a preocupação com o atendimento de saúde pública? Com a manutenção de programas sociais? Com a geração de empregos? Ao contrário, parecia haver um esforço para desmontar o que foi construído com tanto custo.

Nas redes sociais, pobres eleitores se engalfinham, trocando ofensas e bloqueios, defendendo “seu lado” como se a vida dependesse disso. No fim, quem ganha? Os mesmos que se beneficiam do caos.

E a religião? Já reparou no luxo de alguns líderes religiosos? Palácios, carros importados, vida de conforto — tudo sustentado pelos fiéis que acreditam estar contribuindo “pela obra”. Mas será mesmo? Será que todo esse ouro brilha para Jesus ou só para os cofres de quem o administra?

O futebol segue a mesma lógica. Torcedores brigam, gastam dinheiro, enfrentam longas viagens para apoiar o time. Enquanto isso, jogadores recebem salários milionários e dirigentes vivem em alto padrão. O torcedor volta para casa de ônibus lotado, muitas vezes sacrificando uma refeição decente pelo ingresso do jogo.

Pix para políticos, dízimos sem retorno social, horas e mais horas defendendo interesses alheios: tudo isso é fruto de uma manipulação coletiva. Há sempre um manipulador e há os manipulados. De um lado, mentes brilhantes arquitetando estratégias; do outro, gente que não para para pensar.

Não vale a pena lutar cegamente por um partido político — a menos que você seja parte dele e conheça seus bastidores. Não vale entregar seu suor incondicionalmente para um time, já que o retorno financeiro vai para atletas e dirigentes. Na fé, vale ajudar, participar, fazer o bem. Mas é preciso estar atento: como vivem os líderes que você mantém? Eles se parecem mais com você ou com uma elite intocável?

Pense nisso. E, principalmente, não se deixe manipular.

Pedro Claudio – jornalista, pensador


quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Confusão sobre Imposto de Renda: isenção é para dois ou cinco salários mínimos? Entenda o que muda e quando

Confusão sobre Imposto de Renda: isenção é para dois ou cinco salários mínimos? Entenda o que muda e quando

Nas últimas horas, o noticiário nacional tem causado confusão entre os brasileiros que aguardam a prometida isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos. A medida foi anunciada ainda antes do prazo final para a entrega da declaração do IR em maio deste ano, o que fez muitos pensarem que já estariam livres da mordida do leão em 2025. Mas não é bem assim.

A verdade é que essa faixa ampliada de isenção — que beneficiaria quem recebe até R$ 5 mil mensais — ainda está em tramitação no Congresso Nacional e não vale para o próximo ano. Caso aprovada até o fim de 2025, só será aplicada nas declarações feitas em 2026, com base nos rendimentos de 2025.

Para complicar ainda mais, a Rede Globo noticiou ontem (07/08) que o Senado aprovou a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos (R$ 3.036). Muitos se perguntaram: “Mas não era até cinco salários?” A resposta é: a proposta dos dois salários mínimos é outra medida, com efeito imediato, para corrigir a tabela atual e garantir que quem ganha menos continue isento diante do aumento do salário mínimo.

A medida aprovada agora no Senado ratifica uma Medida Provisória que já estava em vigor e que poderia caducar por causa das recentes manifestações políticas no Congresso. Após dois dias de protestos contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a oposição desocupou o plenário, permitindo a votação simbólica do projeto.

O texto agora vai à sanção presidencial e mantém a isenção para quem ganha até dois salários mínimos — o que, na prática, evita que trabalhadores e aposentados dessa faixa sejam penalizados pela defasagem da tabela do IR diante do reajuste do mínimo.

Ou seja:

  • Isenção para até dois salários mínimos (R$ 3.036): já está em vigor e foi apenas confirmada pelo Senado;
  • ⚠️ Isenção para até cinco salários mínimos (cerca de R$ 7.600): ainda é promessa, e o projeto deve ser votado até o fim de 2025;
  • 📆 Quando isso vale? As mudanças afetam as declarações feitas em 2026, referentes ao ano-calendário 2025.

Enquanto isso, a população precisa de mais clareza para entender o que já é lei, o que ainda é promessa e quando, de fato, essas mudanças entram em vigor. Em meio a um 

Reflexão e debate sobre a atualidade, se puder comente para enriquecer.

