quinta-feira, 31 de julho de 2025

O Dono da Bola pode ser o dono do mundo!

 

O Dono da Bola


Por Pedro Claudio

Histórias da vida são como reprises de um velho filme: repetidas, mas sempre com um detalhe novo. Certa vez, em minha cidade Iporá, no interior de Goiás, nos anos 70, o cotidiano era bem diferente do de hoje. Não havia celular, internet nem televisão para todos — e as que existiam eram em preto e branco, com imagem tremida e som indecifrável em dias de chuva. Nosso mundo cabia no rádio. Esse sim era o rei da comunicação. Tínhamos o Tarzan, O Homem de Seis Milhões de Dólares, Daniel Boone, entre outros heróis que só existiam nas ondas sonoras ou na tela rarefeita dos poucos aparelhos de TV.

Mas o verdadeiro passatempo era o futebol. As peladas de fim de tarde reuniam quase toda a molecada da rua. O campo? Um terreno de terra batida, às vezes com mais buraco que chão. Os gols eram improvisados com duas estacas fincadas no chão, sem travessão, sem rede. Jogávamos descalços, com calções remendados e, muitas vezes, sem camisa. O uniforme era a coragem e a vontade.

Tinha sempre aquele — o dono da bola. Era o menino cuja família tinha uma condição um pouco melhor, e ele ostentava o poder: era dono do objeto mais valioso daquele universo. E, como era de se esperar, era também o único jogador que nunca ficava de fora. Mesmo sem ser habilidoso, era titular absoluto. Ele escolhia os times, puxava os craques para o seu lado e, claro, quase sempre ganhava. Até que um dia, o imprevisto aconteceu: perdeu.

Na regra do racha, quem perdia saía pra dar vez a outro. Mas o dono da bola não aceitou. Fez bico, colocou a bola debaixo do braço e foi embora pisando duro, como um adolescente contrariado. Acabou com a brincadeira. Só não acabou com a nossa vontade de jogar. Improvisamos com o que tínhamos: uma lobeira — fruta dura, redonda e traiçoeira, que feria os pés descalços, mas não nos impedia de seguir jogando. Era isso ou encarar a tarde em casa, ouvindo rádio e esperando a noite escura, sem energia e sem nada para fazer.

Anos depois, percebo como aquela cena se repete no mundo dos grandes. Hoje temos donos da bola em muitos espaços — poderosos que, ao se verem ameaçados por uma união dos pequenos, ameaçam recolher o brinquedo. “Ou aceitam minhas regras, ou o jogo acaba”. E aí ficamos todos nós, os descalços do sistema, com o mesmo dilema: ou nos machucamos chutando lobeiras, ou assistimos a tarde acabar sem jogo, sem riso e sem escolha.

A verdade é que o dono da bola pode até sair emburrado, mas quem tem fome de jogar sempre encontra um jeito. Mesmo que doa nos pés.

Pedro Claudio jornalista, radialista historiador estudante de teologia 

segunda-feira, 28 de julho de 2025

A Inteligência Artificial – entre o desafio e a evolução da humanidade

 

A Inteligência Artificial – entre o desafio e a evolução da humanidade

Pedro Claudio em 28 de julho de 2025

A afirmação de que a inteligência artificial desafia a humanidade pairam em nossa mente e, é, sem dúvida, pertinente. Vivemos um momento histórico em que ferramentas automatizadas estão cada vez mais presentes em nossas rotinas, do trabalho à vida pessoal. Por um lado, há o risco real de que a IA nos torne mais passivos, acomodados diante da facilidade em obter respostas, realizar tarefas e acessar soluções prontas. A reflexão sobre a “preguiça mental” gerada por essa comodidade é válida e necessária.

Por outro lado, não se pode ignorar o potencial da inteligência artificial como instrumento de expansão do pensamento humano. Ao facilitar tarefas repetitivas, a IA libera tempo e energia para que nos dediquemos ao que há de mais humano: a criatividade, a análise crítica, a empatia, a arte e a imaginação. Ela abre mentes ao possibilitar novas formas de aprendizado, acesso ao conhecimento e conexão entre ideias que antes pareceriam distantes ou inacessíveis.