 

Pedro Claudio Rosa em 07 de agosto de 2025


Diálogo entre fé e política: um debate entre amigos

Recebi recentemente uma provocação argumentativa vinda de um velho amigo evangélico, Valdiron Dias dos Santos. Somos conhecidos de longa data, embora hoje estejamos distantes geograficamente. Ainda assim, seguimos conectados pelo respeito mútuo e pelas conversas que atravessam o tempo, a fé e, claro, as questões políticas e sociais do nosso cotidiano.

Valdiron me presenteou com uma série de reflexões polêmicas — e também bastante comuns no debate atual — sobre a ideologia de esquerda, o comunismo, o capitalismo e até mesmo sobre a posição divina em relação à política, com base em citações bíblicas. Como não costumo fugir de um bom diálogo, decidi responder com o mesmo espírito fraterno, buscando um olhar histórico, teológico e humano sobre essas questões que tanto nos dividem, mas que também podem nos enriquecer quando debatidas com respeito.

Abaixo, compartilho o comentário original de Valdiron e, em seguida, a minha resposta, não para vencer uma discussão, mas para promover o entendimento — porque pensar diferente não precisa significar estar em lados opostos da vida.


Comentário original de Valdiron Dias:

“Só não entendo como tem gente que ainda defende esse sistema ideológico de esquerda, mesmo vendo a real situação dos países liderados por ela. E o pior, sequer conhecem a biografia dessa religião disfarçada de sistema político. E para piorar, onde você já viu um comunista repartir seus bens com os pobres? Uai, mas não é isso que significa ‘tudo em comum’? Não é mesmo o ápice da hipocrisia combater o capitalismo veementemente e viver totalmente nele?

E para piorar, ninguém dessa gente quer ir para um país comunista kkkk. Uai, mas esse regime não é digno de ser seguido como falam? Vê se não são um bando de idiotas que enganam a si próprios? Não conseguem apontar um exemplo bom num país desses, e nenhuma invenção criada por um esquerdista.

Até Deus é da direita quando disse: ‘Porei as ovelhas à minha Direita, e os bodes à esquerda.’”


Resposta ao texto de Valdiron Dias — por Pedro Cláudio

Meu amigo Valdiron,

Li com atenção sua mensagem e reconheço que ela expressa um sentimento comum entre muitas pessoas que, cansadas das distorções ideológicas e da hipocrisia política, acabam por rejeitar tudo o que pareça diferente daquilo que lhes foi ensinado como "certo". Respeito profundamente sua opinião, mas gostaria de oferecer uma reflexão, com base em história, teologia e vivência cidadã.

Antes de tudo, é importante lembrar que os termos "esquerda" e "direita" nasceram durante a Revolução Francesa, no final do século XVIII. Eram posições físicas no parlamento: à esquerda, os que defendiam reformas sociais e o fim dos privilégios da nobreza; à direita, os conservadores, defensores do status quo. Com o tempo, essas posições passaram a representar valores mais amplos: igualdade, justiça social e coletividade de um lado; propriedade, tradição e liberdade individual de outro. Nenhum dos dois lados, por si só, é totalmente bom ou mau. O problema começa quando se absolutiza qualquer uma dessas ideologias como se fosse religião — como você mesmo critica.

Você diz que a esquerda é uma “religião disfarçada de sistema político”. Isso pode até ser verdade para alguns radicais, mas vale lembrar que o mesmo pode ser dito de certas formas de direita cristã que usam a fé como ferramenta de dominação política — o que chamamos de teologia do poder, muitas vezes sem base nos Evangelhos.

Quando você menciona: “onde já se viu comunista repartir os bens com os pobres?”, te respondo com a própria Bíblia. Em Atos dos Apóstolos 2,44-45 está escrito:

“Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam propriedades e bens e os distribuíam a todos, conforme a necessidade de cada um.”

Essa era a primeira comunidade cristã. Não se tratava de ideologia política, mas de vivência de fé. Isso, se formos rigorosos, se aproxima muito mais do ideal comunal (de onde vem o termo “comunismo”) do que do individualismo meritocrático do sistema atual.

É claro que o comunismo como modelo de Estado fracassou em vários contextos. Mas devemos lembrar que o capitalismo também gera exclusão, desigualdade, exploração de mão de obra e crise ambiental. A miséria de milhões não pode ser explicada apenas como “falta de esforço” dos pobres, como a meritocracia sugere. Precisamos pensar em justiça, não apenas em liberdade.

Você pergunta por que quem critica o capitalismo vive dentro dele. É simples: porque o capitalismo é o sistema dominante e global, não há escapatória prática — mas isso não impede que pensemos alternativas mais humanas dentro dele. Não é hipocrisia querer reformar o que está errado. É coragem.

E sobre a ideia de que “até Deus é de direita”, por dizer que colocará as ovelhas à direita e os bodes à esquerda, permita-me um olhar teológico mais cuidadoso. Na simbologia bíblica, a “direita” é tradicionalmente associada à bênção e à autoridade (como em “assentar-se à direita de Deus”), mas não tem relação com política partidária moderna. Jesus também diz: “os últimos serão os primeiros”, “bem-aventurados os pobres”, e que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus.”

Seria, então, o Cristo um revolucionário social? Talvez sim. Mas antes disso, ele foi um anunciador da justiça e da misericórdia — valores que hoje estão escassos em qualquer espectro político.

Por fim, deixo claro que não acredito em nenhum modelo político absoluto. Esquerda, direita, centro — tudo pode servir ao bem comum, se for guiado pela ética, pela compaixão e pela busca sincera por justiça. A ideologia deve estar a serviço da vida, nunca acima dela.

Agradeço por podermos dialogar, mesmo em discordância. Esse tipo de conversa nos enriquece e evita que viremos massa de manobra de líderes que, estes sim, muitas vezes não creem nem em Deus nem no povo — apenas em seus próprios interesses.

Vamos seguindo, meu irmão. Com fé, respeito e sabedoria, como pediu Salomão.


Novo comentário de Valdiron: a resposta ao meu contra-argumento

Em continuidade ao nosso diálogo, Valdiron compartilhou um novo comentário, agora reforçando sua perspectiva com maior ênfase espiritual e doutrinária. Reproduzo abaixo seu posicionamento:

“Concordo em parte com você, Pedro, em alguns aspectos, haja vista que não definimos a política como regra áurea de fé, como também nenhuma religião. Ambas não definem o padrão ideal como um todo, mas precisamos avaliar aquela que mais se aproxima dos arcanos de Deus.

Não sei se você conhece a base do comunismo e de como ele foi formado, custando a vida de mais de cem milhões de pessoas — mas tudo bem. Eu só não entendo como uma pessoa que professa ser cristã em Cristo pode defender uma ideologia tão sanguinária como é o caso da esquerda, que foi formada numa afirmativa anticristã, sob deboche agnóstico do próprio cristianismo.

Aliás, por detrás de qualquer ideologia que vá chocar-se contra os preceitos cristãos, existe um panteão de deuses — e isso sim caracteriza uma oposição satânica clara.

O fato de Deus definir lado direito e esquerdo nos esclarece que existe um modo certo e outro errado. Um que será aprovado, e outro, desaprovado por Ele. Isso está definido desde o Éden, onde tudo começou por Caim e Abel — não só no lado espiritual, como também no físico. Qualquer crença, ideologia, status quo que não esteja fundamentado no modo estabelecido por Deus será desaprovado, como aconteceu com Caim que não quis reconhecer e voltar ao modo estabelecido por Deus ali.

Analisemos os parâmetros e veremos qual modo — tanto religioso quanto político — mais se aproxima de Deus. O modo certo define o errado, e não o contrário. Os dois fogos sagrados no Éden nos dão direção em toda nossa conduta de vida. Não há como maquiar essa realidade de vida.

Salomão não tem nenhuma moral para nos ditar o modo correto de vida. Ele só foi salvo por causa de seu pai Davi. Estamos muito além de Salomão — temos Jesus Cristo!”

Meu irmão Valdiron,

Fico grato pela continuidade da nossa conversa. Vejo no seu comentário zelo pela fé e pela verdade — e isso, sinceramente, é algo que respeito muito. Você tem uma preocupação legítima com a coerência entre a fé cristã e as ideias que escolhemos apoiar no campo político. É exatamente por isso que esse diálogo continua tão necessário.

Você diz que precisamos avaliar qual sistema mais se aproxima dos arcanos de Deus. Concordo plenamente. E acredito que essa avaliação deve ser feita com honestidade, espírito crítico e humildade — especialmente porque, como você mesmo disse, nem a política e nem a religião humana são padrões absolutos ou perfeitos.

Agora, quero destacar alguns pontos importantes do seu comentário e responder com calma:


1. “O comunismo custou cem milhões de vidas.”