Assim, é interessante perceber que a IA não nos limita, mas nos desafia a refletir sobre nosso papel na sociedade e sobre como queremos utilizar essa tecnologia. Ela pode tanto acomodar quanto impulsionar. Tudo depende do uso que fazemos dela. A inteligência artificial é espelho: reflete nossa intenção, nossos valores e nossa capacidade de evoluir com consciência, assim a inteligência artificial desafia a humanidade. Pode nos tornar mais acomodados e preguiçosos, mas, ao mesmo tempo, facilita nossas tarefas e expande nossas mentes. Nossa capacidade cognitiva ganha reforço com seu uso consciente.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Sou o que sou

 


Sou o que sou

(por Pedro Claudio Rosa)

Sou o que sou.
Cristão? Creio que sim — porque creio.
Mesmo que me forcem rótulos,
mesmo que tentem moldar minha fé
no ferro de suas certezas alheias.

A cada dia, um agnóstico
não por dúvida,
mas porque insistem que eu duvide.
Católico, certeza — por herança, por insistência.
Diácono, para sempre —
ordem recebida, aceite, concebida com temor e coragem.

Sou ovelha —
não desgarrada,
mas escorregada…
com um pé fora do aprisco,
o outro preso na esperança.
Ovelha meio banida, meio lembrada,
que insiste em permanecer
mesmo quando o rebanho vira o rosto.

Por escolha própria,
por força das circunstâncias,
por amor, por teimosia —
assim sou, assim sigo.

Sou Pedro Claudio Rosa.
Esposo, Pai, filho, irmão,
crente, firme,
tentado o tempo todo.
Escorraçado por muitos,
mas encrustado onde importa.

Sou sem culpa plena,
sem inocência total —
mas com decência.
Essa é minha essência.

Sou eu.

domingo, 20 de julho de 2025

Mistérios da Existência e os Caminhos da Salvação

 


Mistérios da Existência e os Caminhos da Salvação

Por Pedro Claudio Rosa 20 de julho de 2025

 

Os mistérios da existência sempre inquietaram o coração humano. Desde os primórdios, os seres vivos pensantes, nós, os humanos, buscamos compreender nosso propósito, nossa origem e nosso destino. Para o homem de fé cristã, a resposta a essas perguntas repousa nas Escrituras. A Bíblia é fonte de esperança e revelação. Ali encontramos palavras que apontam para a vida após a morte e o consolo da eternidade.

 

Quando Jesus, pregado na cruz, olha para o lado e diz ao ladrão arrependido: “Em verdade te digo: ainda hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23,43), Ele oferece não apenas a promessa do Céu, mas também a misericórdia infinita de Deus. Em outros momentos, como em João 11,25-26, Ele afirma: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim jamais morrerá”. Palavras que aquecem o coração de quem crê.

 

No entanto, não podemos ignorar que essas mesmas promessas, por vezes, são distorcidas. Muitos se aproveitam da fé alheia. Criam infernos sob medida, desenham demônios em cada esquina, e oferecem o antídoto — desde que você entre no templo certo, pague o valor certo, obedeça a autoridade certa. O medo vira moeda, e o paraíso, um produto à venda. Como alerta Jesus em Mateus 7,15: “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelha, mas por dentro são lobos devoradores”.

 

Nesse cenário, surge a dúvida legítima: será que o simples fato de frequentar uma igreja, de doar dinheiro, garante a salvação? E os que nunca ouviram falar de Jesus? E os que nasceram sob outras crenças, outras culturas, outros deuses?

 

Um agnóstico religioso — se essa expressão ousada pode ser usada —,  pergunta: quais os verdadeiros caminhos para a salvação? Será possível que um Deus justo e amoroso condene alguém que viveu com bondade, mas sem conhecer o Cristo? Será que a fé precisa, obrigatoriamente, de um rótulo e uma denominação?

 

É fato que a religião, em muitos momentos da história, foi ferramenta de dominação. E também é fato que, sem algum tipo de freio moral, o ser humano pode mergulhar no caos. Há, sim, uma necessidade de ordem, de valores, de esperança que transcenda a vida terrena. Talvez, mais do que o medo do inferno, o que nos move é o desejo de viver com sentido, de fazer o bem, de amar e ser amados.

 

Jesus, acima de tudo, ensinou o amor. “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (João 13,34). A fé cristã genuína não se resume a normas ou templos, mas à vivência desse amor, ao combate contra as injustiças, à solidariedade com os pobres, à promoção da paz.