Sim, regimes autoritários que se disseram comunistas, como o stalinismo na União Soviética, ou o maoísmo na China, cometeram crimes gravíssimos contra a humanidade. Isso é inegável e deve ser condenado por qualquer pessoa de bom senso.

No entanto, é preciso cuidado ao identificar toda ideia de esquerda ou de justiça social com esses regimes específicos. Da mesma forma que não seria justo acusar todo cristianismo de ser igual à Inquisição ou às Cruzadas, também não é justo dizer que todo pensamento de esquerda é anticristão ou assassino.

Há muitas vertentes de esquerda — assim como há muitas formas de viver a fé cristã. A esquerda democrática, por exemplo, busca igualdade social, defesa dos pobres, direitos humanos e dignidade do trabalho — princípios que dialogam muito com os ensinamentos de Jesus.


2. “Não dá para entender como um cristão pode apoiar uma ideologia anticristã.”

Valdiron, a sua afirmação parte de uma generalização que, sinceramente, não corresponde à realidade. Boa parte dos cristãos ao redor do mundo — inclusive teólogos, missionários e líderes religiosos — atuam politicamente inspirados por ideais de solidariedade, partilha, justiça social, combate à desigualdade... E muitos deles se identificam com valores de esquerda por verem nesses princípios um reflexo do Evangelho.

Foi o caso de Dom Hélder Câmara, arcebispo brasileiro, perseguido por defender os pobres. Ou de Martin Luther King Jr., pastor batista que lutou pelos direitos civis nos EUA. Nenhum deles pregou comunismo estatal, mas todos foram profundamente “de esquerda” no sentido ético e profético — e radicalmente cristãos.


3. “Por trás dessas ideologias há um panteão de deuses, oposição satânica.”

Essa parte do seu argumento é a que mais me preocupa. Porque quando rotulamos ideologias (e seus defensores) como “satânicas”, perdemos a possibilidade do diálogo e abrimos espaço para o ódio, o julgamento precipitado e até a perseguição — coisas que, como você bem sabe, Jesus nunca ensinou.

O apóstolo Paulo nos orienta a “provar tudo e reter o que é bom” (1 Ts 5:21). Há ideias boas na direita e há ideias boas na esquerda. E há distorções em ambos os lados. Julgar o todo por seus piores exemplos é sempre um risco.


4. “O lado direito e o lado esquerdo: Caim e Abel, certo e errado.”

Essa leitura dualista, onde um lado representa o bem e outro o mal absoluto, pode ser perigosa. Deus não é partidário, e a salvação não depende de um alinhamento político. A história de Caim e Abel não se resume a “um escolheu o sistema certo, o outro escolheu errado” — ela fala de atitude do coração, de intenção e de relação com Deus.

Sobre a metáfora da direita e da esquerda nas Escrituras: sim, há uma simbologia associada à bênção, mas isso não significa que Deus esteja alinhado com uma ideologia política moderna. Afinal, os conceitos de “esquerda” e “direita” surgiram mais de 1700 anos depois de Cristo. Não faz sentido forçar uma interpretação política onde havia apenas linguagem simbólica espiritual.


5. “Salomão não tem moral. Temos é Jesus Cristo.”

Sim, temos Jesus! E Ele mesmo disse: “Maior que Salomão está aqui”. Mas negar o valor das Escrituras inspiradas, como Provérbios ou Eclesiastes, porque Salomão errou, seria também desconsiderar outros homens de Deus que falharam — como Moisés (que matou um egípcio), Davi (que pecou gravemente), Pedro (que negou Jesus) e tantos outros.

Deus escreve certo por linhas tortas, amigo. Salomão errou, mas sua sabedoria — que ele mesmo reconheceu como dom divino — segue nos ensinando até hoje. E ela nos convida a buscar discernimento, humildade e justiça.


Encerrando com o essencial

Meu querido Valdiron, reafirmo: não sou defensor cego de nenhum sistema. Mas também não creio que a fé cristã deva ser refém de um único alinhamento ideológico. Jesus veio para libertar, não para aprisionar o pensamento humano em categorias políticas fixas.

A fé que me move é a que se traduz em ação pelos pobres, pelos que sofrem, pelos esquecidos. Se isso me aproxima de ideias consideradas “de esquerda”, que assim seja. Mas jamais serei conivente com ideologias que neguem a dignidade humana, venham de onde vierem.

Continuo aberto ao diálogo e agradecido por podermos conversar com profundidade, mesmo em discordância. Que sigamos sendo irmãos — não por pensarmos igual, mas por buscarmos juntos o Reino que, como disse o Mestre, não é deste mundo, mas já pode ser sinalizado nas nossas atitudes.

Com carinho e respeito,
Pedro Cláudio

 


terça-feira, 5 de agosto de 2025

Crônica para pensar: Nunca diga “dessa água não beberei”

 

Nunca diga “dessa água não beberei”
Por Pedro Claudio Rosa
05 de agosto de 2025, às 19h15



“Dessa água não beberei.” “O mundo dá muitas voltas.” “Aqui se faz, aqui se paga.” “Você só quer o nosso reino, nada de ‘venha a nós’.” “Pagando língua, entojado você!”

Recolhi essas pérolas da boca da minha saudosa mãe, dona Luzia. Mulher de fibra, que mesmo sem saber ler ou escrever, dominava suas crias — e às vezes também a vara. Sabedoria não se mede por diplomas; tem gente que nasce com ela enraizada no peito, e minha mãe era dessas. Bastava uma palavra dela e a gente se ajeitava. E, se não fosse pela palavra, era pela chinela voadora mesmo.

Quem tem mãe e pai sábios ganha uma bússola moral. Aprende que é melhor ouvir mais e falar menos. Está até na Bíblia, como diria um amigo meu que, depois de uma vida inteira guiado por si mesmo, virou crente. Agora diz que se guia pelo Livro Sagrado — mas só segundo o que ele mesmo entende, ou melhor, o que o “professor” dele interpreta.

Aliás, entender a Bíblia… isso sim é coisa complicada. Nem os doutores no assunto entram em consenso. Os exegetas — esses estudiosos das Escrituras — vivem debatendo interpretações. Mas quem leu a Bíblia no hebraico, aramaico ou grego sabe que cada palavra carrega sentidos que se perdem nas traduções.

Tenho amigos que são verdadeiras fontes vivas dessa sabedoria, como o Padre Dionivaldo Rosa Pires e o teólogo Mariosan de Souza Marques. Mas também acredito que a sabedoria popular é uma centelha divina. Gente simples, sem letras, mas com coração cheio de justiça, paz, temor de Deus e compaixão — como Jesus ensinou.

Meu pai, José Cláudio, o famoso Zé Faete, também gostava das palavras de impacto que aprendeu com meu avô, Lafaiete Cláudio Rosa. Dizia: “Mil anos chegará, dois mil não chegará.” Vai saber o que ele queria dizer com isso, mas soava forte, quase profético.

Lembro também das histórias de São Cipriano, aquele que, diziam, tinha um livro capaz de prender demônios. Na infância, eu acreditava com medo e fascínio. Hoje, acredito mais na ciência e no estudo, mas também nessa sabedoria humana que vem do alto, e na inteligência como presente divino.

A gente muda, mas nem tanto. Ainda carrego comigo aquele tremor diante do desconhecido, mas agora ele tem outro nome: consciência. Perdi a inocência, mas não o temor.

O mundo, esse mesmo mundo que gira, ainda está cheio de ignorância. Tem gente que aponta o comunismo como um fantasma sem nem saber o que é. Outros vivem aterrorizados com uma tal de "Nova Era", que nem sei se é gente, doutrina ou meme — só sei que falam com tanta certeza que até assusta quem tem um mínimo de senso.

Peço a Deus, em minhas orações, não apenas que me mantenha firme, mas que me conceda a sabedoria dos antigos. Que eu consiga ver o presente com as virtudes cardeais — prudência, justiça, fortaleza e temperança — e com as teologais: fé, esperança e caridade.

E que, ao fim das contas, eu possa beber da água certa. Mesmo que um dia eu tenha dito que não beberia.

 Pedro Claudio em 05 de agosto de 2025, às 19h15

quinta-feira, 31 de julho de 2025

O Dono da Bola pode ser o dono do mundo!