 

Estar no templo pode ser um alívio, um lugar de encontro com o divino. Mas cuidado: na luta contra a manipulação, há o risco de endurecer o coração, tornar-se cético demais, frio demais, e viver como os irracionais — sem fé, sem amor, sem esperança.

 

Somos pensantes. Isso nos dá responsabilidade. Conforme Gênesis 2,7, “Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego da vida”. Do pó viemos e ao pó retornaremos. Mas enquanto há fôlego, há missão.

 

Somos nada — diante da eternidade — e, ao mesmo tempo, somos tudo, porque somos capazes de refletir, de escolher, de amar. Não tenhamos medo de pensar. Mas não nos esqueçamos de sentir. A razão é luz, mas o amor é chama. Que nosso caminho seja guiado por ambas.

 

Pense. Reflita. E, sobretudo, ame.

Pedro Claudio, pensando, no domingo 20 de julho de 2025

terça-feira, 15 de julho de 2025

Onde está o Cristo pobre em meio a tanto luxo?

 

Onde está o Cristo pobre em meio a tanto luxo?

Por Pedro Claudio, 15 de julho de 2025


Sempre me pergunto, com o coração inquieto: se Jesus foi simples, pobre, defensor dos pobres e sempre pregou isso, por que temos hoje tantos sinais de ostentação entre nós, seus seguidores? Por que vestes caras, paramentos reluzentes, igrejas que mais parecem palácios, onde o pobre muitas vezes entra com receio, sentindo que não pertence àquele lugar?

É difícil compreender. E não falo como quem está de fora. Participei de cursos de teologia, formações pastorais e bíblicas, e mesmo assim me vejo cercado de dúvidas. Porque o Evangelho é claro — não deixa margem para interpretações condescendentes com a acumulação de bens.

Disse Jesus ao jovem rico:

“Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me.”
(Mateus 19,21)

E mais adiante, completa:

“É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.”
(Mateus 19,24)

Essas palavras não são simbólicas ou exageradas. São diretas, desafiadoras. Elas confrontam a lógica do mundo — e deveriam confrontar a Igreja também, quando esta parece preferir a segurança do luxo à radicalidade do Evangelho.

Onde estão hoje os seguidores de São Francisco de Assis, de Santa Dulce dos Pobres, do Papa João XXIII — homens e mulheres que, com simplicidade, fizeram da sua vida um testemunho? Carros populares tornaram-se quase escândalo. Celulares simples, exceção. A desculpa é a segurança, a necessidade do trabalho. Mas até onde isso é verdade? E onde começa a sede por status?

É fácil julgar os outros, é verdade. Muitos políticos, por exemplo, chegam dizendo que vão mudar o sistema, mas logo que assumem um cargo, passam a servir-se dele. Isso também ocorre em nossas comunidades. Há os que começaram ao lado dos pobres, mas com o tempo, preferiram os salões dos mais abastados.

O Papa Francisco vem nos lembrando da “Igreja em saída”, uma Igreja “pobre para os pobres”. Mas será que estamos realmente seguindo esse caminho?

“Acumulastes tesouros nos últimos dias. Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram vossos campos, que por vós foi retido com fraude, está clamando.”
(Tiago 5,3-4)

Hoje, não é incomum ver taxas para sacramentos, ofertas “obrigatórias”, festas que excluem quem não pode pagar. O discurso é acolhedor, mas na prática... basta olhar quem está no banco ao lado. Quantos dos pequenos realmente permanecem? Quantos se sentem à vontade?

Apesar de tudo isso, não falo como quem se coloca acima. Eu também erro, também sou parte dessa realidade. Também carrego a minha parcela de incoerência. Mas, por isso mesmo, me questiono: será que nossa conversão é real? Ou é só de aparência?

“Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e os ladrões arrombam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu.”
(Mateus 6,19-20)

Que a cada dia, ao olhar para o Cristo crucificado — nu, rejeitado, excluído — possamos rever nossas prioridades. Que a nossa conversão seja sincera, cotidiana. E que, mesmo em meio à modernidade, não percamos o essencial: a simplicidade, o amor aos pobres, a partilha.

“Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.”
(Mateus 5,3)

sábado, 12 de julho de 2025

Taxação dos EUA contra o Brasil levanta dúvidas e conexões políticas inusitadas

 

Taxação dos EUA contra o Brasil levanta dúvidas e conexões políticas inusitadas
Por Pedro Cláudio

12 de julho de 2025

A recente decisão do ex-presidente americano Donald Trump de anunciar medidas tarifárias contra o Brasil surpreendeu até mesmo os analistas mais experientes. O movimento, aparentemente econômico, carrega uma nuvem de incertezas e levanta suspeitas sobre motivações políticas ocultas — especialmente ao se observar que Trump, em seus discursos, tem colocado o ex-presidente Jair Bolsonaro como figura central de defesa, como se o Brasil estivesse agindo de forma injusta contra ele.

É difícil entender a lógica por trás dessa retaliação comercial. Há quem diga que Trump está mal informado sobre o contexto brasileiro, especialmente sobre o processo judicial que envolve Bolsonaro. Mas essa hipótese parece fraca. Trump, ainda que polêmico, costuma agir com estratégia — ou pelo menos com base em um cálculo político. É mais plausível pensar que há algo maior em jogo.

No Brasil, apesar das críticas constantes às instituições, o Judiciário mantém sua independência. O presidente Lula, mesmo que quisesse atender a um pedido de Trump em favor de Bolsonaro, não teria meios legais ou institucionais para intervir. A situação de Bolsonaro é clara: ele enfrenta acusações sérias de violar a lei, especialmente ao não aceitar o resultado das eleições e por espalhar desinformação sobre as urnas eletrônicas sem qualquer prova concreta.

A postura de Trump, portanto, parece ser menos sobre justiça ou verdade e mais sobre sinalização política a seus próprios apoiadores — especialmente considerando que Bolsonaro é visto por muitos como um aliado ideológico nos moldes do “trumpismo tropical”. Essa aliança entre os dois, ainda que simbólica, parece render frutos nas estratégias eleitorais de Trump, que já está em campanha.

Economistas e analistas internacionais destacam ainda outro ponto que não pode ser ignorado: o avanço dos países do Brics e a tentativa de construção de uma nova ordem econômica mundial. Nesse cenário, os Estados Unidos se sentem pressionados por uma possível perda de influência global. Países como China, Rússia, Índia, Brasil e África do Sul — e os novos membros que vêm se juntando ao bloco — começam a ensaiar uma autonomia em relação ao dólar, aos mercados ocidentais e aos centros de poder tradicionais.

A taxação, portanto, pode ser uma forma de aviso: um gesto agressivo que busca manter o Brasil e outros países do Sul Global sob vigilância e pressão, dificultando movimentos que ameaçam a hegemonia americana.

No fim, tudo parece parte de um jogo geopolítico maior, onde interesses econômicos, alianças ideológicas e estratégias eleitorais se misturam. Ainda assim, paira a dúvida: será que Trump realmente acredita nas narrativas que defende? Ou tudo faz parte de um plano mais amplo, pensado e executado com objetivos muito além das aparências?

Seja qual for a resposta, é um momento de alerta — e de análise cuidadosa — tanto para o Brasil quanto para o mundo.

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Minha fé, minha esperança, minha fortaleza!

 “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou” (Gl 5,1)

Por Pedro Cláudio, diácono permanente, em férias do trabalho, junho de 2025, expondo pensamento e opinião pessoal.


Deus nunca é peso. A missão que vem d’Ele jamais oprime. Quando o que você faz, mesmo em nome de Deus, se transforma em fardo, cansaço espiritual e opressão, cuidado: isso pode não ser a missão divina, mas sim um projeto humano. Pode ser que você esteja sendo manipulado por pessoas, grupos ou estruturas que se escondem atrás de um verniz religioso para manter privilégios ou exercer poder.

Jesus foi claro ao dizer:


“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”
(Mateus 11,28-30)

Se o que você faz é com alegria, com a certeza interior de que está colaborando para algo maior e bom, com paz no coração e sem buscar recompensa, então você está servindo a Deus. Porque Ele não deseja sacrifícios vazios, nem quer que você se anule:

“Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância.”
(João 10,10)

Infelizmente, muitos estão engajados em atividades religiosas não por fé viva, mas por medo da condenação, por desejo de agradar líderes religiosos ou por status social. Entram em grupos, dedicam tempo, participam de eventos, mas com o coração distante, presos à ideia de que isso “compra” a salvação. Isso não é fé — é submissão a um sistema.