 

O Dono da Bola


Por Pedro Claudio

Histórias da vida são como reprises de um velho filme: repetidas, mas sempre com um detalhe novo. Certa vez, em minha cidade Iporá, no interior de Goiás, nos anos 70, o cotidiano era bem diferente do de hoje. Não havia celular, internet nem televisão para todos — e as que existiam eram em preto e branco, com imagem tremida e som indecifrável em dias de chuva. Nosso mundo cabia no rádio. Esse sim era o rei da comunicação. Tínhamos o Tarzan, O Homem de Seis Milhões de Dólares, Daniel Boone, entre outros heróis que só existiam nas ondas sonoras ou na tela rarefeita dos poucos aparelhos de TV.

Mas o verdadeiro passatempo era o futebol. As peladas de fim de tarde reuniam quase toda a molecada da rua. O campo? Um terreno de terra batida, às vezes com mais buraco que chão. Os gols eram improvisados com duas estacas fincadas no chão, sem travessão, sem rede. Jogávamos descalços, com calções remendados e, muitas vezes, sem camisa. O uniforme era a coragem e a vontade.

Tinha sempre aquele — o dono da bola. Era o menino cuja família tinha uma condição um pouco melhor, e ele ostentava o poder: era dono do objeto mais valioso daquele universo. E, como era de se esperar, era também o único jogador que nunca ficava de fora. Mesmo sem ser habilidoso, era titular absoluto. Ele escolhia os times, puxava os craques para o seu lado e, claro, quase sempre ganhava. Até que um dia, o imprevisto aconteceu: perdeu.

Na regra do racha, quem perdia saía pra dar vez a outro. Mas o dono da bola não aceitou. Fez bico, colocou a bola debaixo do braço e foi embora pisando duro, como um adolescente contrariado. Acabou com a brincadeira. Só não acabou com a nossa vontade de jogar. Improvisamos com o que tínhamos: uma lobeira — fruta dura, redonda e traiçoeira, que feria os pés descalços, mas não nos impedia de seguir jogando. Era isso ou encarar a tarde em casa, ouvindo rádio e esperando a noite escura, sem energia e sem nada para fazer.

Anos depois, percebo como aquela cena se repete no mundo dos grandes. Hoje temos donos da bola em muitos espaços — poderosos que, ao se verem ameaçados por uma união dos pequenos, ameaçam recolher o brinquedo. “Ou aceitam minhas regras, ou o jogo acaba”. E aí ficamos todos nós, os descalços do sistema, com o mesmo dilema: ou nos machucamos chutando lobeiras, ou assistimos a tarde acabar sem jogo, sem riso e sem escolha.

A verdade é que o dono da bola pode até sair emburrado, mas quem tem fome de jogar sempre encontra um jeito. Mesmo que doa nos pés.

Pedro Claudio jornalista, radialista historiador estudante de teologia 

segunda-feira, 28 de julho de 2025

A Inteligência Artificial – entre o desafio e a evolução da humanidade

 

A Inteligência Artificial – entre o desafio e a evolução da humanidade

Pedro Claudio em 28 de julho de 2025

A afirmação de que a inteligência artificial desafia a humanidade pairam em nossa mente e, é, sem dúvida, pertinente. Vivemos um momento histórico em que ferramentas automatizadas estão cada vez mais presentes em nossas rotinas, do trabalho à vida pessoal. Por um lado, há o risco real de que a IA nos torne mais passivos, acomodados diante da facilidade em obter respostas, realizar tarefas e acessar soluções prontas. A reflexão sobre a “preguiça mental” gerada por essa comodidade é válida e necessária.

Por outro lado, não se pode ignorar o potencial da inteligência artificial como instrumento de expansão do pensamento humano. Ao facilitar tarefas repetitivas, a IA libera tempo e energia para que nos dediquemos ao que há de mais humano: a criatividade, a análise crítica, a empatia, a arte e a imaginação. Ela abre mentes ao possibilitar novas formas de aprendizado, acesso ao conhecimento e conexão entre ideias que antes pareceriam distantes ou inacessíveis.

Assim, é interessante perceber que a IA não nos limita, mas nos desafia a refletir sobre nosso papel na sociedade e sobre como queremos utilizar essa tecnologia. Ela pode tanto acomodar quanto impulsionar. Tudo depende do uso que fazemos dela. A inteligência artificial é espelho: reflete nossa intenção, nossos valores e nossa capacidade de evoluir com consciência, assim a inteligência artificial desafia a humanidade. Pode nos tornar mais acomodados e preguiçosos, mas, ao mesmo tempo, facilita nossas tarefas e expande nossas mentes. Nossa capacidade cognitiva ganha reforço com seu uso consciente.