Deus não se alegra com aparências:

“Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim.”
(Isaías 29,13, citado por Jesus em Mateus 15,8)

A fé verdadeira amadurece com o tempo, com a experiência. Não se trata de fazer tudo o que mandam, mas de viver segundo a liberdade dos filhos de Deus (cf. Rm 8,14-15).
Posso dizer, com mais de 40 anos de caminhada na Igreja, que minha fé não foi abalada, mas se tornou mais consciente, firme e serena. Hoje vejo com clareza que muitas das obrigações impostas nada tinham a ver com o Evangelho de Jesus, e sim com interesses de homens.

Não acredito em “espantalhos espirituais” criados para gerar medo e depois oferecer a solução “mágica” por parte de alguns. Isso não é Evangelho, é estratégia de manipulação.
Jesus não prometeu sinais extraordinários a quem duvida:

“Nenhum sinal será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas.”
(Mateus 12,39)

Jonas passou três dias no ventre da baleia — figura que os evangelistas associam aos três dias de Cristo no sepulcro. Esse é o sinal máximo: a Ressurreição. Já temos tudo o que precisamos para crer. Quem quer mais que isso, talvez não esteja buscando fé, mas espetáculo.

Portanto, viva com confiança. Você é filho do Bem, do Deus Criador, e não de um mal oculto que te vigia. Você nasceu para ser feliz.
Peça sabedoria, como Salomão pediu:

“Concede, pois, ao teu servo um coração cheio de sabedoria para julgar o teu povo e discernir entre o bem e o mal.”
(1 Reis 3,9)

Livre-se das amarras impostas por pessoas mais espertas que se aproveitam da boa-fé alheia.
“Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade.” (2 Coríntios 3,17)

Com fé, com liberdade, com alegria no serviço,
Pedro Cláudio
Diácono Permanente – em férias, mas sempre atento.

Crônica de um debate entre vozes inquietas


 

Crônica de um debate entre vozes inquietas
Por Pedro Cláudio

03 de julho de 2025. O cenário político brasileiro segue seu curso tortuoso, entre reformas que não reformam, narrativas que se anulam e uma população, como diria Emília Viotti na clássica obra Da Monarquia à República, “abestalhada” – atônita diante do espetáculo repetitivo do poder.

Foi nesse contexto que surgiu mais uma troca de ideias nas redes sociais entre mim e o professor e comunicador Valteir Santos. Ele publicou uma daquelas verdades incômodas que circulam pouco fora dos grupos engajados:

“O Congresso é um CLUBE DE MILIONÁRIOS!
93% dos deputados estão entre os 10% mais ricos do Brasil.
18% são super-ricos, donos de fortunas acima de R$ 50 milhões.
E só 7% representam os 90% do povo.
Enquanto isso, eles:
Liberam isenção pra jatinhos em 72 dias.
Liberam cassinos em 45 dias.
Cortam impostos de iates em 2 meses.
Mas a isenção no seu imposto de renda? 11 meses parada!
CongressoInimigoDoPovo
Quer mudar isso? Vote em quem luta pelo POVO.
Cobre o seu deputado, cobre o seu senador.
Exija a votação do PL 2741,
que isenta o IR sem cortar benefícios,
taxando os super-ricos.
Abra o olho. Não se deixe enganar!”

Li, respirei fundo e comentei, talvez mais com desalento do que com esperança:

“Valteir, e pelo jeito vamos continuar assim…
Parece que estamos presos num ciclo vicioso. Veja a dificuldade que é convencer os eleitores a mudar de opinião.
É como aquele cachorrinho com cócegas no rabo: gira, roda, se cansa tentando morder o próprio incômodo, mas não sai do lugar.”

É frustrante. A realidade que tentamos expor com dados, com argumentação sólida, parece competir com memes, manchetes inventadas, vídeos editados com má intenção — e perder.

A política virou entretenimento, torcida, meme e fake news. As redes sociais, muitas vezes intoxicadas por desinformação, convencem mais do que qualquer esforço de análise séria. É o mundo da pós-verdade: onde o “sentir” supera o “saber”, e onde a mentira repetida com raiva se impõe sobre o dado falado com calma.

E nós? Seguimos aqui, falando, resistindo, tentando provocar alguma reflexão. Mas, sinceramente, tem dias em que parece uma batalha contra moinhos de vento. A sensação de impotência nos visita — e com frequência.

Ainda assim, Valteir, seguimos. Porque, apesar de tudo, ainda acreditamos que pensar, mesmo que doa, é o primeiro passo para mudar.